perspectivas

Quinta-feira, 17 Julho 2014

O pânico está instalado na Europa em torno da islamização da cultura

Filed under: Europa — orlando braga @ 9:14 pm
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Islamic-England-1-webO medo instalado nas elites políticas inglesas em relação às famílias numerosas, na sua maioria de imigrantes de países islâmicos, está a conduzir a Inglaterra a uma versão estatal não-oficial de uma política de filho único. Por um lado trata-se de uma política de sinificação que é já comum a alguns países da Europa, mas por outro lado trata-se claramente de uma política de desincentivação de nascimentos entre as famílias islâmicas.

O governo “conservador” de David Cameron prepara uma lei que retira qualquer apoio social às famílias a partir do quarto filho. Toda a gente sabe que, em Inglaterra, a esmagadora maioria das famílias com mais de quatro filhos são famílias islâmicas.

Muslims-in-the-UK-webA nova lei do “conservador” David Cameron é dialéctica (joga em dois carrinhos): por um lado, é uma lei neoliberal porque pretende separar a sociedade e o Estado, e também no sentido em que segue as premissas ideológicas neoliberais de exigência de diminuição da população a nível global (ver, por exemplo, as posições políticas de gente como Bill Gates ou George Soros) — e aqui, os neoliberais estão em consonância com a novas religiões políticas “ecologistas” que culpam o ser humano por um aquecimento global em relação ao qual não existem provas científicas propriamente ditas.

E, por outro lado, a nova lei do governo do “conservador” David Cameron pretende travar a taxa de natalidade da população islâmica imigrante em Inglaterra.

Mas os “conservadores” ingleses parecem não querer ficar por aqui: já pensam em cortar qualquer apoio às famílias a partir do segundo filho, e já se fala mesmo em cortar os apoios às famílias a partir do primeiro filho — o que tornaria real, embora por vias menos totalitárias, uma política de filho único em Inglaterra.

Domingo, 13 Julho 2014

Hotéis portugueses proíbem o alojamento de famílias com filhos

 

A Helena Matos chama aqui à atenção da nova moda: hotéis que proíbem a hospedagem de famílias com crianças (mas os animais de estimação não estão proibidos). Em um país com uma depressão demográfica inédita, é incrível como podem existir hotéis que proíbem o alojamento das famílias.

hotel no children allowed web

O Diário de Notícias escreve:

“A lei mudou e não é taxativa sobre a interdição de crianças nos hotéis e restaurantes. Polémica reacendeu-se com debate na blogosfera.”

Sábado, 5 Julho 2014

Instrumentum Laboris 2014: a Igreja Católica, a família e o casamento

 

A Igreja Católica reafirma a sua posição sobre a família e sobre o casamento em um documento recente, Instrumentum Laboris, que pode ser lido aqui em português.

Este documento é muito importante, porque, em primeiro lugar, analisa criticamente os questionários feitos recentemente aos católicos nas suas paróquias, e depois faz uma crítica racional ao estereótipo cultural ocidental do nosso tempo — estereótipo esse que é, em grande parte, comum à esquerda e à “direita” — embora tenha sido imposto pela esquerda e depois recuperado/assimilado pela “direita”. Neste contexto, aconselho a leitura do capítulo III, alíneas 21 a 26.

Do ponto de vista filosófico, o Instrumentum Laboris 2014 é um documento que merece leitura e análise; coloca a nu os mitos do nosso tempo — em um Tempo em que se afirma que já não existem mitos, em que os mitos se tornam invisíveis na cultura antropológica, e que, através dessa invisibilidade mitológica, a sociedade irracionaliza-se em um tempo de predominância cultural da ciência; e, por intermédio dessa irracionalização da cultura, é hoje promovida uma manipulação das massas humanas em uma dimensão inédita na História.

