perspectivas

Terça-feira, 23 Outubro 2007

De Nietzsche a Pessoa

Filed under: Religare — O. Braga @ 5:31 pm
Tags: , , , , ,

“A coerência, a convicção, a certeza são, além disso, demonstrações evidentes – quantas vezes escusadas – de falta de educação. É uma falta de cortesia com os outros ser sempre o mesmo à vista deles; é maçá-los, apoquentá-los com a nossa falta de variedade.”

“Uma criatura de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certeza várias vezes no mesmo dia.”

A falta de coerência, de convicção e de certeza, são pela sua ausência, uma forma de coerência, de convicção e de certeza. Uma “criatura” pode ser coerente quando não é coerente, pode ter a certeza de não ter certezas, pode dizer que a sua convicção é a ausência de convicções. Podemos maçar e apoquentar os outros tanto pelas nossas convicções ou pela convicção de não ter convicções, pela “falta de variedade”, ou pela “falta de variedade” de quem vive em constante variedade. A constante variedade é uma forma de “falta de variedade”, na medida em que a variedade se transforma num ritual tão maçador quanto a sua ausência. A “falta de variedade” acontece de uma maneira e doutra, tanto pela criatura que não muda de certezas, como por outra que convictamente muda frequentemente de certezas.

O importante, é a força dos argumentos e o exercício da lógica.

Na minha opinião, toda a criatura “de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada”, deve mudar de opinião, de certeza e de convicção, se vergado pela força dos argumentos e pela interiorização saudável da lógica, não se preocupando com o incómodo que causaria aos outros a sua falta de variedade, porque esse incómodo existirá sempre, de uma maneira ou doutra. Enquanto não me demonstrarem, pela força dos argumentos e pelo exercício da lógica, de que estou errado, não posso ser desonesto comigo próprio e mudar de opinião só para não apoquentar os outros. É uma questão de princípio de honestidade para comigo próprio. Quem não é honesto consigo próprio não pode ter dignidade.

Apoquenta-me e maça-me a ideia de que Fernando Pessoa pense que não me maça com a ideia da sua variedade ideológica quotidiana. Chateia-me a ideia que uma criatura mude de opinião e de certezas em função dos outros, e para que os outros não se apoquentem nem se macem com a sua falta de variedade.


Existe muito de Nietzsche neste texto de Fernando Pessoa. Nietzsche leva o exercício do racional até ao irracional anti-metafísico – note-se que “irracional” é diferente de “abstracto”. O problema pessoal de Nietzsche foi a imensa revolta que sentiu constantemente e por toda a sua vida, pela simples razão de ser Humano. As limitações inerentes ao Ser Humano eram insuportáveis para Nietzsche, e toda a sua filosofia andou à volta do problema das limitações humanas e da forma de as suplantar, de as eliminar. Nietzsche não suportava a condição humana, nunca a aceitou verdadeiramente, e tanto assim foi que enlouqueceu e permaneceu, louco, 12 anos até à sua morte em 1900. A vida e personalidade de Nietzsche são perfeitamente explicáveis à luz da psicologia freudiana (o seu pai era um pio pastor luterano) e da filosofia budista, que inclui o conceito de Akasha, de Karma e de Dharma.

O grande problema de quem lê Nietzsche é que fica indelevelmente marcado, a nível inconsciente, pelo seu pensamento – e Fernando Pessoa não fugiu à regra. O que mais me repugna em Nietzsche é a sua defesa da ausência de qualquer hierarquia de valores (o niilismo), quando sabemos que qualquer ética se apoia numa hierarquia de valores: por exemplo, segundo a Ética, matar não é o mesmo que agredir fisicamente.

Vejam este texto de Nietzsche (“Para lá do Bem e do Mal”):

«Aborreço a vulgaridade do homem quando diz: “O que é justo para um homem é justo para outro”. “Não faças aos outros o que não queres que te façam.” Tais princípios estabelecem as relações humanas sobre serviços mútuos, de modo que as acções parecem a paga de alguma coisa que nos fizeram. A hipótese é ignóbil no mais alto grau; é como se julgasse indiscutível haver uma (acção) como equivalência de valor entre as minhas e as tuas acções.»

