perspectivas

Quarta-feira, 19 Junho 2013

Com a quântica, o Iluminismo chegou ao fim (4)

Das descobertas da física quântica decorrem algumas consequências para a teoria do conhecimento, o mesmo quer dizer, para a forma como vemos o mundo.

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Segunda-feira, 17 Junho 2013

Com a quântica, o Iluminismo chegou ao fim (2)

Em aditamento ao verbete anterior sobre este mesmo tema , constatamos que Kant reduziu a metafísica à axiomática, quando definiu a metafísica como “nada mais que uma filosofia sobre os primeiros fundamentos do nosso conhecimento” . Esta definição negava a metafísica medieval ou escolástica que possuía um cariz místico e/ou religioso, e, na maior parte dos casos, na Idade Média a metafísica apontava para uma realidade transcendente (não confundir com o conceito de “transcendental” de Kant, que era, de facto, imanente) à condição humana.

O prémio Nobel da Física, Wolfgang Pauli (*), volta ao misticismo da metafísica da Idade Média:

«O leigo pensa habitualmente que, quando diz “realidade”, fala de algo que é conhecido de forma evidente, enquanto a mim me parece que a tarefa mais importante e mais difícil do nosso tempo consiste em trabalhar na elaboração de uma nova concepção da realidade. É isto que tenho em mente quando sublinho sempre que a ciência e a religião têm de ter alguma coisa a ver uma com a outra.»

O prémio Nobel da Física, Erwin Schrödinger, parecia falar como o monge medieval Mestre Eckhart:

«O mundo observado é apenas uma aparência; na realidade, nem sequer existe. A filosofia dos Vedas tentou ilustrar este seu dogma fundamental através de várias metáforas.»

O físico alemão Hans-Peter Dürr, felizmente ainda vivo, justifica a relação estreita entre a metafísica e a religião:

«A Física e a transcendência designam apenas domínios diferentes da mesma realidade, que vão da camada mais baixa, onde ainda nos é possível objectivar completamente, até uma camada superior, na qual a visão se abre para as partes do mundo sobre as quais só se pode falar em metáforas.»

Poderia passar aqui muito mais tempo a citar físicos do século XX, como por exemplo Louis deBroglie, Max Born, Eddington, David Bohm, Fritjof Capra, Max Planck, Albert Einstein, e muitos outros, que se expressaram de uma forma tal que colocam em causa o conceito kantiano de metafísica. Werner Heisenberg afirmou o seguinte:

«A teoria quântica é um exemplo maravilhoso de que podemos ter entendido os factos com toda a clareza e, apesar disso, ao mesmo tempo, sabemos que só podemos falar sobre eles através de imagens e metáforas. Sabemos que, na religião, se trata necessariamente de uma linguagem em imagens e metáforas que podem representar precisamente aquilo que se pretende dizer. E, neste ponto, o meu conceito de verdade tem ligação com aquilo que as religiões pretendem dizer. Penso que é possível pensar muito melhor todos estes nexos desde que se entendeu a teoria quântica.»

Estamos já muito longe da noção kantiana de metafísica como “nada mais que uma filosofia sobre os primeiros fundamentos do nosso conhecimento”. Segundo estes cientistas actuais e actualizados, ciência e religião entroncam na metafísica. E, no entanto, o mundo ainda não compreendeu a importância desta nova descoberta em relação à realidade: continuamos a ter uma classe política que vive ainda no tempo do Iluminismo, uma comunidade científica que recusa reconhecer publicamente o óbvio muitas vezes por receio da política, um Direito Positivo que continua a negar a importância da lei natural na feitura das leis, partidos políticos que fazem do Positivismo o alicerce da sua ideologia, intelectuais que falam de tudo menos desta nova realidade como o diabo foge da cruz, em suma, andam as elites todas com as respectivas cabeças enfiadas na areia como avestruzes.

(segue um verbete sobre as implicações da quântica na nossa forma de pensar)

(*) citado em “Die andere Hälfte der Waherheit”, Jürgen Audretsch, Munique, 1992.

Segunda-feira, 10 Junho 2013

Os dogmas racionais e os dogmas irracionais

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 12:14 pm
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Por contraditório que possa parecer, um dogma – por exemplo, da Igreja Católica – pode ser racional, e outro dogma pode ser irracional. A religião utiliza meios e métodos semelhantes aos utilizados pela física; mas em vez de símbolos matemáticos, a religião utiliza imagens, símbolos e mitos como instrumentos de compreensão dos nexos de um mundo que excede a razão humana.

