perspectivas

Quarta-feira, 16 Julho 2008

Exercício de memória: a República passou de moda?

Terra da Pátria!
Querida terra,
Liberta e altiva!
Na paz, na guerra
A alma idolatre-a,
Para ela viva.

Nosso chão pátrio,
Terra querida,
Sempre liberta!
De um mundo às átrio,
Nunca vencida,
Por ti ― alerta!

Terra sagrada
Da Pátria amada,
Sê triunfante!
Pequeno e forte,
Até à morte
Avante! Avante!

“Coral de Tripúdio”, de Teófilo Braga (1843 ― 1924), um republicano dos sete costados


Começo este postal com um poema de um republicano para que não se caia na tentação (nem eu nem o leitor) de se identificar exclusivamente o amor à Pátria ou com o republicanismo ou com a monarquia.

A esmagadora maioria das pessoas que defende hoje a alienação da nossa soberania em favor de uma ideia de uma Europa federalista do Directório dos grandes países, diz-se republicana. Dei comigo a pensar sobre o que os homens que ajudaram a implantar a I República, se fossem hoje vivos, opinariam de todo o processo federalista de integração europeia. Desde logo, a Teófilo Braga podemos juntar Ramalho Ortigão (1836 ― 1915) com quem se envolveu na Questão Coimbrã e que, com Eça de Queirós, escreveu “As Farpas”. O que pensaria Ramalho Ortigão da nação portuguesa com o estatuto de uma província europeia?

E Trindade Coelho (1885 ― 1934) ? O que diria o diplomata e republicano inquestionável desta alienação da soberania portuguesa em nome de um jogo político de que resulta que só os países pequenos da Europa alienam verdadeiramente partes significativas das suas soberanias?

Quando Raul Brandão (1867 ― 1930) escreveu “El-Rei Junot”, parecia adivinhar as actuais vicissitudes por que passa a identidade nacional. Podemos juntar à lista muitos outros e entre os quais Fernando Pessoa e Aquilino Ribeiro, duas personalidades opostas mas que partilhavam uma visão nacionalista de Portugal, cada um à sua maneira. Seria, essa gente, idiota? Será que ser republicano é ser passadista? Será que a República passou de moda?

Se fosse possível, gostaria que Mário Soares, Cavaco Silva, Freitas do Amaral, Medeiros Ferreira, etc., pudessem dizer, de viva voz, a estes republicanos da primeira hora que ser nacionalista está fora de moda, para ouvirem dizer da parte de quem ajudou a quebrar um ciclo da monarquia que ― assim sendo ― a república já não existe.

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