Se compararem com o texto de Pessoa acima, encontrarão lá qualquer influência disto. Este texto de Nietzsche – citando Jesus Cristo – revela a sua indignação pelo simples facto de alguém se atrever a dizer que as acções de todos os homens são equivalentes entre si. Para Nietzsche, a verdadeira virtude não é para todos, mas somente para uma minoria aristocrática; a verdadeira virtude é hostil à ordem, à democracia e prejudica sempre, conveniente e necessariamente os “seres humanos inferiores”. A verdadeira virtude só é possível através do sacrifício dos “seres humanos inferiores”, os “Untermenschen”. Nietzsche está clara e inequivocamente na origem do antropocentrismo anti-cristão que marcou todo os século XX na Europa. Como cristão, não posso gostar de Nietzsche; contudo, tenho pena dele, merece-me misericórdia.

Nietzsche é uma espécie de guarda-roupa onde os desiludidos da vida e do mundo vão sempre buscar uma peça que lhes sirva. Por exemplo, o que existe em comum entre Hitler e Fernando Pessoa é o anti-cristianismo de Nietzsche e o desprezo Nietzscheano pelas mulheres; enquanto Pessoa se refugiou no ocultismo e nas odes platónicas a Ofélia, Hitler enveredou pela metafísica ariana e pagã, era um impotente monotesticular, misógino militante, e um pederasta que fornicou uma sobrinha menor de idade que se suicidou.

O anti-semitismo ideológico moderno ganhou forma com Nietzsche. Ele era um admirador do compositor Wagner, mas quando este compôs o “Parsifal”, Nietzsche achou a obra demasiada cristã e cheia de renúncia, criticando Wagner de uma forma violenta e acusando-o Ad Hominem de ser judeu.
Nietzsche não gostava de Sócrates (eu também não, mas destoutro) porque o considerava um defensor da democracia; o Tio Nietzsche não perdoa a Sócrates a sua origem humilde.

Nietzsche era um Tio enfezado, desprovido de ética e de estética, doente crónico e fisicamente mal-asado, que talvez por isso acreditava no super-homem e na superioridade absoluta da sua raça sobre todas outras, defendia a legitimidade e a necessidade de classes superiores e inferiores (Tios e Bestas), e que “se passou dos carretos” quando se deu conta que tinha um parafuso a menos. De igual modo, Hitler, que não tinha um testículo, acreditava por isso que era superior aos outros e acabou por dar um tiro na cachimónia.

É tão legítimo introduzir Nietzsche no programa de ensino da filosofia, como o “Mein Kampf”.

Nietzsche não foi um filósofo na verdadeira acepção da palavra; utilizava mais a filosofia como literário do que como académico (ao contrário de Schopenhauer e Kant, por exemplo). Foi antes um político frustrado e um historiador revolto que introduziu o desconstrucionismo epistemológico, servindo-se da herança da Filosofia e dos seus grandes vultos, no único intuito de condenar a Ética. Um verdadeiro filósofo tem uma visão ideológica abrangente, global; Nietzsche era um míope e um fanático ideológico.

A história do Tio Nietzsche foi parecida com a dum anarquista “aristocrático” da linha de Cascais que conheci, uma espécie de Marquês que dava pouca confiança ao pessoal lá no Café, escaganifobético e com ares de intelectual de escarradura, baixito e um pau de virar tripas, feio todos os dias e que passa a usar bigode para disfarçar as suas excrescências superiores. Asqueroso e sexualmente mal-dotado, as miúdas fugiam dele como o diabo da cruz, e vai daí, alista-se no MRPP. Com grandes dificuldades em arranjar parceira para a cópula, passa a detestar as mulheres e a pregar a violência, a guerra revolucionária, o orgulho de pertencer a uma elite clarividente. Ao mesmo tempo que prega a violência, diz que gosta de arte e passa o tempo todo a pintar paredes e a desenhar grafittis nas ruas de Lisboa, faz uma tatuagem de foice e martelo acima das nádegas, frequenta as tertúlias de baladeiros de intervenção, e não perde uma sessão do Cornucópia; era também visto num bar gay em Campo de Ourique a assistir ao “late night show” de travestismo do Zé Castelo Branco.
Como o MRPP não dava para chegar ao Poder, o Tio Nietzsche muda e adere a um partido do Bloco Central, e passa a desprezar o povo ignorante que acusa de ser manipulado pelos três “efes”: “Fátima, Futebol e Fado”; segundo ele, a maioria do povo são os “remendados e estropiados” e existem apenas como meio para a excelência de um punhado de Tios, para que estes possam reclamar a sua felicidade e bem-estar, e não vê nenhuma objecção ao sofrimento da ralé se for necessário produzir um “grande homem”, isto é, um Super-Tio. Hoje, o Tio Nietzsche faz parte do governo de José Sócrates.