Domingo, 29 Junho 2014

O Bloco de Esquerda deveria ser proibido por lei

 

“Este ano, a 9.ª Marcha do Orgulho LGBT no Porto tem como tema a família LGBT e a parentalidade LGBT.”

Bloco de Esquerda vai levar co-adopção ao parlamento em Setembro

Segundo o Bloco de Esquerda, existe uma “família LGBT” e uma “parentalidade LGBT”.

Aparentemente, e seguindo este raciocínio, a “família” é concebida como uma marca de automóvel: existem as marcas Opel, Mercedes, Renault, etc.. Mas é só aparentemente, porque, segundo o raciocínio do Bloco de Esquerda, os conceitos de “família LGBT” e de “parentalidade LGBT” não têm definição — uma vez que LGBT é uma sigla genérica para Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros.

Teríamos, por isso, que conceber, por exemplo, uma “família de bissexuais”, ou uma “família de transgéneros” que, segundo o Bloco de Esquerda, também deveriam ter direito a adoptar crianças.

Ou seja, o Bloco de Esquerda defende a ideia segundo a qual um “casal de transgéneros” também deveria ter o direito a adoptar crianças — o que é um absurdo, porque o transgénero procura quase sempre o sexo oposto ao daquele que se diz ser o seu, a não ser que exista um “transgénero lésbico” ou uma “transgénera gay” (um azar nunca vem só!). Portanto, o conceito de “casal de transgéneros” não é praticamente materializável na realidade.

Por outro lado, por exemplo, um “casal de bissexuais” proclamado por lei, embora possa existir na prática, é suruba. Já imaginaram um “casal de bissexuais” a adoptar crianças?! É “swing”, na certa. E o Bloco de Esquerda pretende incluir as crianças dentro de um ambiente de deboche sexual.

O Bloco de Esquerda pretende transformar a adopção de crianças como parte de um processo político de aculturação do “síndroma do bonobo”.

Sexta-feira, 6 Junho 2014

Os raptos de crianças pela SS (Segurança Social) de Inglaterra

 

Existe uma casta de funcionários da SS (Segurança Social), aqui como em Inglaterra, que tem que arranjar números e estatísticas para poder continuar a justificar o seu salário a expensas do Estado. Em Portugal tivemos o caso de Liliana Melo; em Inglaterra tivemos o caso da família Pedro. Agora temos um novo caso.

“Este ano, uma mãe portuguesa de 29 anos, a viver no país há cinco, ficou sem a filha de cinco meses, quando a levou ao hospital de Southend-on-Sea. A bebé tinha caído de uma cadeirinha de embalar em casa e apresentava um hematoma na cabeça.

No mesmo dia em que a criança foi observada no hospital, os serviços sociais e a polícia desta cidade (a 60 quilómetros a Leste de Londres) foram imediatamente alertados, como é habitual no Reino Unido quando existem dúvidas sobre as razões que levam a criança a ser observada. Um processo foi aberto contra a mãe, por suspeita de agressão. ”

O raciocínio é o seguinte: “¿A mãe é portuguesa? Então presume-se que dá maus tratos à filha, e por isso justifica-se que o Estado rapte a criança para a dar a adoptar a um par de gays ou de lésbicas.”

Por cada criança raptada às famílias biológicas para adopção gay, os serviços locais ingleses da SS (Segurança Social) recebem uma soma avultada do Estado. Ou seja, o sistema é incentivado a raptar crianças das famílias biológicas para as entregar aos invertidos.

Sexta-feira, 28 Março 2014

A Esquerda e o problema demográfico português

 

O que me espanta é que seja a Esquerda (incluindo o Partido Social Democrata de outros tempos, com alguma cumplicidade do CDS/PP de Paulo Portas) que venha agora falar de “problema demográfico endémico” — quando foi a Esquerda que legalizou o aborto “a pedido arbitrário da cliente”, defendeu já a legalização da eutanásia no parlamento (Bloco de Esquerda), legalizou o “divórcio unilateral e instantâneo”, instituiu o “casamento” gay, e quer agora legalizar a adopção de crianças por pares de invertidos e o tráfico de crianças.

