perspectivas

Sábado, 23 Agosto 2008

Thomas Huxley estava errado (10)

Buraco-negro giratório

Buraco-negro giratório

Através da lógica matemática, o físico Martin Kruskal (entre outros) conseguiu solucionar a questão do comportamento dos buracos-negros. Esta imagem aqui ao lado pretende dar uma ideia de como Kruskal definiu o que acontece no buraco-negro. Já antes dele, o matemático australiano Roy P. Kerr descobriu (nos anos sessenta do século passado) que existem buracos-negros giratórios, isto é, buracos-negros com massa em rotação, e que o buraco-negro rotativo ganhava uma estrutura própria.

Nota: os “poços” ou mini-buracos-negros quânticos têm uma estrutura semelhante aos buracos-negros do macrocosmos.

O que acontece dentro de um buraco-negro rotativo? À medida que nos aproximamos do “limite estático” (orla exterior), independentemente da velocidade a que viajemos (inferior à da luz), começamos a observar que qualquer luz que emitamos a partir da nossa nave espacial é literalmente desviada na direcção da rotação do buraco, isto é, a luz emitida pela nossa nave passa a acompanhar a massa em rotação em torno do buraco-negro, como se existisse um gigantesco “vento” invisível que “soprasse” a luz no sentido da rotação do buraco-negro.

Depois de atravessarmos o “limite estático”, entramos na “ergosfera”, que é a fonte de energia rotativa. Trata-se de uma zona energética onde a luz é “desviada” circularmente e atraída pela gravidade em direcção ao centro do buraco-negro. Nesta região, a nossa nave ainda poderia (com muita sorte) escapar à gravidade do buraco-negro, e da ergosfera poderia ser extraída energia (ser fonte de energia). A propósito da “ergosfera”, o cientista Roger Penrose descobriu um princípio segundo o qual, se uma nave se partisse em dois ao entrar nesta zona do buraco-negro, uma das metades seria ejectada com mais energia do que dispunha ao entrar, enquanto a outra seria capturada pelo buraco-negro (ver “mecanismo de Penrose”).

Se a nossa nave espacial pudesse continuar a sua viagem, entraria na região chamada de “horizonte de acontecimentos exterior” (HAE). Mais interior e junto da “singularidade” do anel, existe um circulo interno que é chamado de “horizonte de acontecimentos interior” (HAI). Na zona entre o HAE e o HAI, o tempo e o espaço andam ao contrário (às avessas), e desta zona a nossa nave espacial já não poderia regressar; teríamos que forçosamente seguir em frente (num buraco-negro não-rotativo, a nossa nave seria imediatamente absorvida pela “singularidade” do buraco-negro).

Mal entramos e atravessamos a zona do HAI, o espaço e o tempo voltam a inverter-se, e o mundo parece regressar ao seu estado normal. Se pudéssemos voltar ao espaço exterior ao buraco-negro, teríamos que voltar a atravessar o HAE, voltando à região do espaço e do tempo “às avessas”, passando depois à ergosfera onde o espaço e o tempo voltariam ao normal, saindo depois do “limite estático” do buraco. Porém, quando saímos agora da ergosfera para o espaço exterior, o universo já não é necessariamente o mesmo, e será provavelmente um universo anterior àquele universo em que estávamos quando iniciamos a viagem pelo buraco-negro rotativo. O buraco-negro é, assim, uma máquina do Tempo.

Os acontecimentos que rodeiam o buraco-negro rotativo são vias de sentido único. Uma vez que entremos na região do HAE, o espaço e o tempo invertem-se e somos obrigados a seguir em frente no espaço, como somos obrigados ― em circunstâncias normais e fora do buraco-negro ― a seguir em frente no tempo. A nossa condição normal terrena é a de que nos encontramos cativos pela corrente do tempo ― não podemos voltar atrás ― devido ao fluxo temporal gerado pelos minúsculos buracos-negros (“poços”) que existem no microcosmos quântico. Os lapsos (falhas) no Espaço-tempo quântico (os minúsculos buracos-negros) são pequenos “sugadores” de tempo que “sugam” o próprio tecido do Espaço-tempo.

O futuro pode ser “puxado” para dentro de um buraco-negro, o que permite que avancemos em direcção ao futuro. Enquanto nos mantivermos fora dos limites estáticos dos buracos-negros (micro ou macro), nada se passa de anormal. Contudo, se decidíssemos passar o HAE e o HAI, descobriríamos que tudo se teria invertido, e em vez de sermos novamente arrastados para o interior do buraco-negro, seríamos agora empurrados em frente e para o exterior, entrando num outro universo.

Portanto, enquanto os buracos-negros absorvem a matéria e a luz, os buracos-brancos “cospem” a matéria e a luz. Do lado do buraco-negro vemos o futuro a passar para o passado, e no lado do buraco-branco experimentamos o passado a passar por nós em direcção ao futuro.

Imagem daqui.

2 comentários »

  1. com tudo isso significa que ao atravessar um buraco negro seria possível chegar ao futuro?
    mas como seria possível chegar a um lugar sem que ele exista?

    Gostar

    Comentar por everiton — Segunda-feira, 20 Julho 2009 @ 6:31 pm | Responder

  2. @Everiton:

    O exercício que se faz aqui é teórico, e não prático. Em termos práticos, nada pode resistir à compressão da matéria exercida por um buraco negro a partir do momento em que se entra na parte do buraco-negro a que se chama de “singularidade” (singularity).

    porém, em teoria, e se a matéria de uma nave espacial pudesse resistir à singularidade de um buraco-negro, essa nave espacial ficaria fora do espaço-tempo, o que significativa que o tempo deixava de contar para os tripulantes dessa nave espacial. O tempo continuava a contar fora do buraco-negro, mas não para quem estivesse dentro dele.

    O que se passa é que, no nosso universo, o futuro é “sugado” em direcção ao passado, o que não significa que possamos prever ou saber antecipadamente qual será esse futuro, na medida em que a nível quântico só existem possibilidades ― e não existem certezas quanto ao futuro ― sobre esse futuro que é sugado devido ao fluxo temporal gerado pelos minúsculos buracos-negros (os chamados “poços”) que existem no microcosmos quântico.

    Se os tripulantes da nossa nave entrassem num buraco-negro e saíssem do outro lado, isto é, saíssem num buraco-branco, veriam o universo como nós vemos um filme que começasse do fim em direcção ao princípio do filme, isto é, veríamos o passado a ser “sugado” direcção ao futuro.

    Quando se fala em “futuro” que os tripulantes da nave vêem quando saem do buraco-branco, fala-se naquele “futuro” que existe porque já foi observado por uma consciência, e não daquele “futuro” que se organiza através de simples possibilidades e que, portanto, ainda não foi observado por nenhuma consciência ― e não tendo sido observado por uma consciência, só existe como simples possibilidade de vir a existir, numa miríade de possibilidades equivalentes à constante cosmológica de 10^120 (1 seguido de 120 zeros). E só Deus, na sua qualidade de “englobante” conhece todas as essas possibilidades do futuro, embora Ele dê a liberdade para que as consciências individuais, utilizando o instrumento da função ondulatória quântica, se organizem por forma a moldar o futuro que mesmo assim permanece uma incógnita porque é fruto da espontaneidade da consciência livre.

    Gostar

    Comentar por O. Braga — Terça-feira, 21 Julho 2009 @ 1:39 am | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

AVISO: os comentários escritos segundo o AO serão corrigidos para português.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.

%d bloggers like this: