perspectivas

Quarta-feira, 4 Dezembro 2013

Um exemplo da falácia do espantalho

Filed under: A vida custa — orlando braga @ 8:36 am
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Passos Coelho: “ A Troika pretende cortar nas despesas do Estado em 5 mil milhões de euros”.

Paulo Portas: “E o que é que vamos fazer?!”

Passos Coelho: “Eu acho que devemos cortar nas despesas com a saúde e a educação”.

Portas: “Mas poderíamos cortar nas despesas com as PPP (Parcerias Público-privadas), nos monopólios da energia, no aborto grátis, e nas despesas de funcionamento do governo…”

Passos Coelho: “Meu caro Paulo Portas!: não percebo por que razão queres levar este país à falência!”

(ver falácia do espantalho)

Quarta-feira, 30 Outubro 2013

“Uma proposta técnica que ainda não foi avaliada politicamente”

Filed under: A vida custa — orlando braga @ 12:16 pm
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joao almeida polaroid web 400Foi assim que o deputado do CDS/PP João Almeida classificou a proposta da Ministra da Agricultura, Assunção Cristas, de limitar a posse de cães a duas unidades por apartamento. Eu nem vou falar muito na proposta orwelliana da ministra, porque, por este andar, o governo irá instalar "cagómetros" nas nossas casas-de-banho para controlar as vezes que a gente "arreia a jiga". O número de animais em casa é uma questão cultural e de bom-senso, e não de interferência coerciva do Estado.

O que me leva a escrever este verbete é a seguinte proposição: “proposta técnica que ainda não foi avaliada politicamente” — como se a técnica não tivesse nada a ver com a política. Ou como se a técnica não tivesse nada a ver com a ética; como se fossem campos separados da realidade, estanques. Há qualquer coisa aqui que não soa bem.

“Técnica” é aqui concebida como “método”, e não como o resultado da fabricação de um utensílio, ou tecnologia. O João Almeida poderia ter dito “uma proposta metodológica que ainda não foi avaliada politicamente”, o que significaria o mesmo.

O método é um conjunto de diligências seguido pelo espírito humano num trabalho de pesquisa ou numa investigação, no sentido de estabelecer a verdade em uma determinada realidade restrita.

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Quarta-feira, 28 Agosto 2013

O jornal Público e o conceito de “normalidade”

O pasquim Público conta a história da cidadã sérvia Bojana Danilovic (na imagem), que vê o mundo ao contrário (ver ficheiro PDF da notícia). E no fim da notícia, o pasquim arremata com a seguinte frase:

« Segundo o “New York Daily News”, Bojana sofre desta perturbação desde nascença, pelo que é “completamente normal”. “É apenas a forma como vejo o mundo.”»

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Terça-feira, 27 Agosto 2013

“Não devemos generalizar”

Hoje é vulgar ouvirmos, nos debates nos me®dia, entre políticos ou entre auto-subsumidos intelectuais, a frase-chave do politicamente correcto: “não devemos generalizar“.

Este princípio causa-me um desconforto imenso porque é anti-científico. O politicamente correcto é, por sua própria natureza, anti-científico, por um lado, e por outro lado tenta manipular a ciência transformando-a em cientismo .

Não é possível fazer ciência sem a generalização. O cientista verdadeiro observa um fenómeno (seja natural ou social), elabora estatísticas sobre a ocorrência desse fenómeno, faz experimentações , e depois, por indução , dedução e/ou inferência , abstrai do fenómeno e elabora uma lei que pressupõe uma generalização. A lei científica é geral e pressupõe um juízo universal .

Quando eu ouço, nos me®dia, os intelectuais de urinol dizer, com ar grave e sério, que “não devemos generalizar” – sinto eriçar os pêlos todos do meu corpo, como se estivesse em presença de um absurdo tão grande que negasse a essência, não só da lógica, como do próprio Ser.

Adenda:

Quando dizemos que “não devemos generalizar”, já estamos a generalizar.

O problema é que quando dizemos que “não devemos generalizar”, essa generalização é, por um lado, auto-contraditória (como se dissemos que “não devemos falar” quando já estamos a falar), e por outro lado é subjectiva e, por isso, tende a ser irracional e despótica – revela o despotismo intrínseco do politicamente correcto.

