perspectivas

Quarta-feira, 26 Dezembro 2007

A falácia de Parménides

Filed under: Religare — O. Braga @ 7:50 pm
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(Nietszche e Deschner)


Parménides foi um filósofo grego conhecido por defender a ilusão da passagem do tempo, e a “falácia de Parménides” consiste em analisar o passado à luz dos conhecimentos que temos hoje. A “falácia de Parménides” é exactamente o que um bom historiador evita quando faz uma análise histórica.
Sabemos que D. Afonso VI, quando vinha das caçadas nos arredores da capital, se divertia a alvejar os marinheiros empoleirados nos mastros dos navios ancorados na doca de Lisboa. Sabemos que D. João II matou com as suas próprias mãos o seu cunhado, já não falando em D. Pedro que mandou tirar pelas costas o coração do assassino da sua Inês.
Não podemos olhar para o passado e analisar este tipo de actos à luz da nossa moral actual e do nosso Direito, porque entretanto a filosofia evoluiu e com o advento da revolução francesa, surgiram personalidades como Voltaire e Rousseau (entre muitos outros) que contribuíram decisivamente para moldar e instituir o Estado de Direito que temos hoje, em que a lei é aplicável a todos (ou assim se diz). No tempo de D. Pedro, a lei não era a mesma para a nobreza e para o povo, e portanto, os deveres também não eram os mesmos. Quando analisamos um período da História, temos que perceber primeiro o ambiente cultural e ético-moral em que se desenrolam os factos históricos.

Karlheinz Deschner deu-se ao trabalho de escrever oito volumes com o título “História Criminal do Cristianismo”. Se olharmos a História da Humanidade sob o prisma de Deschner, em vez de “História Universal”, deveríamos passar a chamá-la de “História Criminal”; só assim Deschner poderia ter alguma coerência. Richard Dawkins utiliza também frequentemente a falácia de Parménides na análise histórica, quando é necessário atacar a Igreja Católica moderna à luz dos conceitos medievais da ICAR – que confunde com “cristianismo”.

Karlheinz Deschner foi um soldado ferido várias vezes e a quem foi oferecida uma cruz de guerra nazi por bravura no campo de batalha. Talvez ele se devesse preocupar mais com a falácia de Parménides aplicada ao povo alemão como sendo “o povo que alterna entre a dança e a guerra”.

Sobre Nietzsche ler: “O profeta do anticristo”

2 comentários »

  1. Uma discussão que talvez prometa:
    http://dererummundi.blogspot.com/2007/12/criacionismodesonestidade.html

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    Comentar por Henrique — Quarta-feira, 26 Dezembro 2007 @ 10:15 pm | Responder

  2. Prefiro opiniões mais avalizadas:

    http://pos-darwinista.blogspot.com/

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    Comentar por Orlando — Quarta-feira, 26 Dezembro 2007 @ 10:33 pm | Responder


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