perspectivas

Quarta-feira, 21 Agosto 2013

O melhor amigo do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista é Passos Coelho

Filed under: Passos Coelho,Pernalonga — orlando braga @ 8:13 pm
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Conheço um caso de uma senhora que trabalha 4 horas por dia – em uma empresa multinacional líder de mercado na indústria editora e livreira – e ganha 150 Euros por mês. Ou seja, fazendo as contas, ela ganha 1,80 Euros por hora. Se ela trabalhasse as 8 horas diárias normais, ganharia qualquer coisa como 288 Euros, o que é quase metade do salário mínimo nacional. E este caso não é caso único: conheço muitos mais casos semelhantes.

Não percebo grande coisa de Direito do Trabalho, mas duvido que isto seja legal. Em vez de andarmos a gastar dinheiro com a ASAE, seria melhor empregar esse dinheiro na fiscalização das empresas, porque parece-me que os abusos laborais tendem a multiplicar-se sob a tutela de Passos Coelho.

Passos Coelho e a maioria parlamentar estão a trabalhar activamente para a subida eleitoral do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista.

Quarta-feira, 18 Abril 2012

O trabalho, a Mulher, e as tendências do futuro

Filed under: ética,cultura,economia,Política,Sociedade — orlando braga @ 1:14 pm
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[mini-ensaio / 1438 palavras]

O que o nosso tempo nos pede é a coragem de uma autêntica revolução cultural.

Hoje é comummente aceite, mesmo pela direita dita “conservadora”, que o facto de a mulher trabalhar fora de casa [aqui entendido como “trabalho externo”] é um direito positivo [que implica a existência de um “dever”], enquanto que se a mulher ficar em casa a cuidar dos filhos, da família, ou trabalhar em comunidades restritas [aqui entendido como “trabalho institucional”], exerce um direito negativo [que implica a existência de uma mera opção]. Ou seja: na cultura coeva e nas leis, quando a mulher trabalha fora de casa, cumpre um dever; e se trabalha em casa, fá-lo por opção, ou, como se diz agora, por um “estilo alternativo de vida”.
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Quinta-feira, 10 Março 2011

As energias renováveis e o desemprego

Filed under: economia — orlando braga @ 4:37 am
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Um estudo sobre as energias renováveis na Escócia revelou que, por cada posto de trabalho criado no sector das energias alternativas, são perdidos quatro postos de trabalho no resto da economia.

==> For Every Green Job, Four Other are Lost (UK)

Sábado, 2 Outubro 2010

A estratégia da Sinificação da Orla Europeia

Filed under: economia,Europa,Portugal — orlando braga @ 11:44 am
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Quando a OCDE e a União Europeia vêm exigir a Portugal a reforma da lei laboral, do que se está a falar ?
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Sábado, 19 Junho 2010

A economia não é uma ideologia de esquerda ou de direita: é uma ciência social

As pessoas não deveriam invocar uma eventual autoridade de direito para fazer valer os seus pontos de vista. Frases como você “está mal equipado economicamente para isso” revelam a intenção de um ataque pessoal e não a defesa de ideias. As pessoas deveriam cingir-se à autoridade de facto que é aquela que realmente nos interessa. Infelizmente, em Portugal puxa-se frequentemente pelos galões (a autoridade de direito) para se impôr a visão das coisas.


Vamos lá ver:

  • A lei do trabalho em Portugal, quando comparada com o resto da União Europeia, é rígida? A resposta é um rotundo NÃO. Quem diz que as leis laborais portuguesas são mais inflexíveis do que as existentes na esmagadora maioria dos países da União Europeia, mente.
  • Em tese, a flexibilização das leis laborais é positiva? Em tese, é. Porém, depende do contexto em que essa flexibilização ocorre. Por exemplo, flexibilizar ainda mais as leis laborais na China provavelmente conduzirá esse país a uma pré-escravatura.

