perspectivas

Sábado, 12 Julho 2008

Thomas Huxley estava errado (3)

Vimos já que a construção que fazemos de nós próprios e dos outros é feita para Além do tempo, onde a consciência se percebe a si própria, e por isso, não faz nenhum sentido falar-se de sequências temporais.

Nesta sequência de postais (parte I, parte II), tem-se propositadamente evitado falar em “Deus”, porque tradicionalmente (e estupidamente) o substantivo adjectivado “Deus” tem uma conotação científica negativa. Contudo, não há absolutamente nada na pura ciência contemporânea que afaste Deus como uma probabilidade, o que significa que a ciência tem sido contaminada pela política correcta. Quando falamos em “consciência universal” ― de que nós fazemos parte por via da nossa consciência e pensamentos ― ela é um dos atributos de Deus e portanto, não o único atributo. Neste sentido, nós existimos, de facto, à semelhança de Deus, porque partilhamos a “consciência universal” e coexistimos também no mundo quântico.

A nossa existência e o universo

Quando nos debruçamos sobre a existência do universo e de como ele surgiu, existem perguntas que ainda não têm resposta, mas existem também teorias filosóficas deduzidas e depois matematicamente induzidas que nos dão pistas que se demonstram evidentes, e que incomodam alguma da nomenclatura científica instalada que vive muito bem à custa do seu estatuto social (nomeadamente os biólogos das cátedras que garantem os seus alvarás de inteligência). Este fenómeno não é novo: o maior problema da ciência sempre foi a política.

Há dias, o Henrique falava nas linhas paralelas que se encontram no infinito, ideia essa com que concordei partindo do princípio de que essas linhas paralelas seriam compostas por taquiões. Sendo que os taquiões são mais rápidos que a luz, se eles se deslocassem para o passado, as linhas paralelas encontra-se-iam no ponto de início do Big Bang, ponto esse que traduz a ideia de “infinito” na medida em que é o ponto de contacto com a Criação do nosso universo. Contudo, não há nada que nos possa assegurar que só existe o nosso universo, e que as nossas linhas aparentemente paralelas compostas por ondas quânticas não pudessem seguir o seu percurso em outra dimensão.

Na Física quântica ― que se encontra subjacente a todo o mundo físico ― existe o conceito matematicamente induzido de “auto-referência”. A “auto-referência” faz parte do processo de como o nosso universo se faz (por favor não confundir “auto-referência” quântica com as teorias darwinistas de “auto-organização”da vida na Terra).

No conceito de “auto-referência” da Física quântica, as ondas quânticas (que, recorde-se, não são consideradas como matéria propriamente dita) fluem no espaço-tempo entre um acontecimento e outro, (metáfora) como se fossem correntes de água que se deslocam da nascente para a foz. Então, as ondas quânticas invertem o percurso no espaço-tempo e voltam da “foz” para a “nascente”.

Embora a Física quântica não saiba exactamente a velocidade dos taquiões, se partirmos do princípio de que estes podem atravessar o nosso universo em escassos segundos do tempo cósmico (ou tempo total), é o reforço que resulta da interacção das ondas quânticas ― que fazem parte da “consciência universal” ― com as suas próprias imagens reflectidas no espaço-tempo que produz o conjunto de fenómenos a que chamamos de realidade. Neste sentido, (metáfora) o vai-vem das ondas quânticas pelo universo funcionaria simultaneamente como um pêndulo de um relógio que marca o tempo e como um pincel de um artista que faz a obra de arte.

Na exacta linguagem dos físicos quânticos, diz-se que «as ondas quânticas são assim multiplicadas pelo seu “ego conjugado pelo complexo” para gerar as possibilidades do mundo real.»

Naturalmente que quando falamos em “possibilidades”, está afastada a ideia de um “determinismo” mecanicista. Percebidas dentro do espaço-tempo, todas as unidades são auto-organizadoras, todos os sistemas estão em marcha e os processos vitais fluem.

O processo duplo da “auto-referência” ocorre em todos os fenómenos físicos e está na origem da auto-organização: a existência do ego deve-se à interacção da onda quântica com a sua imagem espelhada no espaço-tempo, (metáfora) assim como nós interagimos com uma imagem nossa reflectida num espelho.

Quando vemos a nossa imagem num espelho, o que acontece é que nos “esquecemos” de nós próprios. Mas antes de nos esquecermos de nós próprios ao observarmos a nossa imagem no espelho, primeiro reparamos em nós próprios, isto é, para nos esquecermos de nós temos antes disso que reparar em nós próprios. Resulta disto a ideia de que através da auto-reflexão ― ou auto-conhecimento ― conseguimos modificarmo-nos a nós próprios, e ao observarmo-nos nos outros conseguimos modificar-nos uns aos outros.

Quando as religiões nos falam da importância da oração e do recolhimento auto-reflexivo dos mosteiros, não andam longe da verdade. Tudo quanto existe é o “Um-verso”, o universo observando-se a si próprio em si próprio, e é através do auto-conhecimento que podemos contribuir para a nossa modificação e a dos outros.

(a continuar noutro postal, para não cansar quem lê e quem escreve)

1 Comentário »

  1. […] (continua noutro postal, para não cansar quem lê e quem escreve) […]

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    Pingback por Thomas Huxley estava errado (2) « perspectivas — Sábado, 12 Julho 2008 @ 12:27 pm | Responder


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