Das descobertas da física quântica decorrem algumas consequências para a teoria do conhecimento, o mesmo quer dizer, para a forma como vemos o mundo.
Quarta-feira, 19 Junho 2013
Segunda-feira, 17 Junho 2013
Segunda-feira, 10 Junho 2013
Os dogmas racionais e os dogmas irracionais
Por contraditório que possa parecer, um dogma – por exemplo, da Igreja Católica – pode ser racional, e outro dogma pode ser irracional. A religião utiliza meios e métodos semelhantes aos utilizados pela física; mas em vez de símbolos matemáticos, a religião utiliza imagens, símbolos e mitos como instrumentos de compreensão dos nexos de um mundo que excede a razão humana.
Para muitos físicos (para os “físicos trabalhadores”, mas não para os “físicos filósofos”) a equação de Schrödinger, por exemplo, é dogmática: é utilizada nos seus trabalhos como fazendo parte de uma espécie de “manual de instruções” ou de um “livro de receitas”, e esses “físicos trabalhadores” não pensam nas implicações filosóficas que a equação de Schrödinger possui em si mesma. Mas para os “físicos filósofos”, a equação de Schrödinger é uma construção matemática carregada de um simbolismo que a linguagem corrente não pode traduzir fielmente senão mediante imagens e metáforas – tal qual acontece na religião.
A filosofia também pode ser considerada uma ciência experimental no sentido em que acumula as experiências das tentativas humanas de explicação do Mundo ao longo de milhares de anos. E como a filosofia é uma componente essencial da teologia, esta não só pode ser considerada uma espécie de ciência experimental, mas também tem a característica da utilização de símbolos que traduzem a realidade que extravasa a razão humana — tal qual acontece na física.
Na ciência também existiram dogmas irracionais: por exemplo, a frenologia; ou a teoria de Ernst Haeckel segundo a qual a célula viva evoluía da matéria lamacenta (literalmente: a célula viva apareceria espontaneamente da lama). Mas também existiram dogmas racionais, como por exemplo a mecânica de Newton ou a teoria de Einstein.
O mesmo acontece na religião: existem dogmas racionais na medida em que são escorados na experiência humana através de milhares de anos – por exemplo, o dogma da Trindade, o dogma de Maria Imaculada de pecado, ou mesmo o dogma da transubstanciação. Estes são dogmas racionais.
E existem dogmas irracionais – por exemplo, o dogma que nega toda e qualquer pré-existência da alma, que foi imposto à Igreja Católica através da opinião pessoal de meia dúzia de pessoas influentes na Igreja do tempo do concílio de Niceia (Atanásio, Basílio, os dois Gregórios, e o próprio imperador Constantino e a sua mulher que tinha sido prostituta antes de se casar com ele).
Tal como na ciência, na religião devemos colocar em causa os dogmas irracionais. Um dogma irracional é aquele que recusa a experiência humana ao longo do tempo, e coloca em causa a realidade tal qual ela se nos apresenta.
Sexta-feira, 7 Junho 2013
Alguns católicos e o seu deus menor
Eu considero-me católico. Concordo com todos os dogmas da Igreja Católica com excepção de um: a ideia segundo a qual todas as almas são criadas de raiz aquando da concepção da vida humana. S. Paulo escreveu (cito de cor) que “há os espíritos da terra e os do céu” , enfatizando uma diferença entre dois tipos de espíritos. Portanto, eu acredito que há espíritos que já existiam, enquanto tal, antes de encarnarem num corpo através da concepção – o que não significa necessariamente que seja todos. Naturalmente que há católicos que me vão considerar um herege… e a S. Paulo também.

A Basílica de S. Marcos já tem um pára-raios
Em finais do século XIX, a torre da igreja de S. Marcos, em Veneza, Itália, foi atingida por um raio. O clero católico local mandou reconstruir o cimo da torre, mas recusou-se a colocar lá um pára-raios, alegadamente porque “o pára-raios era coisa da ciência”. Nos vinte anos seguintes, a torre de S. Marcos foi atingida mais três vezes por raios, destruindo-lhe por tantas vezes a cumeeira, antes que o clero local se decidisse, finalmente, a colocar lá um pára-raios, porque os prejuízos já se acumulavam de uma maneira insuportável. Isto para dizer que há católicos que pensam que a ciência se opõe à religião, e de tal forma assim pensam que recusam, ainda hoje, a simples ideia de um pára-raios.
Há católicos que pensam que a simples ideia de que possa existir vida no universo para além do planeta Terra, é uma heresia, um atentado ao catecismo da Igreja Católica. E outros pensam que os dinossauros existiram há 10 mil anos. Isso não é religião: é estupidez! É gente estúpida.
Outros pensam que Deus só poderia ter criado vida na Terra . Ou seja, esses católicos querem mandar em Deus, e dizer-Lhe aquilo que Ele deveria fazer ou ter feito. O Deus desses católicos é deus menor, submetido aos desejos deles. É um Deus que obedece às ordens deles, um Deus sem liberdade.
Alguns católicos não percebem que as leis da natureza, que a ciência estuda, são obras de Deus. E por isso, a ciência estuda as obras de Deus. E se a ciência estuda as obras de Deus, a ciência não pode ser intrinsecamente negativa. São os homens que fazem da ciência uma coisa má ou boa.
