perspectivas

Domingo, 8 Dezembro 2013

Sobre um texto de D. Redovino Rizzardo, um Bispo do Brasil

 

Vindo de um Bispo, este texto é inclassificável. Só para dar um exemplo, a associação ideológica entre o conceito de “autoridade”, por um lado, e o de “dominação”, por outro lado, tem origem na Escola de Frankfurt e no marxismo cultural (Adorno e Marcuse). O leitor, (etiam feminis), poderá ler o texto também na minha análise em PDF.

O Papa WebDesde logo, o texto do Bispo brasileiro revela o profundo mal-estar sentido no seio da Igreja Católica, e que este papa desencadeou de forma consciente (o que é mais grave!). E para tentar dissolver esse mal-estar, o Bispo recorre à tolerância repressiva de Marcuse, instituindo um mecanismo maniqueísta de selecção daquilo e daqueles que são politicamente correctos: para ele, hoje há os “bons católicos” — os tais que alegadamente “colocam o bem da Igreja e da humanidade acima de seus interesses e traumas” — que seguem cega e acriticamente as ideias do cardeal Bergoglio e dos seus mentores ideológicos; e os “maus católicos”, os que pensam logicamente pela sua própria cabeça e não procedem dessa forma. Para a liderança actual da Igreja Católica, pensar pela própria cabeça é uma forma de “alienação” e uma tentativa de “mistificação” da realidade (utilizo a linguagem marxista propositadamente).

E são estes, os que não aceitam que os católicos pensem pela sua própria cabeça, que colocam em causa o conceito tradicional de “autoridade”; ou seja, pretendem impôr um conceito de “autoridade” que recusa a autoridade: “Quem manda e quem obedece estão no mesmo nível”, dizem (SIC, ver no texto). Ou seja, o Bispo utiliza o princípio da autoridade para impôr uma ausência de autoridade. Por aqui vemos o absurdo e/ou a indigência intelectual do clero católico que alcandorou o cardeal Bergoglio a papa.

Esta Igreja Católica, a do cardeal Bergoglio, é uma Igreja mentirosa porque se recusa aceitar a realidade da condição humana tal qual ela é; é uma Igreja gnóstica, porque se recusa a aceitar a condição humana, e em nome da “caridade”; ou melhor dizendo: para esta Igreja Católica, a caridade não é uma consequência da condição humana, mas antes é a condição humana que decorre da caridade. Esta inversão dos termos relacionais entre “condição humana”, por um lado, e a “caridade”, por outro lado, é revolucionária e gnóstica.

A autoridade nunca pode ser ausência de autoridade; quem diz que “Quem manda e quem obedece estão no mesmo nível”, não se refere apenas ao “nível” ontológico (a condição humana): antes, pretende fazer a quadratura do círculo através de uma utopia política que invade hoje a Igreja Católica. Mas trata-se de uma utopia mentirosa e perigosa, porque nos dizem, com toda a autoridade, que não há autoridade: alguém, com uma autoridade de direito, pretende retirar-nos qualquer autoridade de facto.

Porém, o mais grave no novo clero é a mistura da palavra de Jesus Cristo com o marxismo cultural. Isto não tem perdão possível; hão-de arder no inferno da auto-clausura espiritual — porque o inferno é essencialmente um estado de espírito.

A mensagem de Jesus Cristo, e nomeadamente no caso da do Bom Samaritano, não tem tempo (é intemporal). Mas o novo clero diz que ela só vale agora, com o cardeal Bergoglio exercendo a autoridade que nega a autoridade. A mensagem do Bom Samaritano é, por eles, circunscrita no tempo e limitada pela ideologia política. Isto não tem perdão, senão o perdão de Deus.

Quando Jesus Cristo se referiu ao “vinho novo”, referia-se à Nova Aliança que veio substituir a Antiga Aliança judaica que este papa diz que não foi revogada!. Por aqui vemos como se contradiz este novo clero conciliar, ignaro e/ou mentiroso. Eles pegam nas palavras de Jesus Cristo e deturpam-nas — e deles, por isso, podemos e devemos esperar tudo. Ainda vamos ver esta gente defender a ideia segundo a qual Jesus Cristo era homossexual, ou coisas do género. Esperem para ver.

