perspectivas

Segunda-feira, 26 Maio 2008

Para alguns “cientistas”, existem crenças mais absurdas que outras

Esta é a conhecida fórmula de Heisenberg, escrita em 1925, em que Dx é a incerteza da posição de um electrão em determinado momento, e em que Dp é a incerteza do próprio momento. A constante h é a “constante de Max Planck”, e ћ é a “constante reduzida” de Planck. Naturalmente que Pi = 3, 141618…

Esta fórmula escandalizou a comunidade científica da altura, porque simplesmente defendia a ideia de que a “causalidade não era possível de uma forma consistente”, isto é, a causalidade rigorosa não existe. Como resultado prático da fórmula de Heisenberg, é teoricamente impossível fazer a observação de um electrão e simultaneamente definir a sua posição e a sua velocidade; ou se faz a observação da sua velocidade (tempo), ou se define a sua posição (espaço) ― isto é, numa observação de um electrão, ou se define o tempo, ou o espaço que ele ocupa, e não as duas coisas simultaneamente (princípio da incertitude, ou da incerteza).


Princípio da Incerteza

Em 1927, baseado na fórmula de Heisenberg, Niels Bohr deduziu que as coordenadas do espaço-tempo e a causalidade são complementares ― se a causalidade rigorosa não existe, a rigorosa causalidade das coordenadas do espaço-tempo é assim posta em causa.

Baseado neste conceito, Wittgenstein escreveu mais tarde de que “o nexo causal é uma crença” , e os filósofos quânticos defendem a ideia de que o espaço e o tempo são duas dimensões diferentes que se movem em sentidos opostos, dando como alegoria o exemplo de duas placas tectónicas que se deslocam em diferentes direcções.

Einstein desafiou os conceitos de Heisenberg e de Niels Bohr, sugerindo a ideia de uma experiência que consistia numa caixa estanque cheia de radiação e previamente pesada; acoplada à caixa, seria colocado um relógio de alta precisão, que seria desenhado também para abrir uma porta da caixa e deixar sair um fotão de cada vez, controlando o tempo em que os fotões se escapariam da caixa. Pesando a caixa algum tempo mais tarde, poder-se-ia medir ― segundo Einstein ― com precisão a energia dos fotões, assim como o tempo de escape dos fotões da caixa. Einstein colocava assim em causa o “princípio da incertitude” de Heisenberg e Bohr.

Bohr refutou esta experiência virtual de Einstein sugerindo que a massa da energia só poderia ser medida colocando-se um contrapeso (um peso de compensação, estranho à caixa) sob a caixa (porque a “massa” é diferente de “peso”), o que alteraria a relação entre o espaço e o tempo relativo da caixa, e levaria a um erro na determinação da posição da caixa. Sendo que o tempo, segundo a relatividade, não é absoluto, o erro na leitura da posição da caixa significaria um erro na medição do tempo de escape dos fotões.


Tudo o que foi dito acima não é observável, isto é, é extremamente improvável que a ciência venha a algum dia a fazer em laboratório qualquer experiência comprobatória — segundo os cânones do método cientifico — deste tipo. A própria fórmula matemática de Heisenberg é forjada em convicções deduzidas, e não baseadas num empirismo científico tradicional. Mais: é provável que estas teorias sejam revogadas por novas crenças quânticas, fruto da imaginação dedutiva dos cientistas do futuro.

Contudo, é esta ciência da “crença científica” contemporânea que diz que a “crença” em Deus é absurda.

6 comentários »

  1. Certamente, claro que tem toda a razão. Aliás toda a gente sabe que os aceleradores de partículas não sao mais do que uma treta que os cientistas-maçons inventaram para enriquecer. Alem disso, coisas como satélites geo-estacionários,sao tudo treta, aquilo nem existe e se existisse nao precisava de tanta equaçao , tanto espaço-tempo.

