perspectivas

Sábado, 23 Agosto 2008

O Socas nem imitar sabe!

Filed under: Portugal — orlando braga @ 11:31 pm
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A Espanha não tem oficialmente controlo de fronteiras, mas tem-no na prática. Das muitas vezes que fui a Espanha de carro, aconteceu várias vezes ser controlado pela Guardia Civil a escassos quilómetros da entrada na fronteira com Portugal. Revistam tudo, abrem as malas, algumas vezes com cães, etc.. Uma das vezes esteve mesmo o exército espanhol a apoiar a Guardia Civil. Não existindo fronteiras, o controlo aleatório de circulação de pessoas e bens nas fronteiras, com entrada e saída em Espanha, é bem visível.

Não sei o que o governo português anda a fazer… A coisa para o Socas é simples: que imite o seu amigo “sapateiro”, porra! Pode ser que o que sempre escapa à vigilância nas fronteiras espanholas possa ser detectado nas fronteiras portuguesas.

Quinta-feira, 14 Agosto 2008

Estamos metidos num colete de varas

Filed under: Portugal — orlando braga @ 8:38 pm
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Estamos metidos num colete de varas, e vez de nos liberarmos dele, estrebuchamos e apertamos cada vez mais o baraço que nos ata. Andamos a discutir o que não tem discussão, e deixamos o importante de lado. Note-se que eu não concordo com o Fernando Rosas em quase tudo.

Não tem discussão possível que a morte pela GNR do rapaz que acompanhava adultos desarmados num roubo de material de construção civil, é desproporcionada, embora a lei penal preveja a situação de crime punível para adultos que induzam um menor em situação de ilegalidade.
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Segunda-feira, 11 Agosto 2008

Directo e sem rodeios: desembrulho!

Posso estar de acordo com a ideia deste postal: é preciso que a imigração seja contida dentro dos limites económicos e sociais que Portugal pode oferecer; não é possível “importarmos” imigrantes para depois não lhes darmos condições de sobrevivência condignas e segurança aos que já cá estão. Até aqui estou de acordo, e tenho-o escrito desde há 5 anos a esta parte.

Contudo, não concordo com a ideia de que os criminosos, por o serem, passem por isso à condição de sub-humanos (“Untermenschen”, para utilizar a terminologia nazi).

Desde logo, qualquer pessoa com dois dedos de testa se apercebe que se os assaltantes quisessem matar os reféns (todos ou algum) poderiam tê-lo feito, em vez de terem libertado quatro deles; tiveram a oportunidade e o momento para o fazer. Parece que a polícia não se apercebeu disso. Quando a polícia mata alguém nestas condições, é essencial que a intenção da pessoa abatida seja prévia e racionalmente avalizada.
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Sexta-feira, 8 Agosto 2008

Fernando Pessoa e a Segurança na Sociedade

Eu devo confessar que sinto muitas dúvidas sobre se tudo teria sido feito pelos agentes da autoridade para que ninguém tivesse sido morto na operação policial de ontem. Penso que seria possível terem saído todos com vida, e os assaltantes seriam apanhados mais tarde num café em Montegordo, ou comendo tapas na Diagonal de Barcelona, ou bêbedos na Bierfest em Munique (1). A morte “in loco” revela a fraqueza da União Europeia em matéria de prevenção e controle da segurança no espaço Schengen, é sinónimo de que o Tratado de Schengen não funciona de forma a garantir uma segurança racional dos Estados e das nações.
Não conheço os detalhes das negociações entre a polícia e os assaltantes, mas mesmo assim mantenho as minhas dúvidas.

Hoje vou falar sobre o conceito de Fernando Pessoa sobre ordem e segurança. Nas suas obras em prosa, Pessoa critica o conceito comtista (Augusto Comte) de Ordem e Segurança.

“Evidentemente que por “ordem” os seus defensores não entendem a mera ordem material e ostensiva, aquela que a polícia guarda. Entendem a ordem nos espíritos também, a disciplina íntima de onde resulta o bom funcionamento, físico como psíquico, da engrenagem social. Eles compreendem, de resto, que não há ordem só material, que é nos espíritos que a ordem começa.”

Aqui, Pessoa critica os defensores extremistas (comtistas) da ordem e da segurança como defendendo não só a ordem de guarda policial, como a ordem dos espíritos, a ordem psíquica, isto é, Pessoa critica a ideia de uma ordem que antevê e procura um totalitarismo.

A ordem é nas sociedades o que a saúde é no indivíduo. Não é uma coisa: é um estado. Resulta do bom funcionamento do organismo, mas não é esse bom funcionamento. (…) Na sociedade, semelhantemente: quando aparece a desordem, a sociedade sã procura logo, não manter a ordem, que pode ser provisória e aparente, mas atacar o mal que produziu a desordem. A exclusiva preocupação com a ordem é um morfinismo social.
(…)
No indivíduo, a constante preocupação com a saúde é um sintoma de neurastenia, ou males psíquicos mais graves ainda. Na sociedade, paralelamente, a preocupação da ordem é uma doença de espírito colectivo.

O que se está a passar na nossa sociedade é exactamente aquilo que Fernando Pessoa criticou nos defensores do comtismo securitário do seu tempo (defesa comtista da “ordem” que desembocou no Salazarismo). A História não se repete, mas a essência das coisas existe independentemente daquela. O que assistimos ontem em directo pela TV é próprio de um Estado securitário com altos índices de totalitarismo comtista (científico, no seu pior sentido).

Fiquei com a sensação de que a exibição policial de ontem tem uma intenção, quis passar uma mensagem claríssima: “Cuidado! cidadãos deste país: hoje foi abatido um assaltante armado, amanhã será um delinquente que rouba um pão para comer”. Pode ser só sensação minha; queira Deus que assim seja.

(1) Bastava que polícia tivesse colocado um sinalizador GPS no carro que permitisse a fuga aos assaltantes.

(textos de Pessoa tirados de “O Preconceito Tradicionalista”)

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