Terça-feira, 18 Junho 2013

O dualismo céptico e radical de Kant

Se perguntarem a um céptico radical que se encontre em Lisboa, se às 11 da manhã de hoje haverá transeuntes na Avenida da Liberdade no Porto, a provável resposta será esta: “Não sei. Pode haver transeuntes ou não. A única forma de ter a certeza é ir ao local, àquela hora, verificar se há ou não”.

Um realista (de Realismo como corrente filosófica) em Lisboa dirá o seguinte: “Ao longo de séculos sempre houve transeuntes na Avenida da Liberdade do Porto às 11 horas da manhã. Por isso, baseando-nos na nossa experiência multissecular, podemos dizer que não só é provável mas até verdadeiro que existam transeuntes a essa hora e nessa avenida”.

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Domingo, 31 Julho 2011

Não é possível uma ética universal sem Deus (3)

O Milenarismo

Falar do quiliasmo e do milenarismo em um postal é loucura (quiliasmo e milenarismo não são sinónimos, embora estejam interligados). Não obstante — e tendo eu seguido o conselho do Papa Bento XVI e ter adoptado a Bíblia para leitura neste Verão —, deparei-me com alguns textos bíblicos que explicam, em grande parte, a emergência do movimento revolucionário. Dou alguns exemplos.

“Nós, porém, devemos dar continuidade graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, pois Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação na santificação do Espírito e na fé da verdade” — Paulo, (2 Tes., 2,13).

Calvino não diria melhor que S. Paulo!
Vemos aqui o quiliasmo — o determinismo gnóstico dos predestinados, eleitos ou pneumáticos — que, com o messianismo milenarista, está na base do desenvolvimento do movimento revolucionário já na Idade Média.
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Sexta-feira, 29 Julho 2011

Como identificar um gnóstico moderno de raiz cultural cristã

O gay Morrissey veio dizer que o massacre de Oslo, perpetrado por Anders Behring Breivik, não é nada comparado com o que se passa com a cadeia de restaurantes McDonald’s. Eu também não gosto de fast food, mas somente porque prefiro a cozinha tradicional portuguesa, e porque gosto de comer com tempo e modo.
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Terça-feira, 26 Julho 2011

Sobre a ética estóica

Eu sou avesso à utopia. O termo “utopia” foi cunhado por Tomás Moro a partir do grego “ou” (privativo) + “topos” (o lugar), e que significa “aquilo que não é de nenhum lugar”; porém, pelo facto de não ser de nenhum lugar, não significa que o utopista não pretenda que esse lugar exista realmente. A utopia é a descrição concreta da organização de uma sociedade ideal que é, por isso, considerada pelo utopista como sendo factível. Não quero dizer com isto que seja proibido, ao Homem, sonhar; o que é necessário é distinguir entre imaginação criativa, por um lado, e a imaginação imaginativa, por outro lado; entre o sonho que tem em conta a realidade, e aqueloutro que pretende negar a própria realidade a partir da qual se constrói.
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Domingo, 19 Junho 2011

O absurdo da comparação entre o marxismo e o catolicismo

Aquilo que ficou conhecido como Milenarismo é anterior ao Cristianismo — já existia antes deste. O fenómeno cultural milenarista acompanhou também o Cristianismo nos seus primeiros tempos e ao longo da sua história até hoje (como uma ideologia parasita). Porém, não podemos dizer que o milenarismo cristão faz parte da essência do Cristianismo ou da doutrina da Igreja Católica — como está implícito aqui; só quem não faz a mínima ideia do que está a dizer pode fazer essa analogia entre a filosofia cristã e a filosofia marxista.
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Terça-feira, 7 Junho 2011

Um revolucionário é basicamente um louco

A negação da realidade é uma característica comum aos gnósticos da antiguidade tardia e aos neognósticos (movimento revolucionário moderno). Segue-se que podemos dizer, e neste sentido, que um marxista ou um nazi, por exemplo, são neognósticos.

A proliferação de novos “direitos” atribuíveis ao cidadão revela essa negação íntima e subjectiva da realidade.

Enquanto que os gnósticos antigos consideravam a realidade, em que se move a existência humana, como sendo um “mundo tóxico” que, segundo eles, deveria ser objecto de rejeição e negação — os gnósticos modernos não só rejeitam e negam essa realidade, como pretendem também alterar o seu fundamento axiomático.

