perspectivas

Sábado, 25 Agosto 2012

Hannah Arendt e o seu conceito de ‘banalidade do mal’

Filed under: ética,cultura,Política,politicamente correcto,Ut Edita — O. Braga @ 10:22 pm
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Dizer que uma pessoa que não sente remorso nem culpa, é uma “pessoa normal”, é uma estupidez, e só se justifica mediante o relativismo ético que caracterizou Hannah Arendt.

Há que distinguir “banalidade do mal”, por um lado, de “banalização do mal”, por outro lado. E também haveria que laborar no conceito de “mal”, mas infelizmente não cabe aqui e agora fazê-lo, por falta de espaço.

O mal sempre foi mais ou menos banal, consoante as épocas, e sempre assim será: a tentativa de erradicar o mal da condição humana não é só utópica: é também, em si mesma, uma manifestação da banalização do mal, e já não só a mera expressão da banalidade do mal. O primeiro utopista de que há história foi Platão, que defendeu, na sua “República”, a criação de campos de concentração, assim como defendeu a queima dos livros de Homero. No entanto, Platão foi também o criador da alegoria da caverna e o defensor do conceito de Ideia. O problema da utopia é que aplica a absolutização do conceito de Ideia platónica a um mundo material (no sentido macroscópico do universo); ou seja, não separa ou não distingue os dois conceitos.
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Terça-feira, 27 Setembro 2011

O Homo Totalitarius não está extinto

Filed under: A vida custa,diarreias — O. Braga @ 4:30 pm
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O que me irrita em Hannah Arendt são as suas (dela) incoerências. Sabemos que é impossível não sermos, aqui e ali, incoerentes: mas Hannah Arendt (como mulher, entendida aqui segundo um juízo universal) tem a presunção de transformar a incoerência em uma espécie de lógica: a contradição sistémica é — por obra de uma plenipotenciária graciosidade feminina — transformada em uma “lógica de uma ideia”.
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Quarta-feira, 7 Julho 2010

O Neopuritanismo ou o Purificacionismo (2)

Hannah Arendt definiu como característica fundamental da mente revolucionária, gnóstica e totalitária, a capacidade do gnóstico moderno em definir a realidade como se estivesse na posse da verdade límpida e absoluta, em que os contornos da realidade são imbuídos de uma clareza inquestionável que desafia a própria ciência e até a substitui através do cientismo. O gnóstico e revolucionário não tem dúvidas absolutamente nenhumas acerca da sua visão da realidade, nunca se questiona nem admite que se coloquem questões sobre a sua mundividência. O gnóstico é o próprio Deus na Terra.

O Quénia, é um país com problemas graves de alimentação, de habitação, saúde pública e educação; um país com uma frágil democracia onde ainda há pouco tempo aconteceram fenómenos de violência étnica; um país em que existem problemas de desemprego endémico e muito fracas condições de trabalho. Muito recentemente (a 4 de Julho de 2010), Hillary Clinton referiu num discurso que a máxima prioridade da política externa americana para África é a implementação dos “direitos” dos gays e do “casamento” gay, e o Vice-presidente americano Joe Biden foi recentemente expressamente enviado por Obama ao Quénia no sentido de pressionar o governo queniano a ceder à prioridade máxima do governo americano em relação a África.

A expressão desta prioridade máxima obamista é cultural, na linha da “abolição da cultura” e dos valores definidos por Georg Lukacs quando fundou a Escola de Frankfurt. Porém, os gnósticos modernos vão mais longe: pretendem agora estender a acção das engenharias sociais, que pretendem alterar a natureza da estrutura fundamental da realidade, a países e povos que não têm uma cultura cristã e ocidental genuína e de raiz, como é o caso dos países africanos.
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Quinta-feira, 1 Abril 2010

A corrupção da democracia

Hannah Arendt distingue o sistema totalitário (nazismo, comunismo) do sistema autoritarista (Salazarismo, Pinochet, ditadura militar no Brasil, etc.). O sistema totalitário é por ela comparado a uma cebola com as suas diversas camadas a partir do centro onde funciona o comando do sistema.
O sistema autoritarista é por ela comparado a uma pirâmide social em cujo vértice se encontra o escol ou o ditador, cuja legitimidade de poder é outorgado por uma realidade que transcende a própria sociedade.

Julius Evola vê a coisa de outra maneira. Ele distingue entre o sistema totalitário e o sistema orgânico. O sistema totalitário de Evola é o sistema autoritarista de Arendt ― com sua pirâmide social que, segundo Evola, coarcta qualquer grau de liberdade e limita a autonomia dos seus membros ―, e o sistema totalitário Arendt é, sem tirar nem pôr, o sistema orgânico de Evola.
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Quinta-feira, 11 Março 2010

Conservadorismo e a política (1)

O conservadorismo parte da moral para a política, enquanto que os movimentos políticos saídos do Iluminismo (as religiões políticas) partem da política para a moral. Esta inversão dos princípios é a principal causa da degradação da vida social e política da modernidade, porque ela é em si mesma alógica na medida em que inverte os factores da ordem natural das coisas (põe o carro à frente dos bois). O conservador pode até aceitar que se discuta a ética que determina a moral e, consequentemente, a política; o que ele não pode aceitar é que a acção política determine a moral, na medida em que desta fazem parte os valores que são anteriores à acção.

“Uma civilização começa pelo mito, e acaba na dúvida” ― E. M. Cioran

A tentativa libertária gnóstica de inverter a ordem natural das coisas, e de fazer dos axiomas meras consequências (efeitos) de princípios que não o são de facto sob o ponto de vista da lógica, decorre da racionalização iluminista que tenta separar os símbolos da experiência humana concreta.

