perspectivas

Quinta-feira, 13 Novembro 2014

A velha Teoria Crítica e o delírio interpretativo da Raquel Varela

 

“Nesta desordem destrutiva há uma ostracização das ciências fundamentais – burlesca. A separação entre ciência fundamental e aplicada, ou entre ciências sociais e exactas é fictícia, e do ponto de vista produtivo, regressiva.”

Raquel Varela

Nota: apliquei as vírgulas à citação, que não existiam no texto original. A Raquel Varela escreve “à moda” de José Saramago.


A Raquel Varela aproveitou-se de uma frase solta de Angela Merkel para, baseando-se nessa frase, retirar dela conclusões abusivas e inusitadas. E o Carlos Fiolhais  caiu na esparrela. Ou, como dizia o reaccionário Nicolás Gómez Dávila, “a Esquerda acertou no diagnóstico mas errou na receita”. Ou ainda, como dizia o poeta Aleixo: “para a mentira ser segura, e atingir profundidade, tem que trazer à mistura qualquer coisa de verdade”.

Eu estou perfeitamente à vontade para criticar a Raquel Varela neste caso, porque não simpatizo minimamente com Angela Merkel e porque há anos que falo aqui do conceito de “sinificação”. Parece que a “elite” só agora acordou para o problema.

É verdade que o mundo não é perfeito; mas também é verdade que é impossível construir um mundo perfeito — ou um “mundo melhor”, no sentido da utopia que retira ao Homem a sua própria humanidade.

O que um ser racional pode fazer é tentar atenuar as consequências negativas dos problemas do mundo; mas o que é irracional, ou mesmo um insulto à nossa inteligência colectiva, é que uma auto-intitulada plêiade de iluminados se arrogue no direito de reclamar para si a correcção dos problemas do mundo mediante a absolutização de uma ideologia política que a História já demonstrou que os agrava.

teorica criticaA estratégia retórica da Raquel Varela passa pela velha Teoria Crítica da Escola de Frankfurt: critica tudo e todos. Criticar, criticar, criticar! As soluções da Raquel Varela para o tal “mundo imperfeito” estão escondidas (Audiatur Et Altera Pars) porque são inconfessáveis: o povo fugiria a sete pés, se ela confessasse. Mas culpa não é dela: a culpa é de quem a alcandorou ao “escol” (incluindo o Carlos Fiolhais ).

Ao contrário do que defende a Raquel Varela mediante a picaretagem da Teoria Crítica — e também o “papa Francisco” e o Frei Bento Domingues, por exemplo —, os problemas da humanidade não podem ser abordados apenas a partir das “periferias”: pelo contrário, terá que haver uma abordagem holista, que tenha em atenção o Todo. Não é possível conceber a periferia sem ter em consideração o centro; mas um facto tão evidente e básico como este parece não perpassar pelas mentes das “elites” que temos.

Por fim, a citação da Raquel Varela em epígrafe. A citação revela (não só, mas também) o delírio interpretativo da Raquel Varela — uma doença mental.

Em qualquer ciência, há os cientistas-técnicos, e os cientistas propriamente ditos (os teóricos); portanto, existe de facto, na ciência, uma distinção entre ciência teórica (ou “fundamental”, como ela diz), por um lado, e a ciência aplicada, por outro  lado.

Ademais, quem diz que não existe qualquer diferença entre ciências sociais e ciências da natureza (ou exactas, que inclui o formalismo da matemática), ou é pessoa estúpida ou é doente mental. Mas o Carlos Fiolhais  citou-a!

Só uma pessoa que padece de uma doença mental irreversível pode, ainda hoje, ter uma visão cartesiana do ser humano, a ponto de não o distinguir de um qualquer outro objecto de investigação científica. Por isso é que chegamos ao ponto a que chegamos: perante a voragem do neoliberalismo, as soluções apresentadas pelos “progressistas do mundo melhor” são as que constam da decrepitude do niilismo e da estupidez da Teoria Crítica.

