perspectivas

Terça-feira, 10 Setembro 2013

O que é o Estado Social?

Kant escreveu o seguinte no seu ensaio “Teoria e Prática” (1793):

“Um governo que fosse fundado sobre o princípio da benevolência para com o povo – tal o do pai para com os seus filhos, quer dizer, um governo paternal -, onde, por consequência, os sujeitos, tais filhos menores, incapazes de decidir acerca do que lhes é verdadeiramente útil ou nocivo, são obrigados a comportar-se de um modo unicamente passivo, a fim de esperar, apenas do juízo do chefe do Estado, a maneira como devem ser felizes, e unicamente da sua bondade que ele o queira igualmente – um tal governo, digo, é o maior despotismo que se pode conceber.”

Kant definiu – e muito bem – o Estado Social.

Será que o acesso à educação para todos é uma característica do Estado Social? G. K. Chesterton dá-nos a resposta:

“Sem a educação, encontramo-nos no horrível e mortal perigo de levar a sério as pessoas educadas.”

O mesmo critério aplica-se aos cuidados médicos acessíveis a todos. E quando eu digo “todos”, é todos sem excepção. Na educação e na saúde não se aplica a regra utilitarista do “maior bem para o maior número”. Confundir “Estado Social” com “solidariedade social” é asneira de Coelho espertalhão.

E as pensões de reforma, e os cortes dos salários, ¿serão formas de “cortar no Estado Social”? Mais uma vez G. K. Chesterton dá-nos a resposta:

«Um homem honesto apaixona-se por uma mulher honesta; ele quer, por isso, casar-se com ela, ser o pai dos seus filhos, e ser a segurança da família.

Todos os sistemas de governo devem ser testados no sentido de se saber se ele pode conseguir este objectivo. Se um determinado sistema – seja feudal, servil, ou bárbaro – lhe dá, de facto, a possibilidade da sua porção de terra para que ele a possa trabalhar, então esse sistema transporta em si próprio a essência da liberdade e da justiça.

Se qualquer sistema – republicano, mercantil, ou eugenista – lhe dá um salário tão pequeno que ele não consiga o seu objectivo, então transporta consigo a essência de uma tirania eterna e vergonha». – G. K. Chesterton, “Illustrated London News”, Março de 1911.

O governo de Passos Coelho transporta consigo a essência de uma tirania eterna e vergonha. Será por isso que ele será recordado.

Sábado, 3 Agosto 2013

I’ll make you an offer You can’t refuse!

Filed under: A vida custa — orlando braga @ 1:24 pm
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« O Tribunal de Contas afirma que o Ministério da Saúde reduziu a assistência à população servida pelo Hospital de Cascais por falta de orçamento. As “restrições orçamentais” estão descritas no mesmo relatório que no início da semana revelou que a gestão privada de hospitais públicos irá sair mais cara do que o Governo previa.

Os cortes foram feitos no número de actos contratados ao hospital para 2012 e atingiram o internamento, as consultas subsequentes e as sessões de hospital de dia. A auditoria salienta ainda a existência de uma redução na produção orçamentada pelo Estado, face a 2011, nas primeiras consultas e nos episódios de Urgência. »

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Segunda-feira, 21 Janeiro 2013

Paulo Macedo quer doentes a fazer hemodiálise em casa para “cortar custos”

“O Governo quer que os doentes passem a fazer a diálise em casa, fora dos hospitais, como forma de reduzir os custos, sobretudo em transportes, noticia esta segunda-feira o Diário de Notícias (DN), que adianta que os doentes vão ter formação com médicos e enfermeiros para poderem fazer os tratamentos nas suas residências.”

via Noticias ao Minuto – Governo quer doentes a fazer hemodiálise em casa para cortar custos.

paulo macedo kodachrome web

Domingo, 19 Julho 2009

A constatação do facto de que o Bloco de Esquerda já controla Portugal

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Talvez as pessoas ainda não se tenham dado conta, mas é já a esquerda radical que controla este país. Naturalmente que o partido socialista de José Sócrates perdeu já toda a legitimidade moral para se opor a quem quer que seja, de forma que a opinião do BE assume a cada passo a forma de decreto-lei. Dir-me-ão que “não, que eu estou a exagerar”. Vou passar a dar um exemplo que ilustra a razão da minha opinião.


No dia 18 de Julho de 2009 vi uma notícia (PDF) segundo a qual o presidente do Instituto Português do Sangue (IPS), Gabriel Olim, reiterou a exclusão de homossexuais masculinos da dádiva de sangue.
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Segunda-feira, 7 Julho 2008

Saúde — o privado afunda o serviço público

Vejamos o exemplo inglês:

A woman has claimed an NHS hospital “starved” her elderly mother rather than continue her care.

Ellen Westwood, 88, was in Birmingham’s Selly Oak Hospital for two months being treated for dementia and C.difficile, which she had previously contracted.
Her daughter Kathleen Westwood said the hospital decided in February it was in her “best interests” to halt fluids and nutrition – a move the family opposed.

Devido à “saudável concorrência” com o sector privado, o serviço público de saúde inglês (NHS) deixa morrer à fome pacientes para poupar dinheiro.

Quarta-feira, 18 Junho 2008

SIDA : Existem “grupos de risco”?

Têm-se falado ultimamente na blogosfera sobre “grupos de risco” da SIDA.
Para existirem “grupos de risco” susceptíveis de contrair a SIDA, deve (logicamente) existir um “grupo sem risco”. Os “grupos de risco” são os seguintes:
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Sábado, 24 Maio 2008

Fim do SNS universal e gratuito

Filed under: economia — orlando braga @ 9:13 pm
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“Uma coisa é o SNS ser um bom serviço, de qualidade, prestado às pessoas que não têm outro tipo de recursos. Outra coisa é ser um serviço que acaba por ser mau para todos”, afirmou a ex–ministra das Finanças, considerando que o SNS gratuito para todos tem de acabar.

Vamos lá ver: em teoria, se um serviço gratuito é mau para todos, o que se tem que fazer:

  1. Mantê-lo mau e gratuito, e só para os que não têm outro tipo de recursos (porque quem tem recursos vai ao privado e paga);
  2. Mantê-lo mau e não gratuito, para todos;
  3. Torná-lo bom, mas gratuito só para os que não têm outro tipo de recursos;
  4. Torná-lo bom e não gratuito para todos.
  5. Torná-lo bom e gratuito para todos (porque os ricos — em princípio — também pagam impostos).

Qual é a opção de Manuela Ferreira Leite?

Aparentemente, MFL prefere o ponto 3.: “Tornar o SNS bom e gratuito só para os que não têm outro tipo de recursos”. Se isto significar que os ricos que recorrerem a esse SNS “bom” terão que pagar, e os mais desfavorecidos não pagarão, até posso estar de acordo. Mas fico com a “pulga atrás da orelha” — até porque Pedro Passos Coelho concordou, o que é mau sinal.

Mas será isto que MFL quis dizer? E sendo assim, qual o critério para aceder ao SNS “bom e gratuito”? Ganhar 200 Euros por mês? 300? 400? Será que quem ganhar 500 Euros já paga “forte e feio” e não “bufa”? Será que nos estão a “fazer o ninho atrás da orelha”?

Terça-feira, 15 Janeiro 2008

Nada acontece por acaso

Filed under: Política — orlando braga @ 4:20 pm
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A cidade de Chaves vai dispor, menos de um mês depois de fechar o bloco de partos local, de um hospital privado no concelho que, a partir de 2009, vai disponibilizar maternidade e serviço de urgências 24 horas por dia.

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