perspectivas

Terça-feira, 19 Novembro 2013

A “ideologia de género”, os socialistas, e a educação das crianças

 

“O papel desempenhado pela educação em todas as utopias políticas, desde a Antiguidade até aos nossos dias, mostra bem como pode parecer natural querer começar um mundo novo com aqueles que são novos por nascimento e por natureza. No que diz respeito à política há aqui, obviamente, uma grave incompreensão: em vez de um indivíduo se juntar aos seus semelhantes assumindo o esforço de os persuadir e correndo riscos de falhar, opta por uma intervenção ditatorial, baseada na superioridade do adulto, procurando produzir o novo como um “fait accompli”, quer dizer, como se o novo já existisse.

É por esta razão que, na Europa, a crença de que é necessário começar pelas crianças se se pretendem produzir novas condições, tem sido monopólio principalmente dos movimentos revolucionários com tendências tirânicas, movimentos esses que, quando chegam ao Poder, retiram os filhos aos pais e, muito simplesmente, tratam de os doutrinar.

Ora, a educação não pode desempenhar nenhum papel na política porque na política se lida sempre com pessoas já educadas. Aqueles que se propõem educar adultos, o que realmente pretendem é agir como seus guardiões e afastá-los da actividade política. Como não é possível educar adultos, a palavra “educação” tem uma ressonância perversa em política — há uma pretensão de educação quando, afinal, o propósito real é a coerção sem uso da força.

Quem quiser seriamente criar uma nova ordem política através da educação, quer dizer, sem usar nem a força ou o constrangimento nem a persuasão, tem de aderir à terrível conclusão platónica: banir todos os velhos do novo Estado a fundar. Mesmo no caso em que se pretendem educar crianças para virem a ser cidadãos de um amanhã utópico, o que efectivamente se passa é que se lhes está a negar o seu papel futuro no corpo político, pois que, do ponto de vista dos novos, por mais novidades que o mundo adulto lhes possa propôr, elas serão sempre mais velhas do que eles próprios. Faz parte da natureza da condição humana que cada nova geração cresça no interior de um mundo velho, de tal forma que, preparar uma nova geração para um mundo novo, só pode significar que se deseja recusar àqueles que chegam de novo a sua própria possibilidade de inovar.”

Hannah Arendt, Entre o Passado e o Futuro, 2006, páginas 186 e 187

(…)

“Porque a criança tem necessidade de ser protegida contra o mundo, o seu lugar tradicional é no seio da família.” (ibidem, pág. 196)

(…)

“A própria responsabilidade alargada pelo mundo que a educação assume, implica, como é óbvio, uma atitude conservadora.” (ibidem, pág. 202)

Domingo, 10 Novembro 2013

De Kierkegaard a José Régio

 

Já Hannah Arendt afirmou que a filosofia de Kierkegaard foi o início da crise moderna do Cristianismo. E tinha razão. Por muito que não gostemos (e eu não gosto dessa ideia), Hannah Arendt tinha razão.

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Sexta-feira, 25 Outubro 2013

A contradição de Hannah Arendt

Filed under: Política — O. Braga @ 9:56 am
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Há pessoas que passam uma vida inteira (supostamente) a estudar um qualquer fragmento da Realidade para depois retirarem, desse trabalho de uma vida, as conclusões mais absurdas. Quando digo “absurdas”, quero dizer “objectivamente” absurdas: não se trata aqui da minha opinião subjectiva, mas de factos demonstráveis. É o caso de Hannah Arendt.

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Domingo, 8 Setembro 2013

A escola pública versus escola privada

Esta imagem (em baixo) tem circulado pelo FaceBook.

escola-publica-500-web.jpg

O problema é que a escola pública transformou-se em um laboratório de engenharias sociais radicais. Os meus filhos frequentaram sempre a escola pública, mas se fosse hoje, eu pensaria duas vezes antes de os enviar para lá. Os professores da escola pública também são responsáveis, porque têm ficado calados – e a maioria deles até concorda! – em relação a essas engenharias sociais.

Como escreveu Hannah Arendt (“A Crise da Cultura“) – e eu estou, neste particular, absoluta e totalmente de acordo com ela! – a escola é pré-política, e a educação deve ser conservadora, autoritária e protectora. Ao contrário do que defendeu Hannah Arendt, a escola pública portuguesa é hoje não-directiva, liberal e mesmo permissiva.