O Tio Nietzsche foi o primeiro defensor ideológico oficial da teoria das bestas humanas e da carne para canhão. Antes dele, já existia a prática, mas o Tio Nietzsche instituiu a teoria e o método, e o escreveu o “Código da Besta Humana” (“Assim falava Zaratustra”). A unificação da Europa foi preconizada pelo Tio Nietzsche sob os auspícios de um Super-Tio. Ele admirava Napoleão Bonaparte (“um grande homem derrotado por pequenos adversários”).


A filosofia de Nietzsche funciona, no nosso intelecto, como um vírus informático destrutivo que se instala na memória RAM e no sistema operativo, que muda constantemente de identidade para não ser detectado pelos programas antivírus, e que permanece até que o disco seja formatado. Só com uma lobotomia, Nietzsche é eliminado, porque a filosofia dele é a essência da lobotomia ideológica, vai de encontro aos instintos mais básicos e animalescos do ser humano. Perante uma tentativa de lobotomia ideológica, só se contrapõe uma outra lobotomia.
A única forma de combater Nietzsche no nosso intelecto, é colocá-lo constantemente em causa e, no meu caso, alimentar carinhosamente um ódio de estimação em relação a ele.

22 comentários

  1. Não posso concordar com essa interpretação do pensamento de Nieztsche, pois, além de este revelar a influência da filosofia grega e da obra de Arthur Schopenhauer, Nietzsche tentou ir directo a assunto e provar que os valores tradicionais, sobretudo o cristianismo, tinham perdido poder na vida das pessoas (niilismo passivo). E expressou-o forte e directo: “Deus está morto”!
    E não é que está, há muito! Alguém segue os 10 mandamentos, ou alguma vez os seguiu??? Ele fartou-se das crendices populistas e “abanou” os cegos (só se é cego, quando não se quer ver), apenas isso. Não deixou lugar à indiferença.
    Em “Assim falou Zarathustra”, que é uma espécie de paródia ao estilo bíblico pseudo-moralista, podemos constatar que para além das muitas “imagens” presunçosas, está também recheado de coisas que só agora podemos entender, aos olhos mundialistas/universalistas.
    Afinal, como ele mesmo disse: “não escrevia para as pessoas de seu tempo”!

    Gostar

    Comentar por matrix — Quarta-feira, 24 Outubro 2007 @ 5:52 am

  2. Excelente dissecação e pesquisa acerca de Pessoa e Nietzshe. Li, faz bastante tempo, o “Assim falou Zaratustra” de Nietzsche e apenas por curiosidade. Curiosidade que tinha como motivação saber como pensava Hitler para ter feito o que fez, arrastando multidões de bestas atrás. Lembro-me de ter ficado vacinado com a leitura, e nunca mais quis ler esse autor. Agora, lendo pensamentos soltos dele aqui e acolá, interrogo-me se ele não terá sido mal entendido e se não usava uma perigosa ironia na destruição dos valores. Mas pelos vistos, como revelas, ele tinha mau carácter e não se sentia bem na sua pele de besta.
    Quanto a Pessoa, que seria de bom carácter e acreditava na bondade das bestas, pecou por isso mesmo.

    «Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas –
    Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
    E quem sabe se realizáveis,
    Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
    O mundo é para quem nasce para o conquistar
    E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
    Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
    Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
    Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
    Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
    Ainda que não more nela;»

    Álvaro de Campos in “Tabacaria”

    Ele diz que pode haver aspirações altas, nobres e lúcidas. Isso implica ter uma escala de valores. E curiosamente não refere Nietzsche mas sim Kant e Cristo. Napoleão para ele “sonhava”.

