perspectivas

Terça-feira, 24 Junho 2008

O novo Guru


Gilles Deleuze

Quando nos questionamos o que se passa à nossa volta e não compreendemos, temos que procurar as soluções na filosofia da moda. Não é a ciência ou a técnica que definem a cultura; quem trata de aculturar a ciência e a técnica, tentando incutir esta ou aquela perspectiva da ciência e da técnica na cultura de uma sociedade, é a filosofia que está na origem das ideologias. Sempre assim foi, mas a filosofia que molda as ideologias é hoje escamoteada pelo Poder, isto é, o poder instituído tudo faz para que a sociedade não tenha acesso ao código genético das ideias, preferindo impor um modelo fabricado. Por isso, a filosofia tem vindo a ser retirada dos curriculae do ensino secundário em Portugal e na Europa em geral, tem sido ostracizada pelo Poder. Ao Poder não interessa que as pessoas pensem, antes querem que uma elite radical protegida pelo Poder pense pela sociedade em geral.

Pertencer a uma clique, a uma elite, nem que seja a uma elite de pedófilos, sempre foi um desígnio de um certo intelectualismo radical ocidental que proliferou com a revolução francesa e com a afirmação do poder maçónico. Em todos os tempos, a sociedades adoptam gurus filosóficos, independentemente do estádio de evolução da ciência e da técnica. Por exemplo, Voltaire e Rousseau marcaram a revolução francesa; os positivistas marcaram o século 19; Nietzsche e Marx marcaram o modernismo do século 20 que desembocou no pós-modernismo de Sartre, Marcuse, Foucault, dos neomarxistas e dos relativistas e desconstrucionistas ideológicos. A ciência e a técnica seguiram a sua evolução natural, e os gurus filosóficos nada mais fizeram do que dizer à sociedade qual a interpretação “correcta” acerca da evolução da ciência e da técnica. À medida que as ideias dos gurus da moda vão sendo colocadas em causa, surgem novos gurus filosóficos que os herdeiros do Iluminismo inventam para perpetuar a Utopia Radical.

Neste princípio do século 21, Gilles Deleuze é um dos gurus mais seguidos.


Gilles Deleuze chama-se a si mesmo várias coisas: neomaterialista, empiricista, realista, filósofo da diferenciação, filósofo da multiplicidade, etc. A Deleuze não lhe faltaram atributos para se classificar a si próprio. Deleuze foi, através dos seus actos e ideias, a contradição em pessoa; condenava os actos de negação da vida animal mas apoiava o aborto livre e suicidou-se por defenestração em 1995.

A teoria de Deleuze é uma salada russa que é servida de sobremesa, com pompa e circunstância, em opíparos manjares da propaganda levada a cabo pelo Novo Libertarismo internacional através dos seus serviçais pedagogos de rabo-de-cavalo e barba rala, que pretendem fazer a síntese entre o Libertarismo de Esquerda e o de Direita. A ideia é, de facto, criar um só Libertarismo Cultural e Económico, aproximando as posições económicas de esquerda e de direita. Depois da queda do marxismo-leninismo, já não faz sentido que o Libertarismo de esquerda continue a adoptar o marxismo aplicado à economia, e a Utopia Negativa do Marxismo Cultural da Escola de Frankfurt revelou-se um “sitting duck” em que os civilizacionistas ocidentais estão cansados de atirar a matar. Dou um exemplo: Deleuze recusa a componente freudiana do Marxismo Cultural de Marcuse e Adorno, mas encaixa que nem uma luva nos movimentos ecologistas radicais de esquerda (Ecofascismo).

A salada russa de Deleuze é variada: ele criticou os neopositivistas da teoria da linguagem (Wittgenstein, Carnap, etc.), quando sabemos que os teóricos da linguagem são uma variante moderna do Empiricismo (ou Empirismo, mas prefiro a primeira denominação), e simultaneamente, Deleuze auto-denominou-se de “empiricista”. Misturou Nietzsche (anti-cristão) com Bergson (idealismo exacerbado) e com Espinosa (imanentismo panteísta). Se alguma coisa de absolutamente original surgiu de Deleuze, não é dele, mas do psicólogo radical Guattari com quem trabalhou. Contudo, é a salada russa de Deleuze que está na moda pela elite que tenta redefinir a cultura comportamental da sociedade ocidental.

Deleuze foi ateu. Sendo ateu, o Novo Libertarismo adopta-o imediatamente como um dos filósofos eleitos. O ateísmo de Deleuze é sustentado pelo conceito de matéria que se auto-organiza, conceito esse que até eu consegui desconstruir aqui.

A ler : O Novo Guru — A Crítica a Kant

1 Comentário »

  1. […] A ler: Deleuze, o Novo Guru […]

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    Pingback por O Novo Guru — A Crítica a Kant « perspectivas — Quarta-feira, 25 Junho 2008 @ 9:56 pm | Responder


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