Terça-feira, 3 Junho 2014

Este blogue “reserva o direito de admissão” (nos comentários)

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 5:11 am
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No tempo do “faxismo” era normal vermos uma placa especada nas paredes dos estabelecimentos comerciais informando os utentes de que era “reservado o direito de admissão”. ¿O que significa a “reserva de direito de admissão”?

reservado-direito-de-admissaoEm primeiro lugar, significa que o estabelecimento comercial de acesso público tem dono; e que ninguém deve entrar pelo estabelecimento adentro como se o espaço pertencesse “ao pessoal”.

E tendo o espaço comercial um dono, a gestão desse espaço, em termos do negócio, é reservada ao dono; ou seja, ninguém tem o direito de interferir nos critérios de boa gestão de um negócio — excepto em caso de infracção da lei por parte do proprietário do espaço comercial.

 

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Quarta-feira, 16 Abril 2014

O Homem Novo da Esquerda

 

 

O Cristianismo, com a acção dos apóstolos de Jesus Cristo e, mais tarde, com a Patrística, anunciou o Homem Novo que era o cristão que se diferenciava dos pagãos. O que separava essencialmente o Homem Novo, ou seja, o cristão, por um lado, do pagão, por outro lado, era a ética. As éticas do cristão e do pagão eram diferentes — e isto para além de todas as considerações religiosas evidentes e das diferenças de mundividência.

Portanto, para o Cristianismo, o Homem Novo era aquele que assumia e interiorizava voluntariamente uma Nova Ética. Naturalmente que esta Nova Ética tinha uma relação estrita e directa com uma nova mundividência que, ao contrário do que parece dizer este papa (porque nunca sabemos exactamente o que ele quer dizer!), não eliminou hierarquias: antes, criou um novo tipo de hierarquia, não já baseada no poder material, mas na autoridade dos dignitários da Igreja que foi deduzida da Autoritas romana. Mas essa  autoridade emanava do povo cristão: por exemplo, os bispos eram eleitos pelo povo cristão! (¿você sabia disto?).

O filósofo Mircea Eliade escreveu o seguinte no seu livro “História das Ideias Religiosas” :

“(…) a fé inabalável e a força moral dos cristãos, a sua coragem perante a tortura e a morte, a qual foi admirada mesmo pelos seus maiores adversários (…)

Para todos os desenraizados do império (romano), para as vítimas de alienação cultural e social, a Igreja era a única esperança para alcançar a identidade e encontrar ou reencontrar um sentido para a existência. Visto que não existiam quaisquer barreiras sociais, raciais ou intelectuais, qualquer pessoa podia tornar-se membro desta comunidade optimista e paradoxal, na qual um cidadão poderoso, camareiro do imperador, se prostrava diante de um bispo que tinha sido seu escravo.

Muito provavelmente, nenhuma comunidade na História, nem antes, nem depois, conheceu uma igualdade, uma caridade e um amor entre irmãos tão grandes como aqueles que foram vividos nas comunidades cristãs dos primeiros quatro séculos.”

Essa “igualdade” cristã não significava “ausência de hierarquia”. A igualdade cristã era ontológica, o que não impedia que “um cidadão poderoso, camareiro do imperador, se prostrasse diante de um bispo”.


Em contraponto, para a Esquerda, o Homem Novo parece ser o ser humano biologicamente alterado. Leio aqui o seguinte:

O “homem novo”

Um dos campos onde a ideologia do género começa a ser imposta é nas escolas. Há planos para o efeito em vários países europeus, incluindo Portugal. Mas este é apenas um aspecto. Durante a polémica sobre a introdução da teoria do género no ensino em França, é de notar que o ministro socialista, responsável por essa pasta, afirmou que “o objectivo da educação é arrancar do aluno todos os determinismos, familiar, étnico, social , intelectual…” Assim se vê que o sonho de fabricar o “homem novo” se mantém vivo. Apenas se apresenta sob outras formas.

 

trans-humanismoA construção do Homem Novo da Esquerda tem pouco a ver com a Ética.

Quando o ministro socialista francês, o maçon inveterado Vincent Peillon, defendeu a ideia expressa segundo a qual “o objectivo da educação é arrancar do aluno todos os determinismos, familiar, étnico, social , intelectual…”, já não estamos a falar de ética: estamos antes a falar em separar o ser humano da sua biologia.

Para o marxismo clássico, o Homem Novo era também alguém que contrariava a natureza humana, mas nunca o marxismo clássico chegou ao ponto de negar a própria biologia. Ou seja, a Esquerda actual consegue ser ainda mais radical (no sentido de “eliminação de raízes”) do que o marxismo clássico.

Assim, o Homem Novo, para a actual Esquerda, é um conceito abstracto, é algo que não se pode encontrar de facto na realidade. Quando a Esquerda separa o ser humano, por um lado, da biologia, por outro lado, pretende fazer do ser humano uma abstracção — ou seja, algo que não existe na sociedade concreta e factual. O estatuto de “cidadania” passa a ser abstracto.

O “Homem Novo” da Esquerda não é construído a partir de uma diferenciação cultural com base em fundamentos éticos (como aconteceu com o Cristianismo), mas antes a Esquerda pretende construir esse outro Homem Novo a partir de uma transmutação biológica que consiste na recusa e negação da própria biologia humana. A recusa da biologia humana é já uma espécie de trans-humanismo: colocada face à condição humana, a Esquerda recusa-a terminantemente.

antinatural isabel moreiraNa medida em que, para a Esquerda, a “diferença” entre os seres humanos é sinónimo de “hierarquia”, então conclui a Esquerda que “a raiz do mal está na diferença” entre os seres humanos — ao contrário do que aconteceu com o Homem Novo do Cristianismo, em que a “igualdade” entre seres humanos era (e é!, ainda) ontológica e as suas diferenças eram consideradas como características intrínsecas da condição humana.

A própria agenda política eugenista da Esquerda (abortos selectivos, etc.) tem algo a ver com a identificação ideológica da Esquerda entre “diferença”, por um lado, e “hierarquia”, por outro lado. Uma criança nascida com uma deficiência é considerada como “um atentado natural à igualdade” entre os homens. E, por isso, a Natureza tem que ser negada no seu todo: “anti-natural, felizmente”, como diz a lésbica militante Isabel Moreira.

O que está a acontecer hoje, com o conceito de “Homem Novo” da Esquerda, é uma ruptura radical com a própria realidade material e ontológica. É uma postura radicalmente anti-científica. É a recusa da realidade (a “Grande Recusa”, de Herbert Marcuse 1). O que a Esquerda está a tentar fazer é induzir a toda a sociedade uma psicose colectiva: pretende transformar o cidadão comum, em geral, em um psicótico, para melhor poder controlar a sociedade e instituir um novo tipo de totalitarismo.

 


Nota
1. 

« Em “Eros e Civilização”, Marcuse sustenta que “a correlação freudiana repressão do instinto / trabalho socialmente útil / civilização pode, sem se tornar absurda, ser transformada na correlação libertação do instinto / trabalho socialmente útil / civilização”.

Pareceria, portanto que a libertação do homem não implicaria a abolição do trabalho. A “Grande Recusa” (designação inspirada no Manifesto do Surrealismo proclamado em 1924 por André Breton) consistiria no “protesto contra a repressão supérflua, na luta pela forma definitiva de liberdade — um viver sem angústia” (Ibidem, p. 121).

E a obra inteira tem como objectivo a demonstração de que a “auto-sublimação da sexualidade” destrói o primado da função genital, transforma todo o corpo em órgão erótico e o trabalho em jogo, divertimento ou espectáculo. Com o advento do puro Eros, ficaria destruída “a ordem repressiva da sexualidade procriadora” (ibidem, p. 137).

Mas não ficaria também destruída a capacidade humana de reprodução? »

Trecho retirado do Tomo XIV da “História da Filosofia”, de Nicola Abbagnano , § 865. Como podemos verificar, o conceito abstracto de “Homem Novo” da actual Esquerda é copiado literalmente do marxismo cultural ou utopia negativa.

Sexta-feira, 4 Abril 2014

O problema é político, e só pode ser resolvido com um partido político

 

A forma como o pasquim Público noticiou a demissão de Brendan Eich, da empresa Mozilla, por pressão do lóbi político gayzista, é inacreditável:

“Em 2008, Eich financiou a campanha contra a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia. Uma polémica que renasceu no início da semana passada, quando a Mozilla o nomeou para o cargo de director-executivo, contrariando a tradição de uma empresa conhecida pela diversidade e pela promoção da open source.”

Ou seja, segundo o pasquim Público, a “tradição da diversidade” só pode existir com um pensamento único imposto pela Gaystapo. Isto só lá vai “à bomba!”; ou então, através de um movimento político organizado. Quando o lóbi político gayzista, respaldado pelo marxismo cultural (ler o ensaio de Herbert Marcuse sobre o conceito de  “tolerância repressiva”), consegue demitir um CEO de uma grande empresa — então só resta à sociedade a organização de um partido político de sinal radicalmente contrário. Ou seja, neste contexto, a homofobia passa a fazer todo o sentido e recomenda-se!

gay-inquisition-web

Entretanto, um membro do Conselho de Administração da World Vision foi obrigado a demitir-se devido à pressão da Gaystapo e da Ingaysição. Meus caros, isto só lá vai à paulada! Chegou-se a um ponto tal que a coisa já não vai com falinhas mansas: tem que se organizar a paulada sistemática! Nós somos a maioria!

O gayzismo é um movimento totalitário — o homofascismo — que se caracteriza pelo ódio, intolerância, anti-liberalismo, e perseguição inquisitorial. O caso de Brendan Eich é o princípio de uma série de casos que se seguirá; e não pensem que este caso não terá repercussões em Portugal e na União Europeia. Segundo a Lei da Impossibilidade de Mérito, “o que aconteceu a Brendan Eich não acontecerá a você, caro leitor; mas se acontecer, você merece-o!”.

Sexta-feira, 28 Março 2014

A Esquerda e o problema demográfico português

 

O que me espanta é que seja a Esquerda (incluindo o Partido Social Democrata de outros tempos, com alguma cumplicidade do CDS/PP de Paulo Portas) que venha agora falar de “problema demográfico endémico” — quando foi a Esquerda que legalizou o aborto “a pedido arbitrário da cliente”, defendeu já a legalização da eutanásia no parlamento (Bloco de Esquerda), legalizou o “divórcio unilateral e instantâneo”, instituiu o “casamento” gay, e quer agora legalizar a adopção de crianças por pares de invertidos e o tráfico de crianças.

A Esquerda destruiu os valores da família na cultura antropológica portuguesa, e agora queixa-se do “problema demográfico português”.

Quinta-feira, 20 Março 2014

A coincidência entre a “política de pequenos passos” de Gramsci, o “progresso da opinião pública” do liberalismo, e um novo totalitarismo à moda de Giovanni Gentile

 

Quando o “casamento” gay foi legalizado em Portugal, ficou naquela altura claro, na assembleia da república e entre todos os deputados, que a adopção de crianças por pares de invertidos estaria fora de questão.

Essa foi, aliás, a razão por que uma grande parte da população portuguesa anuiu ou concordou com o “casamento” gay. Ou seja, ficou claro, no espírito dos portugueses em geral, que o “casamento” gay não implicaria a adopção de crianças por pares de invertidos.

DanielCardoso docente universitário webMas não passou muito tempo depois da legalização do “casamento” gay e o radicalismo político voltou à carga com a adopção de crianças por pares de invertidos. O argumento dos radicais é o de que o “casamento” gay implica a adopção de crianças por pares de invertidos como um “direito” inerente ao casamento. Mas não foi isso que ficou patente e claro aquando da legalização do “casamento” gay.

Este argumento — segundo o qual o “casamento” gay implica a adopção de crianças por pares de invertidos como um “direito” inerente ao casamento — vem, mais uma vez, a ser esgrimido por um docente universitário (na imagem), de seu nome Daniel Cardoso que, em minha opinião, deveria estar a cavar batatas, em vez de estar a lobotomizar os seus alunos.

