perspectivas

Sábado, 9 Junho 2012

A burrice, são os outros

“Last week, Gallup announced the results of their latest survey on Americans and evolution. The numbers were a stark blow to high-school science teachers everywhere: forty-six per cent of adults said they believed that “God created humans in their present form within the last 10,000 years.” Only fifteen per cent agreed with the statement that humans had evolved without the guidance of a divine power.”

via Studying the Brain Can Help Us Understand Our Unscientific Beliefs : The New Yorker.

Se perguntarmos a quase toda a gente que defende o darwinismo — incluindo jornalistas, “intelectuais”, políticos e mesmo muitos cientistas — se já leram, por exemplo, literatura especializada acerca do conceito bioquímico de “complexidade irredutível”, estou convencido que dirão que não; que não leram.

Se perguntarmos por que não leram nada acerca deste tema, dirão que se trata de criacionismo bíblico e, por isso, de superstição e, portanto, não vale a pena ler. E portanto estamos num círculo vicioso: não lêem porque é superstição; mas é superstição exactamente porque não lêem.

E depois, esses mesmos darwinistas vêm a terreiro clamar que apenas 15% da população acredita no darwinismo, e dizer que, por isso, 85% da população é constituída por atrasados mentais.

Na linguagem gnóstica, os 15% de auto-iluminados, crentes do dogma darwinista, constituem os novos Pneumáticos; e os 85% que duvidam do dogma são os novos Hílicos — os desgraçados privados da “salvação”.

Em boa verdade, os darwinistas — incluindo, por exemplo, o Hélio Dias, do Rerum Natura — não se distinguem daquele tipo de criacionista que acredita que a Terra surgiu há 100 mil anos, e que os dinossauros desapareceram há 5 mil anos; o arquétipo mental é idêntico, nos dois casos.

Nota: Jean-Paul Sartre dizia que “o inferno são os outros”. Os darwinistas dizem que “a burrice são os outros”.

Domingo, 3 Junho 2012

Mais uma ‘machadada’ no ‘missal’ da evolução darwinista

Filed under: Ciência,Darwinismo — O. Braga @ 10:56 pm
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« The plasma membrane is made up of lipids and proteins, and serves as an active interface between the cell and its environment. Many plasma-membrane proteins are laterally segregated in the plane of the membrane, but the underlying mechanisms remain controversial. Here we investigate the distribution and dynamics of a representative set of plasma-membrane-associated proteins in yeast cells. These proteins were distributed non-homogeneously in patterns ranging from distinct patches to nearly continuous networks, and these patterns were in turn strongly influenced by the lipid composition of the plasma membrane. Most proteins segregated into distinct domains.

However, proteins with similar or identical transmembrane sequences (TMSs) showed a marked tendency to co-localize. Indeed we could predictably relocate proteins by swapping their TMSs. Finally, we found that the domain association of plasma-membrane proteins has an impact on their function. Our results are consistent with self-organization of biological membranes into a patchwork of coexisting domains. »

via Patchwork organization of the yeast plasma membrane into numerous coexisting domains : Nature Cell Biology : Nature Publishing Group.

Na linguagem da biologia actual, o termo “self-organization” significa duas coisas: 1) uma machadada na evolução gradualista da selecção natural darwinista mediante mutações aleatórias; 2) uma tentativa de fugir ao conceito de design inteligente.

Domingo, 20 Maio 2012

O milagre darwinista

Filed under: Ciência,Darwinismo,filosofia,Ut Edita — O. Braga @ 1:40 pm
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Que, de mutações genéticas aleatórias e segundo o darwinismo, surja a espantosa e enorme complexidade dos organismos vivos, é um verdadeiro e autêntico milagre.