“Logo que as civilizações se põem a reflectir sobre si próprias, estoiram…” ― Jean-Edern Hallier

Por exemplo, através da simples racionalização (ou “masturbação mental”), a teórica política libertária Hannah Arendt tentou convencer-se a si própria de que a liberdade tem uma causa exógena ao ser humano ― aquilo a que ela chamou de “princípios inspiradores”: a honra, a glória, o amor da igualdade, a distinção, a excelência, etc. Segundo este conceito de Arendt, a liberdade não depende da vontade (como definido por Duns Escoto) mas desse “princípio inspirador” que é exterior ao ser humano. Este é um exemplo de masturbação mental iluminista; Arendt confunde “vontade” com “desejo” e com “querer”, metendo tudo no mesmo saco em nome do desejo herético irreprimível e ansioso de contrariar a ortodoxia filosófica conservadora que se baseou em evidências recolhidas desde a Grécia Antiga. O homem moderno tem um desejo incontrolável de afirmar que o ser não é, de se negar a si mesmo ― o que revela uma doença mortal do ponto de vista da civilização.

Parte II : http://wp.me/p2jQx-49F

Quarta-feira, 3 Março 2010

Ler a Hannah Arendt mexe com os meus nervos

Hannah Arendt e John Keynes eram ambos de esquerda, embora a primeira libertária nos costumes e na cultura, e o segundo intervencionista na economia. (mais…)

Sexta-feira, 9 Outubro 2009

O problema da liberdade e da autoridade (5)

Filed under: filosofia,Política — O. Braga @ 5:38 pm
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« A acção, na medida em que é livre, não sofre a orientação do intelecto nem o ditame da vontade.»
— Hannah Arendt (Between Past and Future ― 1961)

O que Arendt diz aqui é que o acto, sendo livre, é independente do intelecto e da vontade de quem o pratica. Por outras palavras: se alguém pega numa pistola e dá um tiro nos miolos num vizinho, esse acto, sendo livre, não sofre a orientação do intelecto nem se sujeita à vontade de quem o praticou. O resultado prático da conclusão de Hannah Arendt é o de que a liberdade é inimputável.
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Quinta-feira, 8 Outubro 2009

O problema da liberdade e da autoridade (4)

Filed under: filosofia,Política — O. Braga @ 12:09 pm
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Uma das características de alguma teoria política modernista (por exemplo, Hannah Arendt) ― recuso a designação de “filosofia política” pela razão explicada, assim como a designação de “ciências políticas” porque de acordo com o princípio de falsificabilidade de Karl Popper, as chamadas “ciências políticas e sociais” não podem ser consideradas como ciências positivistas e o mesmo acontece, por exemplo, com a psicanálise (Freud) e/ou com o marxismo ― é considerar que a liberdade depende [é efeito] da acção.
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Segunda-feira, 15 Junho 2009

Hannah Arendt

Filed under: filosofia — O. Braga @ 12:19 pm
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Hannah Arendt teve a qualidade de constatar a necessidade óbvia da denúncia dos totalitarismos do século XX, ao mesmo tempo que tentava branquear a História ao tentar justificar [como sendo uma evolução positiva] a epistemologia filosófica a partir da Idade Moderna. Existe, portanto, uma contradição interna no próprio pensamento de Hannah Arendt, que na minha opinião não é só dela: é comum a todas as mulheres que abordaram a filosofia de forma mais profunda. Por alguma razão não existem “mulheres filósofas”; para quem considerava Hannah Arendt uma delas, ela própria encarregou-se de o desmentir ao negar esse estatuto e atribuir a si própria o epíteto de “filósofa política”, como se a realidade pudesse ser compartimentada de forma a que a política ― como qualquer outra coisa ou fenómeno humano ― se pudesse destacar da filosofia. Outro exemplo de uma “filósofa política” foi Simone Beauvoir, que para além do feminismo, se cingiu à clonagem do existencialismo de Sartre. Aliás, nunca entendi muito bem o conceito de “filosofia política”, como se fossem possíveis conceitos quejandos como o de “filosofia médica”, ou “filosofia carpinteira”, ou “filosofia religiosa”; política é política, religião é religião, ciência é ciência e a filosofia abarca tudo. A compartimentação da filosofia consiste na sua própria negação, e nesse sentido, Hannah Arendt seguiu à risca o enviesamento positivista do pensamento moderno.
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Quarta-feira, 10 Dezembro 2008

A intenção totalitária de José Sócrates

Filed under: educação — O. Braga @ 10:55 am
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Se existe um filósofo ― neste caso, filósofa ― contemporâneo que eu respeite e aprecie, é Hannah Arendt. No seu texto “As Origens do Totalitarismo”, Hannah diz que o totalitarismo “é uma forma de governo moderno por excelência”, sendo a negação do “político”.

Segundo Hannah, o totalitarismo baseia-se, em primeiro lugar, na destruição do tecido social e na atomização da comunidade reduzida a um estado de massa inerte e indiferenciada. Os meios de coesão próprios do totalitarismo são a ideologia e o terror, que culminam — in extremis — com os campos de concentração e/ou Gulag.

Segundo os agentes totalitários ― escreve Hannah ―, “tudo é permitido, tudo é possível”, sendo que este critério ético é a chave da intenção totalitária.

Depois de duas gigantescas manifestações de professores num espaço de seis meses, depois de uma greve com adesão de cerca de 95% dos docentes, José Sócrates afirma que a maioria absoluta do PS lhe serve para defender a ideia de que tudo lhe é permitido, de que tudo lhe possível. A intenção totalitária é a mesma em Sócrates como em outros celerados da História; o que separa Sócrates de um ditador plenipotenciário é a forma do sistema político vigente que o inibe de ir mais longe; contudo, o ditador existe, é uma realidade incontestável.

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