Para muitos físicos (para os “físicos trabalhadores”, mas não para os “físicos filósofos”) a equação de Schrödinger, por exemplo, é dogmática: é utilizada nos seus trabalhos como fazendo parte de uma espécie de “manual de instruções” ou de um “livro de receitas”, e esses “físicos trabalhadores” não pensam nas implicações filosóficas que a equação de Schrödinger possui em si mesma. Mas para os “físicos filósofos”, a equação de Schrödinger é uma construção matemática carregada de um simbolismo que a linguagem corrente não pode traduzir fielmente senão mediante imagens e metáforas – tal qual acontece na religião.

A filosofia também pode ser considerada uma ciência experimental no sentido em que acumula as experiências das tentativas humanas de explicação do Mundo ao longo de milhares de anos. E como a filosofia é uma componente essencial da teologia, esta não só pode ser considerada uma espécie de ciência experimental, mas também tem a característica da utilização de símbolos que traduzem a realidade que extravasa a razão humana — tal qual acontece na física.

Na ciência também existiram dogmas irracionais: por exemplo, a frenologia; ou a teoria de Ernst Haeckel segundo a qual a célula viva evoluía da matéria lamacenta (literalmente: a célula viva apareceria espontaneamente da lama). Mas também existiram dogmas racionais, como por exemplo a mecânica de Newton ou a teoria de Einstein.

O mesmo acontece na religião: existem dogmas racionais na medida em que são escorados na experiência humana através de milhares de anos – por exemplo, o dogma da Trindade, o dogma de Maria Imaculada de pecado, ou mesmo o dogma da transubstanciação. Estes são dogmas racionais.

E existem dogmas irracionais – por exemplo, o dogma que nega toda e qualquer pré-existência da alma, que foi imposto à Igreja Católica através da opinião pessoal de meia dúzia de pessoas influentes na Igreja do tempo do concílio de Niceia (Atanásio, Basílio, os dois Gregórios, e o próprio imperador Constantino e a sua mulher que tinha sido prostituta antes de se casar com ele).

Tal como na ciência, na religião devemos colocar em causa os dogmas irracionais. Um dogma irracional é aquele que recusa a experiência humana ao longo do tempo, e coloca em causa a realidade tal qual ela se nos apresenta.

Sexta-feira, 7 Junho 2013

Alguns católicos e o seu deus menor

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 1:35 pm
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Eu considero-me católico. Concordo com todos os dogmas da Igreja Católica com excepção de um: a ideia segundo a qual todas as almas são criadas de raiz aquando da concepção da vida humana. S. Paulo escreveu (cito de cor) que “há os espíritos da terra e os do céu” , enfatizando uma diferença entre dois tipos de espíritos. Portanto, eu acredito que há espíritos que já existiam, enquanto tal, antes de encarnarem num corpo através da concepção – o que não significa necessariamente que seja todos. Naturalmente que há católicos que me vão considerar um herege… e a S. Paulo também.

San Marco web 400.jpg

A Basílica de S. Marcos já tem um pára-raios

Em finais do século XIX, a torre da igreja de S. Marcos, em Veneza, Itália, foi atingida por um raio. O clero católico local mandou reconstruir o cimo da torre, mas recusou-se a colocar lá um pára-raios, alegadamente porque “o pára-raios era coisa da ciência”. Nos vinte anos seguintes, a torre de S. Marcos foi atingida mais três vezes por raios, destruindo-lhe por tantas vezes a cumeeira, antes que o clero local se decidisse, finalmente, a colocar lá um pára-raios, porque os prejuízos já se acumulavam de uma maneira insuportável. Isto para dizer que há católicos que pensam que a ciência se opõe à religião, e de tal forma assim pensam que recusam, ainda hoje, a simples ideia de um pára-raios.

Há católicos que pensam que a simples ideia de que possa existir vida no universo para além do planeta Terra, é uma heresia, um atentado ao catecismo da Igreja Católica. E outros pensam que os dinossauros existiram há 10 mil anos. Isso não é religião: é estupidez! É gente estúpida.

