perspectivas

Quarta-feira, 2 Julho 2008

Estou curioso…

Filed under: politicamente correcto — O. Braga @ 8:25 pm
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Alguém me poderá dizer se este “Jorge Ferreira” é o ex-CDS e militante do Partido da Nova Democracia? Ou não tem nada a ver um com o outro?

Actualização:

Nestas coisas da Internet, nunca sabemos exactamente se os comentários são feitos por quem se diz que faz, mas vou dar este comentário como bom. Jorge Ferreira, militante do Partido da Nova Democracia, escreve no seu blogue:

Não vi a entrevista de Manuela Ferreira Leite, embora pelos comentários que tenho lido, me pareça que não perdi nada. Mas estou surpreendido com a afirmação de que o fim do casamento é a procriação. Não que isso interfira com a eventual competência da senhora para governar, que isso já é outra conversa. Mas do ponto de vista humano, estritamente humano, choca-me que alguém, com todo o direito, aliás, pense tal coisa. Será que a senhora considera que quem não pode ter filhos não poderá jamais constituir família, já que o objectivo do casamento é a procriação?

    1. Jorge Ferreira parte do princípio de que se existirem (por hipótese) 10 porcento de casais que — ou porque não podem, ou porque não queiram — não tenham filhos, logo o casamento não tem uma função procriativa. Portanto, para Jorge Ferreira, as excepções constituem a regra — ou será que se pretende que a excepção passe a ser a regra?

    2. Quando alguém da área da social-democracia (MFL) se substitui à direita que se diz de “inspiração cristã” na defesa dos valores (o católico Manuel Monteiro) civilizacionais europeus, percebemos bem o garrote ideológico — da esquerda à direita — que se abate sobre os portugueses e que compromete a actual direita com a esquerda mais radical, no que respeita à cultura. Não existe direita conservadora em Portugal, nem existe um partido Democrata-cristão.
    Existe de facto uma cumplicidade entre a actual direita partidária que temos, e a esquerda, no que diz respeito a uma “revolução cultural” que passa pela erosão de alguns valores fundamentais como os do casamento monogâmico, a família e os seus valores. A direita que temos é libertária, e só se distingue da esquerda nas divergências respeitantes à área económica.

    3. A minha opinião sobre o que disse a MFL está aqui.

Actualização:

Em resposta a este postal, informo o digníssimo blogger que Manuela Ferreira Leite não disse “que o fim do casamento é a procriação”, mas disse que “a família tem por objectivo a procriação.” Um determinado objectivo não implica a necessidade de existência de um fim único, mas o facto de não existir necessariamente um fim único não significa que ignoremos o “objectivo da família” em nome de um igualitarismo absurdo (conjunção copulativa: “não só, mas também”. O casamento tem não só em consideração o amor ou outras razões subjectivas, mas também a procriação. Contudo, o “também” condiciona a qualidade do sujeito).

A instituição do casamento merece uma discriminação positiva, porque não é um um simples direito mas um privilégio que a sociedade concede. Se o casamento fosse um simples direito, as cláusulas discriminatórias presentes no Código Civil teriam que ser todas eliminadas (“ou há moralidade, ou comem todos”).

O facto de a mulher ou o homem do casal ser infértil, não significa que MFL tenha directa ou indirectamente posto em causa o direito de um casal (naturalmente, 1 homem + 1 mulher) ao casamento, exactamente porque os casos de infertilidade constituem a excepção à regra, e porque existe a possibilidade de adopção de crianças.

Tenho como certo que Jorge Ferreira não quis secundar o Alberto Martins no apoio ao “casamento” gay, mas quis atacar Manuela Ferreira Leite — e eu não vejo mal nisso, desde que atacando-a, não passemos a dar tiros nos próprios pés.

Recomendo a leitura deste artigo de Olavo de Carvalho:

A diferença entre a direita brasileira e a americana, nesse ponto, é mínima. O pastor Pat Robertson, ao declarar que alguém devia dar cabo de um feroz inimigo do seu país, levanta contra si uma tempestade de invectivas e se humilha num pedido de desculpas. Apelos públicos ao assassinato de George W. Bush são tidos como normais, aceitáveis e até elegantes.

1 Comentário »

  1. Alguém pode de facto dizer-lhe: e neste caso é o próprio que lhe confirma. Sim, eu sou esse mesmo. Curiosidade satisfeita?

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    Comentar por Jorge Ferreira — Quarta-feira, 2 Julho 2008 @ 9:44 pm | Responder


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