    [texto truncado pelo autor do blogue, por ter atacado “ad Hominem” o autor do blogue. Quando se discutem ideias, não se discutem as qualidades de quem as tem e defende, mas a substância das ideias. Outra atitude como esta, e o comentarista vai para SPAM]

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    Comentar por pensamento_correcto — Segunda-feira, 26 Maio 2008 @ 8:20 pm | Responder

  2. Qualquer tipo de crença está sujeita a ser cega, concorda? Cada um escolhe as verdades que lhe convém, para milhares de pessoas toda essa história magnífica de electrão, fotões pode parecer, e ser, loucura. Com a Teologia não pode ser diferente.

    Quantos aos 1,78cm, acredite, os homens que param no trânsito por uma mulher são tão trash quanto pedreiros que falam “oh lá em casa”…só pra efeito de comparação. rs

    Não sei como você me achou, mas obrigada pela visita e pela aula de física!rs

    Beijos

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    Comentar por marinastetner — Segunda-feira, 26 Maio 2008 @ 10:32 pm | Responder

  3. —> comentário 1:

    a) Os aceleradores de partículas não provam o princípio de Heisenberg — que é o que está em causa neste post.

    b) A ciência conseguiu avançar até onde a experiência o tem permitido. O desenvolvimento prodigioso de instrumentos de observação empírica permitiu à ciência discernir cada vez melhor o cerne das coisas, mas esta visão nunca atinge mais do que a superfície do real: mesmo quando uma sonda penetra no interior do nosso corpo, nunca encontra mais do que superfícies.

    —> comentário 2:

    Penso que as crenças não estão condenadas a ser cegas. Assim como há cientistas que adoptam princípios de racionalidade (como é o caso da dedução racional através da matemática), e não princípios submetidos a um racionalismo cego, assim existem religiosos que adoptam princípios de racionalidade na fé (fé racional) e não princípios de religiosidade cega. Neste sentido (o da racionalidade), a religião, a ciência e a filosofia conjugam-se, para beneficio de todos.

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    Comentar por Orlando — Terça-feira, 27 Maio 2008 @ 12:12 am | Responder

  4. Einstein metió su famosa “constante cosmológica” para que el universo se estuviera quieto y no se expandiera (E pur si mouve…). Por el contrario, el jesuita Lemaitre propuso un universo en expansión (que lleva al Big Bang retrospectivamente) tras los fenómenos de alejamiento observados por Hubble.

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    Comentar por AMDG — Terça-feira, 3 Junho 2008 @ 9:09 pm | Responder

  5. Questionar a ciência apenas porque alguns cientistas questionam a fé, não é apenas contraproducente: mostra que nem um lado nem o outro avalia corretamente aquilo que procura criticar.
    Crer ou não crer em Deus depende de fé, cada um é livre para crer ou não (ou, em outras palavras, ter ou não ter fé).
    Quanto à ciência: desde um simples telefone celular, passando pelos mais sofisticados computadores, até o GPS, satélites como Hubble, viagens interplanetárias etc. a ciência tem mostrado a que veio, ou melhor, tem mostrado resultados inquestionáveis, pelo menos para quem tem mais de dois pares de neurônios e consegue refletir.
    Além do mais, a física quântica ainda não foi refutada por nenhum cientista, de renome ou não.
    Quando alguém tiver uma refutação, meu e-mail foi informado: não sou físico, mas acompanho o assunto com interesse, portanto avisem-me!

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    Comentar por Gil Cleber D. Carvalho — Sábado, 23 Agosto 2008 @ 7:23 pm | Responder

  6. «Questionar a ciência apenas porque alguns cientistas questionam a fé, não é apenas contraproducente: mostra que nem um lado nem o outro avalia corretamente aquilo que procura criticar»

    Não foi o Thomas Kuhn que escreveu que “seja o que for que os cientistas façam, é sempre ciência”? (”A Estrutura das Revoluções Científicas”, por T. Kuhn)

    O “problema” não é a ciência, mas o cientificismo. Ler:

    https://espectivas.wordpress.com/2008/08/18/guilherme-de-occam-e-a-crenca-do-cientificismo/

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    Comentar por O. Braga — Sábado, 23 Agosto 2008 @ 10:33 pm | Responder


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