A Esquerda destruiu os valores da família na cultura antropológica portuguesa, e agora queixa-se do “problema demográfico português”.

Quarta-feira, 12 Março 2014

O Estado da anafa, e o Estado dos brócolos

Filed under: Portugal — orlando braga @ 9:09 am
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A pseudo-informação diz-nos que o Estado alemão não é anafado, mas que o Estado socratino era anafado, e agora o Estado do PSD do Pernalonga já não é. Porém, o Estado alemão é mais anafado do que o Estado português, e por uma razão: a economia alemã pode suportar o Estado Social, ao passo que a economia portuguesa não pode. Até aqui estou de acordo com o escriba bovinotécnico.

sol na eira e chuva no nabalQuem diz que não existe Estado Social na Alemanha, ou é burro ou é burro; aliás, foram os alemães que inventaram o Estado Social ainda no século XIX. A economia alemã pode ter um Estado Social, porque tem recursos para pagar a anafa. Portugal não tem esses recursos, o que significa que Portugal tem que ter uma orientação política e cultural totalmente diferente da dos países do norte da Europa.

E é aqui que começa a contradição dos neoliberais da bovinotecnia. Como soe dizer-se, “aqui é que bate o malho” (salvo seja).

Os países da Europa do norte podem dar-se ao luxo de ter aborto à fartazana, “casamento” gay, imigração em barda para substituir a fornicação de pólvora seca, adopção de crianças por pares de invertidos, a cultura do divórcio expresso e na hora, etc. — porque as garantias do Estado Social (que Portugal não pode ter) compensam, até certo ponto, a destruição da cultura da família natural nesses países. Por exemplo, na Dinamarca, onde existe também Estado Social, mais de 50% das crianças nascidas têm pai incógnito (famílias monoparentais). Ou seja, nesses países do norte, a anafa substitui as nossas couves galegas e os brócolos.

Ora, Portugal não pode comer anafa: tem que se limitar aos brócolos do quinteiro. E é isto que o Partido Socialista não entendeu. E para que Portugal se limite aos brócolos do quintal, a sociedade tem que assentar, não na destruição dos valores da família natural (como acontece hoje no norte da Europa), mas antes no fortalecimento cultural da família natural como célula básica da sociedade.

Eu lembro-me de ver o João Miranda, por exemplo, a defender o aborto livre e o “casamento” gay: ou seja, na cultura antropológica, a bovinotecnia blasfema mal se distingue da socialite do Partido Socialista e da Esquerda.

Por isso é que Portugal está no clube errado (leia-se, União Europeia e zona Euro): Portugal está no clube dos anafados, mas só pode comer brócolos. E, por isso, Portugal faz de conta que os brócolos que come são anafa; vive na ilusão do pobre que pensa que pode cevar o porco caseiro com palha seca — e essa ilusão é tanto de esquerda como de “direita”, porque tanto a esquerda como a “direita” vêem a cultura antropológica de uma forma semelhante. E por isso é que os neoliberais de pacotilha entram em contradição.

Domingo, 16 Fevereiro 2014

O verdadeiro conservadorismo em França

 

familias de frança web

Terça-feira, 28 Janeiro 2014

Olavo de Carvalho e a ditadura da União Europeia

Filed under: A vida custa — orlando braga @ 10:11 am
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Segunda-feira, 27 Janeiro 2014

Daniel Sampaio e a “observação” utilitarista da vida

 

Daniel Sampaio é psiquiatra. Quando eu oiço, leio ou vejo um psiquiatra falar em Sócrates, o grego — aquele que dizia mas nunca escreveu que “só sei que nada sei, e nem mesmo isto sei” —, eriçam-me imediatamente os pêlos das costas (entre outros).