    Gostar

    Comentar por Henrique — Quarta-feira, 24 Outubro 2007 @ 12:09 pm

  3. Caro Matrix:

    Russell foi um filósofo ateu, e portanto, fora da “suspeita cristã”. Veja o que Russell escreveu sobre Nietzsche. Até um filósofo ateu convicto tem uma péssima visão de Nietzsche.
    Nietzsche era um “adepto” dos pré-socráticos e detestava os pós-socráticos, porque estes defendiam a democracia. Nietzsche insultou várias vezes Espinoza e a sua Ética. Posso apresentar provas documentais do que digo.

    Henrique: Infelizmente, Nietzsche não ironizava. Quanto a Pessoa, o que vale é que ele tinha várias facetas, e umas safavam as outras.

    Gostar

    Comentar por Orlando — Quarta-feira, 24 Outubro 2007 @ 12:56 pm

  4. Eu respeito as opiniões de outros e como tal dou-lhe todo o direito de ter as suas próprias convicções.
    No entanto, não posso concordar com elas.
    Nietzsche foi um pensador incómodo e provocador que reflectiu sobre todos os problemas cruciais da cultura moderna do sec. XIX. Era dotado de uma inflexível honestidade intelectual e soube, como ninguém, denunciar a mesquinhez e a trapaça ocultas nos nossos valores mais elevados, dissimuladas nas convicções mais firmes, renegadas nas mais sublimes esperanças. E essa atitude deriva do que Nietzsche entendia por filosofia. Por isso foi e é ainda, incompreendido por muitos e adorado por outros.
    Enfim, tive um mestre que dizia ser impossível colocarmo-nos à altura das principais questões do nosso tempo, sem entender o pensamento de Nietzsche! E fico-me por aqui.
    Um resto de boa semana.

    Gostar

    Comentar por matrix — Quinta-feira, 25 Outubro 2007 @ 2:25 am

  5. @ Matrix: com alguma ironia, ver

    https://espectivas.wordpress.com/2007/10/26/nietzsche-e-as-mulheres/

    Gostar

    Comentar por Orlando — Sexta-feira, 26 Outubro 2007 @ 2:47 pm

  6. Interessante a sua perspectiva. E está certo em dizer que N. é um filósofo afectado pela poesia, enquanto Pessoa é um poeta afectado pela filosofia.

    Mais sobre Pessoa aqui: http://omj.no.sapo.pt

    Gostar

    Comentar por nunoh — Sexta-feira, 2 Novembro 2007 @ 10:58 am

  7. Li a todos, e me veio algo na mente: que importância teria alguém tão brilhantemente rechaçado e defendido; execrado e vangloriado; odiado e amado? Quantos são indiferentes depois de ler Nietzsche? Ele estaria certo ao dizer: alguns nascem póstumos? Se sim, issso depõe contra ele, filosoficamente falando?
    Assim como a todos os filósofos, literatos ou pensadores, gosto de ler N. Uma “coisa” ele conseguiu fazer (mérito que não lhe podem tirar) fez e faz o ser pensar, seja livremente ou movido por um “virus” oculto implantado por sua filosofia – o “super-homem”?

    Gostar

    Comentar por Raimundo — Quarta-feira, 16 Julho 2008 @ 2:12 am

  8. […] de vida. Um político não pode ser “o cidadão que muda de posição a cada minuto que passa”, como defendeu Fernando Pessoa, “em nome da liberdade de mudar”. Não podemos dissociar aquilo que o político diz daquilo que […]

    Gostar

    Pingback por Obama é um marxista em “soft mode” « perspectivas — Segunda-feira, 20 Outubro 2008 @ 7:51 pm

  9. A diferença é que Jesus disse…”faz aos outros o que queres que te façam a ti” e nao como n. disse” nao faças aos outros o que nao gostas que te façam”…diferente nao?

    Gostar

    Comentar por Dav — Sábado, 20 Dezembro 2008 @ 4:21 pm

  10. @ Dav:

    Nietzsche escreveu isso? Onde?

