Miguel Relvas deveria ter-se demitido ou sido demitido em Junho de 2012. A sua demissão agora já pouco adianta para Passos Coelho e para o governo, e por isso, a sua demissão é um não-facto.

The Joker
Miguel Relvas deveria ter-se demitido ou sido demitido em Junho de 2012. A sua demissão agora já pouco adianta para Passos Coelho e para o governo, e por isso, a sua demissão é um não-facto.

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Estava eu sintonizado na SICn, à espera do resultado das eleições do Sporting Clube de Portugal — que é das poucas coisas que me interessam em política — quando entro pelo Eixo do Mal adentro.
E todas aquelas criaturas maléficas estiveram de acordo com o putativo facto segundo o qual a petição pública contra a contratação do ex-primeiro-ministro José Sócrates pela RTP para fazer comentário político foi uma má ideia — alegadamente porque “ninguém deve coarctar a liberdade de opinião a outrem”.
Convém lembrar aquelas cabeças chôchas — principalmente a de Clara Ferreira Alves — que a RTP não é uma empresa privada de televisão. A RTP pertence ao Estado, e por isso depende do financiamento dos contribuintes. E neste contexto, a petição pública referida faz todo o sentido.
Se uma estação privada de televisão tivesse contratado, por exemplo, o abominável homem das neves para comentar o estado da Nação, neste caso qualquer petição pública seria menos justificável, embora pudesse não perder toda a sua justificação (dependeria, por exemplo, do facto de o abominável homem das neves ser um pedófilo inveterado, entre outras coisas).
Mas tratando-se de uma estação pública e estatal de televisão, os cidadãos que votarem petições contra e a favor da presença do abominável homem das neves — em comentários obscenos numa televisão do Estado — nada mais fazem do que cumprir um dever.
Depois das manifestações públicas de ontem, Passos Coelho deveria promover Miguel Relvas no governo, e criar a figura de vice-primeiro-ministro para acomodar o novo número dois do governo — passando, assim, Paulo Portas para número quatro. Ficaria bem, ao grande líder, uma atitude consentânea com uma sageza que despreza os sibaritas que — como diz o big chief Alexandre Soares dos Santos — cantam como as cigarras em pleno Inverno.

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O Governo decidiu recusar a proposta do grupo Synergy, do empresário German Efromovich, para a compra da TAP dando sem efeito a operação em curso.

— Fernando Pessoa
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O prestígio de um político não se constrói no governo: o prestígio precede-o, na sua qualidade de simples cidadão. Ou esse prestígio existe já antes do cidadão entrar no governo — por exemplo, o caso de Salazar nos seus primeiros 20 anos de governo —, ou nunca se consolidará. E é esse prestígio anterior à governança que dá ao cidadão as autoridades de direito e de facto para poder impor os seus pontos de vista e/ou traduzir nas acções do governo a vontade do povo.
Uma espécie de ditadura pode ser eleita; e um rei absolutista mas prestigiado pode respeitar a vontade do povo. Se um político eleito não tem prestígio, cederá sempre a interesses alheios à vontade da nação; e o prestigio de um rei, que existe antes mesmo de ser confirmado em Cortes, dá-lhe a autoridade necessária para ouvir a opinião pública e defender os interesses da nação.
Passos Coelho é mais uma nuvem passageira da nossa política à procura de um “tacho” em Bruxelas (ou ao serviço de Bruxelas). Mas o Seguro socialista não é melhor: entre outras coisas, também lhe falta o prestígio.

O jogo consiste em premiar o jogador que consegue mover mais influências sociais e políticas no sentido de conseguir adquirir todos os itens de uma lista de compras.
Essas “compras” tanto podem ser do tipo dos bens alimentares básicos — arroz, feijão, pão, etc. —, como podem ser do tipo político e de influência social —, por exemplo, uma licenciatura em um ano, conseguir um job for the boys num instituto público ou de mão pública, um emprego sem trabalho para um familiar, um subsídio do Estado para uma Fundação privada, um contrato chorudo e feudal para as PPP — (Parcerias Público-privadas), um salário pago pelo Estado de 500 mil Euros anuais ou em valor semelhante, etc.
Um adulto que não esteja treinado no jogo da Coleica é automaticamente relegado para o estatuto de pária europeu. Um europeu que se preze terá que aprender a jogar as “cartas especiais” da Coleica — por exemplo, “Sou Gay”, “Sou Feminista”, “Sou a favor do aborto grátis e à custa dos contribuintes”, “Sou anti-católico”, “Sou ateu”, “Sou de Esquerda”, “Sou Neoliberal”, “Pertenço à Maçonaria”, etc.
Aprender a jogar à Coleica é absolutamente essencial para o futuro das nossas crianças: é ainda mais importante e necessário do que aprender a ler, escrever e contar. Aprender a nossa História não faz falta para o futuro das nossas crianças, porque a Coleica é o nosso próprio futuro dentro do leviatão europeu que se aproxima.
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