Outros pensam que Deus só poderia ter criado vida na Terra . Ou seja, esses católicos querem mandar em Deus, e dizer-Lhe aquilo que Ele deveria fazer ou ter feito. O Deus desses católicos é deus menor, submetido aos desejos deles. É um Deus que obedece às ordens deles, um Deus sem liberdade.

Alguns católicos não percebem que as leis da natureza, que a ciência estuda, são obras de Deus. E por isso, a ciência estuda as obras de Deus. E se a ciência estuda as obras de Deus, a ciência não pode ser intrinsecamente negativa. São os homens que fazem da ciência uma coisa má ou boa.

Segunda-feira, 3 Junho 2013

O progresso e o mundo melhor

O conceito de “progresso” só faz algum sentido quando aquilo que de positivo (em termos éticos, culturais e/ou históricos) existiu no passado não se perdeu com o processo de devir. O progresso só pode ser acumulação de experiências positivas; e a esta acumulação de experiências positivas chamamos de “civilização”. Tudo o resto é mudança; e a mudança, entendida em si mesma, não é necessariamente “progresso”.

A existir um “mundo melhor” – se é que é possível – tem que ser um “mundo civilizado”. Não há “mundo melhor” sem a valorização positiva do passado – porque, como vimos, um “mundo melhor” não é apenas um “mundo em devir”: é essencialmente a justaposição cultural das experiências positivas do passado e do presente. A diabolização do passado histórico, ético e cultural é anti-progresso.

E é por isso que o “mundo melhor” é incompatível com o “progressismo” actual: defender o “progresso” e ser “progressista” é, hoje, uma contradição em termos.

Domingo, 5 Maio 2013

‘A INVASÃO VERTICAL DOS BÁRBAROS’ – de Mário Ferreira dos Santos

Mário Ferreira dos Santos é mal conhecido em Portugal. Se perguntarem aos finalistas em filosofia se o conhecem, estou convencido de que quase cem porcento responderiam que não. Eu próprio tive que recorrer à Internet para procurar algum material dele, porque não existe nada de Mário Ferreira dos Santos publicado em Portugal.

“A conspiração do silêncio paira sobre os grandes homens que ergueram o pensamento humano a elevados níveis intelectuais. Os altos postos, infestados de medíocres, sempre mantiveram o cuidado de acobertar o vulto dos grandes, por defesa de sua própria mediocridade.

Valores como o de Dante, Camões, Cervantes e de inúmeros filósofos só puderam ser reconhecidos ante uma verdadeira avalanche de factos que, por não haver como contê-los, tornaram pública sua obra — muitas vezes, no fim das suas vidas, ou mesmo post mortem. Esta conspiração do silêncio, incapaz da humildade cristã, é uma obra bárbara que contaminou até mesmo muitos génios que não prestaram o devido reconhecimento e tributo a outros génios, seus contemporâneos.”

‘A INVASÃO VERTICAL DOS BÁRBAROS’ – de Mário Ferreira dos Santos (baixe aqui um resumo do livro, em PDF)

Sexta-feira, 3 Maio 2013

Como uma certa ‘direita’ vê a direita

“Quando o episteme está arruinado, os homens não param de falar sobre a política; mas agora expressam-se em modo de doxa”
— Eric Voegelin, “Nova Ciência da Política”

(Nota: este texto é longo. Quem não gosta, frequente o Twitter ou o FaceBook)

Mesmo que eu não seja budista, e não concorde com a religião budista, sendo de direita defendo a ideia de que os símbolos do Budismo devem estar presentes na praça pública.
Mesmo que eu não seja judeu, e não siga a religião judaica, sendo de direita defendo a ideia de que os símbolos do Judaísmo devem estar presentes na praça pública. E assim por diante.

Este texto, que pretende demarcar as fronteiras entre a direita e a esquerda, em vez de fazer essa distinção baralhou ainda mais as reais diferenças entre esquerda e direita (ou aquilo a que se convencionou chamar esquerda e direita). Pessoas como José Pacheco Pereira, que dizem que o Partido Social Democrata não é de direita nem de esquerda e “antes pelo contrário”, ficam certamente deliciadas com tamanha confusão.

Por exemplo, quando se diz: “O primeiro e mais significativo de todos os critérios diferenciadores é o da forma como esquerda e direita olham para o homem. Enquanto que a direita vê nele o indivíduo, a esquerda tem-no como cidadão.” Perguntem a um qualquer militante consciente do Bloco de Esquerda se não é tanto ou mais defensor da aplicação radical e enviesada do princípio da autonomia do indivíduo , quando comparado com qualquer neoliberal hayekiano mais radical!

