perspectivas

Sexta-feira, 23 Novembro 2007

José Rodrigues dos Santos

Filed under: Política — O. Braga @ 5:36 pm
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Em qualquer empresa privada, se andarmos a criticar os critérios de gestão do patrão, levamos com um processo disciplinar e somos despedidos. Porém, nem a RTP é uma empresa privada, nem o José Rodrigues dos Santos é um quadro de uma empresa com um negócio qualquer.

Penso que ainda no tempo de Durão Barroso, o JRS foi promovido a director de informação da RTP. Não passou muito tempo, e o JRS demitiu-se do cargo, deixando-o para alguém mais invertebrado, vindo de um canal privado onde as pressões sobre o conteúdo informativo são mais que muitas. Na ocasião, achei descabida a atitude do JRS, mas pensei que o seu pedido de demissão se devesse a razões da sua vida privada. A actual acção de despedimento por parte da RTP a JRS revela um problema de divergências de fundo que já se arrastava desde o tempo em que este era o director de informação da empresa pública de televisão. Isto é dedução minha.

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Aqui faço um parêntesis para dizer que considero o ex-administrador da RTP uma pessoa inqualificável, por uma razão muito simples: eu admito que o senhor tenha convicções políticas ou que não tenha nenhumas, como é seu direito inalienável. Contudo, penso que é uma falta de personalidade que alguém se sujeite de igual modo a pressões políticas de sinais diferentes, isto é, cedendo de uma forma canina (sem ofensa para os cães) e subserviente a pressões políticas do governo do PSD/CDS e agora às pressões do governo socialista. Dá a ideia que se tivéssemos um governo estalinista, o senhor ex-administrador da RTP obedeceria diligentemente às suas pressões políticas, numa atitude carreirista abominável.

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O que a administração da RTP quis fazer com o JRS, é o que no “Princípio de Peter” se chama de “arabesco lateral”, e que na nossa gíria chamamos de “pôr na prateleira”. O resultado foi que o senhor administrador da RTP sofreu ele próprio um “arabesco lateral”, sendo remetido para a empresa Estradas de Portugal SA, num exílio dourado até que a exoneração lhe chegue breve. É caso para dizer que em Portugal, “Roma paga a traidores”: quando Durão Barroso o colocou no poleiro, sabia exactamente porque o fazia.

Reagindo à tentativa de “arabesco lateral” por parte da administração da RTP, o JRS “botou a boca no trombone” e denunciou a sistemática ingerência do governo de José Sócrates nos critérios de informação da RTP. A Radiotelevisão Portuguesa está cheia de gente que foi vítima de “arabescos laterais” por motivos políticos de sinais diferentes, e que lá se mantêm a ganhar os seus ordenados, ou em funções administrativas, ou em funções de apoio à programação. Portanto, o caso do “arabesco lateral” do JRS não é coisa inaudita na RTP. O que é novo no caso do José Rodrigues dos Santos, é que ele não se calou nem se acomodou a uma situação que normalmente é considerada como um facto consumado.

O “caso José Rodrigues dos Santos” não é só uma questão de embirração pessoal do ex-administrador da RTP, mas ganhou um simbolismo político. A RTP é uma empresa pública de televisão, e os portugueses entendem maioritariamente que deve continuar a ser. À RTP cabe dar o exemplo de isenção e pluralidade na sua informação, e um sinal claro dessa isenção por parte da RTP seria o arquivamento, por parte da administração que lá ficou, do processo disciplinar – por delito de opinião – contra o JRS, e a sua total e incondicional reintegração nos quadros da empresa. Se assim não acontecer, há que correr com o que resta da administração de lá para fora, nem que para isso tenhamos todos que correr com José Sócrates primeiro.

2 comentários »

  1. Apoio incondicional a José Rodrigues dos Santos! Abaixo José Sócrates & Cia!

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    Comentar por Henrique — Segunda-feira, 26 Novembro 2007 @ 9:14 am | Responder

  2. Penso que não terão coragem para hostilizar a esse ponto JRS.
    É um execelente Jonalista.
    Actuou cautelosamente com vista a provocar um abanão…e conseguiu!
    Bom era que tivesse conseguido acabar com o “espírito santo de orelha do poder” … a interferência
    Penso que não, mas…terão que tomar outras cautelas…os assessores das assessorias do poder

    Cumprimentos

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    Comentar por ecosdablogosfera — Terça-feira, 27 Novembro 2007 @ 3:41 pm | Responder


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