perspectivas

Domingo, 19 Maio 2013

Basta uma qualquer Isabel Moreira a chorar na televisão para que qualquer crime seja despenalizado

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Deputada socialista Isabel Moreira

Quem assistiu, nas pantalhas, à monstruosidade ontológica e lacrimejante que é a deputada socialista Isabel Moreira, dá-se conta do poder da emoção que influencia cada vez mais a nossa incivilização. Qualquer monstro humano — como é o caso de Isabel Moreira — justifica um crime social ou contra o ser humano com um apelo à galeria acompanhado de lágrimas, baba e ranho.

Nem de propósito a seguinte notícia:


Mal tinha acabado de dar à luz, uma mulher de Portimão, com idade entre os 20 e os 30 anos, deitou o filho na sanita provocando a sua morte. A situação, que terá ocorrido esta quarta-feira, já está a ser tratada pelo Ministério Público daquela cidade.
(…)
O hospital alertou as autoridades, mas a PSP nega o registo da ocorrência. Ouvido pelo Diário de Notícias, um advogado acredita que é improvável que a mãe, no caso de ser detida entretanto, fique em prisão preventiva, sublinhando que este crime tem uma moldura penal de até cinco anos de prisão.

“O crime de infanticídio é muito especial e a senhora poderá alegar uma situação de stress pós-parto, explica o advogado, acrescentando, aliás, ser “previsível” que, mesmo sendo considerada culpada, a mãe fique com “a sua pena suspensa”.


Em Portugal, uma mãe que mate o seu filho recém-nascido não leva cadeia. Ou seja, o infanticídio já está de facto despenalizado. A lógica é a das lágrimas — a mesma lógica que levou à despenalização do aborto e à adopção de crianças por pares de invertidos. Basta uma qualquer Isabel Moreira a chorar na televisão para que qualquer crime hediondo seja despenalizado.

Sábado, 18 Maio 2013

‘ O progresso da opinião pública ‘

“Quando aprovaram o casamento gay disseram que a adopção era um assunto completamente diferente. Depois passaram a argumentar que é apenas justo que os casais tenham todos os mesmos direitos de co-adopção, mas que a co-adopção é uma coisa diferente de adopção. Aprovada a co-adopção passarão a dizer que até já há casais gays que adoptam e que uns não podem ser discriminados em relação aos outros.” (via)

Através do “progresso da opinião pública”, a classe política acabará por convencer o povo de que uma pedra é um pau, um velho está a mais na sociedade e deve ser eutanasiado, uma criança recém-nascida “não é uma pessoa porque não tem consciência” e pode ser legal e legitimamente morta pela mãe, e que Estaline e Trotski eram boas pessoas.

É tudo uma questão de “progresso da opinião pública”. O problema é se o progresso sai ao contrário.

Sexta-feira, 17 Maio 2013

O Partido Social Democrata aprovou a lei de adopção de crianças por pares de homossexuais

A lei da adopção de crianças por pares de fanchonos passou no parlamento graças ao Partido Social Democrata. Este partido deve ser responsabilizado pelas consequências sociais e culturais que advenham desta aprovação.

“Teresa Leal Coelho, Luís Menezes, Francisca Almeida, Nuno Encarnação, Mónica Ferro, Cristóvão Norte, Ana Oliveira, Conceição Caldeira, Ângela Guerra, Paula Cardoso, Maria José Castelo Branco, Joana Barata Lopes, Pedro Pinto, Sérgio Azevedo, Odete Silva e Gabriel Goucha foram os sociais-democratas que votaram a favor do diploma do PS.”

Três deputados do CDS/PP abstiveram-se na votação — e quem cala consente. Foram eles: João Rebelo, Teresa Caeiro e Michael Seufert. Não conheço o último, mas os dois primeiros nunca me enganaram, e agora confirmaram aquilo que eu já pensava deles. E enquanto eles se apresentarem nas listas do CDS/PP para qualquer eleição, o CDS/PP não terá o meu voto. O CDS/PP causou um dano a si próprio maior do que esse partido possa pensar agora.

