perspectivas

Quarta-feira, 16 Julho 2008

A inconsequência causal

O argumento libertário mais utilizado para a extrusão legal dos seus próprios valores para substituição dos nossos valores civilizacionais e históricos colectivos, é o argumento da “inconsequência causal” do acto cultural.
Por exemplo, quando os libertários (de esquerda e de direita) defendem a legalização do consumo e venda das drogas leves (liamba, haxixe, etc.) fazem-no invocando o argumento da “inconsequência causal”: segundo este argumento, a legalização das drogas leves não leva necessariamente à legalização das drogas duras; a legalização da venda e consumo da liamba não significa, per si, que a heroína venha a ser legalizada, porque (dizem) não existe uma relação de causa-efeito entre as duas situações e não existe uma razão que justifique que a legalização de uma situação levaria à legalização de outra. Para ilustrar este argumento, os libertários recorrem ao caso da venda e consumo de álcool, que é legal, enquanto que a venda e o consumo de drogas, em geral, é ilegal.


Como podemos ver, o argumento da “ inconsequência causal” é em si mesmo falacioso, porque é baseado no facto de se vender o álcool legalmente que os libertários defendem a liberalização das drogas leves, isto é, ligam uma situação à outra. O que quero dizer é que, quando se justifica aos olhos dos libertários, interessa defender o nexo causal comparando situações, e quando não interessa à sua ética política, não se justifica defender a existência de um nexo causal entre situações em equação. Trata-se de um argumento feito à medida. Aos libertários nunca se lhes passa pela cabeça restringir a venda de álcool, mas preferem utilizar o exemplo da venda legal de álcool para justificarem a venda das drogas leves, ao mesmo tempo que afirmam não existir um nexo causal entre a legalização das drogas leves e a legalização das drogas duras.

É espantoso como este tipo de argumento, facilmente desmontável, é aceite pelos agentes dos me®dia e mesmo por políticos mais conservadores.

Utilizando este mesmo argumento falacioso, os libertários defendem a legalização do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo na medida em que dizem não existir um nexo causal entre a legalização do “casamento” gay e a possibilidade da legalização futura da poligamia, ou da poliamoria, do incesto, da bestialidade, da pederastia, da pedofilia, da necrofilia, etc., como relacionamentos a prever no Código Civil do futuro, decorrentes da legalização do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo.

1 Comentário »

  1. «Como podemos ver, o argumento da “ inconsequência causal” é em si mesmo falacioso, porque é baseado no facto de se vender o álcool legalmente que os libertários defendem a liberalização das drogas leves, isto é, ligam uma situação à outra. O que quero dizer é que, quando se justifica aos olhos dos libertários, interessa defender o nexo causal comparando situações, e quando não interessa à sua ética política, não se justifica defender a existência de um nexo causal entre situações em equação. Trata-se de um argumento feito à medida. Aos libertários nunca se lhes passa pela cabeça restringir a venda de álcool, mas preferem utilizar o exemplo da venda legal de álcool para justificarem a venda das drogas leves, ao mesmo tempo que afirmam não existir um nexo causal entre a legalização das drogas leves e a legalização das drogas duras.»

    A maioria é capaz de não perceber mesmo assim, apesar de clarinho como água…

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    Comentar por Henrique — Quinta-feira, 17 Julho 2008 @ 7:27 pm | Responder


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