Quando se diz, por exemplo, que Thomas Jefferson foi um “americano nato”, e simultaneamente presume-se que não terão existido “brasileiros natos” até ao fim do século XVIII, entramos em sofisma. Os Estados Unidos são um país importante nos últimos dois séculos, mas transformar os Estados Unidos em um objecto de apologia acrítica é exactamente fazer o jogo político de Barack Obama que pretende nivelar o seu próprio país por baixo.
Desde a sua fundação que se usa nos Estados Unidos a palavra “Homeland” — inclusivamente na Constituição americana —, que é exactamente o sinónimo de “Pátria”. Em língua inglesa, Homeland significa Pátria. Portanto, querer dizer que nos Estados Unidos não existe uma noção de Pátria semelhante ou mesmo idêntica a muitos outros países do mundo, é um absurdo. Aliás, quase todo o artigo é um absurdo, e por isso qualquer tentativa de o desconstruir teria que ter no mínimo o dobro de palavras. Por exemplo, quando se diz que “os Estados Unidos se escoram no Cristianismo” — querendo dizer que “os outros países não se escoram no cristianismo” —, ficamos sem saber por que razão, a seguir à URSS e à Alemanha nazi, os Estados Unidos seguiram-lhes o exemplo e legalizaram o aborto.
Por outro lado, o combate ideológico a Obama não deveria ser conduzido por uma estratégia de auto-redução ao absurdo e de auto-refutação. Uma apologia a uma determinada realidade (social, ética, metafísica, etc.) que se caracterize por descrever exclusivamente aquilo que essa realidade “não é” — tentativa de uma definição negativa — é uma auto-redução ao absurdo. Se, por exemplo, eu disser que “um ser humano não é um gastrópode, não é uma bactéria, não é um símio, não é um quadrúpede, etc., ad infinitum”, para além de não ficarmos com uma noção daquilo que o ser humano, de facto, é, ficamos apenas com um conceito negativo do ser humano que, por isso, não significa nada.
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