    Gostar

    Comentar por O. Braga — Sábado, 20 Dezembro 2008 @ 4:35 pm

  11. «Aborreço a vulgaridade do homem quando diz: “O que é justo para um homem é justo para outro”. “Não faças aos outros o que não queres que te façam.” Tais princípios estabelecem as relações humanas sobre serviços mútuos, de modo que as acções parecem a paga de alguma coisa que nos fizeram. A hipótese é ignóbil no mais alto grau; é como se julgasse indiscutível haver uma (acção) como equivalência de valor entre as minhas e as tuas acções.»

    “NÃO faças aos outros o que não queres que os outros façam a ti.” Essa máxima ética é atribuída a Confúcio,Já se passaram uns 2.500 anos depois disso, e muitos ainda acreditam que a pessoa cumpre sua obrigação moral quando simplesmente se refreia de fazer o mal a outros.

    Sem dúvida, esse código de conduta confucionista tem seus méritos. A Bíblia, por outro lado, revela um ponto de vista mais amplo a respeito do comportamento humano e da interação entre as pessoas. Além do pecado na forma de ações erradas cometidas contra outros, a Bíblia fala do pecado de omissão. O discípulo cristão Tiago escreveu: “Se alguém souber fazer o que é direito e ainda assim não o faz, é pecado para ele.” (Tiago 4:17) Em vez de simplesmente orientar os cristãos a não fazer o mal aos outros, Jesus Cristo deu o seguinte conselho: “Todas as coisas . . . que quereis que os homens vos façam, vós também tendes de fazer do mesmo modo a eles.” — Mateus 7:12.

    O propósito original de Deus era que todos os humanos tratassem os outros como gostariam de ser tratados. Isso significa que Deus amorosamente dotou os humanos de uma consciência que, se fosse devidamente treinada, os inclinaria a tratar os outros do modo como eles mesmos gostariam de ser tratados.

    Gostar

    Comentar por Dav — Quinta-feira, 1 Janeiro 2009 @ 12:24 pm

    • @Dav :

      Corolário: é impossível ser cristão e, simultaneamente, concordar com
      Nietzsche.

      Gostar

      Comentar por O. Braga — Sexta-feira, 2 Janeiro 2009 @ 11:04 am

  12. Olá. O autor do site poderia ao menos citar corretamente os textos que seleciona. Não fica claro quem escreveu o que. Onde estão as referências bibliográficas? Em que texto de Pessoa encontramos o parágrafo citado no início do texto? Foi mesmo Pessoa quem o escreveu?
    A propósito, é brilhante.
    No mais, respeito sua visão das coisas, mas discordo dela.
    Sim, Nietzsche e Pessoa têm muito em comum: o repúdio ao dogmatismo, à metafísica, ao racionalismo – pilares do cristianismo.
    SE não dá pra gostar de Nietzsche e ser cristão, não sei. Dá sim pra ler Nietzsche, gostar de Nietzsche ( E Álvaro de Campos!) e ser ético, correto, bom. Apenas é necessário que se saiba compreender alegorias e metáforas–aliás inúmeras na Bíblia! Que se pense de forma menos literal. Nem todos conseguem ou aceitam.
    NO mais, bom dia.

    Gostar

    Comentar por Bárbara — Domingo, 31 Maio 2009 @ 12:19 am

  13. Barbara:

    1.

    O autor do site poderia ao menos citar corretamente os textos que seleciona. Não fica claro quem escreveu o que. Onde estão as referências bibliográficas? Em que texto de Pessoa encontramos o parágrafo citado no início do texto? Foi mesmo Pessoa quem o escreveu?

    Bom, não sei se a Barbara faz ideia do que é a obra em prosa de Pessoa: um amontoado de textos aparentemente sem nexo causal. Não é possível dizer-se: “Fernando Pessoa, Opus tal, páginas tantas”. Só se pode dizer:”Obras em Prosa de Fernando Pessoa”. Quem quiser confirmar que as leia e procure.

    2.

    A comparação entre Pessoa e Nietzsche não se faz a nível metafisico, mas a nível do relativismo moral. Pessoa era um místico (maçonaria, astrologia, etc.), enquanto que Nietzsche era adepto de um naturalismo ateísta (nem sequer panteísta era). A Barbara levou a comparação para domínios inadequados.