Se continuarmos com a Esquerda radical a controlar a escola pública, ainda vamos ver programas de educação sexual que ensinam às crianças que a pedofilia é normal. E se juntarmos, à Esquerda radical, a Esquerda maçónica (o Partido Socialista), temos aqui um caldo de cultura política que assusta qualquer mente bem informada e enformada.

Neste contexto cultural, não posso apoiar a escola pública. Mas o contexto pode mudar, caso a educação na escola pública seja conservadora, autoritária e protectora – como defendeu Hannah Arendt, que, aliás, de “conservadora” não tinha nada: ela limitou-se a reconhecer (honestamente) um facto.

Sábado, 25 Agosto 2012

Hannah Arendt e o seu conceito de ‘banalidade do mal’

Filed under: ética,cultura,Política,politicamente correcto,Ut Edita — O. Braga @ 10:22 pm
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Dizer que uma pessoa que não sente remorso nem culpa, é uma “pessoa normal”, é uma estupidez, e só se justifica mediante o relativismo ético que caracterizou Hannah Arendt.

Há que distinguir “banalidade do mal”, por um lado, de “banalização do mal”, por outro lado. E também haveria que laborar no conceito de “mal”, mas infelizmente não cabe aqui e agora fazê-lo, por falta de espaço.

O mal sempre foi mais ou menos banal, consoante as épocas, e sempre assim será: a tentativa de erradicar o mal da condição humana não é só utópica: é também, em si mesma, uma manifestação da banalização do mal, e já não só a mera expressão da banalidade do mal. O primeiro utopista de que há história foi Platão, que defendeu, na sua “República”, a criação de campos de concentração, assim como defendeu a queima dos livros de Homero. No entanto, Platão foi também o criador da alegoria da caverna e o defensor do conceito de Ideia. O problema da utopia é que aplica a absolutização do conceito de Ideia platónica a um mundo material (no sentido macroscópico do universo); ou seja, não separa ou não distingue os dois conceitos.
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Terça-feira, 27 Setembro 2011

O Homo Totalitarius não está extinto

Filed under: A vida custa,diarreias — O. Braga @ 4:30 pm
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O que me irrita em Hannah Arendt são as suas (dela) incoerências. Sabemos que é impossível não sermos, aqui e ali, incoerentes: mas Hannah Arendt (como mulher, entendida aqui segundo um juízo universal) tem a presunção de transformar a incoerência em uma espécie de lógica: a contradição sistémica é — por obra de uma plenipotenciária graciosidade feminina — transformada em uma “lógica de uma ideia”.
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Quarta-feira, 7 Julho 2010

O Neopuritanismo ou o Purificacionismo (2)

Hannah Arendt definiu como característica fundamental da mente revolucionária, gnóstica e totalitária, a capacidade do gnóstico moderno em definir a realidade como se estivesse na posse da verdade límpida e absoluta, em que os contornos da realidade são imbuídos de uma clareza inquestionável que desafia a própria ciência e até a substitui através do cientismo. O gnóstico e revolucionário não tem dúvidas absolutamente nenhumas acerca da sua visão da realidade, nunca se questiona nem admite que se coloquem questões sobre a sua mundividência. O gnóstico é o próprio Deus na Terra.

O Quénia, é um país com problemas graves de alimentação, de habitação, saúde pública e educação; um país com uma frágil democracia onde ainda há pouco tempo aconteceram fenómenos de violência étnica; um país em que existem problemas de desemprego endémico e muito fracas condições de trabalho. Muito recentemente (a 4 de Julho de 2010), Hillary Clinton referiu num discurso que a máxima prioridade da política externa americana para África é a implementação dos “direitos” dos gays e do “casamento” gay, e o Vice-presidente americano Joe Biden foi recentemente expressamente enviado por Obama ao Quénia no sentido de pressionar o governo queniano a ceder à prioridade máxima do governo americano em relação a África.

A expressão desta prioridade máxima obamista é cultural, na linha da “abolição da cultura” e dos valores definidos por Georg Lukacs quando fundou a Escola de Frankfurt. Porém, os gnósticos modernos vão mais longe: pretendem agora estender a acção das engenharias sociais, que pretendem alterar a natureza da estrutura fundamental da realidade, a países e povos que não têm uma cultura cristã e ocidental genuína e de raiz, como é o caso dos países africanos.
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Quinta-feira, 1 Abril 2010

A corrupção da democracia

Hannah Arendt distingue o sistema totalitário (nazismo, comunismo) do sistema autoritarista (Salazarismo, Pinochet, ditadura militar no Brasil, etc.). O sistema totalitário é por ela comparado a uma cebola com as suas diversas camadas a partir do centro onde funciona o comando do sistema.
O sistema autoritarista é por ela comparado a uma pirâmide social em cujo vértice se encontra o escol ou o ditador, cuja legitimidade de poder é outorgado por uma realidade que transcende a própria sociedade.

