perspectivas

Quarta-feira, 30 Maio 2012

O cientismo não aceita o “princípio da incerteza” de Heisenberg

O “princípio da incerteza” de Heisenberg — diz-nos, a traço grosso, que existem sempre dois modos complementares de “construir” a realidade. Se observarmos a realidade de um desses modos, o outro torna-se indefinido — ou seja, por exemplo, é impossível fazer a observação de uma Partícula Elementar Longeva [ou partícula subatómica], e simultaneamente definir a sua posição; ou se faz a sua observação (tempo), ou se define a sua posição (espaço), isto é, numa observação, por exemplo, de um electrão, ou se define o tempo ou o espaço que ele ocupa, e não as duas coisas simultaneamente.

Todas as actividades do ser humano, incluindo as ciências, estão sujeitas a esta lei. Porém, a filosofia já tinha chegado, há milénios, à mesma conclusão de Heisenberg [por exemplo, com Xenófanes], mediante o conceito da limitação do conhecimento imposta pela relação sujeito-objecto a que está submetido o ser humano [Karl Jaspers aperfeiçoou e desenvolveu este conceito].

A Incerteza, de Heisenberg


Nas ciências, em todas elas, ou valorizamos a generalização precisa [a abstracção que corresponde às leis gerais, por exemplo, na física], ou valorizamos o particularismo dos fenómenos [a acuidade nominalista e particularista, por exemplo, na paleontologia]. E aqui voltamos ao problema da querela entre o nominalismo e os universais, e à constatação de facto de que o franciscano Guilherme de Ockham, ao excluir a importância dos universais para o conhecimento da natureza, foi um dos precursores do cientismo.

Se partirmos do pressuposto segundo o qual o princípio de Heisenberg é verdadeiro, então não existem, intrinsecamente, áreas do conhecimento que sejam superiores, em valia, a outras [são complementares]. Não podemos dizer, por exemplo, que a biologia é superior à filosofia, porque ambas estão sujeitas às limitações impostas pela realidade macroscópica da relação sujeito-objecto, e à dualidade modal de construção da realidade.

Quinta-feira, 23 Dezembro 2010

A teoria das propensões, de Karl Popper (1)

Para qualquer pessoa minimamente actualizada e que se preocupe com a realidade, não é possível ignorar pelo menos três tipos de situações, digamos assim, a ver :

  • as conclusões da física quântica;
  • a teoria das propensões, de Karl Popper;
  • o estatuto e o papel da consciência em conexão com os dois itens anteriores.

No que respeita à física quântica, é possível a qualquer pessoa interessada ter uma noção básica acerca das suas conclusões, e sem entrar na linguagem formal da matemática. A ideia de que a quântica é só entendível pelos físicos não corresponde totalmente à verdade.

A “teoria das propensões” de Karl Popper baseia-se nas conclusões da física quântica, e difere dos positivistas, construtivistas e outros críticos — tradicionalmente defensores de um determinismo da natureza — quando demonstra não só que esse determinismo cientificista não existe, como demonstra que as possibilidades de ocorrência de acontecimentos futuros não são um mero produto subjectivo decorrente de eventuais lacunas do conhecimento humano, mas antes são um fenómeno objectivo e concreto.

O terceiro item — o estatuto e o papel da consciência — não é aflorado por Karl Popper neste contexto, mas foi reconhecido como sendo importante por muitos físicos quânticos, entre eles alguns laureados com o Nobel da física. O que se defende é que a consciência interage a nível quântico e contribui decisivamente para moldar as “possibilidades pesadas” (utilizando a terminologia de Karl Popper) que são aquelas cuja propensão para a actualização ou realização se torna mais forte.
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Terça-feira, 12 Agosto 2008

Thomas Huxley estava errado (7)

A “luta” entre a relatividade de Einstein e o Princípio da Incerteza de Heisenberg

Se dividirmos um segundo do nosso tempo, a meio, conservando apenas uma das metades e rejeitando a outra, e fizermos esta mesma operação ― isto é, dividirmos o “meio-segundo” que conservámos, a meio ― 150 vezes, chegaremos ao intervalo de tempo mais curto que os físicos consideram até hoje, e a que a Física quântica chamou de “cronão”. De igual modo, e com um centímetro, repetindo 110 vezes a sua divisão a meio, chegaremos à porção mais curta do espaço como tal considerada pelos físicos.

