perspectivas

Domingo, 18 Maio 2008

A ucronia da “Europa aberta ao Islão”, o papel da maçonaria e a culpa do Vaticano

Hoje fala-se muito na Trilateral, no grupo de Bilderberg que se reúne amiúde para decidir os destinos dos povos do mundo, na força do Vaticano e dos Evangélicos americanos, etc., mas esquecemo-nos de quem coordena – e acaba por ter uma importância decisiva – essas diversas forças: a maçonaria. Por detrás dos esforços da abertura da Europa ao islamismo está a maçonaria, por razões tão antigas que nos chegam da fundação dos Templários em 1118 e das condições que envolveram a sua extinção oficial em 1312, ou por razões tão contemporâneas como o activismo milenar anticristão dos “machun” ou “metzan” pagãos germânicos, nuns casos, ou o sincretismo religioso maçónico, noutros.

Já ninguém se lembra do escândalo da loja maçónica P2 (Propaganda Due) e o seu envolvimento na falência do Banco Ambrosiano, que financiou o tráfico de armas Irão-Contras e a tentativa de criação de um regime repressivo de direita em Itália, Banco esse cujo capital era detido maioritariamente pelo Vaticano. Há três décadas atrás, a ocidente os “planetas andavam todos alinhados”, e neoliberal Francis Fukuyama ainda não tinha anunciado o “Fim da História”, passando depois a valer tudo, até arrancar olhos.

Naturalmente que, na altura, o grande oriente italiano ostracizou a loja P2, mas sabemos que o grande oriente lusitano também apregoava que nada tinha a ver com a Carbonária que matou D. Carlos, quando sabemos hoje que as ligações mafiosas eram evidentes. Ninguém se lembra já disso, porque entretanto a maçonaria europeia mudou, e de certa forma, existe hoje um cisma entre a maçonaria europeia e a sua congénere americana. Não é a primeira vez que os maçãos “andam de candeias às avessas”.

Lendo a História, não há dúvidas nenhumas de que o Vaticano protegeu a maçonaria. A invasão bárbara pôs termo ao Império Romano do Ocidente, e os “collegia” maçónicos do Império moribundo abrigaram-se sob a protecção do clericalismo de Roma, tomando o nome de “scolae”. Mais tarde, quando o feudalismo impôs definitivamente as suas regras na Europa, o maçãos voltaram a acoitar-se na Igreja Católica para fugir à condição de servos-da-gleba.


O Vaticano sempre necessitou da maçonaria operativa para a construção de catedrais e templos por essa Europa fora, e o facto de a maioria dos pedreiros-livres mais importantes e sapientes da época, não serem cristãos, não incomodou a ICAR. Portanto, é certo que sempre existiu uma promiscuidade entre a política expansionista da ICAR e o gnosticismo ou o paganismo maçónico, bem patente, aliás, nos símbolos “alienígenos” que os pedreiros-livres deixaram ficar nos templos cristãos que iam construindo.

O que Vaticano está a passar actualmente é por uma “cobrança” de uma factura histórica, e para tentar não pagar juros de mora sobre os erros políticos cometidos de há mil anos a esta parte, o Vaticano adopta agora uma política subterrânea de compromisso e entendimento com a maçonaria especulativa da Europa continental que é, como sempre foi, não-cristã na sua essência e praxis.

O Islão é a peça do puzzle do Poder Mundial que falta, na opinião da maçonaria europeia e não tanto da vontade da maçonaria americana (pelo menos até agora). Enquanto que as lojas maçónicas europeias têm cada vez menos cristãos, as lojas maçónicas americanas estão infestadas de evangélicos. As realidades num e noutro lado do Atlântico são diferentes.

Assim como a promiscuidade templária com o oriente pagão trouxe riqueza extraordinária a uma elite europeia que se serviu das sociedades de construtores existentes, a maçonaria europeia raciocina hoje nesses mesmos termos em relação ao mundo islâmico. O que está em causa aqui é a demanda de poder e dinheiro (petróleo) que se auto-justifica através de uma mística proto-cristã originária das sociedades de construtores dos Antigos Impérios.