O termo “co-adopção” é um eufemismo próprio da linguagem orwelliana adoptada pela classe política

Co-adopção significa adopção; ponto final. E significa também basicamente três coisas:

1/ à criança adoptada por um par de gays é-lhe retirada a possibilidade de ter uma linhagem genealógica de pai e mãe; o parlamento criou uma nova injustiça de raiz que só pode ser remediada com a repressão política e cultural sobre os casais naturais que tenham filhos; e se ter filhos e educá-los já é difícil, as consequências políticas da nova lei vão desincentivar (ainda mais) os futuros casais a ter filhos. A classe política criou uma nova injustiça de base, para assim justificar, no futuro próximo, a tirania sobre as pessoas comuns e normais em nome de uma putativa igualdade.

Devemos todos temer o pior. Ao legitimar uma nova injustiça, a classe política procura uma nova forma de despotismo em nome do igualitarismo.

2/ a lei dá sinal verde às lésbicas e às mulheres em geral que queiram engravidar de pai incógnito, dizendo-lhes que a ausência de pai biológico declarado nos Tribunais de Menores não tem problema nenhum. Algumas disposições do Código Civil que procuram definir a identidade da criança e a legitimação do pai biológico, deixam de ter um valor real. Esta lei transforma o estatuto de “filho de pai biológico incógnito” em um valor cultural a seguir. Os efeitos na cultura antropológica desta valorização serão devastadores, como é óbvio e como qualquer pessoa com dois dedos de testa pode prever.

3/ a nova fase da luta gayzista já surgiu hoje mesmo:

“A aprovação do projecto de lei do PS, que consagra a possibilidade de co-adopção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo, “é bem-vinda, mas não deixa de ser um passo pequenino numa escadaria enorme”, reagiu nesta sexta-feira João Paulo, editor do site Portugal Gay.”

A nova fase da luta política gayzista é a adopção não-biológica, o negócio das “barriga de aluguer” e a procriação medicamente assistida para todas as mulheres — ou seja, a valorização e celebração do estatuto da criança filha-de-puta. Naturalmente que quando a própria lei protege e acarinha a existência de filhos-de-puta, estes têm que ser protegidos através da repressão da maioria da população. É neste sentido que se declara o seguinte:

“A Associação Novos Rumos – Homossexuais Católicos também já se congratulou com a aprovação do projecto de lei socialista. “É um passo importante no sentido de vir a alargar as famílias com capacidade de adopção aos casais do mesmo sexo”, escreve a associação num comunicado em que reclama do Estado acções de sensibilização, a fazer verter nos programas escolares, por exemplo, para que “essas crianças não sejam vítimas de preconceito, isolamento e bullying nas escolas”.

A repressão sobre as crianças com pai e mãe vai começar a acentuar-se, podendo atingir mesmo níveis de desumanidade e em nome do bullying. A partir de agora, qualquer frase de uma criança pode ser arbitrariamente considerada bullying e sujeita a repressão. A escola deixou de ser pré-politica (como deveria ser e foi defendido por Hannah Arendt) e já está totalmente politizada.

Note-se que segundo o catecismo católico, o comportamento homossexual é considerado erro moral grave. E no entanto vemos os me®dia referirem-se acriticamente a “homossexuais católicos”, como se a sodomia fosse perfeitamente aceite pelo direito canónico.

A seguir, prevê-se que o parlamento vá adoptar a “lei de ódio”, por iniciativa do Bloco de Esquerda. Mesmo que a proposta de “lei de ódio” do Bloco de Esquerda não passe imediatamente, o Partido Socialista irá filtrar a lei e adaptá-la ao “progresso da opinião pública”.
Por exemplo, se eu escrever aqui “fanchono” em vez de “homossexual”, poderei ser preso preventivamente aguardando julgamento. E mesmo que escreva homossexual, se a minha opinião for crítica, poderei ser no mínimo censurado pelo ministério público através de uma intimação nesse sentido ao servidor onde este blogue está alojado.

A censura à liberdade de expressão está na calha. Esta classe política já não merece credibilidade e deve ser combatida por todos os meios possíveis e disponíveis.

Sexta-feira, 10 Maio 2013

Cumbersa com um ateu sobre o “casamento” gay e a adopção de crianças por pares de homossexuais

Este verbete vem na sequência destoutro.