    Quem “dogmatizou” mais do que o próprio Nietzsche a ponto de transformar a sua própria pessoa No Dogma principal de toda a sua obra?! Nietzsche é racional?! Ele combateu aquilo que ele subjectivamente considerava “irracional” com a maior e mais completa irracionalidade que seria possível a um ser humano.

    Valha-me Deus! Estou mesmo condenado a deixar passar este tipo de comentários??!! 😦

    Metáforas? Alegorias? Considerar a crueldade como um bem supremo e característica de um super-homem é uma alegoria? Porque é que a Barbara não pensa um pouquinho só?… Eu ficaria feliz por isso…

    Gostar

    Comentar por O. Braga — Domingo, 31 Maio 2009 @ 1:14 am

  14. Há um livro nas publicações Piaget, escrito por António Azevedo, professor de Filosofia de Vila Real, que enceta uma investigação séria sobre este assunto.

    Gostar

    Comentar por António Daniel — Terça-feira, 21 Julho 2009 @ 1:38 am

  15. António Daniel, com todo o respeito, queria dizer-lhe o seguinte:

    A investigação séria a que se refere diz respeito a uma investigação baseada no princípio de autoridade de direito, o mesmo quer dizer, baseada na autoridade proveniente de um alvará de inteligência. Conheço alguns professores universitários de filosofia que deram aos seus alunos as orientações em que se baseia, por exemplo, o leitor (ou leitora) “Matrix” que se manifestou acima.

    Uma coisa é a autoridade de direito, outra é a autoridade de facto. E para se ter esta última não é condição necessária ser-se professor de filosofia.

    Sobre a ética que eu critico em Nietzsche, ler:

    https://espectivas.wordpress.com/o-estado-da-etica/

    E se alguém tiver algum argumento que possa opor a esse texto, agradeço que me diga porque estou sempre a aprender ― ao contrário de certos professores de filosofia; não me esqueço que tive um professor de filosofia no antigo 7º ano dos Liceus, que me chumbou numa prova oral porque eu disse que acreditava em Deus. Há muito professor que é burro que nem portas.

    Gostar

    Comentar por O. Braga — Terça-feira, 21 Julho 2009 @ 2:13 am

  16. […] isso, e por muito que este amigo ― que se referiu a este postal meu ― pretenda fugir à questão da “coerência da incoerência”, não tem escapatória possível […]

    Gostar

    Pingback por A coerência da incoerência « perspectivas — Quarta-feira, 30 Setembro 2009 @ 12:59 am

  17. Hitler, se você não sabe, era cristão. E Mussolini comprou o apoio do Papa. Adorno fazia a mesma crítica que você, dizendo que havia um proto-nazismo em Nietzsche… mas o nazismo se baseou justamente num discurso lógico, racional e científico, discursos ao qual Nietzsche olhava com maus olhos.

    Gostar

    Comentar por Arthur — Quarta-feira, 28 Outubro 2009 @ 2:44 am

  18. Adolf Eichmann também foi educado em família cristã. Vc confunde religião com cultura. E Mussolini era socialista antes de ter inventado o fascismo.

    Gostar

    Comentar por O. Braga — Quarta-feira, 28 Outubro 2009 @ 3:25 pm

  19. Sólo tú, Barbara, has sido inteligente y sensible, frente a las muchas y muy superficiales tonterías que se presentan. A los demás, pues, os digo:
    – leed, por ejemplo, el “Nietzsche” de Gilles Deleuze
    – y, todavía antes, aprended a leer!

    Gostar

    Comentar por El Dani — Sexta-feira, 27 Novembro 2009 @ 1:25 am

  20. […] postal que escrevi sobre Nietzsche e Fernando Pessoa, os comentários foram diversos e o último deles foi o que se […]

    Gostar

    Pingback por Sobre Nietzsche e os mitos sociais modernos « perspectivas — Sexta-feira, 27 Novembro 2009 @ 11:30 am

  21. Em relação aos comentários da burra Bárbara, e do burro El Dani, devem ler:

    https://espectivas.wordpress.com/2009/11/27/sobre-nietzsche-e-os-mitos-sociais-modernos/

    Gostar

    Comentar por O. Braga — Sexta-feira, 27 Novembro 2009 @ 11:32 am


RSS feed for comments on this post.

%d bloggers like this: