perspectivas

Sexta-feira, 21 Março 2008

Quem ameaça o ser humano?

«O partido comunista não pode ser neutral em relação à religião, porque a religião é algo que se opõe à ciência.»
– José Estaline, ditador sanguinário

Um dos argumentos ateístas contra o cristianismo foi o caso da pretensa proibição do papa Urbano VIII na publicação dos escritos de Galileu sobre o heliocentrismo. Oito anos antes de Galileu, Copérnico – que era um clérigo católico – publicava a mesma teoria sem nenhuma oposição da Igreja de Roma. A razão porque Galileu caiu nas más graças do Papa prendeu-se com uma publicação anterior, na qual deliberadamente caricaturou a figura do Papa. O pretenso “problema” da Igreja Católica com Galileu não tinha nada a ver com a teoria heliocêntrica , mas constituiu um problema pessoal entre o Papa Urbano VIII e Galileu.

Adenda: nem de propósito, ver este post.



C + MC =
morte.jpg

C= cientistas
MC = método científico.


Posto isto, o que é que a ciência têm contra as religiões? Ainda agora ouvi na TV uma crítica velada ao regime teocrático iraniano, mas numa notícia anterior, o mesmo canal de TV noticiava a revolta tibetana contra a ocupação chinesa e não criticou os oitocentos anos de teocracia tibetana que tem no Dalai Lama o primeiro-ministro. À medida que as pessoas vão ganhando consistência intelectual, este tipo de contradições dos me®dia, que apelam muito mais à emoção do que à razão, vão sendo desmontadas pelo povo.

O problema da “ciência ateísta” é uma grande parte da comunidade científica que não só pretende assegurar privilégios sociais como aumentá-los de uma forma desmedida. Se juntarmos às ambições da comunidade cientifica as ambições políticas de gente sem escrúpulos com sede de Poder, temos a actual vaga de anti-teísmo “científico” que se instala no Poder de Estado.

Quando se acusa o cristianismo de atrocidades passadas, devemos pensar no método científico que levou a humanidade à beira da extinção, coisa que nunca aconteceu com doze mil anos de religiões documentadas. Existe uma ligação directa entre o método cientifico + comunidade cientifica e a actual situação de perigo para a humanidade. Depois de milhares de anos de religião em que a espécie humana proliferou, nunca a nossa existência foi tão ameaçada como depois de 300 anos de predomínio da comunidade científica. Naturalmente que a comunidade científica atira as culpas das bombas atómicas em Nagasaki e Hiroshima para cima dos políticos, da mesma forma que a Tabaqueira pode defender a tese de que os cigarros não causam o cancro do pulmão porque “ninguém fuma em nome da Tabaqueira”, ou que “ninguém se intoxica para defender os interesses do negócio da Tabaqueira”.
Os factores que determinam as causas de uma acção não dependem dos motivos que estão presentes nessa acção.
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Se os cientistas fazem enormidades, como as experiências com seres humanos prolixamente documentadas durante os últimos cem anos, a comunidade científica dá a desculpa de exercício de “má ciência”, e fica tudo sanado; se existem energúmenos que dizem professar uma religião e praticam barbaridades, nunca os cientistas dirão de que se tratou de “má teologia”. O duplo critério na análise é evidente, e o aproveitamento político dos me®dia dominados pelo sincretismo marxista cultural + neoliberal ateísta compõe o resto do ramalhete.

É comummente razoável culpar os religiosos moderados pelos actos dos religiosos extremistas — mesmo que os moderados não tenham sequer contacto com os extremistas –, mas não cabe na cabeça de ninguém culpar um cientista pelos actos de um colega seu do mesmo laboratório de investigação. Mais uma vez, existe um duplo critério politicamente correcto.

Os cientistas foram deixados “à solta”, e chegamos ao ponto de os vermos, com um enorme descaramento, a culpar as religiões dos males do mundo. Não é por acaso que Dawkins e outros cientistas ateus defendem publicamente a legalização da eugenia, que implica a eliminação física dos seres humanos mais fracos ou doentes. Soltamos os demónios, deixamos as bestas à solta, e agora vai ser o cabo dos trabalhos para as colocarmos em redil seguro.

Se o cristão John Locke defendia a escravatura no século 17, o ateu Dawkins defende a eugenia no século 21; o primeiro, apesar dos conceitos vigentes na sua época, não defendia o assassínio em série de tipo nazi, coisa que o segundo faz com o maior à-vontade.

O problema da nossa contemporaneidade não é a religião, nem a ciência (que teve origem na filosofia): é a combinação mortífera de um novo clero de um credo ateísta (os cientistas) com um método científico que se dogmatiza. Não existe incompatibilidade absolutamente nenhuma entre a ciência e a religião, mas existe incompatibilidade entre uma parte dos cientistas (o novo clero) e a humanidade. A comunidade científica separou-se dos povos. Os cientistas transformaram a ciência num culto sem moral nem ética, e o resultado está à vista.

Votos de uma Páscoa Feliz, para cristãos e ateus.

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