1/ existe uma falácia lógica que dá pelo nome de sorites, que é normalmente utilizada quando alguém se encontra encurralado perante um argumento adversário em concreto, e que consiste em ir buscar toda ou parte da história do pensamento desse adversário para tentar assim rebater esse argumento em particular e em concreto. Por exemplo, se eu digo num verbete, em concreto, que é aquele que está sujeito a debate, que “o casamento é uma instituição”, o meu adversário vai buscar, como argumento contra, um outro verbete de há um mês em que eu escrevi que “o casamento decorre de um contrato”. Embora, neste caso concreto, as duas proposições não seja contraditórias entre si, não é honesto ir buscar como argumentário alguns textos que não sejam aquele que está em discussão.

2/ naturalmente que quando eu escrevi que as elites patrocinam “um determinado tipo de relacionamento sexual (a sodomia e o “casamento” gay), promovendo-a e impondo-a coercivamente a toda a sociedade através da força bruta do Estado”, falava de imposição cultural (cultura antropológica). Não me passaria pela cabeça que alguém pensasse outra coisa diferente disto e interpretasse o texto à letra, mas a verdade é que me enganei. Das duas uma: ou quem interpretou à letra o que eu escrevi é limitado de raciocínio, ou está de má-fé.

3/ o escriba ateu em questão confunde duas coisas diferentes, mas essa confusão só pode advir de uma má-compreensão, ou então de má-fé: diz ele (implicitamente) que por eu ser contra o “casamento” gay e contra a adopção de crianças por pares de homossexuais, isso significa que eu odeio os homossexuais enquanto pessoas. Seria como se alguém dissesse que por eu ser contra a poligenia (ou poligamia), isso significaria que eu odiaria qualquer pessoa em si mesma que se encontrasse numa situação polígama.

O ateu parece não saber distinguir o comportamento de uma pessoa, por um lado, e a pessoa em si mesma, por outro lado. Ora, isto é extraordinário! Perante isto, a ciência cala-se.

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Segunda-feira, 6 Maio 2013

Para os liberais, o acto de parir é um mal em si mesmo

Na imagem abaixo podemos ler : “a mulher não é uma fábrica de bebés”. O slogan concede ao acto reprodutor uma conotação negativa. Para os liberais (de esquerda e de direita), o acto de dar à luz uma criança, entendido esse acto em si mesmo, não é positivo. O mais que podemos dizer é que, para os liberais, esse acto é eticamente neutro, ou seja, o seu valor é neutro.

Não se trata aqui de uma opinião de uma determinada mulher, ou de outra em particular, acerca do acto de parir: antes, trata-se de atribuir um valor universalum valor imposto a toda a sociedade — acerca desse acto natural. Não se trata aqui de dizer que uma mulher deve ter um filho em vez de dez: antes, trata-se de neutralizar eticamente o acto de nascer, e impor essa neutralidade a toda a sociedade independentemente do número de filhos que uma mulher possa ou queira ter. Estamos em presença de uma tentativa de normalização da neutralidade de um valor que decorre da lei natural e que é essencial para o futuro da sociedade.

Porém, o que é mais grave, é que os liberais que defendem essa neutralidade do acto de nascer são os mesmos que defendem a procriação medicamente assistida para todas as mulheres de uma forma irracional e indiscriminada, por um lado, e por outro lado defendem legalização das “barriga de aluguer” que vai criar um novo tipo de escravatura no terceiro mundo.

XX + XY = lei natural

XX + XX = procriação medicamente assistida

XY + XY = “barriga de aluguer”

feminismo sem parir 500 web

Sexta-feira, 3 Maio 2013

Como uma certa ‘direita’ vê a direita

“Quando o episteme está arruinado, os homens não param de falar sobre a política; mas agora expressam-se em modo de doxa”
— Eric Voegelin, “Nova Ciência da Política”

(Nota: este texto é longo. Quem não gosta, frequente o Twitter ou o FaceBook)

Mesmo que eu não seja budista, e não concorde com a religião budista, sendo de direita defendo a ideia de que os símbolos do Budismo devem estar presentes na praça pública.
Mesmo que eu não seja judeu, e não siga a religião judaica, sendo de direita defendo a ideia de que os símbolos do Judaísmo devem estar presentes na praça pública. E assim por diante.

