perspectivas

Domingo, 15 Junho 2008

Balanço do “não” irlandês

As predicted recently by economist David McWilliams, the Lisbon Treaty result hinged very much on a question of class, and access to wealth. Yesterday’s result proved him not only to be right, but exposed the brutally the ignorance of the Irish and European political establishments to the needs and wants of the Irish people.

Esta análise no blogue Irish Bulletin é acertada. Do que se trata, quando discutimos o Tratado de Lisboa — e para além da perda de soberania e da humilhante subordinação nacional a interesses inconfessáveis –, é de uma questão de classes sociais. O Tratado de Lisboa transporta no seu bojo uma estratégia neoliberal radical de distanciamento progressivo de rendimentos entre ricos e pobres (países do norte e do sul, do centro e da periferia), com a agravante de tentar legitimar uma crescente injustiça social através da repressão autoritarista sancionada pelos governos que delegam o seu poder na União. O fenómeno irlandês não é isolado.

Those supporting Lisbon are the political and media establishments, the rich in their strictly Anglo-Irish bubble settlements, the pension-proud elderly, the cosmopolitan and those who have excelled in climbing the ladders of the civil service. (…) In one form or another, miserable and Masonic plans for a European superstate have been rejected by the people of Holland, France and now Ireland, and yet still they plot with the cards they still hold. And let’s not be under any illusion here – while the cards they hold are backed by the pokerfaces of the media, the legal and political professions and the world of high finance, as long as right-thinking people exist in large numbers, their foothold is as flimsy as a house of those same cards.

O que está em causa é a legitimação de uma elite plutocrata controlada pela maçonaria e a consolidação de uma nomenclatura social que a sustente, à custa de medidas repressoras que mantenham as classes mais baixas controladas através de uma repressão autoritária que se acentuará inexoravelmente, se o Tratado de Lisboa seguir em frente. Por isso, existe, de facto, um paralelismo entre a UE do leviatão e a ex-URSS; uma as diferenças é que o leviatão europeu ainda não está consumado nem consolidado, sendo ainda muito cedo para falarmos na brutalidade de um sistema que ainda não existe — mas os sinais estão todos lá para quem quer ver.

2 comentários »

  1. “sendo ainda muito cedo para falarmos na brutalidade de um sistema que ainda não existe”

    Mas não existe como? Só se por “existe” se queira dizer “instituido”.
    Claro que existe, e a maçonaria é só uma parte, e os outros? “opus gay” e afins?
    Na verdade o que está realmente em causa é a “legitimação de uma elite plutocrata”, da mesma forma que Hitler, Franco ou Salazar sempre se sustentaram na sua legitimidade para governar, mais que não fosse com paradas a gritar aleanadas, com com manifestações de apoio bem organizadas.
    Mas com esses, pelo menos, havia a clara noção que qual era a cabeça em que dar a blazada… Agora a “elite plutocrata” quem é? Onde é que se enterra a adaga?
    Muito perigoso este estado de direito…

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    Comentar por Luis Fatal — Segunda-feira, 16 Junho 2008 @ 11:23 am | Responder

  2. Pois é mesmo isso, ainda não se sente bem essa “coisa” mas, no artigo referido, diz-se «Trocou o pau pela cenoura e aquele só é usado quando se entende ser absoluta necessidade». A Irlanda, por exemplo, já começa a ver com quantos paus a Europa vai bater: ou repetem o referendo até dar o resultado pretendido, ou «rua se faz favor e não nos venham cá vender mais whisky».

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    Comentar por Henrique — Segunda-feira, 16 Junho 2008 @ 9:35 pm | Responder


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