Por exemplo, a probabilidade de “surgir” na natureza, mediante mutações aleatórias, a cascata de coagulação do sangue dos mamíferos é de cerca de 30.000^41, o que dá uma probabilidade de cerca de 10^18! [1 seguido de 18 zeros].
// 30.000^4 = 8,1e+17 = [log base 10] 17,9 //

Se uma lotaria tivesse uma probabilidades destas, e se um milhão de pessoas jogasse por ano, seriam necessários mil biliões 2 de anos até que alguém ganhasse!

Mil biliões de anos correspondem aproximadamente a um tempo cem vezes mais longo do que a estimativa actual da idade do universo.

1) Fonte: Michael Behe, “A Caixa Negra de Darwin”, página 116

2) Mil trilhões, pela designação americana

Sexta-feira, 18 Maio 2012

Aconteceu um milagre em Espanha: e qual a possível reacção dos naturalistas e da Esquerda?

“La “posible gracia” obrada por el Siervo de Dios Vicente Garrido Pastor corresponde a una curación “inexplicable” de una madre de familia, de Albacete, a quien le fue diagnosticado en 2003 un “adenocarcinoma de endometrio, estadio IVB, por afectación metastásica en cadera derecha” con una esperanza de vida de 10 meses, según han indicado hoy a la agencia AVAN fuentes de la delegación.”

via ¿Milagro en Valencia? – ReL.

Perante uma cura de uma metástase com ramificações terminais, o que dirão os cientistas naturalistas?

“Provavelmente trata-se de uma cura natural. A ciência ainda não consegue explicar o fenómeno, mas nós, naturalistas, estamos convencidos de que, por exemplo, daqui a dois milhões de anos a ciência será capaz de explicar o fenómeno, assim como conseguiu já explicar como a vida surgiu da matéria inerte. É uma questão de tempo até que a ciência explique estes fenómenos.

Os milagres não existem. Só os ignorantes, como por exemplo, o Orlando Braga, acreditam em milagres.”

O que diria a Esquerda deste fenómeno?

“Trata-se de puro acaso. Se calhar, a mulher espanhola comeu alfaces estragadas misturadas com favas fritas, e a reacção química decorrente dos dois vegetais foi a causa da cura da mulher. Por isso é que nós somos contra as touradas e somos vegetarianos, porque temos aqui a demonstração evidente e claríssima de que os vegetais, mesmo estragados, fazem bem à saúde.

Só os fascistas, como o Orlando Braga, acreditam em milagres. ”

Quinta-feira, 17 Maio 2012

O naturalismo e o relativismo moral (2)

Sobre a refutação do evolucionismo darwinista

A teoria da evolução de Darwin ou “evolucionismo” — que em meados do século XX foi rebaptizada de “evolução sintética” ou “neodarwinismo” — pode ser vista de duas maneiras: ou como uma teoria científica, ou como uma doutrina metafísica. Como doutrina metafísica, o evolucionismo teve e tem ainda um sucesso fantástico; como teoria científica, é basicamente um embuste.

O escaravelho bombardeiro

Uma das razões — senão a principal razão — por que considero Karl Popper como um dos cinco maiores filósofos do século XX, foi porque ele teve a coragem de enfrentar o dogmatismo na ciência, e foi muito criticado por isso. Para Karl Popper, é irracional que na ciência se ignore uma evidência falsificadora de uma teoria. Num ataque violentíssimo a Karl Popper, Imre Lakatos entrou em retórica: acusou Popper de não distinguir entre “refutação”, por um lado, e “rejeição”, por outro lado; no fundo, Lakatos entrou em pura semântica para criticar a pertinência da posição de Karl Popper.

Lakatos, contra Popper, defendeu a ideia segundo a qual uma evidência falsificadora de uma teoria cientifica não a refuta, na medida em que se pode alterar a teoria para acomodar a “anomalia” [nome dado à evidência falsificadora], ou na medida em que se pode “guardar” a anomalia numa gaveta para uma futura consideração. Segundo este raciocínio de Lakatos, uma teoria científica pode passar a ser verdadeira para sempre, o que é um absurdo. É esta visão de Lakatos que prevalece hoje na ciência e que mantém o evolucionismo como teoria intocável e irrefutável.