Este texto, que pretende demarcar as fronteiras entre a direita e a esquerda, em vez de fazer essa distinção baralhou ainda mais as reais diferenças entre esquerda e direita (ou aquilo a que se convencionou chamar esquerda e direita). Pessoas como José Pacheco Pereira, que dizem que o Partido Social Democrata não é de direita nem de esquerda e “antes pelo contrário”, ficam certamente deliciadas com tamanha confusão.

Por exemplo, quando se diz: “O primeiro e mais significativo de todos os critérios diferenciadores é o da forma como esquerda e direita olham para o homem. Enquanto que a direita vê nele o indivíduo, a esquerda tem-no como cidadão.” Perguntem a um qualquer militante consciente do Bloco de Esquerda se não é tanto ou mais defensor da aplicação radical e enviesada do princípio da autonomia do indivíduo , quando comparado com qualquer neoliberal hayekiano mais radical!

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Quinta-feira, 2 Maio 2013

Camaradas do Bloco de Esquerda! Vamos proibir aos homens mijar de pé!

Camaradas!

Nas sociedades progressistas e avançadas, os homens vão ser proibidos de mijar de pé – porque um homem que mija de pé é um misógino e não tem respeito pelas mulheres. Por isso, é nossa obrigação, como progressistas, não só propor uma lei na assembleia da república que proíba os homens de mijar de pé (em casa como em qualquer sítio público), mas também criar um sistema de vigilância que detecte qualquer prevaricador que não mije sentado como as mulheres.

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A recusa do símbolo, da exegese e da hermenêutica

Um judeu, como George Steiner, que viveu o horror do holocausto nazi, e que recusa a existência do Estado de Israel, só tem uma classificação: é um hipócrita. Portanto, é saudável, desde logo, lançar esse estigma objectivo sobre Steiner. Ele tem o direito de ser o que quiser; mas não tem o direito de nos dizer, ou de nos tentar convencer, que é aquilo que não é.

Depois classificado Steiner, vamos a este textículo (aqui, em PDF).

1/ em primeiro lugar, Steiner confunde ou mistura propositadamente o Novo Testamento com o Antigo Testamento.
Por exemplo, os documentos apócrifos e gnósticos descobertos recentemente no Egipto em língua copta antiga sobre a vida do Jesus Cristo histórico, contam uma história parecida com a história oficial dos quatro evangelhos cristãos adoptados oficialmente — ou seja, a essência dos evangelhos apócrifos e gnósticos da Antiguidade Tardia descobertos recentemente, por um lado, e por outro lado a essência dos evangelhos oficiais desde o concílio de Niceia, são idênticas. Ou, simplificando: “a história bate certa”, ou “bate a bota com a perdigota”.

2/ através do seu textículo, Steiner recusa objectivamente o símbolo, embora o Homem seja um homo simbolicus (Cassirer). Ao recusar o símbolo, Steiner nega a hermenêutica. Ao negar a hermenêutica, Steiner entra em contradição consigo mesmo, porque nenhum literato pode pretender que os seus próprios textos sejam levados à letra — há sempre uma exegese a fazer de qualquer texto, mesmo em relação a uma literatura chã e basista como é a de Steiner.

Na mente de Steiner, o símbolo é nada mais do que um sinal. Confunde ele sinal e símbolo — o que é característica do homem moderno desde que o Pragmatismo foi inventado nos Estados Unidos em finais do século XIX. Por isso é que ele diz que “a Bíblia é um material mundano”, porque ele não consegue ver nela senão sinais que, por o serem (na opinião dele), não se referem a nenhum representado e podem, por isso, ser mudados arbitrariamente (à vontade do freguês).

