As opiniões de Richard Dawkins, ou de outro burro qualquer, não me incomodam. Sempre existiram burros, e como escreveu C. Cipolla, a percentagem de estúpidos em circulação é sensivelmente idêntica em todas as sociedades de todas as épocas. O que me incomoda é caixa de ressonância dos me®dia: algumas das vezes acrítica, porque entre os pasquins — como, por exemplo, o jornal Público — a percentagem de estúpidos é superior ao normal; outras vezes propositada quando alinhada com um certo niilismo ético de uma política cultural de “terra queimada”.
Quando dizemos que “aquele animal sente dor”, essa nossa constatação é intuitiva.
Do ponto de vista estritamente do método científico positivista, nenhum cientista pode verificar e confirmar que um animal sente dor. O cientista pode inferir a dor de um animal, mas essa inferência tem origem intuitiva, e não uma origem estritamente científica no sentido de verificação empírica e positivista.
A presumível dor de um ser não é um critério científico — em sentido estrito do método científico — para estabelecer razões para o aborto ou para a eutanásia. A constatação da dor de um qualquer ser é intuitiva, e por isso, do domínio da ética, e logo, do domínio da filosofia. Quando a ciência diz que “um feto humano não sente dor”, incorre em um grave erro e abuso metodológicos.
Por isso é que Richard Dawkins é burro, porque ele deveria estar concentrado na biologia em vez de se meter pela filosofia adentro. Porém, para além de burro, é estúpido, porque ele consegue intuir a dor de um animal qualquer, mas já não consegue intuir a presença de um ser humano num feto humano.



No seu livro “O Relojoeiro Cego”, Richard Dawkins afirmou que se uma multidão, reunida numa igreja para assistir à missa dominical, vir a imagem [a estátua] da Virgem Maria sair do pedestal, no altar, pelos seus próprios meios, caminhar em passo estugado ao longo do interior da igreja, meneando as cadeiras, e sair pela porta fora — dizia eu, Richard Dawkins afirma no seu livro que, em presença de tão estranho comportamento da estátua da Virgem Maria, não devemos concluir que essa multidão testemunhou um milagre. 
Um dos mitos da ciência — que é o suporte do materialismo ateísta de Richard Dawkins dos outros cavaleiros do apocalipse ateísta — é o de que “o universo é igual em toda a parte”, ou seja, quem vê uma parte do universo vê as mesmas características (físicas e químicas) no universo inteiro. 