Para além do dogmatismo cientificista de Lakatos, outra razão para que a ciência [ciência = comunidade científica] continue a afirmar que “o evolucionismo é um facto”, liga-se com uma mera querela ideológica naturalista: a comunidade científica não quer dar nenhum “trunfo” ao criacionismo bíblico, mediante uma autocrítica no que respeita ao fracasso rotundo e evidente do neodarwinismo. “Antes quebrar do que torcer”; antes permanecer no erro do que dar alvíssaras aos criacionistas; antes criar um dogma científico do que favorecer um dogma religioso.

Se perguntarem, por exemplo, a um(a) autor(a) do blogue Rerum Natura se o “evolucionismo sintético” é uma teoria verdadeira, penso que todos eles [e elas] dirão que sim, que a teoria é verdadeira. E a razão para essa unanimidade é simples: eles apenas seguem [cegamente] a autoridade. Se perguntarem a Carlos Fiolhais: “como se faz uma aparelhagem estereofónica de som?”; ele provavelmente responderia: “Ligando um conjunto de colunas a um amplificador e acrescentado um leitor de discos, um receptor de rádio e um leitor de cassetes”. E fica, então, “explicado” como se faz uma aparelhagem estereofónica de som. E é nestes parâmetros que Carlos Fiolhais “explica” a origem e a “evolução” dos organismos vivos, e “justifica” a veracidade da teoria de Darwin. É óbvio que Carlos Fiolhais pode convencer muita gente mediante este tipo de “explicação”.

Porém, uma grande parte dos cientistas sabe muito bem que a teoria é falsa nos seus fundamentos; acontece que apenas uma pequena parte desses cientistas tem a coragem de vir a público desafiar a “autoritas”.

Eric Voegelin sintetizou o mito do evolucionismo da seguinte forma:

“A teoria evolucionista é um mito — assim como o criacionismo bíblico é um mito — porque é impossível explicar a mutação das formas.”


Ligações desta série de postais:

Sábado, 12 Maio 2012

O Absoluto, o princípio teleológico na natureza, e a vida

Filed under: Ciência,Darwinismo,filosofia,Ut Edita — O. Braga @ 5:29 am
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Podemos fazer uma analogia entre a nossa vida e uma viagem de comboio: sentados à janela, as imagens da paisagem passam rapidamente, e nós procuramos captá-las e interiorizá-las tanto quanto possível. Mas, no fim da viagem, reconhecemos que ficamos vazios: as imagens desvaneceram-se, tornaram-se irreais, e só fica a recordação. Perante a fugacidade das imagens da viagem, temos necessidade de encontrar um “centro” em nós próprios e não já nas imagens que discorrem ao longo da “viagem da vida”. Essa procura do “centro” em nós próprios é a procura ontológica — a procura do Ser —, a procura que sonda o Absoluto e que só é possível mediante a religião.
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Quinta-feira, 10 Maio 2012

A ciência que “salva as aparências” [6]

Um artigo do filósofo Roger Scruton

“There are many reasons for believing the brain is the seat of consciousness. Damage to the brain disrupts our mental processes; specific parts of the brain seem connected to specific mental capacities; and the nervous system, to which we owe movement, perception, sensation and bodily awareness, is a tangled mass of pathways, all of which end in the brain. This much was obvious to Hippocrates.

Even Descartes, who believed in a radical divide between soul and body, acknowledged the special role of the brain in tying them together.

The discovery of brain imaging techniques has given rise to the belief that we can look at people’s thoughts and feelings, and see how “information” is “processed” in the head. The brain is seen as a computer, “hardwired” by evolution to deal with the long vanished problems of our hunter-gatherer ancestors, and operating in ways that are more transparent to the person with the scanner than to the person being scanned.