3/ O símbolo tem um conteúdo, em que é simbolizado o representado, enquanto que os sinais são escolhidos arbitrariamente. O símbolo, para além do significado cultural que o sinal também pode ter, tem um significado espiritual (relativo à experiência humana subjectiva que adquire uma experiência intersubjectiva e universal) que o sinal não tem. Um sinal só passa a ser um símbolo quando passa a ter um conteúdo com relação a um representado, o que lhe retira a arbitrariedade previamente existente. Um símbolo nunca se muda, porque isso resultaria também na dissolução do seu significado; em contraponto, um sinal pode ser mudado mantendo-se o seu significado anterior.

4/ uma coisa semelhante se passa com o escriba do Bloco de Esquerda que escreveu o comentário ao textículo de Steiner: ele só concebe a existência de sinais, que são por natureza imanentes e arbitrários (os sinais podem ser mudados sem que mudem as suas representações; por exemplo, um sinal de trânsito). O escriba pretende substituir a putativa arbitrariedade dos sinais (na opinião dele) da Bíblia pela arbitrariedade dos sinais de uma determinada religião política que é a dele. Para ele, a Bíblia traduz ou interpreta uma religião política equivalente a uma outra qualquer, porque, para ele, a Bíblia não contem senão sinais políticos, arbitrários e convencionados.

Sendo que é considerado que na Bíblia não existem símbolos (que devem ser objecto de uma exegese e de uma hermenêutica) mas apenas sinais, estes assumem apenas e só uma dimensão política. E, se não existem símbolos mas apenas sinais, toda a realidade e vida humanas são reduzidas à política, e a nada mais do que à política — o que é realmente assustador.

“When the episteme is ruined, men do not stop talking about politics; but they now must express themselves in the mode of doxa.” — Eric Voegelin

Terça-feira, 30 Abril 2013

A esclerose múltipla da União Europeia

Podemos conceber a União Europeia como um corpo, e a cultura intelectual predominante no sistema político do leviatão europeu como o seu sistema imunitário — e na medida em que a cultura intelectual exerce grande influência sobre a cultura antropológica dos diversos povos da Europa.

O problema do sistema imunitário na União Europeia — a cultura intelectual e as elites políticas — é o de que perdeu a noção de auto-tolerância e passou a gerar anticorpos auto-dirigidos que atacam os isolamentos dos nervos (a atomização da sociedade), causando a esclerose múltipla da cultura antropológica e conduzindo-a a uma paralisação.

Porque a cultura intelectual e as elites políticas têm um papel fundamental na defesa da sociedade contra a degradação do corpo social e na garantia sua continuidade e do seu futuro, um sistema imunitário que produza anticorpos auto-dirigidos conduz à morte do corpo. E o pior é que a morte anunciada do corpo político da União Europeia vai arrastar com ela uma série de países, principalmente os mais pequenos.

Domingo, 28 Abril 2013

O Dalai-lama diz que é marxista

Marx não era contra a religião ou filosofia religiosa em si, mas contra as instituições religiosas aliadas à classe dirigente europeia”. — ‘Sou marxista’, diz Dalai Lama a estudantes chineses.

O Dalai-lama teria que ler alguns livros de Karl Marx para não dizer asneiras. Normalmente dizemos asneiras mesmo lendo (errar é humano), mas quando a gente não sabe do que fala, então insultamos amiúde a inteligência dos outros.

Karl Marx não era só contra a religião: era também contra a filosofia.

“Feuerbach parte do facto da auto-alienação do homem, do desdobramento do mundo em um mundo religioso e um mundo terreno (1). O seu trabalho (de Feuerbach) consiste em reduzir o mundo religioso ao seu fundamento terreno. Mas o facto de que o fundamento terreno se separe de si próprio para se plasmar como um reino independente que flutua nas nuvens, é algo que só pode explicar-se pelo próprio afastamento e contradição deste fundamento terreno consigo mesmo.

Portanto, é necessário tanto compreendê-lo na sua própria contradição como revolucioná-lo praticamente. Assim, pois, por exemplo, depois de descobrir a família terrena como o segredo da família sagrada, há que destruir teórica e praticamente a primeira.” — Karl Marx, Manuscritos Económicos-Filosóficos, Porto, 1971.

Neste trecho, Karl Marx não só nega qualquer metafísica (o que é, em si mesmo, uma forma de metafísica), como defende abertamente a destruição teórica e prática da família — que é o que está a acontecer actualmente na Europa e nos Estados Unidos.

