perspectivas

Sábado, 6 Outubro 2007

“Men in Trees” and Women in Flowers with “Thumos”

Filed under: feminismo,politicamente correcto — O. Braga @ 5:01 pm
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“Queremos que as mulheres sejam bonitas, sejam eficientes, sejam capazes de competir com os homens.” — Wu Qing, membro do Partido Comunista Chinês, Presidente da Câmara Municipal de Pequim

Fazendo zapping na TV, passei por uma série televisiva que dá pelo nome “Men in Trees”, que alguém traduziu como sendo “Amor no Alasca”.

Torna-se acentuada a tendência dos mídia em fazer passar um tipo de cultura de “libertação feminina” que passa pela banalização do sexo, equiparando o feminismo ao machismo. As estatísticas revelam tendências preocupantes das jovens mulheres (entre os 20 e os 30 anos) a recorrerem sistematicamente ao psiquiatra, com fobias, medos, ansiedades e outros problemas psíquicos. Se há 50 anos uma grande parte das mulheres vivia a emoção sem satisfação sexual, hoje têm sexo q.b. sem satisfação emocional.

A série televisiva a que me referi em epígrafe é uma cadeia de histórias em que várias mulheres vão conhecendo diversos homens com quem têm relações sexuais sem compromisso (no strings attached, one night stand, swing e esse tipo de coisas). Na base da teia da série, está a chamada “amizade colorida”, e o conceito de”infidelidade compreendida” que está subjacente ao retorno da poligamia em versão moderna: a poliamoria.
Resumindo: “A mulher liberta-se através de um tipo de um comportamento atribuído ao macho”.


O problema disto é a Natureza. O masculino foi moldado na Natureza (pelo menos nos mamíferos) para agir de determinada maneira, e o feminino de outra. Este tipo de especificidade de sexo é independente do tipo de cultura e de sociedade, seja ela matriarcal ou patriarcal. O masculino luta pela predominância do seu “gene egoísta”, o feminino selecciona o “gene egoísta” masculino. O pénis foi desenhado pela Natureza não só para a penetração vaginal, mas para uma acção de substituição, através de sucção por vácuo, do esperma que os seus eventuais “concorrentes” possam ter deixado na vagina. Por outro lado, as fêmeas dos mamíferos têm a tendência natural para seleccionar os machos com quem copulam, não aceitando qualquer macho (salvo numa situação de inexistência ou escassez de concorrência masculina).

Historicamente, podemos classificar o feminismo como sendo “plebiscitário” (com o Modernismo nos finais do século 19/princípio do século 20), o “feminismo equitativo” que surgiu a partir de meados do século 20 até ao pós-modernismo que culminou com a sociedade de consumo (anos sessenta), e o “feminismo igualitário” que se desenvolveu a partir de fins da década de setenta, culminando na aberração cultural que existe hoje. O “feminismo igualitário” moderno deu sequência ao “feminismo equitativo” que adveio da tragédia humana da II Guerras Mundial, depois de Nietzsche e de Hitler.

Na Grécia Antiga existia o conceito de “thumos”, que pode ser traduzido como “paixão animal”, que engloba todo o comportamento instintivo do macho animal. Os gregos perceberam que demasiado “thumos” à solta na sociedade poderia ser prejudicial, mas tão pouco era desejável um défice social de “thumos”: uma sociedade sem a dose necessária de “thumos” não se consegue defender. Procurando o equilíbrio, os gregos cultivaram as virtudes do comportamento racional e do auto-controlo para compensar o excesso de “thumos” em circulação. Com Nietzsche na filosofia, e Hitler na acção política, o “thumos” social prevaleceu sobre a Razão, e em consequência da tragédia do nazismo, o mundo moderno virou as costas à ideia de “thumos”, e o homem viu-se assim encurralado pela “sociedade da neutralidade de género”.

Contudo, apesar do imenso esforço castrador do “feminismo equitativo”, a virilidade continuou a ser uma característica da personalidade masculina. Turva, oculta, dissimulada, a virilidade permaneceu. É essa a razão porque os homens conduzem camiões e aviões de caça, e porque têm a tendência a não perguntar o caminho quando estão perdidos. Ao contrário do que as feministas equitativas pensavam, o perigo para a sociedade moderna é a virilidade que não é utilizada: homens viris foram substituídos por burgueses considerados como “cidadãos correctos” incapazes de acção instintiva. A sociedade da neutralidade de género, ao pretender eliminar o “thumos”, mantém a sociedade desequilibrada, sem capacidade de se proteger, de se defender e de se auto-regenerar.