Our own way of understanding ourselves must therefore be replaced by neuroscience, which rejects the whole enterprise of a specifically “humane” understanding of the human condition.

In 1986, Patricia Churchland published Neurophilosophy, arguing that the questions that had been discussed to no effect by philosophers over many centuries would be solved once they were rephrased as questions of neuroscience. This was the first major outbreak of a new academic disease, which one might call “neuroenvy.”
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A ciência que “salva as aparências” [5]

“A interpretação de uma linguagem de observação é determinada pelas teorias que nós utilizamos para explicar o que observamos, e muda assim que essas teorias se alteram.”Paul Feyerabend

O que significa esta proposição? Significa que, com o pós-modernismo, em ciência “vale tudo”. Se eu disser que “os marcianos são verdes”, esta minha proposição também é considerada uma teoria da ciência para a edificação de uma lei deduzida dessa interpretação acerca dos marcianos; Wittgenstein chamou-lhe “Gestalt-shift” (eu diria que é Gestalt shit).

As teorias ditas “científicas” passaram a ser usadas para impor determinadas visões políticas, e para validar de forma exclusivista e autoritarista as mundividências metafísica, ética, e política do naturalismo.

Antes do pós-modernismo, a proposição “os marcianos são verdes” era verdadeira apenas e só porque se partia do princípio segundo o qual não existem marcianos. Depois do pós-modernismo, os factos científicos relevantes deixam de ser concebidos em função de se “ver aquilo”, mas passam a ser em função de “ver como” [Wittgenstein].

Aquilo que eu e tu “vemos” e em conjunto, deixa de ter importância; o que importa é “como” eu vejo aquilo, e “como” tu vês aquilo. Se eu digo que “os marcianos são verdes”, e na medida em que a ciência não pode provar que os marcianos não existem, então a minha proposição — segundo o raciocínio de Feyerabend, Quine ou Hanson — passa a ser uma teoria científica. Foi desta forma que se construiu a “teoria” do Multiverso e a “teoria” de Stephen Hawking segundo a qual “o universo surgiu do Nada”.

Com o pós-modernismo, as informações recolhidas mediante observação não valem nada senão na medida em que são submetidas a uma teoria que, muitas vezes, já existia e é anterior à própria observação [Feyerabend], ou seja, os pontos de suporte de uma teoria são criados pela própria teoria; a teoria científica vale-se a si mesma, e vale por si mesma, sem grande necessidade de evidências empíricas. Por isso é que evolucionistas dizem que “a evolução é um facto”.

Antes do pós-modernismo, o nível teórico era “parasita” do nível observacional [Bridgman]; com Feyerabend e com o pós-modernismo, a observação passa a ser (literalmente) parasita da teoria.

Quando Einstein “criou” a sua [dele] “teoria da simultaneidade”, Bridgman ficou com os cabelos em pé. Puxando pela sua fértil imaginação, Einstein defendeu a ideia segundo a qual a “simultaneidade” é “uma relação subjectiva entre dois ou mais eventos e um observador, e não uma relação objectiva entre eventos”. Ora este exercício de Einstein não tem significância empírica; Einstein poderia ter criado, da mesma forma, uma “teoria de extra-terrestres” ou uma “teoria dos marcianos verdes”. O que Einstein fez pertence à filosofia, e não à ciência. Não é possível considerar a “teoria da simultaneidade” como uma “teoria” no sentido científico; o mais que podemos dizer dela, em termos estritamente científicos, é que se trata de uma “hipótese”.

A partir do momento que em ciência passou a “valer tudo”, as teorias ditas “científicas” passaram a ser usadas para impor determinadas visões políticas, e para validar de forma exclusivista e autoritarista as mundividências metafísica, ética, e política naturalistas historicamente imbricadas — a partir de Bentham e dos socialistas franceses do século XIX — com o darwinismo, com o eugenismo e com o socialismo.

