perspectivas

Terça-feira, 23 Outubro 2012

Quando os ditos “monárquicos” defendem a soberania, e também o Acordo Ortográfico

Defender a soberania portuguesa e, simultaneamente, defender o Acordo Ortográfico, é uma contradição em termos. Se o movimento monárquico português pretende conciliar o irreconciliável, está condenado ao fracasso porque faz parte integrante do sistema.

Defender a soberania é defender, em termos gerais, aquilo que é estritamente português, o que passa obviamente pela defesa da cultura e da história portuguesas. Ora, o Acordo Ortográfico é imposto aos portugueses ao arrepio da sua cultura, tradição e história.

Portanto, defender a soberania e, ao mesmo tempo, defender o Acordo Ortográfico parece ser uma incoerência que decorre da estupidificação intelectual de quem está mandatado para escrever em nome do movimento monárquico.

Aqui, não se trata de “pluralismo”. Não é possível ser “soberanista desta maneira”, “soberanista daquela maneira”, e ainda “soberanista de aqueloutra maneira”. Ou se é soberanista, ou não.

O que pode ser plural é a acção política que decorre da aceitação prévia do paradigma da soberania. E o paradigma da soberania assenta, nomeadamente, no respeito pela especificidade da cultura e da história de Portugal.

E se o movimento monárquico não é soberanista, então que se deixe de hipocrisias. Se o que interessa ao movimento monárquico é a manutenção do status quo apenas com a mudança de elites no poleiro, que o diga. A monarquia não é uma espécie de “novo negócio republicano”.

Com monárquicos destes, não precisamos de anti-monárquicos. Com soberanistas destes, não precisamos de vendilhões da pátria.

Quinta-feira, 19 Abril 2012

Franceses e alemães afirmam que só eles têm direito à soberania nacional

“Los ministros del Interior de Francia, Claude Guéant, y de Alemania, Hans Peter Friedrich, señalan en una carta que los controles fronterizos internos tendrían un carácter temporal, pero insisten en que la decisión de aplicarlos debe corresponder a cada país, no a la Comisión Europea, y que ese es “un punto no negociable”.

“La prevención de las amenazas a la seguridad y al orden público corresponde a la soberanía nacional“, subrayan los dos ministros en una carta enviada a la presidencia danesa de la Unión Europea y divulgada este jueves.”

via Alemania y Francia proponen recuperar los controles fronterizos en la UE – Libertad Digital.

Quando se trata da Alemanha ou da França, existe a concepção de “soberania nacional” na União Europeia.

Porém, se um país pequeno, como por exemplo a Hungria, aplica esse mesmo conceito de “soberania nacional” na sua ordem interna, a União Europeia persegue-o até à exaustão — como está agora a acontecer. E quando a Irlanda recusou , em referendo, o Tratado de Lisboa, os dois únicos países soberanos da União Europeia trataram de demonstrar aos irlandeses, mediante a imposição de um novo referendo, que a soberania nacional não é um direito, mas é um privilégio a que os pobres irlandeses não têm direito.

A União Europeia é um leviatão onde existem apenas dois países com direito à soberania nacional: a França e a Alemanha.

Segunda-feira, 21 Novembro 2011

A perda de soberania dos países da zona Euro alimenta a especulação financeira

Filed under: economia — orlando braga @ 7:31 pm
Tags: , , , , , , , , ,

«The Greeks and the Spanish cannot devalue their own currencies – but everything else they have done has been according to the austerity-economics textbook. And it hasn’t worked. For all the current talk about a democratic crisis in euroland, the politicians themselves gave much of their own sovereignty away in the preceding decade. From Blair to Zapatero, the fashion in social-democratic thinking has been to abdicate power – and now bond markets are filling the vacuum.»

via Politicians under the euro: at the wheel but not steering | Editorial | Comment is free | The Guardian.

Este editorial do The Guardian é tão elucidativo que até fere a vista. Os políticos da maioria dos países da União Europeia [com excepção do directório europeu, constituído pela Alemanha e pela nova França de Vichy] abdicaram da soberania dos seus países à revelia dos seus povos, e agora os mercados financeiros ocupam o vácuo deixado pelo poder político.

O único país da zona Euro que não abdicou da sua soberania foi a Alemanha — até a França sofre agora ameaças dos mercados financeiros: a França de Vichy, submissa à soberania alemã, já está à mercê dos mercados financeiros.

Para que tenhamos uma ideia nítida do que se passa: a Espanha tem uma dívida pública inferior — em percentagem do PIB — à da Alemanha!

Porém, vemos que os mercados não incomodam a Alemanha e já ameaçam a Espanha com uma intervenção externa. Os mercados financeiros sabem “quem manda” — reconhecem a soberania que decorre do poder político —, e sabem que “quem manda”, de facto, em Espanha, é a Alemanha. Enquanto a Alemanha fizer funcionar os seus mecanismos internos de soberania e estender o seu poder político aos países do Euro, é altamente improvável que seja beliscada pelos mercados financeiros.

Quarta-feira, 13 Janeiro 2010

“Esta me®dia é toda nossa” ― que o Tuga é burro!

Sobre o caso dos dois etarras presos em Portugal [de que falei aqui], os me®dia portugueses não se referiram, de uma forma clara e entendível pelo povo português, ao facto de a polícia espanhola ter perseguido, em território português, os dois alegados membros da ETA, isto é, os dois presumíveis membros da ETA entraram pelo território português adentro, e a polícia espanhola galgou as nossas fronteiras e veio até Torre de Moncorvo atrás deles, como se Portugal fosse uma coutada ou um albergue espanhol.

É bom que os portugueses se comecem a habituar às “penetrações” da polícia espanhola [regular e secreta] pela nossa casa adentro. O Tratado de Lisboa prevê mesmo que as forças armadas [exército, força aérea, etc.] espanholas possam entrar em Portugal e cercar Lisboa em caso de “instabilidade” social ou política, ou de um golpe-de-estado que não agrade a Espanha ou a Bruxelas.

Adenda: o que me chateia (adicionalmente) é que o Estado espanhol não se tenha ainda esquecido da Inquisição.

The Rubric Theme Blog em WordPress.com.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 445 outros seguidores