O “feminismo equitativo” de meados do século 20 lutou contra a presença de “thumos” na sociedade, tendo como objectivo a neutralidade de género. Em contraponto, o “feminismo igualitário” moderno pretende que o “thumos” – essencial e naturalmente masculino – seja atribuído à mulher por aculturação (com o advento do Modernismo e do Marxismo Cultural, passou a existir a ideia antropocêntrica de que se pode modificar a Natureza Humana por simples aculturação).

Falhada a tentativa da “sociedade de neutralidade de género”, surgiu a cultura do “feminismo igualitário”, que pretende desligar o Ser Humano da Natureza: existe um corpo que é “habitado” por uma alma que pouco ou nada tem a ver com esse corpo
(o conceito de “dualidade existencial”). Desta cultura surge o feminismo igualitário, heterossexual como sendo um mimetismo do masculino, ou feminismo homossexual (lesbianismo) – ambos um Ersatz do machismo –, e a cultura gay. A natureza do corpo não corresponde ao Eu, ao Ser intrínseco, à Alma.

Naturalmente que existe no Ser Humano a Razão, para além da Natureza; uma interpretação sociobiológica restrita do Homem não pode nem deve moldar a Razão Ética. Uma interpretação sociobiológica restrita do Ser Humano não distingue o instinto da emoção. As mães chimpanzés protegem os seus filhos por instinto maternal ligado à sobrevivência da espécie – instinto que a mulher também tem – e não por amor de mãe. O Amor é uma emoção, e por muito que sejam parecidos connosco, os chimpanzés não têm emoções humanas. Os chimpanzés agregam-se (vivem em grupo) por uma questão de sobrevivência – como os humanos –, mas não são solidários; a solidariedade invoca uma outra emoção: a compaixão. Os chimpanzés não sentem compaixão. E por aí afora.
Para além da força da Natureza presente no Humano, o Homem pensa, sente, age racional e emocionalmente; mas o facto de o Homem pensar, não significa que ignore a Natureza.

Estritamente no campo da procriação, apesar da Razão, não se perdeu o instinto masculino da cópula directamente ligada à procura da transmissão genética. Por isso, seria suposto que a mulher continuasse a assumir o papel natural e instintivo da selecção dos genes; “selecção” significa “restrição”, a eleição de alguém em detrimento de outrem. A tendência comportamental ditada pela cultura europeia moderna indicia a deturpação do papel natural da mulher na procriação, quando ela se acultura a um estereótipo comportamental masculino.

Naturalmente que o sexo não serve só para procriar, mas também para a satisfação emocional que acontece com o prazer físico e espiritual da cópula. Contudo, as diferenças na formatação biológica do homem e da mulher têm inexoráveis repercussões na psicologia de ambos os sexos. Os ciclos de vida sexual são diferentes nos dois sexos.
O “feminismo equitativo” de meados do século 20 fazia apelo à predominância da Razão sobre o Instinto Masculino; o “feminismo igualitário” moderno defende o primado do Instinto Masculino sobre a Razão.

O problema do feminismo igualitário actual é que parece ignorar o facto de o sexo na mulher ser selectivo por natureza, e decorrente deste facto é a importância atribuída naturalmente pela mulher ao sexo muito mais ligado à emoção do que acontece no homem. Por muito que queiramos desligar o sexo do processo natural de procriação, existe sempre um “missing link” que mantém a relação entre os dois.

Para tornear o problema da dicotomia natural homem/mulher, o feminismo igualitário moderno apoia-se no conceito de “dualidade existencial” na tentativa de masculinizar a mulher. Em resposta a esta nova corrente feminista, hoje todos os homens são “feministas”, porque é a única maneira de “engatar” uma mulher, e assim sendo, o homem continua a seguir o seu instinto natural de procura de preponderância na transmissão do seu “gene egoísta”. Apesar do feminismo, o homem não mudou, o “thumos” continua presente no homem moderno.

A mulher feminista igualitária é uma mulher infeliz, fabricada pelo homem e que se convenceu de que é, em tudo, igual a ele. A maior infelicidade que um Ser Humano pode ter é ser forçado, consciente ou inconscientemente, a abdicar da sua realidade intrínseca em favor de um estereótipo exógeno.

2 comentários »

  1. Acho bem; à primeira leitura, de esguelha e na diagonal.
    Se tiver reparos, positivos ou negativos, aqui virei.

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    Comentar por me — Sábado, 6 Outubro 2007 @ 10:16 pm | Responder

  2. Será que terem escolhido uma actriz lésbica para protagonista terá algo que ver?
    Náááá…

    Gostar

    Comentar por Fenéco — Segunda-feira, 8 Outubro 2007 @ 1:56 am | Responder


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