Os físicos quânticos (John Wheeler, et al) deduziram que, nesta escala infinitesimal, a Física quântica se mistura com a relatividade de Einstein, o que inclui a gravidade e a produção de “buracos negros” quânticos . Nesta escala de grandeza, os buracos negros são rasgões minúsculos no espaço-tempo que constituem um “borbulhar” contínuo ocorrendo espontaneamente; de facto, assistimos aqui a um “duelo” entre o Princípio da Incerteza de Heisenberg ― que tenta impedir a superdefinição da matéria, isto é, impedir a matéria se localizar com demasiada precisão no espaço-tempo ― e os super-enormes campos gravitacionais (em termos relativos e à escala) que ocorrem em tão reduzidas distâncias. Deste conceito, John Wheeler e os seus colaboradores extrapolaram (dedução) a ideia de “espuma quântica”, que é o resultado desse “duelo” entre o Princípio da Incerteza de Heisenberg e a relatividade de Einstein, sendo que a espuma quântica é, provavelmente, o universo inteiro. (ver)

O espaço e o tempo são apenas medidas de grandeza, unidades diferentes de conversão do espaço-tempo. O espaço e o tempo encontram-se ligados e são intermutavéis, e por isso, o carácter não-absoluto do tempo e do espaço foi substituído por uma ideia de carácter absoluto do espaço-tempo.

Quando se diz que o Princípio da Incerteza de Heisenberg não se aplica no macrocosmos (ver), esta posição é defendida porque a conexão entre o espaço e o tempo só se torna aparente (empirismo; verificação empírica) quando consideramos distâncias enormes, intervalos de tempo muito curtos, ou a objectos viajando a velocidades muito perto da velocidade da luz, porque é nestas escalas que se faz sentir (à nossa escala) a presença da gravidade ― o que não significa que em outras situações e noutras escalas, não sendo aparente e empiricamente constatável, o mesmo tipo de fenómenos não ocorra. “Se uma árvore se quebra na floresta, e não houver nenhum ser humano na floresta para ouvir o ruído da queda da árvore, será que o ruído existe de facto?”. Claro que sim; o facto de o ser humano não se aperceber de um determinado fenómeno, não significa que esse fenómeno não exista, só por esse facto.

A seguir: “Qual é o tamanho do universo”?

(1) Por isso é que a ideia da ciência determinista e determinada por “leis naturais” restritas e estáticas, e alegadamente “somente aplicáveis ao macrocosmos”, segundo a qual o Princípio da Incerteza de Heisenberg é exclusivamente aplicado ao microcosmos ― e nunca aplicável no macrocosmos conforme defendido aqui –, está desfasada, porque a análise empírica do macrocosmos constitui uma visão parcial do universo, e portanto desfasada do seu conjunto e da sua verdadeira realidade. Por muito que custe à nomenclatura científico-técnica clássica, vão ter que se habituar a novas ideias sobre o universo. Mais adiante falaremos mais concisamente sobre a aplicabilidade do “princípio da incerteza”, e do seu “duelo” com a relatividade de Einstein, em todo o universo.

Quinta-feira, 10 Julho 2008

Thomas Huxley estava errado (1)

“Não devia depender da nossa escolha quais as quantidades que são observáveis, mas essas quantidades deveriam ser dadas, deveriam ser-nos indicadas pela teoria.”

― Albert Einstein

O Novo Ateísmo naturalista, que nos afiança que nada mais existe do que a matéria atómica e que o nosso pensamento é fruto dos átomos que constituem as propriedades neuro-fisiológicas (a estrutura dos neurónios e o “Epifenomenalismo” de Thomas Huxley e Darwin) é a maior fraude consentida pela ciência, e que se reforçou a partir do momento em que o darwinismo (segundo Dawkins) foi admitido ― com todos os seus elos perdidos e metodologias falhadas ― como fazendo parte do sentido da formação primordial do Universo. Qualquer físico quântico e/ou um matemático contemporâneo sabem que Richard Dawkins é um charlatão que tem vendido muitos livros, ao mesmo tempo que atestam que as religiões em geral são sínteses de formas primitivas de antever o que se perscruta como sendo a realidade científica, filosófica e religiosa.
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Segunda-feira, 26 Maio 2008

Para alguns “cientistas”, existem crenças mais absurdas que outras

Filed under: Religare — orlando braga @ 7:28 pm
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Esta é a conhecida fórmula de Heisenberg, escrita em 1925, em que Dx é a incerteza da posição de um electrão em determinado momento, e em que Dp é a incerteza do próprio momento. A constante h é a “constante de Max Planck”, e ћ é a “constante reduzida” de Planck. Naturalmente que Pi = 3, 141618…

Esta fórmula escandalizou a comunidade científica da altura, porque simplesmente defendia a ideia de que a “causalidade não era possível de uma forma consistente”, isto é, a causalidade rigorosa não existe. Como resultado prático da fórmula de Heisenberg, é teoricamente impossível fazer a observação de um electrão e simultaneamente definir a sua posição e a sua velocidade; ou se faz a observação da sua velocidade (tempo), ou se define a sua posição (espaço) ― isto é, numa observação de um electrão, ou se define o tempo, ou o espaço que ele ocupa, e não as duas coisas simultaneamente (princípio da incertitude, ou da incerteza).
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