perspectivas

Sábado, 5 Julho 2008

Eduardo Lourenço de Faria e Cia Lda

Filed under: Portugal — O. Braga @ 4:57 pm
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Existem embirrações idiossincráticas, e uma das minhas embirrações é com Eduardo Lourenço de Faria. Um homem que saiu de Portugal no inicio dos anos 50 do século passado, pelo estrangeiro se quedou quentinho, e passa a dizer de Portugal o que o Maomé não diria do toucinho — diz bem da característica sefardita na diáspora que o nome “Faria” denuncia; para além de sefardita, o Lourenço dos lábios finos e penca à moda de Salazar, é um safardana. O Faria esquece-se que a história de Espanha é infinitamente mais violenta e atribulada que a portuguesa, mas o Faria não coloca em hipótese a “Morte de Espanha”.

Segundo documentos históricos, em Portugal terão sido assassinados pouco mais de uma centena de pessoas às mãos da Inquisição, enquanto que em Espanha o Torquemada condenou milhares; mas o safardana concentra-se na crítica a um país em relação ao qual se sente um judeu errante.

Na esteira do Faria, uma besta quadrada de nome Real, no emplástrico texto chega à seguinte conclusão:

O Portugal desenhado pelos quatro complexos acima enunciados encontra-se moribundo, submerso pela avalanche de costumes liberais europeus e americanos, totalmente descristianizados e desumanizados.

Quando Portugal tem uma lei que regula as uniões homossexuais como na maioria dos estados dos EUA não existe ainda, a Real besta vem diminuir a capacidade “liberal” portuguesa; a estupidez é tanta, que num país de fanáticos evangélicos como é os Estados Unidos, a besta real não tem pejo em classificar este país como “descristianizado”, em contraponto a um Portugal “cristianizado”. Não sou a favor da censura, mas mentecaptos deste calibre deveriam ser denunciados como tal.

«Ao longo de 400 anos, de D. João III a Oliveira Salazar, Portugal criou uma forma mental e uma visão do mundo que se alimentam exclusivamente da negativização do pensamento oposto, da doutrina contrária, da teoria diferente, nulificando igualmente os seus autores – conceito combatido, autor preso, exilado ou morto, livro queimado ou proibido.

Em todo o texto, a besta Real critica a sua própria prática e idiossincrasia: a negativização do pensamento oposto. O chico-espertimo tuga caracteriza-se nas críticas sem sugestão de soluções. Esta mentalidade de merda resulta do contágio cultural da Teoria Crítica de Adorno e Marcuse: critica-se, critica-se até à exaustão, e das críticas só retiramos as críticas, sem soluções ou alternativas sugeridas. Se esta gentalha continua na estranja, que fique por lá. Só cá fazem falta os que cá estão.

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