Quanto mais vou vendo e analisando o fenómeno revolucionário moderno, mais me convenço que o neognóstico ou revolucionário é basicamente um doente mental. Pessoas como, por exemplo, Francisco Louçã e outros dirigentes políticos da Esquerda, são doentes mentais.

Faz parte da doença mental neognóstica ou revolucionária, a obsessão com a igualdade que acaba por esmagar as diferenças humanas. E o absurdo é que a obsessão em relação à igualdade é proclamada em nome do direito à diferença…! Essa obsessão em relação à igualdade faz parte do quadro clínico de uma pessoa com graves perturbações mentais.

É neste ambiente de loucura política neognóstica que surgem as reivindicações de novos “direitos” — que reduzem a norma do Direito ao facto —, como por exemplo, o direito ao “casamento” gay, à adopção de crianças por duplas de avantesmas, à eutanásia, a liberalização do aborto e a equiparação dos direitos dos animais aos direitos humanos (ou vice-versa), etc.

Essas reivindicações de novos “direitos” expressam, por parte dos neognósticos ou revolucionários, a firme negação e rejeição da realidade concreta e objectiva, e o desejo — impossível de realizar — de alterar a estrutura axiomática da natureza e da realidade. Estamos a lidar com gente com graves problemas mentais!

O problema está em saber até que ponto permitimos que um bando de loucos tome conta da nossa sociedade.

Quarta-feira, 20 Abril 2011

O determinismo protestante e a liberdade católica (3)

Antero de Quental atacou a Igreja Católica com violência e brutalidade inauditas, responsabilizando o catolicismo por aquilo a que ele chamou de “atraso” por parte da Europa do sul em relação à Europa do norte. Deveria ser permitido a Quental ver a Europa actual, e verificar que os eventuais avanços em algumas áreas da sociedade implicaram necessariamente o retrocesso em outras áreas. Sob ponto de vista humano, a Europa retrocedeu e muito; a Europa sacrificou o valor das relações humanas em favor do chamado “progresso protestante do dever social” que evoluiu paulatinamente, e desde a Reforma, para uma espécie de “Estado do Sol” de Campanella.
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Quarta-feira, 30 Março 2011

O erro de Espinoza (2)

Espinoza foi um homem que viveu e morreu sem grandeza porque não conseguiu ser diferente de uma árvore — não conseguiu vislumbrar a sua condição de miserável.

Quando Stephen Hawking, no seu último livro, afirmou que a causa do universo era o próprio universo, nada mais fez do que seguir, grosso modo, a metafísica de Espinoza. A diferença essencial é a de que Stephen Hawking baseia-se no conceito de Multiverso para justificar a infinitude material do espaço-tempo, enquanto que Espinoza concebia o universo como infinito porque não tinha os meios científicos suficientes para saber que, afinal, o universo teve um princípio e que, por isso, é finito.
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Segunda-feira, 28 Março 2011

Breve história da Reforma luterana (4)

Se o luteranismo permitiu o casamento da religião com o Estado, o calvinismo permitiu o casamento da religião com o dinheiro.

Uma das características do luteranismo foi a submissão da religião ao Estado, o que ainda acontece hoje nas igrejas nacionais, como é caso da igreja sueca que não é mais do que um apêndice do Estado sueco. Pelo contrário, a Igreja Católica defendeu sempre a independência da religião em relação aos Estados, o que se acentuou ainda mais com a Contra-reforma. Mesmo durante os fascismos do século XX, a Igreja Católica conseguiu uma certa independência.
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Domingo, 27 Março 2011

Breve história da Reforma luterana (3)

Nos dois postais anteriores (ver em rodapé) vimos como Lutero não teria tido sucesso senão por causas económicas e através do apoio político directo e explícito do príncipe Frederico de Saxe. Vimos também que o luteranismo deturpou algumas ideias de Santo Agostinho sobre a graça divina, e estabeleceu um “determinismo dos eleitos”, o que era próprio dos movimentos gnósticos da antiguidade tardia.
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Sábado, 26 Março 2011

Breve história da Reforma luterana (2)

Filed under: curiosidades,Europa — O. Braga @ 5:04 pm
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Martinho Lutero estudou Direito mas teve uma crise de saúde que o levou a abandonar os estudos. No meio dessa crise, jurou que dedicaria toda a sua vida à Igreja Católica, se sobrevivesse, naturalmente. E sobreviveu.
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