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Quarta-feira, 24 Abril 2013

O integralismo laico em França (1)

Chamo à atenção do leitor para este texto em língua inglesa que, pela sua importância, será objecto de um resumo em língua portuguesa num segundo verbete com idêntico título.

As perguntas que assaltam qualquer mente sadia são as seguintes: 1/ quem está por detrás desta agenda política absolutamente desumana e contra-natura?; e 2/ o que é que se pretende ganhar de positivo, para a sociedade, com esta agenda política ultra-radical? E podemos colocar uma terceira pergunta: 3/ não será melhor para Portugal, e para o seu futuro, desligar-se paulatinamente desta União Europeia?

“French parents who wish to pass on certain values to their children will clash in the coming months over the Republic’s education system, which the current Government wishes to reform, particularly in relation to the complementary nature of men and women, of human sexuality and of morality.

The Taubira marriage law reform proposal should be considered in conjunction with another fundamental project of the current Government: the “reform of the education system of the Republic,” presently being discussed by the National Assembly. This law project on the “reform of the education system of the Republic” pledges, among other provisions, to introduce an obligatory new secular morality and civic education, in order to fight against gender stereotypes from the youngest age possible. In the press and before the Assembly, the Minister of Education, Vincent Peillon, has specified that the goal of the secular morality is to remove all family, ethnic, social and intellectual determinisms from the pupil”[1] to “allow each pupil to be liberated,” because “the goal of the Republican education system has always been to produce a free individual”[2]. In the same way, the Minister of Justice, Christiane Taubira has declared to the Assembly that “in our values, education aims to relieve pupils of social and religious determinisms and make them free citizens”[3].”


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Terça-feira, 23 Abril 2013

O sistema democrático tem que ser revisto

A democracia deixou de ser legítima. O sistema democrático passou a ser uma forma de legitimar o populismo, em certos casos, e a tirania acobertada pelo voto, noutros casos.

O parlamento francês acaba de aprovar o “casamento” gay e, mais grave, a adopção de crianças por pares de gays e a eliminação dos termos “pai” e “mãe” dos documentos oficiais da república francesa — oficialmente e perante a lei, as crianças francesas deixarão de ter pai e mãe. A lei ainda não entrou em vigor porque subiu ao Conselho Constitucional para eventual aprovação.

O que podemos constatar, em França como em Portugal e noutros países da Europa, é um afastamento radical entre a lei e quem a faz, por um lado, e por outro lado a realidade antropológica e cultural de uma determinada sociedade (neste caso a francesa); e, por isso, a democracia deixou de ser legítima. O sistema democrático passou a ser uma forma de legitimar o populismo, em certos casos, e a tirania acobertada pelo voto, noutros casos.

Alterar as instituições do casamento e da adopção de crianças não pertence à função da governança normal que se espera de um governo saído de umas eleições circunstanciais. Transformações societárias tão profundas como estas exigem referendos. Nas esferas dos costumes, da tradição e da lei natural, assim como na esfera da soberania nacional, nenhum parlamento, eleito ou não, tem o direito de alterar a seu bel-prazer as instituições sem que tenha lugar um referendo prévio.

Sejamos claros: ou o actual regime “democrático” se adapta a esta condição, ou terá que ser colocado em causa e derrubado.

Pelo menos desde o tempo de João de Salisbúria, passando por S. Tomás de Aquino e John Locke, que a tirania — mesmo se exercida sob a capa da justificação do voto — legitima o tiranicídio: sabendo nós que não é o voto que impede um tirano de exercer a tirania, então qualquer atentado à vida — neste caso, de François Hollande — torna-se legítimo. E mesmo que o tirano seja protegido, de forma a evitar-se um atentado, este pode ser legítimo se levado a cabo depois da sua eventual saída do cargo e a título de exemplo.

A classe política, em geral e na Europa, anda a precisar de um susto. Até agora, os povos da Europa têm andado relativamente serenos, mas a situação tende a mudar. Quando houver um primeiro político de renome assassinado, seja um François Hollande ou um António José Seguro, talvez então tenhamos uma classe política a “fiar fino” e a “entrar nos carris”.

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