perspectivas

Sábado, 29 Setembro 2007

Quadrilha

Filed under: Sociedade — O. Braga @ 11:58 am
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João amava Teresa
Que amava Raimundo
Que amava Maria
Que amava Joaquim
Que amava Lili
Que não amava ninguém.

João foi para os Estados Unidos,
Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre,
Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se,
E Lili casou com J. Pinto Fernandes
Que não tinha entrado na história.

(Carlos Drummond de Andrade)

Via Canto Aberto, soube que o Cabalas se referiu a uma história (que eu já conhecia de há meses, e que circulou por email) publicada no Murcon, que reza mais ou menos assim:

Um casal bósnio frequentava salas de chat na Internet – cada um pelo seu lado, e sem que um soubesse das aventuras cibernéticas do outro. Até aqui, nada que seja hoje considerado anormal, desde que, com o advento do feminismo, a mulher perdeu os pruridos de sexo fraco e garantiu o seu direito ao flirt mais ou menos dissimulado e descomplexado.

Aconteceu que se “encontraram” os dois numa mesma sala de chat utilizando nicknames (sem saberem “quem é quem”), entabularam conversa e entraram em fase de engate – nada que não aconteça todos os dias: por exemplo, um gordo de 200 kg envia à “dama” uma foto do Tom Cruise com a seguinte legenda: “Eu sou assim, mas mais alto, com olhos cor-de-banana e cabelo ao cachos”. E ela acredita, e mesmo que não acredite, imagina que acredita.

Depois, os dois flirters cibernéticos combinaram encontrar-se pessoalmente e constataram que já eram casados um com o outro. Aqui, a coisa já não é normal: azar dos azares! Pior do que isto é um tipo cair de costas e partir o pénis!
A solução consequente e coerente com o comportamento de ambos seria fazerem swing virtual um com o outro: ela fingia que era a “outra” do chat, e ele o “outro”. Mas em vez disso, resolveram divorciar-se – e muito bem, porque estavam mal casados. Mesmo que não tivessem tido o azar de terem conhecido virtualmente a cara-metade ideal, que por acaso coincidia fisicamente com as “pestes” que tinham em casa, o divórcio seria inevitável; uma questão de tempo. E porquê?

Porque as pessoas não comunicam, e quando pensam que comunicam limitam-se a transmitir estereótipos culturalmente assimilados dos me®dia. As pessoas transformaram-se em robôs – o Robotismo – é aqui que está a novidade desta história.

De resto, prefiro outra história, do tempo em que não havia emails, as pessoas conversavam à lareira em vez de verem telenovelas seguidas, e as mensagens escritas eram entregues pessoalmente: um soldado americano no Vietname enviou, diariamente e durante 365 dias, uma carta à sua namorada. Ao fim do ano, a sua namorada casou-se…com o carteiro!
Naquele tempo, as mulheres eram mais inteligentes: controlavam “às claras” – sem esconderem nada de ninguém, ao vivo e em carne e osso – qualquer “novidade” que lhes aparecesse à porta, antes de decidirem romper um compromisso. Os homens, esses não mudaram em nada, mantendo a sua fraca perspicácia; só passaram a ter a concorrência feminina.

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