Não obstante o facto de José Ribeiro e Castro ser benfiquista, nutro por ele uma notável admiração. Contudo, convém dizer que o senhor embaixador da Alemanha, amigo de José Ribeiro e Castro, pode estar a incorrer em erro quando alia a tese de Max Weber ao luteranismo [ou à herança cultural luterana] de Angela Merkel.
A tese de Max Weber, descrita no seu livro “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, refere-se, em primeiro lugar, ao calvinismo [e não ao luteranismo], e principalmente aos puritanos do século XVIII. Ora, o luteranismo tem muito pouco, ou quase nada, a ver com isto.
O calvinismo introduziu aquilo a que se convencionou chamar de “desvio calvinista” — fenómeno que não aconteceu, de todo, na Alemanha de Lutero! Foi este “desvio calvinista” [e a evolução deste fenómeno cultural e político através dos puritanos do século XVIII] que esteve na base da tese de Max Weber.
Enquanto que, na Alemanha, Lutero submete totalmente a religião [isto é, a igreja] ao Estado [isto é, ao magistrado], o “desvio calvinista” remete-nos para algo mais do que apenas uma nova variante da querela entre o magistrado e a igreja: a sociedade já não é vista do alto [de cima para baixo], mas de baixo [o direito do indivíduo a recusar a tradição, o que está na origem do espírito e da mente revolucionários moderno e contemporâneo]; a sociedade já não é vista do lado do exercício do poder, mas do lado das relações entre os homens [um “direito negativo”, não democrático, que introduz um carácter consistente da ordem social]. Ora, isto não aconteceu, nem de longe nem de perto, na Alemanha luterana!
Por isso, dizer que a tese de Max Weber se aplica à Alemanha luterana e à herança cultural de Angela Merkel, é um erro de palmatória.
As origens do sucesso da Alemanha devem ser procuradas no processo histórico e político que decorreu desde Bismarck, por um lado, e na herança cultural e política da antiga Prússia, por outro lado. Tão simples quanto isto. Ainda no princípio do século XIX, os alemães [ou os estados independentes alemães], em geral, tinham um nível de vida muito inferior ao dos espanhóis e portugueses. A unificação da Alemanha potenciou um mercado interno alargado, e a disciplina prussiana fez o resto — mas o Estado prussiano, fortemente secularizado, continua a existir, ainda hoje, através da Bundesrepublik.
Ora, isto nada tem a ver com o calvinismo, com a ética puritana do século XVIII e seguintes, com a tese de Max Weber d’ “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, e com a origem fundamental da ética burguesa. E muito menos com Angela Merkel, cuja mentalidade foi moldada pelo espírito marxista/comunista da Alemanha de Leste.

O que aconteceria, nos Estados Unidos, se o estado do Texas fosse sujeito a uma austeridade extrema para que se pudessem salvar alguns Bancos situados em Manhattan?
É em função da virtude (ou das concepções parciais dela) que se engendra a noção de felicidade, sendo que esta depende das visões parciais que cada filósofo imprime ao conceito de virtude. Assim, por exemplo, para Plotino, a felicidade depende da disposição da alma: “o acto próprio da alma consiste em ser sábia; é um acto anterior à própria alma e aí reside a felicidade” [Primeira Eneida, VI, 36]. Os estóicos [panteístas] viam a virtude na vida em harmonia com a natureza; um estóico moderno seria provavelmente um radical adepto da religião imanente do aquecimento global.
Uma das razões por que é impossível prever o futuro liga-se com o facto de ser muito difícil compreender o presente, sendo que este último não é o progresso ou evolução do passado. Como escreveu Paul Valéry, “entramos no futuro caminhando de costas”. Poderíamos dizer que cada segundo do tempo cósmico é único, isolado e separado, e que entre um segundo e outro seguinte, existe um hiato no tempo; uma espécie de vácuo temporal — o universo é criado e recriado a cada segundo cósmico. 
A legalização do aborto nasceu na Europa: primeiro com a URSS, depois na Alemanha nazi, e mais tarde (1967) em Inglaterra. Rapidamente o abortismo estendeu-se a toda a Europa por imposição política da parte dos países mais poderosos da Europa, com o contributo inestimável da União Europeia e das suas instituições. O principal (senão o único) argumento da União Europeia para a imposição do abortismo é o de que à mulher (feminismo) deveria ser permitido dispor do feto humano como quisesse e lhe desse na real gana (o famigerado argumento d’ “ o corpo é meu”).
“Austeridade permanente”, diz a União Europeia. Entretanto, e simultaneamente, 