Quarta-feira, 7 Agosto 2013

A verdade que incomoda a ciência positivista e os ateus

Filed under: filosofia,Ut Edita — orlando braga @ 9:14 pm
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“Nenhum facto pode ser verdadeiro ou real, ou nenhum juízo pode ser correcto, sem uma razão suficiente” - Leibniz

Este axioma lógico não pode ser deduzido da experiência. Não há absolutamente nada que tenha uma validade eterna ou intemporal que possa ser deduzido da experiência. Independentemente da forma como os axiomas lógicos surgiram na mente do ser humano ao longo das diversas diferenciações culturais e históricas, a sua validade pertence a um nível imaterial e/ou espiritual.

O axioma segundo o qual os ângulos de um triângulo têm 180 graus já era válido antes de existir o ser humano. Este axioma existe numa dimensão intemporal e espiritual, e na qual a razão participa. Mesmo que a razão humana seja o resultado de uma evolução, o conteúdo da razão humana – o espírito – transcende a evolução.

Sábado, 3 Agosto 2013

A porcaria dos livros de filosofia que se vendem por aí

Quando se diz, num livro sobre a Teoria do Conhecimento, que em Descartes existia uma “dúvida céptica”, fico sem saber se quem escreveu o livro não sabe o que escreveu, ou se sabe e tenta alterar conceitos básicos da Teoria do Conhecimento.

1bertrand-russell-300-web.jpg A dúvida de Descartes era uma “dúvida metódica”, e não uma “dúvida céptica”. Qualquer pessoa com um mínimo dos mínimos de conhecimento de filosofia e de Teoria do Conhecimento – como é, por exemplo, o meu caso – tem a obrigação de saber isto.

A “dúvida céptica” é aquela que conclui pela impossibilidade de se decidir entre uma coisa ou outra. Talvez o melhor intérprete da “dúvida céptica” do século XX tenha sido Bertrand Russell (na imagem). A “dúvida metódica” – protagonizada por Descartes – é aquela que consiste em procurar todas as causas possíveis de erro, e é aquela que fundamenta o método científico.

2 Depois, o texto do “filósofo” que escreveu “aquilo” fala em “conhecimento a priori”, por um lado, e, por outro lado, no contexto do “conhecimento a priori”, o texto refere-se a Descartes.

É impróprio falar, em Descartes, de “conhecimento a priori”, porque Descartes parte apenas de conhecimentos geométricos e de hipóteses físicas (o ser humano é visto por Descartes, do ponto de vista físico, como uma espécie de máquina, com tubos e roldanas, etc.). Seria como se disséssemos que em Hobbes também existiu um “conhecimento a priori” acerca do ser humano – o que é absurdo. Só podemos falar propriamente de “conhecimento a priori” em Kant.

Em Kant, encontramos os “juízos analíticos a priori” – por exemplo, uma definição: “o ser humano é um animal bípede, dotado de inteligência e de linguagem”. Temos aqui, segundo Kant, um “juízo analítico a priori”.

Depois, e segundo Kant, temos os “juízos sintéticos a posteriori”, que decorrem exclusivamente da experiência empírica. Ora, como sabemos, do empirismo só resultam soluções empíricas.

E temos também – segundo Kant – os “juízos sintéticos a priori”, que englobam a matemática e a física, e que se formam independentemente de qualquer experiência e mediante uma intuição intelectual obrigatória.

3 O “filósofo” que escreveu “aquilo” especula em torno dos conceitos de “facto”, de “questão de facto”, e de “tautologia”, como segue:

« As verdades da razão pura, as proposições que sabemos serem válidas independentemente de toda a experiência, são-no em virtude da sua falta de conteúdo factual. Dizer que uma proposição é verdadeira a priori é dizer que é uma tautologia. E as tautologias, embora possam servir para nos guiar na nossa demanda empírica do conhecimento, não contêm em si mesmas qualquer informação sobre qualquer questão de facto. »

Um facto é algo que adquiriu uma estrutura na nossa consciência através da experiência. Acontece que essa experiência pode ser, ou subjectiva, ou intersubjectiva. Por uma experiência ser apenas subjectiva (e que pode ser produto da intuição), não deixa de ser um facto!, embora um “facto subjectivo”. Quando falamos em “factos objectivos”, queremos dizer, mais propriamente, “factos intersubjectivos”.