Para os radicais, em política vale tudo. Se as condições políticas objectivas em que o “casamento” gay foi legalizado implicavam a não adopção de crianças por pares de invertidos, faz-se tábua rasa de quaisquer compromissos anteriormente assumidos. Estamos perante a política gramsciana dos “pequenos passos”, em que não existem, em política, compromissos nem princípios éticos que possam ser respeitados. Acima de tudo, a vontade do povo nada conta; e, se necessário, muda-se um povo inteiro para que a realidade possa coincidir com a “lógica de uma ideia”.

Por outro lado, a política gramsciana dos “pequenos passos” tem a sua correspondência ou equivalência (neo)liberal no conceito de “progresso da opinião pública”. Ora, é este conceito — o do “progresso da opinião pública” — que o “docente” universitário, de trançadeira e bandolete, chama de “moderado”; e por ser “moderado”, torna-se para ele insuportável.

A pequena diferença entre os dois conceitos — o da política gramsciana dos “pequenos passos”, por um lado, e o conceito liberal de “progresso da opinião pública”, por outro lado — é apenas formal, porque os conteúdos são idênticos.

A primeira forma impõe ao povo, de uma forma radical e através da força bruta do Estado, a lógica de uma ideia (uma ideologia política); a segunda forma pretende alterar a cultura antropológica através de uma pseudo-persuasão que depende da imposição, transversal à sociedade, de uma estimulação contraditória que implique uma dissonância cognitiva que possibilite a legitimação de qualquer engenharia social.


Ambos os conceitos têm algo a ver com a visão fascista do italiano Giovanni Gentile, embora com pequenas nuances. Repare-se que a noção de “direito”, segundo o politicamente correcto (na esquerda radical e na direita neoliberal) tem muito a ver com o conceito de “subjectivismo absoluto”, do fascista Gentile.

O “direito”, passou a ser hoje a afirmação absolutista de qualquer subjectividade: a diferença é que Gentile defendia a ideia segundo a qual “a moral determina o direito”, ao passo que o consenso político actual (da esquerda à direita) é o de que “o direito determina a moral” — mas, tanto Gentile como a política correcta do actual Zeitgeist partem do princípio de que o direito e a moral, por um lado, e o Estado e o indivíduo, por outro lado, se identificam “na actualidade do querer volitivo e do sujeito pensante”.

O fascista Gentile rejeitava a distinção entre o privado e público. Ou seja, tudo o que é do foro privado tem que ser reconhecido publicamente, através da legislação que reconheça, como sendo pública, a vida privada do “sujeito pensante”. Segundo o fascista Gentile, o “direito do sujeito pensante” depende desta erosão entre público e privado, transformando-se em lei quaisquer direitos do “sujeito pensante” — embora Gentile parta da moral para definir o “direito do sujeito pensante”, e os novos fascistas partem do “direito do sujeito pensante” (direito subjectivo) para definir a moral (qualquer que seja).

“No Estado, que é própria vontade do indivíduo enquanto universal e absoluto, o indivíduo absorve o Estado, e que a autoridade (a legítima autoridade), não podendo ser expressa, aliás, senão pela actualidade do querer individual, se reduz integralmente à liberdade.” 1

A verdadeira democracia seria, não a de querer limitar o Estado, mas a “que não se põe limites ao Estado que se desenvolve na intimidade do indivíduo e lhe confere a força e o direito na sua absoluta universalidade”.

Em conclusão, podemos afirmar que aquilo a que hoje se chama de “liberalismo”, mais não é do que um processo mais suave de cumprir o ideário de um novo fascismo que se vai afirmando. E este novo fascismo faz dos “direitos humanos”, entendidos na sua absoluta subjectividade, uma política em si mesma.

Ficheiro PDF do texto do “docente” universitário de trançadeira e bandolete, que deveria estar a cavar batatas.