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Terça-feira, 8 Junho 2010

A Europa de primeira e de segunda classes

Ontem, um comissário qualquer da União Europeia veio dizer que é preciso “flexibilizar” (ainda mais) as leis laborais em Portugal, referindo-se à lei de despedimento. No sector privado da nossa economia, despedir alguém já não coloca grandes problemas à entidade patronal portuguesa. É hoje mais fácil um patrão despedir um trabalhador em Portugal do que em França; mas a União Europeia não está satisfeita.

O que a União Europeia (dirigida pelos países do directório europeu) pretende é criar a curto/médio prazo (na zona económica periférica da Europa que inclui Portugal, Espanha, Grécia e os países de leste) uma espécie de zona europeia alternativa à produção na China, com condições laborais e salariais mais próximas da chinesa — mantendo, contudo, a Europa do directório (o eixo franco-alemão e respectivos países adjacentes: Bélgica, Holanda, Áustria, Dinamarca, Luxemburgo, Itália) o Estado Social a que estão habituados. Trata-se de eliminar o Estado Social na periferia da Europa.

Já não estamos hoje face ao problema da construção de uma Europa a duas velocidades: estamos já na fase decadente de cristalização política e económica através da institucionalização coerciva da Europa de primeira e de segunda classes.

Segunda-feira, 8 Março 2010

Direita e esquerda gnósticas

Este fim-de-semana vinha no carro e ouvi na rádio (salvo erro, na Antena 1) a deputada do CDS/PP Teresa Caeiro dizer que “hoje a distinção de esquerda e de direita já não faz sentido”. Hoje vi este postal com o título: “Pela Direita dos Valores e a Esquerda do Trabalho!” (via). Decididamente, tenho que falar sobre o assunto. Vou primeiro ao postal.
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Sexta-feira, 5 Fevereiro 2010

Exemplos da aplicação do neoliberalismo na gestão das empresas

« Há estágios para aprenderem essas técnicas. Posso contar, por exemplo, o caso de um estágio de formação em França em que, no início, cada um dos 15 participantes, todos eles quadros superiores, recebeu um gatinho. O estágio durou uma semana e, durante essa semana, cada participante tinha de tomar conta do seu gatinho.

Como é óbvio, as pessoas afeiçoaram-se ao seu gato, cada um falava do seu gato durante as reuniões, etc.. E, no fim do estágio, o director do estágio deu a todos a ordem de… matar o seu gato. »

“Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal” (Christophe Dejours)

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Sexta-feira, 18 Dezembro 2009

O banco-de-horas e o patronato burro que temos

Filed under: economia — orlando braga @ 7:57 am
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Temos uma classe patronal que é o superlativo absoluto simples da burrice. Ainda não se deram conta de que um banco-de-horas exagerado ― como aquele que exige que os empregados dos supermercados trabalhem 70 horas por semana ― acaba por reduzir a produtividade do trabalhador através de quebras de produção no mínimo de 2 a 3 horas por cada trabalhador / semana. Se multiplicarmos 2 horas de produtividade baixa por todos os trabalhadores do sector que entram num banco-de-horas exagerado, verificamos que os patrões estão a perder dinheiro em barda. Pura burrice.

O mesmo se passa com os trabalhadores dos STCP (Serviço de Transportes Colectivos do Porto) que estão em greve de zelo contínua desde o princípio de Dezembro e que tem causado o caos no trânsito da cidade. Conduzir um autocarro durante oito horas seguidas no meio do trânsito infernal, e depois ainda ser chamado a cumprir um excesso de trabalho para o banco-de-horas, não é a mesma coisa que estar sentado numa caixa de um supermercado durante oito horas e trabalhar depois duas ou três horas extra.

O banco-de-horas surte efeito até um determinado limite de horas extra. É preciso que o patronato burro entenda isso de uma vez por todas.