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Quinta-feira, 2 Maio 2013

A recusa do símbolo, da exegese e da hermenêutica

Um judeu, como George Steiner, que viveu o horror do holocausto nazi, e que recusa a existência do Estado de Israel, só tem uma classificação: é um hipócrita. Portanto, é saudável, desde logo, lançar esse estigma objectivo sobre Steiner. Ele tem o direito de ser o que quiser; mas não tem o direito de nos dizer, ou de nos tentar convencer, que é aquilo que não é.

Depois classificado Steiner, vamos a este textículo (aqui, em PDF).

1/ em primeiro lugar, Steiner confunde ou mistura propositadamente o Novo Testamento com o Antigo Testamento.
Por exemplo, os documentos apócrifos e gnósticos descobertos recentemente no Egipto em língua copta antiga sobre a vida do Jesus Cristo histórico, contam uma história parecida com a história oficial dos quatro evangelhos cristãos adoptados oficialmente — ou seja, a essência dos evangelhos apócrifos e gnósticos da Antiguidade Tardia descobertos recentemente, por um lado, e por outro lado a essência dos evangelhos oficiais desde o concílio de Niceia, são idênticas. Ou, simplificando: “a história bate certa”, ou “bate a bota com a perdigota”.

2/ através do seu textículo, Steiner recusa objectivamente o símbolo, embora o Homem seja um homo simbolicus (Cassirer). Ao recusar o símbolo, Steiner nega a hermenêutica. Ao negar a hermenêutica, Steiner entra em contradição consigo mesmo, porque nenhum literato pode pretender que os seus próprios textos sejam levados à letra — há sempre uma exegese a fazer de qualquer texto, mesmo em relação a uma literatura chã e basista como é a de Steiner.

Na mente de Steiner, o símbolo é nada mais do que um sinal. Confunde ele sinal e símbolo — o que é característica do homem moderno desde que o Pragmatismo foi inventado nos Estados Unidos em finais do século XIX. Por isso é que ele diz que “a Bíblia é um material mundano”, porque ele não consegue ver nela senão sinais que, por o serem (na opinião dele), não se referem a nenhum representado e podem, por isso, ser mudados arbitrariamente (à vontade do freguês).

3/ O símbolo tem um conteúdo, em que é simbolizado o representado, enquanto que os sinais são escolhidos arbitrariamente. O símbolo, para além do significado cultural que o sinal também pode ter, tem um significado espiritual (relativo à experiência humana subjectiva que adquire uma experiência intersubjectiva e universal) que o sinal não tem. Um sinal só passa a ser um símbolo quando passa a ter um conteúdo com relação a um representado, o que lhe retira a arbitrariedade previamente existente. Um símbolo nunca se muda, porque isso resultaria também na dissolução do seu significado; em contraponto, um sinal pode ser mudado mantendo-se o seu significado anterior.

4/ uma coisa semelhante se passa com o escriba do Bloco de Esquerda que escreveu o comentário ao textículo de Steiner: ele só concebe a existência de sinais, que são por natureza imanentes e arbitrários (os sinais podem ser mudados sem que mudem as suas representações; por exemplo, um sinal de trânsito). O escriba pretende substituir a putativa arbitrariedade dos sinais (na opinião dele) da Bíblia pela arbitrariedade dos sinais de uma determinada religião política que é a dele. Para ele, a Bíblia traduz ou interpreta uma religião política equivalente a uma outra qualquer, porque, para ele, a Bíblia não contem senão sinais políticos, arbitrários e convencionados.

Sendo que é considerado que na Bíblia não existem símbolos (que devem ser objecto de uma exegese e de uma hermenêutica) mas apenas sinais, estes assumem apenas e só uma dimensão política. E, se não existem símbolos mas apenas sinais, toda a realidade e vida humanas são reduzidas à política, e a nada mais do que à política — o que é realmente assustador.

“When the episteme is ruined, men do not stop talking about politics; but they now must express themselves in the mode of doxa.” — Eric Voegelin

Domingo, 28 Abril 2013

O Dalai-lama diz que é marxista

Marx não era contra a religião ou filosofia religiosa em si, mas contra as instituições religiosas aliadas à classe dirigente europeia”. — ‘Sou marxista’, diz Dalai Lama a estudantes chineses.