Se alguém houve, na História das Ideias, que não foi utilitarista, foi Sócrates (o grego! Nada de confusões!). E, por não ser utilitarista, Sócrates foi condenado à morte — por ter recusado o politicamente correcto do seu tempo. E é este homem grego, que pariu a maiêutica anti-utilitarista, que Daniel Sampaio invoca para justificar uma ética utilitarista da adopção de crianças por pares de invertidos…!

Para além desta tese desastrada de um “Sócrates utilitarista” — coisa nunca vista! —, Daniel Sampaio considera a adopção um “direito dos adoptantes”; mas ao mesmo tempo diz que não se trata de um problema jurídico!

Ora, todos nós sabemos que um adulto não tem “direito a uma criança” a não ser que seja o progenitor, e mesmo neste caso com muitas limitações éticas e jurídicas! Pelo contrário, é a criança adoptada que tem direito a uma família que deve ser, sempre que possível, análoga à de uma família natural (uma mãe e um pai).

Para o utilitarista Daniel Sampaio, “examinar a vida” é acomodar os factos da vida na ética (falácia naturalista). Se as crianças adoptadas não fazem parte do “maior número” da ética utilitarista, então devem ser consideradas um dano colateral.

Diz Daniel Sampaio que ninguém é detentor da verdade — ou seja, a verdade não existe. E como a verdade não existe, ele pensa que a verdade dele é melhor do que a verdade dos outros, o que é uma contradição em termos, porque se a verdade não existe, também ele não diz a verdade. Então ¿por que razão a opinião dele é melhor do que a dos outros? ¿Será porque ele “observa a vida” e os outros não?

Esta ideia de que ninguém é detentor da verdade é preocupante se vinda de alguém da área das ciências, porque a ideia de “erro” pressupõe a ideia de “verdade”. E se não há “verdade”, então não há “erro” — ou seja, Daniel Sampaio nunca erra.

Se admitirmos que o outro pode ter razão e que nós talvez nos tenhamos enganado, isso não significa que tudo depende apenas da perspectiva (o tal “examinar a vida” de Daniel Oliveira Sampaio), e que, como afirmam os sofistas do nosso tempo (que Sócrates combateu no tempo dele!), cada um tem razão do seu ponto de vista e não tem razão do ponto de vista de um outro.

Na criação de uma sociedade livre e pluralista, devemos assumir uma atitude que nos permita confrontarmo-nos com as nossas ideias sem nos tornarmos relativistas ou cépticos, e sem perdemos a coragem e a firmeza de lutarmos pelas nossas convicções. Porque a verdade existe.

E é verdade o seguinte: se existem crianças que, por desgraça da vida, não têm pai e/ou mãe, é um absurdo que se defenda que essa desgraça seja consagrada em lei, e que uma situação indesejável para a criança seja considerada desejável pela sociedade através da sua normalização no Direito Positivo.

A má consciência é ainda uma forma de consciência: é caso para dizer que o psiquiatra Daniel Sampaio precisa de ir ao psiquiatra Daniel Sampaio.

(ficheiro PDF)

Terça-feira, 26 Novembro 2013

Campanha nacional de “igualdade de géneros”: uma armadilha para o homem

 

Eu tive dois filhos na década de 1980 e era eu que lhes dava banho, que os vestia, que estava atento ao que eles faziam. Por exemplo, era eu que limpava as casas-de-banho, e só eu fazia esse tipo de limpeza. A única coisa que eu não fazia em casa era cozinhar, que deixava para ela (o que não significava que, de vez em quando, não cozinhasse): de resto, as limpezas com aspirador, os banhos das crianças, vesti-los, vigiá-los, eram funções minhas — não por obrigação, mas por prazer meu em cuidar dos meus filhos. Era eu que os ia deitar para dormir e aconchegá-los na cama. E note-se que eu trabalhava fora de casa das 7:30 horas às 17:00 horas.