É preciso que o Sr. Belmiro de Azevedo [e o resto do patronato burro] entenda que a ideia de que “os portugueses são mais preguiçosos do que os outros europeus” (sic) é falsa ― conforme afirmado pelo patrão da SONAE em uma entrevista a uma rádio inglesa e da qual tenho uma gravação em meu poder. E depois, esse mesmo patronato burro, que não sabe gerir racionalmente os seus recursos humanos, diz que não encontra soluções para o aumento do salário mínimo decretado pelo governo, e amua.

Quarta-feira, 18 Novembro 2009

Vejo o povo cabisbaixo

Filed under: A vida custa,economia,Portugal,Sociedade — orlando braga @ 8:32 am
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Na área do Grande Porto, a taxa de desemprego oficial está nos 11%, mas a minha estimativa é de que tenha alcançado já os 15% porque muita gente nem se dá ao trabalho de se inscrever nos Centros de Emprego. Sente-se o ambiente tenso, rostos cerrados, insegurança nos olhares. Gente cabisbaixa, derrotada.

Pela manhã cedo, antes sequer de os cafés abrirem, são essencialmente as mulheres que procuram os transportes públicos; são elas que dão o exemplo de tenacidade. Um pouco mais tarde, são as crianças a caminho das escolas que nos lembram que este país tem um futuro que urge fazer cumprir.

« A minha indignação tem a ver com a dualidade deste País que parece conviver muito bem com a trapaça e a corrupção mas também com os idosos que não têm dinheiro para comer todos os dias e com as crianças quase sem futuro pela situação de pobreza absoluta das suas famílias »

Manuela Arcanjo, “Jornal de Negócios”, 16-11-2009

Domingo, 11 Outubro 2009

O Paradoxo do Valor aplicado ao trabalho

Filed under: economia,filosofia,Política — orlando braga @ 6:20 pm
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Hoje, o trabalho é um bem transaccionável a que se aplica o paradoxo do valor. Acontece que na escala de valores, o trabalho ocupa uma posição alta devido à subjectividade dos actores do próprio mercado de transacções ― o trabalho não tem, de todo, um valor marginal; não é o bem de “utilidade marginal”; o bem transaccionável de utilidade marginal é o ser humano.

Eu acho que o trabalho não acabou, coisa nenhuma. A prova disso é que Portugal (hoje) exporta o trabalho. No nosso tempo, o trabalho é um bem transaccionável tal como um saco de arroz ou um automóvel; é um commodity.

O que se passa é que com a globalização, o mercado do trabalho ― lei da oferta e da procura ― se alterou a favor de quem detém a oferta de trabalho, por um lado, e da nossa entrada na União Europeia faz parte integrante um acordo de exportação da nossa tradicional capacidade de trabalho, por outro lado.

O trabalho que há no mundo é escasso; existe mais gente do que a quantidade de trabalho disponível. Ainda há poucos anos, aquilo a que nós chamamos “trabalho” ― que reflecte o conceito marxista do termo ― estava concentrado nos países industrializados, e o resto do mundo vivia na Primeira Vaga de Alvin Toffler. Com a globalização, tudo isso se alterou, e um determinado tipo de trabalho passou a ser exportado para o terceiro mundo em troca de determinadas mercadorias já manufacturadas ou matérias primas.

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Domingo, 7 Setembro 2008

O problema é geral

Filed under: Sociedade — orlando braga @ 5:27 pm
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Algo vai mal no reino da Dinamarca. Para trabalhar num call-center é necessária uma licenciatura? Penso que não; 12º ano chega e sobra.

Sendo assim, o ordenado de 480 Euros para um licenciado que trabalha num call-center é pouco? É sim senhor! É pouco para um licenciado, como é pouco para um não-licenciado, exactamente porque não é necessário ser-se licenciado para trabalhar num call-center, e porque uma empregada de limpeza que “dá oito seguidas e de pé!”, ganha o ordenado mínimo nacional.

O argumento da Gotika teria valor se se referisse ao nível dos ordenados em geral praticados em Portugal; quando uma licenciada se candidata, por exemplo, a mulher-a-dias, não pode por isso querer aspirar a um estatuto diferente daquele que é o normal.

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