Segunda-feira, 3 Junho 2013
Domingo, 5 Maio 2013
‘A INVASÃO VERTICAL DOS BÁRBAROS’ – de Mário Ferreira dos Santos
Mário Ferreira dos Santos é mal conhecido em Portugal. Se perguntarem aos finalistas em filosofia se o conhecem, estou convencido de que quase cem porcento responderiam que não. Eu próprio tive que recorrer à Internet para procurar algum material dele, porque não existe nada de Mário Ferreira dos Santos publicado em Portugal.
“A conspiração do silêncio paira sobre os grandes homens que ergueram o pensamento humano a elevados níveis intelectuais. Os altos postos, infestados de medíocres, sempre mantiveram o cuidado de acobertar o vulto dos grandes, por defesa de sua própria mediocridade.
Valores como o de Dante, Camões, Cervantes e de inúmeros filósofos só puderam ser reconhecidos ante uma verdadeira avalanche de factos que, por não haver como contê-los, tornaram pública sua obra — muitas vezes, no fim das suas vidas, ou mesmo post mortem. Esta conspiração do silêncio, incapaz da humildade cristã, é uma obra bárbara que contaminou até mesmo muitos génios que não prestaram o devido reconhecimento e tributo a outros génios, seus contemporâneos.”
— ‘A INVASÃO VERTICAL DOS BÁRBAROS’ – de Mário Ferreira dos Santos (baixe aqui um resumo do livro, em PDF)
Sexta-feira, 3 Maio 2013
Quinta-feira, 2 Maio 2013
Domingo, 28 Abril 2013
O Dalai-lama diz que é marxista
“Marx não era contra a religião ou filosofia religiosa em si, mas contra as instituições religiosas aliadas à classe dirigente europeia”. — ‘Sou marxista’, diz Dalai Lama a estudantes chineses.
O Dalai-lama teria que ler alguns livros de Karl Marx para não dizer asneiras. Normalmente dizemos asneiras mesmo lendo (errar é humano), mas quando a gente não sabe do que fala, então insultamos amiúde a inteligência dos outros.
Karl Marx não era só contra a religião: era também contra a filosofia.
“Feuerbach parte do facto da auto-alienação do homem, do desdobramento do mundo em um mundo religioso e um mundo terreno (1). O seu trabalho (de Feuerbach) consiste em reduzir o mundo religioso ao seu fundamento terreno. Mas o facto de que o fundamento terreno se separe de si próprio para se plasmar como um reino independente que flutua nas nuvens, é algo que só pode explicar-se pelo próprio afastamento e contradição deste fundamento terreno consigo mesmo.
Portanto, é necessário tanto compreendê-lo na sua própria contradição como revolucioná-lo praticamente. Assim, pois, por exemplo, depois de descobrir a família terrena como o segredo da família sagrada, há que destruir teórica e praticamente a primeira.” — Karl Marx, Manuscritos Económicos-Filosóficos, Porto, 1971.
Neste trecho, Karl Marx não só nega qualquer metafísica (o que é, em si mesmo, uma forma de metafísica), como defende abertamente a destruição teórica e prática da família — que é o que está a acontecer actualmente na Europa e nos Estados Unidos.
Segunda-feira, 4 Março 2013
Para o homem moderno, o Universo é a rede da Internet

O detalhe que falta mencionar na citação Desidério Murcho é o seguinte: a relação lógica entre a morte (a ausência do ser) e o universo (a afirmação do ser). (mais…)
Segunda-feira, 19 Novembro 2012
Os intelectuais de esquerda são estúpidos — salvo excepções que confirmam a regra
O Hinduísmo é uma religião que sacraliza os animais, em geral. Por exemplo, animais como o macaco, o elefante, o tigre, a cobra, a vaca, o leopardo, o rato, etc.: quase todos os animais são considerados sagrados, pelo Hinduísmo. Podemos estar de acordo, ou não, com essa religião: mas é um facto que o hinduísmo é talvez a religião mais consentânea com o ecofascismo politicamente correcto contemporâneo.
E, no entanto, vemos a incoerência estúpida (e brasileira!) plasmada neste verbete: a crítica de um radical de esquerda — que defende amiúde o ecologismo ecofascista — a uma religião que defende os animais, e que os protege de tal forma que os considera “sagrados”.
Os intelectuais de esquerda são estúpidos — salvo excepções que confirmam a regra.
Quarta-feira, 17 Outubro 2012
Sobre a racionalidade da religião, segundo a Melanie Phillips
So why do I make this counter-intuitive suggestion that Judaism gave rise to rationality?
The popular belief is that the roots of reason and science lie in ancient Greece. Now undoubtedly Greece contributed much to modernity and to the development of Western thought down the ages. Nevertheless, in certain crucial respects Greek thinking was inimical to a rational view of the universe. The Greeks, who transformed heavenly bodies into gods, explained the natural world by abstract general principles.
By contrast, science grew from the novel idea that the universe was rational; and that belief was given to us by Genesis, which set out the revolutionary proposition that the Universe had a rational Creator.
Quando leio uma coisa escrita por alguém com autoridade de direito, e com que não concordo, começo a ficar inquieto; (mais…)