Nota
1. Giovanni Gentile, citado na “História da Filosofia” de Nicola Abbagnano, Tomo XII, § 715

Domingo, 16 Março 2014

Confusão de alhos com bugalhos

 

Deve haver gente em Portugal que se quer suicidar. É um facto. E sendo um facto, o blogue Estado Sentido deve pensar que deve haver uma lei da eutanásia “à La Carte” e “à vontade do cliente”. Porque é um facto social.

Segundo o raciocínio do escriba, qualquer facto social ou cultural justifica uma lei que o regulamente. Por exemplo, se existirem relações polígamas entre a comunidade muçulmana portuguesa (é um facto!), o Estado Sentido defende a legalização da poligamia — “porque é uma realidade!, e devemos olhar para a realidade!”. Segundo o Estado Sentido, o facto cria o Direito.

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Sexta-feira, 7 Março 2014

A semiótica psicótica

 

Podemos ler o seguinte (via) no pasquim Público:

“A pictografia sinalética trabalha, essencialmente, com estereótipos e caricaturas. É conservadora por excelência. E a sinalização rodoviária, em particular, é-o ainda mais — até porque há sempre o argumento da segurança. Se se mudarem os sinais estes perdem eficácia, os condutores podem ficar confusos.”

De onde veio o homem do chapéu que atravessa as passadeiras?

semiotica de genero

Terça-feira, 4 Março 2014

O "casamento" gay e a “igualdade” que discrimina os sexos

 

O “casamento” entre pessoas do mesmo sexo constitui discriminação e segregação sexuais. A exclusão de um dos sexos em relação à instituição do casamento é feita intencionalmente.

O que é absolutamente perverso é o facto de que, em nome da “igualdade”, o “casamento” gay pretende codificar na lei a discriminação de sexos. E são as elites que batem palmas à “defesa igualitária” da desigualdade e da discriminação entre os dois sexos (através de uma forma de “casamento” que separa os sexos).

Segunda-feira, 17 Fevereiro 2014

A adopção de crianças por pares de invertidos e a ideologia de género

 

Não há ainda histórico estatístico e científico, e por isso procede-se com toda a pressa, antes que as estatísticas apareçam e revelem cientificamente a realidade. A esperança é que se faça uma história que seja irrevogável; que a imposição da ideologia à realidade seja permanente; que uma psicose colectiva passe a fazer parte da normalidade.

1984 webQuando aparecerem as primeiras estatísticas sólidas e fidedignas, as anomalias irão então ser consideradas normais — porque a história já foi feita e é considerada irrevogável: quando a anomalia passa a ser a regra, as excepções à regra passam a ser anomalias.

A visão da realidade é hegeliana: tudo o que seja a negação do “progresso dialéctico” (mesmo que este “progresso” seja produto da vontade exclusiva de um pequeno grupo ou de uma elite) não é tolerável, porque se parte do princípio de que o progresso é uma lei da natureza — mesmo que o “progresso” seja imposto à Natureza e à revelia da Lei Natural.

O Direito transforma-se, assim, na sua negação. Mas como o Direito Negativo também vai fazer parte da história, não poderá ser invalidado, porque não se pode invalidar o “processo histórico” hegeliano. O “processo histórico” é a garantia do “progresso da moral” (e do “progresso da lógica”, porque, alegadamente, “a lógica evolui”); e a moral, sendo substituída pelo Direito Positivo, poderá passar a ser não importa o que for decidido pelo Poder de fazer as leis arbitrárias.

O legal passa não só a ser legítimo, como passa a deter o exclusivo da legitimidade; e passa também a substituir a ética — qualquer ética que não coincida com os valores da arbitrariedade do Direito. A ética passará a emanar exclusivamente dos tribunais e à revelia de qualquer ciência. Para garantir que a substituição da realidade pela ideologia não seja colocada em causa, será então construído um eficaz pan-óptico cultural.

