perspectivas

Domingo, 23 Dezembro 2007

Também assim se explica o Novo Ateísmo

Filed under: cultura,Europa,Islamismo,Religare — O. Braga @ 7:14 am
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Os medos da Europa e a crescente influência islâmica no continente fazem parte das novas causas do ateísmo que dizem ser “novo”. Os “novos ateus” pensam que podem travar a islamização da Europa através da proliferação de uma crença que não pegou de estaca em nenhuma sociedade desde que surgiu o homo sapiens, o que transforma os “novos ateus” nos maiores ingénuos que a história da filosofia e da ciência já conheceu.

Não há nada — absolutamente nada — que possa travar a islamização da Europa senão uma das duas condicionantes seguintes: o recurso a um novo “Vernichtung” decorrente de uma perseguição política e um novo “Heimkehr” de muitos milhões, ou a defesa dos valores europeus da cristandade. Eu opto claramente pela segunda alternativa.

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7 comentários »

  1. Dando todo o resto de barato, essa alternativa que escolheu é das que oferecem o caminho mais rápido para o desastre, para o choque frontal, para o confronto de trincheiras ideológicas e religiosas (Cristianismo x Islão! O combate definitivo!). E já agora explique lá a este europeu quais são exactamente os valores europeus da cristandade? Não estaria a tentar referir-se as valores cristãos da Europa?
    A ideia de Europa, desde logo, representa diversos valores e não são todos de natureza judaico-cristã. A Europa é uma realidade plural, os seus valores são plurais e a sua história é uma confluência de muitas culturas e tradições, incluindo a cristã.
    Hoje, felizmente, a Europa é uma realidade secular. Embandeirar com os valores de uma religião específica (e não lhe estou a retirar a importância que obviamente tem e teve no percurso das nações europeias), ainda para mais numa lógica de estarmos perante a “ameaça” de outra cultura religiosa, é esticar a corda da sã convivência macro-ecuménica e da tolerância. Mas esticar com força, até partir…
    Temos mas é de aprender a viver todos uns com os outros de forma civilizada e pacífica, o resto é deitar achas para a fogueira.
    Posso não concordar com a sua fé, mas se os muçulmanos cumprirem e respeitarem as leis das nossas repúblicas e da nossa União estrelada, para mim tanto me faz ser vizinho de um católico apostólico romano ou de um xiita.

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    Comentar por joaopc — Segunda-feira, 24 Dezembro 2007 @ 3:13 am | Responder

  2. “mas se os muçulmanos cumprirem e respeitarem as leis das nossas repúblicas e da nossa União estrelada

    De uma maneira geral, em Portugal a comunidade islâmica respeita. A sua grande maioria são de origem guineense ou Indiana e deram provas de bons serviços à pátria ao longo de séculos. Posso mesmo afirmar que são mais Portugueses que muitos refratários filhos de boas famílias que hoje nos governam.
    No entanto este respeito é feito à revelia do Islão. Respeitar as leis dos estados não muçulmanos é coisa impossível de ser feita por quem segue as regras do Corão. No Islão tudo pertence à “Huma” e nada pode existir para além disso.
    “A César o que é de César e a Deus o que é de Deus” não existe no Corão.

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    Comentar por Luís Bonifácio — Segunda-feira, 24 Dezembro 2007 @ 11:45 am | Responder

  3. Esqueci-me

    FELIZ NATAL A TODOS

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    Comentar por Luís Bonifácio — Segunda-feira, 24 Dezembro 2007 @ 11:46 am | Responder

  4. “Valores europeus da cristandade” = “valores cristãos da Europa”. Penso que não devemos entrar em preciosismos nas definições. Não podemos esquecer que a cristandade não é só europeia.

    “A ideia de Europa, desde logo, representa diversos valores e não são todos de natureza judaico-cristã. A Europa é uma realidade plural, os seus valores são plurais e a sua história é uma confluência de muitas culturas e tradições, incluindo a cristã.”

    Se não são todos, são praticamente todos, e os valores que não são de origem cristã vieram de outras religiões – islamismo, hinduísmo, budismo, etc.

    “Hoje, felizmente, a Europa é uma realidade secular.”

    Não confundir “secularismo” com “anti-teísmo”. No século 19, o Estado era “anti-ateísta”; com o pós-modernismo, o Estado passou a ser “secular”; e hoje, o Estado tem tendência clara a ser “anti-teísta”, e a perseguir as religiões. “Secularismo” não é isto; não confundir “as obras do mestre Picasso”, com “as picas de aço do mestre-de-obras”.