O problema surge quando a mulher se habitua ao facilitismo e considera o trabalho masculino em casa como um servilismo e uma actividade sujeita a negociação permanente. A partir daí, as exigências femininas não páram 1: mesmo que ela faça pouco em casa, quer sempre fazer menos e queixa-se sempre que “está cansada”. E chega ao ponto em que o homem é chantageado e convidado a fazer tudo. É próprio da natureza humana: quanto menos fazes, menos queres fazer.

Por isso é que eu considero esta campanha de “igualdade de género” — que significa “igualdade entre os sexos” — como uma armadilha para o homem. Desde logo, não existem “géneros” senão na gramática da língua: em vez disso, existem sexos; não te deixes enganar pela linguagem politicamente correcta.

E depois, os dois sexos não são iguais, e há trabalhos mais consentâneos com o homem e outros mais consentâneos com a mulher: por exemplo, todo o trabalho doméstico que exija mais esforço físico deve ser feito pelo homem (limpezas, por exemplo). E outros trabalhos domésticos que exigem menos esforço físico devem ser feitos pela mulher (cozinhar, por exemplo). Isto não tem nada a ver com “igualdade”, porque os dois sexos não são iguais: antes, tem a ver com a ética.

Não precisamos de campanhas de igualdade entre sexos, porque os sexos não são iguais, porque o casamento não é um mero contrato mas antes é uma instituição, e porque as relações entre o homem e a mulher devem ser reguladas por uma ética não-utilitarista e não por uma negociação utilitarista permanente de uma espécie de contrato de trabalho. Diz “não!” a essa campanha.


Notas
1. Se não se importam, eu escrevo “páram” e “pára” com acento agudo.

Segunda-feira, 25 Novembro 2013

Frei Bento Domingues e a Igreja Católica do mercado das ideias e dos valores

 

“Só devemos consagrar-nos a causas que a derrota deixaria intactas. Só de causas perdidas se pode ser partidário irrestrito.” — Nicolás Gómez Dávila

1/ Neste texto, Frei Bento Domingues começa por constar o óbvio: ao longo da história e pré-história humanas, sempre houve diversas estruturas de família. Por exemplo, ainda hoje existe a poligenia entre os muçulmanos (vulgo “poligamia”), e entre os tobriandeses ainda hoje existe a família “avuncular”, em que o irmão mais velho da mãe de uma criança tem um lugar mais importante na família do que o pai. Nestas sociedades, a lei do grupo é predominante; as funções, códigos e estatutos estão em primeiro plano. O indivíduo apaga-se diante dos sistemas que o clã, a tribo ou a família formam. As relações são nitidamente menos individualizadas, menos personalizadas.

Portanto, é um facto que existem e existiram sempre vários tipos de família. Aqui, o Frei Bento Domingues diz a verdade, mas não diz toda a verdade, porque eu tive que adicionar as características de outros tipos de família que ele escamoteou talvez por falta de espaço.

“O clero progressista não decepciona nunca o aficionado do ridículo” — Nicolás Gómez Dávila

julio-machado-vaz-web2/ Numa família tipo como a portuguesa, onde a dimensão afectiva é central, a relação de cada um com a sua identidade pessoal tem um lugar fulcral: é a pessoa toda, na sua dimensão corporal, afectiva e espiritual que está comprometida nas relações. Diz o povo que “não podemos ter sol na eira e chuva no nabal”, ou seja, não podemos tirar vantagem do facto de as relações serem individualizadas e, simultaneamente, procurar referências de maneira superficial e fragmentária em sociedades absolutamente diferentes, onde a codificação social é predominante e muito restrita.

Portanto, a ideia de Frei Bento Domingues segundo a qual “há vários tipos de família” é pura retórica. Mas é retórica perigosa porque ele procura, em minha opinião, propositadamente enganar os tolos — como aliás o faz sistematicamente o “curandeiro da RDP” de onde fui respigar o texto do Frei Bento Domingues.

