perspectivas

Quarta-feira, 13 Agosto 2008

Thomas Huxley estava errado (8)

Qual o tamanho do Universo?

Universo Quântico

Universo Quântico

É hoje ponto assente que o nosso universo teve início com o Big Bang. Portanto, tendo tido um princípio, podemos ― sob o ponto de vista filosófico ― dizer que o universo foi criado, porque tudo o que tem um início é um efeito de uma causa. Quando os darwinistas dizem que não existiu a Criação do Universo, vão contra a própria lógica científica que pressupõe uma causa para um efeito, e por isso podemos dizer que o darwinismo esteve na origem de um monismo religioso dogmático: o Naturalismo.

Estando o universo em expansão a partir de um início, ele é finito; podemos dizer que o Universo tem uma “orla” exterior que se expande ocupando o lugar do “Nada” que está para além do universo.

Imaginemos a totalidade do universo existindo na superfície de um balão: ainda que nos deslocássemos sempre na mesma direcção sobre a superfície dessa esfera, jamais chegaríamos a uma borda exterior; e se caminharmos sempre em redor da superfície do balão, não voltaremos necessariamente ao ponto de partida, embora este possa parecer idêntico ― isto se o balão estiver em expansão, como está (ou em contracção). Este facto deve-se à introdução da dimensão do Tempo na equação.

Por esta razão se diz que o universo se encontra contido em “Nada”, porque ele contém-se a ele próprio. Porém, a comparação supracitada com o balão parte do princípio de que o observador está no seu exterior, isto é, vê o balão de fora ― em termos práticos, neste caso o observador vê o balão para “além” do espaço-tempo. Portanto o “Nada” está fora do Espaço-tempo.
Nos níveis superiores fora do espaço-tempo, o espaço e o tempo não existem. Em suma: se o espaço e o tempo se encontrassem confinados ao balão, nós que observamos o balão na sua expansão encontrar-nos-íamos num nível superior situado fora do espaço-tempo.

O tamanho do universo depende da velocidade a que um objecto se desloca. Quanto maior for a nossa velocidade, mais curta é a duração da viagem e mais curta a distância a percorrer. Segundo a relatividade geral de Einstein, isto deve-se ao facto de os relógios em movimento se atrasarem, e dos comprimentos em movimento se encurtarem na direcção da deslocação. Uma viagem da luz do Sol à Terra (150 milhões de Km) demora cerca de 500 segundos do nosso tempo. Porém, se estivéssemos numa nave espacial e quiséssemos empreender uma viagem ao Sol, a uma velocidade de 10% da velocidade da luz, a relatividade faria com que a viagem fosse de cerca de 5.000 segundos (83 minutos). Se aumentássemos a velocidade, o tempo da viagem começaria a decrescer mais rapidamente do que seria aparentemente lógico e de esperar: a 70% da velocidade da luz, a nossa viagem demoraria cerca de 500 segundos ― o mesmo tempo que a luz demora a percorrer esse mesmo trajecto, quando observada pelos nossos amigos que ficaram na Terra. A 94% da velocidade da luz, a viagem demoraria 180 segundos (3 minutos), e a 99% da velocidade da luz, a viagem demoraria menos de 1 minuto. À velocidade da luz, o momento da chegada da nossa nave seria praticamente o mesmo momento da partida.

Se, por outro lado, a nossa nave espacial estivesse imobilizada no espaço, e o universo passasse velozmente por nós, veríamos a Terra afastar-se cada vez mais e o Sol a aproximar-se vertiginosamente. A distância da Terra ao Sol seria como uma enorme régua que, em movimento do universo, se encurtava; se essa régua passar por nós a 99% da velocidade da luz, ela encurta-se até um comprimento de apenas 60 segundos/luz, isto é, cerca de 16 milhões de Km. Se a velocidade de deslocação do universo fosse ainda maior ― embora inferior à velocidade da luz ―, a distância do Sol à Terra, medida pela tal régua, seria inferior a meio metro.

Em suma: o universo pensado à velocidade da luz reduz-se ao tamanho de uma cabeça de alfinete. E ainda assim, há quem diga que Deus não existe.