Uma “questão de facto” não significa necessariamente e apenas “conhecimento empírico objectivo”. Ademais, as tautologias são essenciais porque enunciam as leis lógicas – os axiomas da lógica, que não são físicos, são tautológicos: por exemplo, o princípio de identidade, A = A – sem as quais o pensamento e o discurso seriam incoerentes. Ou seja, sem as “tautologias das leis da lógica”, não seria possível saber sequer o que é uma “questão de facto” – e por aqui se vê a estupidez de quem escreveu aquela merda!

Domingo, 7 Julho 2013

Sobre a opinião da Professora Doutora Rita Lobo Xavier acerca da adopção de crianças por pares de invertidos

Estive a ver a audição (gravada) da Professora Doutora Rita Lobo Xavier, no Canal Parlamento, acerca da chamada “co-adopção” de crianças por pares de invertidos. Ouvi também os seguintes deputados: Pedro Delgado Alves (Partido Socialista), Andreia Neto (Partido Social Democrata), Teresa Anjinho (CDS/PP) e João Oliveira (Partido Comunista).

Há muito tempo que se sabe (pelo menos desde G E Moore) que não é possível e legítimo deduzir valores e normas através dos factos. E, apesar disso, quem o faz comete um “sofisma naturalista”.
Os factos não fundamentam quaisquer normas, embora as normas possam criar os factos. O problema aqui não é só jurídico: é essencialmente lógico e ético. E o que a esquerda está a fazer não é só negar a ética e minar o Direito: é também a negação da lógica

A primeira conclusão que devemos retirar – que eu retirei da audição – é que é absolutamente necessário não votar no Partido Socialista (já não falando na esquerda radical).

Em segundo lugar, o que está em causa, por parte da esquerda (que inclui o Partido Socialista e uma parte importante do Partido Social Democrata), é uma visão totalmente diferente do mundo e, por isso, uma visão radicalmente diferente acerca da família natural e que se aproxima da mundividência da família expressa na utopia da “República” de Platão – ou seja, a família natural tout cours é, implícita (PS) ou explicitamente (BE e PCP), repudiada pela esquerda.

O problema levantado pela esquerda é ideológico, e não propriamente jurídico; aliás, os próprios deputados referidos do Partido Socialista e do Partido Comunista fugiram à questão jurídica e, em vez disso, concentraram todos os seus argumentos na questão ideológica ou subjectivista para justificar a putativa bondade do projecto de lei da adopção de crianças por pares de invertidos.

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Segunda-feira, 3 Junho 2013

A ciência não obedece a critérios lógicos da mesma forma que aplicáveis à filosofia

Filed under: Ciência,filosofia — orlando braga @ 5:37 pm
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“Uma teoria para ser científica tem de ser falsificável, defende Popper. O que os cientistas fazem com as suas teorias é, pois, tentar falsificá-las, isto é, tentar mostrar que são falsas.
E se os cientistas tentarem seriamente mostrar que uma dada teoria é falsa e não o conseguirem, o que se conclui daí?

Conclui-se que a teoria é verdadeira. Certo?

Não, errado! Pode-se criticar Popper de várias coisas, mas não de cometer uma falácia tão óbvia como esta falácia do apelo à ignorância.”

- Uma falácia que Popper não cometeu

A falácia de “apelo à ignorância” (ou Argumentum Ad Ignorantiam) só se verifica se o objecto da proposição ou da teoria em questão não estiver sujeito a análise científica.

Em ciência, uma teoria é verdadeira 1/ se for falsificável , 2/ sujeita a verificação e a demonstração , e 3/ até que haja uma demonstração em contrário. Por exemplo, a seguinte proposição:

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Sábado, 27 Abril 2013

Maimónidas e a evolução darwinista mediante mutações aleatórias

Filed under: Darwinismo,filosofia — orlando braga @ 11:42 am
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Maimónidas, que nasceu no século XII em Córdova (Espanha) e viveu e morreu no Egipto no início do século XIII, defendeu a ideia segundo a qual é impossível raciocinar sobre as condições em que se encontrava uma determinada coisa quando começava surgir, quando essa coisa está agora acabada.