Portanto, quando falamos hoje de “maçonaria” temos que distinguir as diferentes realidades maçónicas da actualidade. A maçonaria americana foi muito mais influenciada pela herança inglesa, que sempre teve uma componente teísta e cristã importantíssima, a que se lhe juntou a maçonaria escocesa tutelada pela nobreza católica – enquanto que a maçonaria europeia continental se fundou na herança alemã da guerra suja entre os “guelfos” e os “gibelinos” que opôs o Papa Inocêncio II ao Imperador Frederico I, e na importação, por parte dos templários, de artífices maçãos do oriente não-cristão, provenientes dos Antigos Impérios reduzidos a cinzas pelo Islão, artífices esses que passaram a integrar e a influenciar as lojas maçónicas das cidades-estado italianas e as lojas de Paris, Estrasburgo e Zurique.

Quem construiu as pirâmides no Egipto, a lendária Torre de Babel na antiga Pérsia, o templo de Salomão em Israel, o Partenón de Atenas, e o Coliseu de Roma, etc., foi quem construiu a catedral católica de Berna no século XI.

A alegoria do “Pêndulo de Foulcault” de Humberto Eco faz todo o sentido: aos ecos da religião de Zaratustra e dos adoradores de Baal dos Impérios Antigos, juntaram-se os gregos e um Pitágoras dionisíaco – que dizem ter “descoberto” a quadragésima sétima proporção do livro de Euclides quando ela já era utilizada pelos sumérios na construção dos zigurates de Ur – e todos juntos, condensados culturalmente pela transmissão ideológica inter-geracional tornada possível através da linguagem, instalaram-se em Roma (e mais tarde em Paris por via dos Templários).

Com o advento da invasão dos bárbaros e perante a ameaça feudal, os pedreiros-livres foram obrigados a pedir protecção ao cristianismo oficial. Hoje, apoiam o islamismo contra o cristianismo em nome do “laicismo de Estado” – e todas estas contradições em nome de um heretismo primordial, coevo e irracional, que procura justificar, moral e eticamente, um elitismo que é produto da manipulação nepotista do poder, e a demanda da riqueza obscena que constitui o novo Graal.

2 comentários »

  1. VEJO QUE O MUNDO INTEIRO, COMEÇA A ENXERGAR DE FATO E DE DIREITO, A NECESSIDADE DE VINCULO MAIOR DA MAÇONARIA COM AS DEMAIS ORGANIZAÇÕES SÉRIAS, COMO IGREJA, GOVERNOS E INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. VEJO QUE A MAÇONARIA, CUMPRE DE MANEIRA REAL, PALPAVEL E ATÉ MESMO, SOBRENATRAL, O SEU PAPEL DE INSTITUIÇÃO MORALIZADORA, OPERADORA, DO FIEL E EXEMPLAR EXERCICIO DA MORALIDADE, DA ORDEM E DO RESPEITO, PRINCIPALMENTE, NOS LUGARES, AONDE O DITAME DOS HOMENS CRUEIS SÃO DE PRAXE. AREDITO E VIVO MAÇONICAMENTE, MESMO PORQUE, VEJO NOS UMBRAIS DOS TEMPLOS, ATÉ AS MAIS PROFUNDAS E LOGICAS INTIMIDADES ORIENTAIS E OCIDENTAIS, O MAIS PERFEITO E SINCERO RELACIONAMENTO DE IRMÃOS E IRMÃS, QUE SE RESPEITAM, E LUTAM INCANSAVELMENTE EM FAVOR DE TODA HUMANIDADE. UM T:. F:. A:. DO SEMPRE E ETERNO IR:. PR. MAURICIO:.

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    Comentar por PR MAURICIO ANTONIO DOS SANTOS — Quarta-feira, 15 Outubro 2008 @ 8:30 pm | Responder

  2. Não estou de acordo com o Maurício:

    http://grau33.wordpress.com

    http://sofos.wikidot.com/historia-das-origens-da-maconaria

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    Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 15 Outubro 2008 @ 8:45 pm | Responder


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