    O medo do Islão é ateu. Eu não tenho medo do Islão, embora critique algumas práticas islâmicas. A ideia de que a Lei herdada do Direito com origem na cultura cristã europeia imperará numa Europa com 100 milhões de islamitas, é delirante, porque parte do principio que esses 100 milhões não são gente com uma cultura própria e diferente da nossa. Cem milhões de islamitas é gente que chega à Europa e diz:”vamos mudar o Direito europeu”, e o Direito muda-se, e é exactamente com isto que os ateus estão preocupados. Eu também estou preocupado, porque acho que o cristianismo é mais tolerante que o islamismo.
    A visão ateísta do mundo, a prevalecer na Europa, levará a um confronto muitíssimo maior com o islamismo, do que se existisse uma visão cristã preponderante na Europa. Não podemos esquecer que a religião ateísta está ainda a dar os primeiros passos, e torna-se difícil deduzir ainda as consequências de uma sua eventual afirmação cultural. O verdadeiro “choque de civilizações” dar-se-á – num futuro não tão longínquo como isso – entre o ateísmo e o islamismo. Dawkins sabe disso.

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    Comentar por Orlando — Segunda-feira, 24 Dezembro 2007 @ 12:24 pm | Responder

  5. «Não confundir “secularismo” com “anti-teísmo”. No século 19, o Estado era “anti-ateísta”; com o pós-modernismo, o Estado passou a ser “secular”; e hoje, o Estado tem tendência clara a ser “anti-teísta”, e a perseguir as religiões. “Secularismo” não é isto; não confundir “as obras do mestre Picasso”, com “as picas de aço do mestre-de-obras”.»

    Não se preocupe que eu não confundo. Mas obrigado pela advertência. Achei particulrmente curiosa a noção de que o Estado secular (qual Estado? O Estado em geral teoricamente falando ou o Estado português?) começou com uma coisa chamada pós-modernismo. Modernices…
    E quando se refere ao Estado a perseguir religiões, refere-se ao Estado em geral teoricamente falando ou ao Estado português? E persegue as religiões todas ou o catolicismo romano em particular? E desculpe lá ser preciosista nesta questão, mas é que cristianismos há muitos, como sabe. Mas como estamos em Portugal e a ICAR tem grande implantação, normalmente as pessoas referem-se à religião católica, mas adiante. Mas o que é que o leva a pensar que o Estado (vamos presumir o Estado português) é anti-teista? Porque quer acabar com as mordomias dos padres católicos nos serviços públicos? Ou está a referir-se a prisões de sacerdotes ou confiscações do património do Vaticano em Portugal, à moda dos movimentos jacobinos de antigamente? É que eu sinceramente não ouço falar de nada disso e nunca vi tanta liberdade religiosa na minha vida! Aliás, nunca houve tanta liberdade religiosa na história da humanidade como hoje nos países governados por democracias seculares!…
    Mas qual perseguição?!
    Esse discurso de auto-vitimização, tão do agrado de cristãos (em geral) e muçulmanos, já está um bocado gasto, não?

    Ái o medo do islão é ateu?! Mas que coisa extraordinária! Quer dizer, você faz um post alarmante a dizer uma coisa destas:
    «Não há nada — absolutamente nada — que possa travar a islamização da Europa senão uma das duas condicionantes seguintes: o recurso a um novo “Vernichtung” decorrente de uma perseguição política e um novo “Heimkehr” de muitos milhões, ou a defesa dos valores europeus da cristandade. Eu opto claramente pela segunda alternativa.»
    E os ateus é que têm medo? É realmente fantástico. Olhe, os ateus, como toda a gente, têm muitos medos, o medo é uma constante da vida, mas têm essencialmente medo de uma coisa: do pensamento religioso em geral. Incluíndo o de matriz cristã, que também degenera com frequência para o fanatismo e para a violência…

    «a Lei herdada do Direito com origem na cultura cristã europeia»

    Ó Orlando, uma das principais, senão a principal, fonte do nosso Direito é pré-cristã, é romana! E funciona com muçulmanos como tem funcionado com católicos. Desde que uns ou outros se submetam ao seu primado, ao primado do Direito secular e democrático. Há 100 milhões de pessoas na Europa com cultura própria diferente da nossa? Pois, é da vida, a Europa é feita de uma miriade de grupos de milhões de pessoas com hábitos culturais próprios e diferentes, é mesmo assim que somos há centenas de anos neste continente, temos que continuar a tentar conviver todos de forma pacífica, é o que resta fazer. Durante séculos, sem muçulmanos a atrapalhar a história europeia é um sucessão de chacinas, há cinquenta anos que é uma terra em paz (há excepção de umas crises pontuais como nos Balcãs), vamos tentar que continue assim, não é? E, claro, tentar integrar o melhor possível todas as minorias ou maiorias étnicas, culturais, religiosas, etc., neste sistema plural e laico.