Terça-feira, 8 Maio 2012

A ciência que “salva as aparências” [4]

Newton terá sido o maior nome da ciência da Europa depois de Jesus Cristo. Einstein, comparado com Newton e tendo em conta as diferentes épocas e contextos em que ambos viveram, era um neófito. Por exemplo, é costume dizer-se que Einstein foi original porque introduziu o valor do observador independente na investigação científica; contudo, isto é falso, porque foi Newton o primeiro a introduzir o papel do observador independente em ciência.

Poderíamos também falar na genialidade de Leibniz, mas este foi essencialmente um matemático e um filósofo, e não um físico como Newton. Newton acrescentou a física à filosofia e à matemática, e neste sentido foi mais completo do que Leibniz.

A maioria das pessoas que estudou Newton apenas conhece os resultados do seu trabalho — por exemplo, as leis do movimento e a mecânica. Mas desconhece como Newton desenvolveu o seu trabalho e, na minha opinião, esse desconhecimento é promovido intencionalmente pelo ensino. Temos um ensino que pretende esconder dos alunos as causas ou as razões da genialidade de Newton [e não só de Newton]. E há várias razões para essa postura do ensino actual.

Aquilo que a ciência actual considera como sendo uma “teoria” — por exemplo, a teoria do Multiverso —, para Newton era uma “hipótese”.

Para Newton, uma “teoria” é composta por relações de invariância entre termos [conceitos] referentes a qualidades manifestadas na realidade empírica, ou seja, relações deduzidas dos fenómenos mas que não deixam de ter um suporte experimental na realidade dos fenómenos. Em contraponto, para Newton, uma “hipótese” é um conjunto de afirmações sobre termos [conceitos] que designam “qualidades ocultas” para as quais não há [ainda] processo de medida conhecido.

Por exemplo, Newton afirmou que ao ter estabelecido a teoria da atracção gravitacional e o seu modo de actuação, elaborou uma “teoria” da atracção gravitacional. Mas referiu-se às teses cartesianas de explicação em termos de vórtices de éter como sendo meras “hipóteses” que, aliás, não estavam em concordância como o movimento observado dos planetas.

Hoje, a ciência considera qualquer hipótese como sendo uma teoria. Stephen Hawking escreve um livro em que aventa a hipótese do universo ter surgido do Nada, e a ciência refere-se a essa hipótese como sendo uma “teoria”. Em nome da ciência, Richard Dawkins escreve um livro defendendo a ideia de que Deus não existe, e a ciência transforma essa hipótese em teoria. Isto já não é ciência: é política pura e dura.

Domingo, 6 Maio 2012

A ciência que “salva as aparências” [3]

Descartes — ao contrário de Galileu, por exemplo — pensava que a dedução a partir de princípios auto-evidentes [axiomas ou “primeiros princípios”, sejam estes lógicos ou empíricos] é de utilidade muito limitada na ciência. Mais: Descartes negou que fosse possível estabelecer leis fundamentais da natureza por recolha e comparação de diferentes casos [ao contrário do que defendeu, por exemplo, Francis Bacon].

Vou tentar demonstrar aqui como o cartesianismo é metodologicamente semelhante ao evolucionismo.

Aristóteles tinha insistido que os primeiros princípios [os axiomas] se deveriam inferir ou induzir a partir da evidência observacional; e depois, segundo Aristóteles, deveria ser feito o caminho inverso, ou seja, dos axiomas para a observação.

Descartes obedeceu à primeira parte do critério aristotélico de indução e dedução: da observação para os primeiros princípios; mas não obedeceu à segunda parte: dos primeiros princípios para a observação. Em vez disso, Descartes criou axiomas falsos que confirmassem a sua opinião.

Ou, melhor dizendo, Descartes partiu da sua mundividência para a interpretação dos fenómenos; Descartes afirmou [“Discurso do Método”] que as leis científicas por ele elaboradas eram consequências dedutivas dos seus princípios filosóficos. E como qualquer interpretação é sempre uma teoria, Descartes aplicou à realidade dos fenómenos uma teoria que já existia previamente na sua cabeça.