Julius Evola vê a coisa de outra maneira. Ele distingue entre o sistema totalitário e o sistema orgânico. O sistema totalitário de Evola é o sistema autoritarista de Arendt ― com sua pirâmide social que, segundo Evola, coarcta qualquer grau de liberdade e limita a autonomia dos seus membros ―, e o sistema totalitário Arendt é, sem tirar nem pôr, o sistema orgânico de Evola.
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Quinta-feira, 11 Março 2010

Conservadorismo e a política (1)

O conservadorismo parte da moral para a política, enquanto que os movimentos políticos saídos do Iluminismo (as religiões políticas) partem da política para a moral. Esta inversão dos princípios é a principal causa da degradação da vida social e política da modernidade, porque ela é em si mesma alógica na medida em que inverte os factores da ordem natural das coisas (põe o carro à frente dos bois). O conservador pode até aceitar que se discuta a ética que determina a moral e, consequentemente, a política; o que ele não pode aceitar é que a acção política determine a moral, na medida em que desta fazem parte os valores que são anteriores à acção.

“Uma civilização começa pelo mito, e acaba na dúvida” ― E. M. Cioran

A tentativa libertária gnóstica de inverter a ordem natural das coisas, e de fazer dos axiomas meras consequências (efeitos) de princípios que não o são de facto sob o ponto de vista da lógica, decorre da racionalização iluminista que tenta separar os símbolos da experiência humana concreta.

“Logo que as civilizações se põem a reflectir sobre si próprias, estoiram…” ― Jean-Edern Hallier

Por exemplo, através da simples racionalização (ou “masturbação mental”), a teórica política libertária Hannah Arendt tentou convencer-se a si própria de que a liberdade tem uma causa exógena ao ser humano ― aquilo a que ela chamou de “princípios inspiradores”: a honra, a glória, o amor da igualdade, a distinção, a excelência, etc. Segundo este conceito de Arendt, a liberdade não depende da vontade (como definido por Duns Escoto) mas desse “princípio inspirador” que é exterior ao ser humano. Este é um exemplo de masturbação mental iluminista; Arendt confunde “vontade” com “desejo” e com “querer”, metendo tudo no mesmo saco em nome do desejo herético irreprimível e ansioso de contrariar a ortodoxia filosófica conservadora que se baseou em evidências recolhidas desde a Grécia Antiga. O homem moderno tem um desejo incontrolável de afirmar que o ser não é, de se negar a si mesmo ― o que revela uma doença mortal do ponto de vista da civilização.

Parte II : http://wp.me/p2jQx-49F

Quarta-feira, 3 Março 2010

Ler a Hannah Arendt mexe com os meus nervos

Hannah Arendt e John Keynes eram ambos de esquerda, embora a primeira libertária nos costumes e na cultura, e o segundo intervencionista na economia. (more…)

Sexta-feira, 9 Outubro 2009

O problema da liberdade e da autoridade (5)

Filed under: filosofia,Política — O. Braga @ 5:38 pm
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« A acção, na medida em que é livre, não sofre a orientação do intelecto nem o ditame da vontade.»
— Hannah Arendt (Between Past and Future ― 1961)

O que Arendt diz aqui é que o acto, sendo livre, é independente do intelecto e da vontade de quem o pratica. Por outras palavras: se alguém pega numa pistola e dá um tiro nos miolos num vizinho, esse acto, sendo livre, não sofre a orientação do intelecto nem se sujeita à vontade de quem o praticou. O resultado prático da conclusão de Hannah Arendt é o de que a liberdade é inimputável.
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Quinta-feira, 8 Outubro 2009

O problema da liberdade e da autoridade (4)

Filed under: filosofia,Política — O. Braga @ 12:09 pm
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Uma das características de alguma teoria política modernista (por exemplo, Hannah Arendt) ― recuso a designação de “filosofia política” pela razão explicada, assim como a designação de “ciências políticas” porque de acordo com o princípio de falsificabilidade de Karl Popper, as chamadas “ciências políticas e sociais” não podem ser consideradas como ciências positivistas e o mesmo acontece, por exemplo, com a psicanálise (Freud) e/ou com o marxismo ― é considerar que a liberdade depende [é efeito] da acção.
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