“Apenas porque ordenou amar os homens, o clero moderno não se resigna a crer na divindade de Jesus; quando, em verdade, é somente porque cremos na divindade de Cristo que nos resignamos a amá-los” — Nicolás Gómez Dávila

3/ em função do que já foi escrito aqui e acima, não devemos (no sentido da lógica e da ética) dizer que a realidade social (ou a realidade das relações sociais), por ser exactamente tal como é, não se deve discutir e deve ser aceite — que é o que Frei Bento Domingues defende. Perante uma determinada cultura de relacionamentos sociais, Frei Bento Domingues pede à Igreja Católica que soçobre e aceite o “facto consumado”. É exactamente isto que o Frei Bento Domingues defende no seu texto.

“Antes, a Igreja Católica absolvia os pecadores; hoje, absolve os pecados” — Nicolás Gómez Dávila

Frei Bento Domingues web 400O arquétipo mental de Frei Bento Domingues é transcrito a partir da Nova Teologia e principalmente de Rudolfo Bultmann, e consiste basicamente em separar a fé, por um lado, de todo e qualquer elemento cosmológico ou mítico, por outro lado. A Nova Teologia, tal como o Frei Bento Domingues, é imanente e situa-se em um determinado espírito do tempo que é o nosso.

E, nessa defesa da aceitação do facto consumado, Frei Bento Domingues invoca, de uma forma inaceitável e enviesada, Jesus Cristo que nos disse:

“Mas, desde o princípio da criação, Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe para se unir à mulher, e serão os dois um só. Portanto, já não são dois, mas um só. Pois bem, o que Deus uniu não o separe o homem.” (S. Marcos, 10, 6 -9).

Jesus Cristo defende aqui a concepção actual e moderna de família nuclear, que é basicamente composta pela mulher como núcleo central, e depois por três seres humanos do sexo masculino: o filho da mulher, o marido da mulher, e o irmão da mulher. Mas Jesus Cristo adiciona um conceito crucial: o de que “o que Deus uniu não o separe o homem”. O seja, segundo Jesus Cristo, o casamento cristão é indissolúvel.

“Contra a Igreja triunfante e a Igreja militante, o novo clero incorpora-se na Igreja claudicante” — Nicolás Gómez Dávila

Mas para Frei Bento Domingues, esta opinião de Jesus Cristo acerca do casamento é “coisa do passado”. Diz ele que “o Cristianismo não é nostalgia de um paraíso perdido, mas a saudade de um futuro de transfiguração”. A influência da Nova Teologia, por um lado, e os elementos gnósticos de uma fé metastática estão bem presentes no pensamento de Frei Bento Domingues. A verdade, porém, e ao contrário do que defende o frade, é que o “futuro de transfiguração”, segundo a doutrina cristã genuína, não é imanente mas antes é transcendência, por um lado; e, por outro lado, esse “futuro de transfiguração” não pode ser concebido sem o conceito de “paraíso perdido” e de “queda”. O que Frei Bento Domingues defende não é o Cristianismo: é outra coisa, que ele não se atreve a dizer o que é.

“Nos tempos aristocráticos, o que tem valor não tem preço; em tempos democráticos, o que não tem preço não tem valor” — Nicolás Gómez Dávila

Mas o mais grave, nas ideias do Frei Bento Domingues, é a submissão da doutrina da Igreja Católica às leis do mercado das ideias e dos valores; é, neste caso concreto, a submissão da ética cristã ao Modelo Discursivo do marxismo cultural de Habermas. Mas se o mercado das ideias e dos valores mudar, o Frei Bento Domingues também muda de ideias e de valores, como uma espécie de cata-vento na torre de uma igreja:

“Sobre o campanário da igreja moderna, o clero progressista, em vez de uma cruz, coloca um cata-vento” — Nicolás Gómez Dávila.


Texto do frade em PDF

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