Ou seja, segundo Maimónidas, não podemos recuar do estado em acto de uma coisa para o seu estado potencial; e por isso, todos os argumentos que se servem desta forma de agir são viciosos e não têm qualquer força demonstrativa (conforme Nicola Abbagnano, História da Filosofia, Volume III, §250, Editorial Presença, Lisboa, edição de 1969, página 234).

A inteligência do Homem moderno caiu tão baixo que até um homem do século XII, utilizando a lógica, o consegue rebater.

Domingo, 21 Abril 2013

A normalidade anómala, e a anormalidade da norma: e ainda dizem mal de Salazar?

Anorma é o critério ou princípio que rege a conduta ou o comportamento, ou ao qual nos referimos para fazer um juízo de valor; e é “normativo” qualquer juízo ou discurso que enuncie tais princípios. A norma define e estabelece o normal.

A tendência da decadência europeia é a de estabelecer uma “normalidade sem normas” que é paulatinamente protegida pelo direito processual e formal positivo (nomeadamente controlado pela maçonaria jacobina europeia). Ou seja, o próprio desvio em relação a qualquer bitola normativa passou a ser tendencialmente a norma sancionada positivamente pelo Direito.

Hoje, cada vez mais e progressivamente, é considerada “normal” aquela pessoa que se desvia de qualquer norma, e esta noção de normalidade é promovida pelo próprio Direito Positivo. Naturalmente que ainda há resquícios históricos de “anormalidade da norma” — como por exemplo, ainda existe uma maioria do povo, relapsa e contumaz, que se atém ao conceito vetusto e reaccionário de “norma normal” — que as elites, e o Direito Positivo por elas controlado, pretendem converter para a “normalidade anómala”.

A tendência da cultura antropológica europeia actual é cada vez mais a definir a regra como “ausência de regra”; e por isso é que os juízos de valor são, cada vez mais, proibidos ou considerados politicamente incorrectos. O discurso normativo passa a ser aquele que denuncie qualquer juízo de valor, ou seja, que negue a própria norma.

Ser normal é afirmar que não se é normal.

A norma deixa progressivamente de ser considerada racional na cultura antropológica: ser normal é ser anormal — o que sendo uma contradição em termos, exige que a contradição e a respectiva dissonância cognitiva sejam resolvidas mediante a anulação da própria lógica. A lógica passa a ser um obstáculo incómodo a ser ultrapassado por intermédio da sua dissolução; o princípio da não-contradição esfuma-se; o princípio da identidade esvai-se; o princípio do terceiro excluído é hoje uma vetustade vesânica.

Neste cenário da cultura antropológica europeia, a norma tende a ser, progressivamente e em nome do “progresso” e dos “direitos humanos”, absolutamente arbitrária e ao sabor da discricionariedade das elites. Já não é a cultura antropológica que impõe a norma: essa função discricionária de normalização arbitrária e irracional da “norma anormal” passou para o Estado abstracto e para o formalismo processual do Direito Positivo controlado pelas elites.

Voltamos à barbárie; e ainda dizem mal de Salazar?!

Domingo, 13 Janeiro 2013

O ser humano é o único animal que pode ser irracional porque quer

Filed under: aborto,ética,cultura,educação,filosofia,Ut Edita — orlando braga @ 4:12 pm
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Este verbete aponta para outro, aqui [ ver ficheiro PDF do verbete ]. Pelo que eu entendi, o verbete aborda uma passagem de um livro sobre ética (ou filosofia moral, como quiserem) destinado a adolescentes e alunos de filosofia. Eu não li o livro, e o meu juízo baseia-se apenas no extracto publicado no verbete. Já vamos ao trecho publicado.
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Quinta-feira, 20 Dezembro 2012

A diferença entre ataque ad Hominem, e depreciação de um indivíduo em função das suas ideias

O ataque ad Hominem, ou a falácia lógica ad Hominem, ou ainda o argumento ad Hominem, é definido aqui. Se o leitor tem dúvidas acerca do que é o ad Hominem, vá lá ler o textículo e volte aqui para continuar a ler estoutro.
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