O que Descartes tentou fazer foi “salvar as aparências”: partiu das aparências [observação dos fenómenos], deu-as como genuínas [Cogito], para depois lhe aplicar as suas [dele] leis ou axiomas, em função da sua [dele] mundividência. Por exemplo, Descartes interpretou a atracção magnética como sendo uma emissão de partículas invisíveis em forma de parafuso que atravessam canais em forma de rosca presentes no interior do ferro, fazendo assim com que este se mova.

A filosofia mecanicista de Descartes foi muito elogiada pelos maiores pensadores do século XVII, tendo sido mesmo considerada uma doutrina revolucionária. A elite dos pensadores naturalistas daquela época, embora não aceitando totalmente o dualismo de Descartes, acreditaram que a visão cartesiana era mais científica do que as visões “obscurantistas” que consideravam qualidades “ocultas e de tipo religioso”, tais como forças magnéticas e forças gravitacionais. Do ponto vista cartesiano, dizer que um corpo se move em direcção a um magneto — porque alguma “força” foi exercida pelo magneto — é não explicar nada, porque a ideia de “força” ou de “campo” não cabia dentro da concepção mecanicista de Descartes.

O que se passa hoje com o evolucionismo tem algumas semelhanças com o cartesianismo. Os evolucionistas 1) observam os fenómenos [por exemplo, fósseis]; depois 2) interpretam os fenómenos à luz de uma determinada mundividência que consideram “mais científica” e oposta ao “obscurantismo não-naturalista”; 3) dessa interpretação surgem os axiomas falsos [metafísica] que sustentam a teoria; 4) o evolucionismo não faz devidamente o “caminho” aristotélico dos axiomas para a observação, porque os evolucionistas sabem bem que os seus axiomas não estão de acordo com o que foi observado.

Sábado, 5 Maio 2012

Afinal, segundo o evolucionismo, as mutações genéticas são aleatórias de vez em quando; quando chove.

O evolucionismo diz agora que as mutações genéticas aleatórias já não são totalmente aleatórias, porque a selecção natural escolhe a aleatoriedade das mutações genéticas que são, em princípio, aleatórias. Ou seja, a nova tese diz a selecção natural é inteligente e tem livre-arbítrio, na medida em que escolhe quando uma mutação genética deve ser aleatória ou deve obedecer a uma qualquer finalidade.

Em princípio, as mutações genéticas são aleatórias quando chove, por causa do frio. Quando faz sol, as mutações genéticas já não são aleatórias porque gostam de ir para a praia.

Um insignificante problema — de pouca monta; irrelevante, até! — da nova teoria da não-aleatoriedade das mutações genéticas aleatórias é o de que existem “dificuldades técnicas” na verificação da teoria; mas fora isso, é indubitavelmente um facto!. Não são as “dificuldades técnicas” na verificação que retiram a veracidade à teoria da não-aleatoriedade das mutações genéticas aleatórias. Em nome da ciência.

A ciência que “salva as aparências” [1]

Os teoremas das alavancas de Arquimedes são verdadeiros? Sim. E esses teoremas tem contacto com a realidade [empírica]? Sim, por exemplo, através da construção de catapultas para uso militar. Mas os teoremas das alavancas de Arquimedes confirmam-se experimentalmente para qualquer tipo de varas? Não. Os teoremas das alavancas de Arquimedes aplicam-se, só e apenas, a uma “alavanca ideal” que, em princípio, não pode concretizar-se na prática, nomeadamente, uma vara sem massa mas infinitamente rígida; as varas do teorema de Arquimedes não podem vergar e têm que ter uma distribuição uniforme de peso.

O supramencionado significa uma coisa muito simples: Platão tinha razão.
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