8 comentários »

  1. Muito bom 🙂

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    Comentar por chiconline — Quarta-feira, 13 Agosto 2008 @ 11:13 am | Responder

  2. Me senti em sala de aula. Obrigada!

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    Comentar por Delfina — Quarta-feira, 13 Agosto 2008 @ 2:45 pm | Responder

  3. […] A seguir: “Qual é o tamanho do universo”? […]

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    Pingback por Thomas Huxley não tinha razão (7) « perspectivas — Quarta-feira, 13 Agosto 2008 @ 3:53 pm | Responder

  4. Como encaixa aqui a inflação cósmica, a matéria-negra e a energia-negra?

    E, quando viajamos à velocidade da luz, não será o tempo que diminui em vez da distância?

    Obrigado pela reflexão.

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    Comentar por VFS — Sexta-feira, 22 Agosto 2008 @ 12:42 pm | Responder

  5. VFS : repare no que eu escrevi:

    e, por outro lado, a nossa nave espacial estivesse imobilizada no espaço, e o universo passasse velozmente por nós.

    À velocidade da luz (ou próximo dela), a dimensão “Espaço-tempo” interage entre si. Não podemos falar em tempo sem falar em espaço. Quando o espaço diminui, o tempo diminui.

    Escrevi aqui:

    O espaço e o tempo são apenas medidas de grandeza, unidades diferentes de conversão do espaço-tempo. O espaço e o tempo encontram-se ligados e são intermutavéis, e por isso, o carácter não-absoluto do tempo e do espaço foi substituído por uma ideia de carácter absoluto do espaço-tempo.

    Neste momento estou num local (fora de casa) onde não tenho a bibliografia utilizada disponível, mas aconselho a leitura de alguma coisa de Richard Feynman e John Wheeler. Aquilo a que chama matéria-negra é também chamado de “antimatéria”. Lá chegarei, no “Thomas Huxley estava errado (edição 9)”.

    Ler:

    https://espectivas.wordpress.com/2008/07/10/thomas-huxley-estava-errado/

    https://espectivas.wordpress.com/2008/07/11/thomas-huxley-estava-errado-2/

    https://espectivas.wordpress.com/2008/07/12/thomas-huxley-estava-errado-3/

    https://espectivas.wordpress.com/2008/07/22/thomas-huxley-estava-errado-5/

    https://espectivas.wordpress.com/2008/08/11/thomas-huxley-estava-errado-6/

    https://espectivas.wordpress.com/2008/08/12/thomas-huxley-nao-tinha-razao-7/

    https://espectivas.wordpress.com/2008/08/23/thomas-huxley-estava-errado-9/

    https://espectivas.wordpress.com/2008/08/23/thomas-huxley-estava-errado-10/

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    Comentar por O. Braga — Sexta-feira, 22 Agosto 2008 @ 3:58 pm | Responder

  6. Boa tarde,
    Gostaria, em primeiro lugar, que notasse que os meus comentários são apenas para eu próprio questionar os meus pressupostos. Em segundo lugar, que naturalmente, posso não concordar com os seus pensamentos. Para além disto, nada mais pretendo. E creia que lhe agradeço as suas respostas, pois, para mim, o erro é a base do conhecimento. Quando mais me ensinarem, melhor. Julgo que estará de acordo.

    Embora seja um debate em aberto na comunidade da física, a maior parte dos físicos acredita que o tempo não existe. O tempo não passa de uma projecção sensorial humana. Parece-me ser efectivamente o caso. Uma das sustentações que inclui num artigo que está a ser apreciado, encontrei-a ao ler Heiddeger.

    Nós, humanos, temos a tendência para identificar o tempo humano com o tempo tout court. Quem, muito melhor do que eu e do que outros, pensou esta questão, foi o Prof. João Magueijo, que, na minha opinião muito bem, questiona a constância da velocidade da luz (Faster than the Speed of Light).

    Vamos lá então reflectir sobre a relatividade. Antes de Einstein, quer o espaço quer o tempo eram tidos como os mesmos para diferentes observadores. Os raciocínios de Einstein levaram-no a afirmar que o tempo era relativo. O exemplo que ele deu – entre o sujeito que viaja e o que fica a observar – confirma isso mesmo. O tempo passa mais devagar para o que viaja. Ora, no que respeita ao espaço não se pode estabelecer comparações entre o que viaja e o que observa pois só um percorre uma determinada distância.