O Dalai-lama teria que ler alguns livros de Karl Marx para não dizer asneiras. Normalmente dizemos asneiras mesmo lendo (errar é humano), mas quando a gente não sabe do que fala, então insultamos amiúde a inteligência dos outros.

Karl Marx não era só contra a religião: era também contra a filosofia.

“Feuerbach parte do facto da auto-alienação do homem, do desdobramento do mundo em um mundo religioso e um mundo terreno (1). O seu trabalho (de Feuerbach) consiste em reduzir o mundo religioso ao seu fundamento terreno. Mas o facto de que o fundamento terreno se separe de si próprio para se plasmar como um reino independente que flutua nas nuvens, é algo que só pode explicar-se pelo próprio afastamento e contradição deste fundamento terreno consigo mesmo.

Portanto, é necessário tanto compreendê-lo na sua própria contradição como revolucioná-lo praticamente. Assim, pois, por exemplo, depois de descobrir a família terrena como o segredo da família sagrada, há que destruir teórica e praticamente a primeira.” — Karl Marx, Manuscritos Económicos-Filosóficos, Porto, 1971.

Neste trecho, Karl Marx não só nega qualquer metafísica (o que é, em si mesmo, uma forma de metafísica), como defende abertamente a destruição teórica e prática da família — que é o que está a acontecer actualmente na Europa e nos Estados Unidos.

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Segunda-feira, 4 Março 2013

Para o homem moderno, o Universo é a rede da Internet

Filed under: Religare,cultura,filosofia,Ut Edita — O. Braga @ 12:37 pm
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Faz falta neste texto citado, de Desidério Murcho, um detalhe que é muito importante. Recorrendo a particularidades que diferenciam as religiões em geral, a citação do texto pretende afirmar que “não existe um mecanismo confiável na formação da fé religiosa”. Ou seja, ad liminem, pretende-se dizer que a fé religiosa não é inerente à condição humana entendida em si mesma.

tumba web

O detalhe que falta mencionar na citação Desidério Murcho é o seguinte: a relação lógica entre a morte (a ausência do ser) e o universo (a afirmação do ser). (mais…)

Segunda-feira, 19 Novembro 2012

Os intelectuais de esquerda são estúpidos — salvo excepções que confirmam a regra

O movimento revolucionário entra sistemicamente em contradição: dou um exemplo: por um lado, rejeita liminarmente a excepcionalidade da vida humana — defendendo a liberalização do aborto e mesmo a legalização do infanticídio (Peter Singer) — e concede direitos humanos aos animais não-humanos; e, por outro lado, critica as religiões que sacralizam os animais irracionais.

O Hinduísmo é uma religião que sacraliza os animais, em geral. Por exemplo, animais como o macaco, o elefante, o tigre, a cobra, a vaca, o leopardo, o rato, etc.: quase todos os animais são considerados sagrados, pelo Hinduísmo. Podemos estar de acordo, ou não, com essa religião: mas é um facto que o hinduísmo é talvez a religião mais consentânea com o ecofascismo politicamente correcto contemporâneo.

E, no entanto, vemos a incoerência estúpida (e brasileira!) plasmada neste verbete: a crítica de um radical de esquerda — que defende amiúde o ecologismo ecofascista — a uma religião que defende os animais, e que os protege de tal forma que os considera “sagrados”.

Os intelectuais de esquerda são estúpidos — salvo excepções que confirmam a regra.

Quarta-feira, 17 Outubro 2012

Sobre a racionalidade da religião, segundo a Melanie Phillips

So why do I make this counter-intuitive suggestion that Judaism gave rise to rationality?

The popular belief is that the roots of reason and science lie in ancient Greece. Now undoubtedly Greece contributed much to modernity and to the development of Western thought down the ages. Nevertheless, in certain crucial respects Greek thinking was inimical to a rational view of the universe. The Greeks, who transformed heavenly bodies into gods, explained the natural world by abstract general principles.

By contrast, science grew from the novel idea that the universe was rational; and that belief was given to us by Genesis, which set out the revolutionary proposition that the Universe had a rational Creator.

via The new intolerance | Melanie Phillips.

Quando leio uma coisa escrita por alguém com autoridade de direito, e com que não concordo, começo a ficar inquieto; (mais…)

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