perspectivas

Sexta-feira, 11 Janeiro 2008

Maquiavel

Filed under: ética,Política — O. Braga @ 4:29 pm
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No post anterior, falei sobre José Sócrates, e vai-se lá saber porquê, lembrei-me de Maquiavel.

Nicolau Maquiavel viveu num tempo de grande crise moral. Na Itália do século 15, nenhum político era legítimo e até os Papas eram eleitos de forma corrupta; neste cenário, não é de admirar que Maquiavel tenha escrito “O Príncipe”.
A cultura do “sucesso” cavaquista, perdão, quatrocentista, tinha regras diferentes da de épocas mais estáveis e serenas que se seguiram, porque na Itália renascentista ninguém se escandalizava com nada, nem com crueldades, nem com traições que teriam condenado moralmente alguém nos séculos seguintes. De certa forma, no tempo de Maquiavel vivia-se um ambiente de relativismo moral semelhante ao que se vive hoje – salvaguardando-se as diferentes realidades históricas, obviamente –, o que prova que o “eterno retorno” não é tão absurdo como se diz.

“O Príncipe” de Maquiavel foi escrito tendo como inspiração a vida de César Bórgia, um crápula da pior espécie, filho do Papa Alexandre VI, num tempo em que os Papas não escondiam os filhos que faziam.

“Nós italianos, devemos à Igreja de Roma e aos seus sacerdotes sermos irreligiosos e maus.”


Quando lemos “O Príncipe”, devemos lê-lo da mesma forma que lemos Nietzsche: sempre com espírito crítico. Por exemplo, em relação ao Poder, diz Maquiavel que a única dificuldade é adquiri-lo, porque depois o próprio sistema de Poder se encarrega de conservar os “príncipes” no Poder sem averiguar como se conduzem.
A ideia de Maquiavel sobre a política é de que tudo é legítimo apara atingir o Poder. Um político deve faltar à sua palavra sempre que ache necessário.

“Mas importa disfarçar bem esse carácter, ser grande fingidor e dissimulador; os homens são tão simplórios e prontos a obedecer a necessidades presentes que quem engana sempre achará quem esteja disposto a ser enganado”.


Para Maquiavel, os fins justificam quaisquer meios. Na política, Maquiavel dá uma importância grande à propaganda que manipula as opiniões. Em épocas de velhacaria generalizada, os políticos devem recorrer à propaganda para que passe para o povo ignorante a aparência da virtude instalada, recorrendo-se a um cinismo que tudo esquece conquanto dê resultado.

Mais uma vez, lembro-me de José Sócrates.

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