    «Cem milhões de islamitas é gente que chega à Europa e diz:”vamos mudar o Direito europeu”, e o Direito muda-se, e é exactamente com isto que os ateus estão preocupados. Eu também estou preocupado, porque acho que o cristianismo é mais tolerante que o islamismo»

    Ó Orlando, pelo amor do seu deus, mais uma vez, os ateus, nesse sentido, estarão tão preocupados quanto os crentes de todas as confissões que tenham preocupações com uma vivência social livre e democrática! Com mudanças no Direito no sentido de menos liberdades ou direitos, naturalmente! Mas a realidade que se tem visto, quanto aos muçulmanos na Europa, como você também diz sobre Portugal – e se verifica com uma relativa harmonia em países de grandes comunidades muçulmanas como a França ou a Inglaterra, onde há evidentemente sinais de “choque”, como há com todos os outros grupos de interesse, mas sem grandes dramatismos ou convulsões sociais – é que por norma respeitam e cumprem (às vezes até com mais zelo que os autóctones) as leis dos países onde vivem. E estamos a falar apenas de emigrantes, não de europeus de pleno direito e naturalidade que professem essa religião.

    «o cristianismo é mais tolerante que o islamismo»

    Pois, talvez, hoje. Hoje realmente está “domesticado”. Mas também teve a sua longa noite medieval, muito semelhante à que vive hoje o mundo islâmico. Mas no mundo ocidental, realmente, o secularismo político amansou a “fera”… Mas tem lá essa semente, esse potencial para o fanatismo continua lá, como têm todas as religiões ou sistemas de pensamento organizado e dogmático.

    «A visão ateísta do mundo, a prevalecer na Europa, levará a um confronto muitíssimo maior com o islamismo, do que se existisse uma visão cristã preponderante na Europa. Não podemos esquecer que a religião ateísta está ainda a dar os primeiros passos, e torna-se difícil deduzir ainda as consequências de uma sua eventual afirmação cultural. O verdadeiro “choque de civilizações” dar-se-á – num futuro não tão longínquo como isso – entre o ateísmo e o islamismo. Dawkins sabe disso.»

    Epá, ó Orlando, perdoe-me a sobranceria e a falta de espírito natalício, mas este parágrafo é pura e simplesmente delirante… Se quiser eu elaboro mais sobre isto, mas este comentário já está a ficar muito longo e fica para a próxima. Se quiser.
    «A religião ateísta»?! Só esta arruma logo com o assunto…

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    Comentar por JPC — Segunda-feira, 24 Dezembro 2007 @ 2:41 pm | Responder

  6. Escrevi: «hoje, o Estado tem tendência clara a ser “anti-teísta”». “Tendência”. A tendência é clara em Portugal e lá fora. A ver vamos, como diz o cego, se o processo não se agudiza.

    http://www.netzwerk-bildungsfreiheit.de/html/pe_erlangen_en.html

    http://www.overbo.com.br/modules/news/article.php?storyid=5384

    Os historiadores estão de acordo que a História contemporânea se divide em “modernismo”, “pós-modernismo” e “presentismo”. É um detalhe.

    Não sei se a presença de um padre à cabeceira de um doente terminal num hospital público é uma “mordomia”. Tenho dúvidas sobre isso, sobretudo se o doente ou a família (em caso de coma) assim desejarem – e sem as burocracias que o governo de Sócrates impôs.

    O meu discurso não é de auto-vitimização, mas de prevenção. “Pela aragem, vê-se quem vem na carruagem”.

    Naturalmente que o leitor não percebeu o que eu quis dizer: o Vernichtung e o “Heimkehr” foram manifestações típicas do nazismo anti-cristão.

    O Direito romano teve origem grega e foi influenciado pelo cristianismo, ainda o império romano não tinha soçobrado. A “justiça comutativa” e a “justiça distributiva” vêm de Aristóteles (politeísta, mas não ateu). Os muçulmanos têm um Direito próprio: a Sharia, que está em vigor, clara ou dissimuladamente, em todos os países de maioria muçulmana. Até no Paquistão e na Indonésia, que são ditaduras militares, assim acontece. A Turquia tem o problema dos militares que sabemos. A questão é muito simples: ou o islamismo se reforma, ou não havendo reformas no islamismo o Estado de Direito ocidental nunca será aceite pelos muçulmanos em maioria numa sociedade. Com a entrada da Turquia na EU e com os 25 milhões de islamitas que já cá estão, o problema agudiza-se. Se a sociedade europeia for maioritariamente ateísta, o choque de civilizações será muito maior uma vez que não existirá diálogo ecuménico (religioso).

    Os imigrantes de hoje, serão cidadãos de pleno direito amanhã, multiplicados por 4 ou 5.

    No islamismo não existe o “dai a César o que é de César”. Quem não compreende isto, não compreende nada.

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    Comentar por Orlando — Segunda-feira, 24 Dezembro 2007 @ 4:55 pm | Responder

  7. Também já aqui volto quando puder. Há aqui muita coisa deliciosa para rebater e gosto de uma boa conversa. E se não for antes: Um Bom 2008 cheio de Paz e Saúde para si e para os seus!

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    Comentar por joaopc — Quarta-feira, 26 Dezembro 2007 @ 12:50 am | Responder


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