perspectivas

Segunda-feira, 16 Janeiro 2012

Angela Merkel, o luteranismo e Max Weber

Não obstante o facto de José Ribeiro e Castro ser benfiquista, nutro por ele uma notável admiração. Contudo, convém dizer que o senhor embaixador da Alemanha, amigo de José Ribeiro e Castro, pode estar a incorrer em erro quando alia a tese de Max Weber ao luteranismo [ou à herança cultural luterana] de Angela Merkel.

A tese de Max Weber, descrita no seu livro “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, refere-se, em primeiro lugar, ao calvinismo [e não ao luteranismo], e principalmente aos puritanos do século XVIII. Ora, o luteranismo tem muito pouco, ou quase nada, a ver com isto.

O calvinismo introduziu aquilo a que se convencionou chamar de “desvio calvinista” — fenómeno que não aconteceu, de todo, na Alemanha de Lutero! Foi este “desvio calvinista” [e a evolução deste fenómeno cultural e político através dos puritanos do século XVIII] que esteve na base da tese de Max Weber.

Enquanto que, na Alemanha, Lutero submete totalmente a religião [isto é, a igreja] ao Estado [isto é, ao magistrado], o “desvio calvinista” remete-nos para algo mais do que apenas uma nova variante da querela entre o magistrado e a igreja: a sociedade já não é vista do alto [de cima para baixo], mas de baixo [o direito do indivíduo a recusar a tradição, o que está na origem do espírito e da mente revolucionários moderno e contemporâneo]; a sociedade já não é vista do lado do exercício do poder, mas do lado das relações entre os homens [um “direito negativo”, não democrático, que introduz um carácter consistente da ordem social]. Ora, isto não aconteceu, nem de longe nem de perto, na Alemanha luterana!

Por isso, dizer que a tese de Max Weber se aplica à Alemanha luterana e à herança cultural de Angela Merkel, é um erro de palmatória.

As origens do sucesso da Alemanha devem ser procuradas no processo histórico e político que decorreu desde Bismarck, por um lado, e na herança cultural e política da antiga Prússia, por outro lado. Tão simples quanto isto. Ainda no princípio do século XIX, os alemães [ou os estados independentes alemães], em geral, tinham um nível de vida muito inferior ao dos espanhóis e portugueses. A unificação da Alemanha potenciou um mercado interno alargado, e a disciplina prussiana fez o resto — mas o Estado prussiano, fortemente secularizado, continua a existir, ainda hoje, através da Bundesrepublik.

Ora, isto nada tem a ver com o calvinismo, com a ética puritana do século XVIII e seguintes, com a tese de Max Weber d’ “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, e com a origem fundamental da ética burguesa. E muito menos com Angela Merkel, cuja mentalidade foi moldada pelo espírito marxista/comunista da Alemanha de Leste.

Domingo, 1 Janeiro 2012

O desespero da confusão

Este postal revela o problema dos intelectuais ingleses, em particular, e europeus, em geral. O problema começa logo com a confusão de noções, mediante a abordagem a um determinado conceito que é, por natureza, alargado; por exemplo, o termo “espiritualidade”. Todos sabemos que a palavra “espiritualidade” é usada em diversos sentidos que, muitas vezes, nada têm a ver uns com os outros: até um estalinista [como por exemplo, Louis Althusser] fala na “espiritualidade do marxismo”.
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Quinta-feira, 24 Novembro 2011

Quando se “apaga” o passado porque se tem medo dele, ou quando “Os factos são teimosos” [Lenine]

Acho este tipo de análise política destituído de sentido, porque se concentra nos efeitos e “esquece” as causas. Os gregos chamavam a isso “doxa” [“opinião”, no sentido pejorativo do termo] em contraponto com “episteme” [ciência]. Por exemplo:

“Mas este corte do 13º e 14º mês tem muito mais vantagens do que um mero corte da despesa. Tem o mérito de colocar os funcionários públicos em sentido face ao que produzem e de colocar Portugal e os Portugueses face à realidade, que mais não é do que se ter andado a consumir muito mais do que se produzia durante demasiado tempo consecutivo e com isso se ter vivido no mundo da ilusão.”

Mas quem criou “esse mundo de ilusão”? [vamos às causas!]