Domingo, 16 Fevereiro 2014

O silêncio dos defensores portugueses da eutanásia

 

A notícia segundo a qual a Bélgica legalizou a eutanásia para crianças sem qualquer limite de idade, foi recebida com um silêncio de morte por parte dos defensores portugueses da eutanásia, na sua maioria da esquerda maçónica, mas também do Bloco de Esquerda e de uma certa “direita” libertária. Não vi nada escrito sobre o assunto, e não sei explicar esse silêncio senão pelo total absurdo que a eutanásia de crianças implica.

bandeira belgaPerante os critérios de inimputabilidade moral e jurídica que o Direito contempla o estatuto da criança, estamos, atónitos, perante uma contradição fundamental que roça a irracionalidade mais abjecta: por um lado, as crianças não podem ser juridicamente e moralmente responsabilizadas se cometerem um acto de assassínio; mas, por outro lado, já podem ser juridicamente e moralmente responsáveis para decidirem a sua própria morte. O legislador belga não responsabiliza (integralmente) as crianças se estas atentarem contra a integridade física de outrem, por um lado; mas, por outro lado, dá às crianças liberdade total para atentarem contra a sua própria integridade física.

Como escreveu Christian Vanneste, a esquerda europeia e maçónica (com o beneplácito da “direita” libertária, acrescento eu) desistiu das reformas no âmbito da economia e passou à revolução da moral — nomeadamente através da inversão e perversão dos tabus tradicionais na esfera da família e da concepção da pessoa. Essa inversão, maçónica, esquerdista, alegadamente “libertária” e perversa, dos tabus, passa pela exaltação da autonomia individual mas sempre desprovida de qualquer culpa: é um sistema que permite a eutanásia de crianças inocentes de 12 anos, por exemplo, mas já não permite a punição da culpa de um adolescente de 17 anos.

Estamos a lidar com uma classe política perversa e próxima da “loucura” aqui entendida em termos do senso-comum. Esta gente é louca, e como tal deve ser tratada. Não devemos dar um “palmo de terreno” à maçonaria, por exemplo: essa gentalha deve ser combatida sem quartel e através de todos os meios considerados adequados.

Segunda-feira, 3 Fevereiro 2014

O marxismo cultural é uma utopia

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 4:27 pm
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«O carácter negativo da nova utopia é evidente no movimento conhecido por “Escola de Frankfurt”. Iniciou-se na Alemanha, em Francoforte do Meno, quando, em 1931, o “Instituto de investigação Social passou a ser dirigido por Max Horkheimer (nascido em 1895) e tem os seus maiores representantes nas pessoas de Theodor W. Adorno e Herbert Marcuse.

(…)

Todos três ligam estreitamente a investigação filosófica à sociologia e à psicológica, e declaram inspirar-se em Hegel, Marx e Freud. »

— “História da Filosofia”, de Nicola Abbagnano, Tomo XIV, § 865, página 335, Editorial Presença, Lisboa, 1970.


Uma utopia, por ser negativa, não deixa de ser utopia — da mesma forma que a liberdade negativa não deixa de ser uma forma de liberdade, ou da mesma forma que o Não-ser não deixa de ser uma forma de Ser.

¿Faz sentido falar, hoje, em “marxismo cultural”?

Faz tanto sentido falar hoje em marxismo cultural como, por exemplo, faz sentido em falar hoje no “Estruturalismo” de princípios do século XX: ambas as correntes ideológicas afectam, de uma maneira ou de outra, a forma coeva do pensamento político. A Esquerda dissidente de Estaline e impregnada do Existencialismo materialista, adoptou-a, desde Walter Benjamim a Hannah Arendt que faleceu na década de 1970. Com a queda do muro de Berlim, o marxismo cultural foi recuperado pela agenda da Esquerda.

¿George Soros é “marxista cultural”?

Claro que não! Mas leiam o livro de George Soros com o título “A Crise do Capitalismo Global” (1998, da Editora “Temas e Debates”, Lisboa); e depois poderão compreender por que razão George Soros financia organizações e movimentos marxistas a nível mundial, incluindo aquelas organizações políticas marxistas que minam a cultura ocidental — porque é isto que faz o marxismo cultural: mina e tenta destruir a cultura antropológica, de matriz cristã, do Ocidente.

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