    Então, vou aplicar o exemplo de Einstein a uma corrida de 100 metros. Pese embora todos os corredores tenham que percorrer 100 metros, já o tempo que levarão para o fazer pode ser diferente. Isto diz-nos que só o tempo é variável, ou seja, relativo. Mas a distância é a mesma.
    Para uma pessoa que viaje, tendo como destino o buraco-negro do centro da nossa galáxia, numa nave espacial à velocidade da luz o efeito de dilatação do tempo fará com que o tempo seja menor mas a distância é sempre a mesma. É certo que os tripulantes da nave experimentariam uma contracção sensorial da distância. No entanto, teriam que percorrer na mesma a totalidade da distância.

    Sobre a matéria-negra, ninguém sabe o que ela é. Estamos, portanto, perante outra das questões em aberto da física moderna. Há, no entanto, algum consenso no que respeita ao facto de aparentemente só interagir em termos gravitacionais, ou seja, não interage com a luz. Como a matéria-negra representa cerca de 90% do universo, há teorias que sustentam que ela é a responsável pela gravidade que mantém a união do cosmos (nunca li, nem ouvi nada que afirmasse que matéria-negra fosse antimatéria. Se me puder indicar literatura, agradeço).

    Por fim, agradeço-lhe as sugestões de leitura. Retribuo e indico: Lior Burko, Juliam Barbour, Richard Lieu, Etienne Klein, Michio Kaku, John Barrow e, principalmente, Alan Guth.

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    Comentar por VFS — Sexta-feira, 22 Agosto 2008 @ 11:45 pm | Responder

  7. Bom dia,
    Por lapso, ontem esqueci-me deste parágrafo.

    Conforme referi, embora com algum exagero, podemos afirmar que indirectamente Richard Feynman está ligado a elaboração da Wilkinson Microwave Anisotropy Probe (WMAP), uma sonda que a NASA enviou ao espaço para medir a radiação cósmica de fundo, visando um maior conhecimento do Universo.

    Os resultados foram ainda mais espectaculares do que o esperado. Mas para o que nos interessa, é agora possível afirmar que Universo tem pelo menos 156 bilhões de anos-luz de largura e uma idade de cerca de 13,7 biliões de anos.

    Melhores Cumprimentos

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    Comentar por VFS — Sábado, 23 Agosto 2008 @ 1:26 pm | Responder

  8. O tempo não passa de uma projecção sensorial humana.

    Não se estará a referir ao “tempo psicológico”? Em parte concordo com a ideia, porque o tempo depende também da consciência e da sua complexidade (ondulação quântica).

    Quem, muito melhor do que eu e do que outros, pensou esta questão, foi o Prof. João Magueijo, que, na minha opinião muito bem, questiona a constância da velocidade da luz (Faster than the Speed of Light).

    Já aqui falei nos “taquiões”. É preciso ler toda série de posts “Thomas Huxley estava errado”. Infelizmente não dá para colocar tudo num mesmo postal.

    O tempo passa mais devagar para o que viaja.

    No próximo postal vou falar sobre como é possível viajar no tempo ― para o passado e para o futuro ― se entrarmos nas imediações de um buraco negro. Isto significa que quem viaja — mesmo que próximo da velocidade da luz — pode ter o tempo a passar mais devagar ou mais depressa, dependendo se entrou no “horizonte de acontecimentos interior” do buraco negro, depois de ter passado pelo “horizonte de acontecimentos exterior” do buraco negro.
    O tempo passa mais devagar para o que viaja quando a força da gravidade não é suficientemente forte para “dobrar” a luz e a sua velocidade. Num buraco negro rotativo, a velocidade passa a ser relativa.

    Isto diz-nos que só o tempo é variável, ou seja, relativo. Mas a distância é a mesma.

    Aconselho a leitura de outros posts desta série. Por exemplo, quando o universo pode ser reduzido a um electrão, o espaço é relativo. Ou não?

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    Comentar por O. Braga — Sábado, 23 Agosto 2008 @ 4:52 pm | Responder


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