Foi esta mesma classe política que criou o “mundo de ilusão” para que pudessem convencer os portugueses a abdicar da sua soberania em um exercício racional de relação entre o Deve e o Haver ["uma mão lava a outra", diz o ditado; o problema é que ficamos agora com as duas mãos sujas...]. Estamos em presença de uma das maiores fraudes políticas da História de Portugal.

Foi a mesma classe política que disse aos portugueses: “abdiquem da vossa soberania e irão passar a viver melhor!”; e agora, dizem-nos que vivemos no “mundo da ilusão”, depois de os mecanismos básicos de soberania terem sido transferidos, nomeadamente, para os mercados financeiros.

O “mundo da ilusão” que foi vendido aos portugueses como sendo bom [o Euro, a União Europeia, o Tratado de Lisboa e a transferência massiva de soberania para o estrangeiro], agora já é considerado mau; e, em nome da necessidade de erradicar esse “mundo de ilusão” [que antes não era ilusório, mas que agora já é], essa mesma classe política exige que os portugueses regridam 30 ou mesmo 40 anos nas suas condições de vida, mas desta vez sem os mecanismos básicos de soberania [por exemplo, a moeda nacional] que os portugueses tinham antes de entrarem no “mundo da ilusão”!

Ou seja: agora, a classe política [e/ou a ruling class] querem que os portugueses regridam à idade da pedra, e sem autonomia política nacional! É obra!

Eu não me importo de ser mais pobre mas ter a dignidade própria de um cidadão. Eu sei que a dignidade não se come, mas é o sentimento de dignidade que distingue o ser humano de um animal irracional [o Homem sabe que é digno]. E quando alguém faz uma análise e não vai às causas dos fenómenos [políticos, neste caso], presta um péssimo serviço à racionalidade e à dignidade humanas, em nome de uma qualquer inconfessável obediência canina.

Segunda-feira, 21 Novembro 2011

A perda de soberania dos países da zona Euro alimenta a especulação financeira

«The Greeks and the Spanish cannot devalue their own currencies – but everything else they have done has been according to the austerity-economics textbook. And it hasn’t worked. For all the current talk about a democratic crisis in euroland, the politicians themselves gave much of their own sovereignty away in the preceding decade. From Blair to Zapatero, the fashion in social-democratic thinking has been to abdicate power – and now bond markets are filling the vacuum.»

via Politicians under the euro: at the wheel but not steering | Editorial | Comment is free | The Guardian.

Este editorial do The Guardian é tão elucidativo que até fere a vista. Os políticos da maioria dos países da União Europeia [com excepção do directório europeu, constituído pela Alemanha e pela nova França de Vichy] abdicaram da soberania dos seus países à revelia dos seus povos, e agora os mercados financeiros ocupam o vácuo deixado pelo poder político.

O único país da zona Euro que não abdicou da sua soberania foi a Alemanha — até a França sofre agora ameaças dos mercados financeiros: a França de Vichy, submissa à soberania alemã, já está à mercê dos mercados financeiros.

Para que tenhamos uma ideia nítida do que se passa: a Espanha tem uma dívida pública inferior — em percentagem do PIB — à da Alemanha!

Porém, vemos que os mercados não incomodam a Alemanha e já ameaçam a Espanha com uma intervenção externa. Os mercados financeiros sabem “quem manda” — reconhecem a soberania que decorre do poder político —, e sabem que “quem manda”, de facto, em Espanha, é a Alemanha. Enquanto a Alemanha fizer funcionar os seus mecanismos internos de soberania e estender o seu poder político aos países do Euro, é altamente improvável que seja beliscada pelos mercados financeiros.

Quarta-feira, 9 Novembro 2011

O perigo da suspensão da democracia na União Europeia

Filed under: Europa — O. Braga @ 12:35 pm
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“A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou hoje que as fronteiras entre a política doméstica e europeia já perderam a definição na zona euro, dando como exemplo a possibilidade do referendo grego, numa entrevista à agência noticiosa alemã DPA.”

via “Moeda única acabou com políticas domésticas” – Economia – DN.

O que aconteceria, nos Estados Unidos, se o estado do Texas fosse sujeito a uma austeridade extrema para que se pudessem salvar alguns Bancos situados em Manhattan?

Se isso acontecesse nos Estados Unidos, os mecanismos estaduais [do Texas] de democracia directa funcionariam imediatamente. Provavelmente aconteceria um referendo à população do Texas acerca da política de austeridade neste contexto. E estamos a falar de estados pertencentes ao mesmo país…

Esta analogia serve para desmontar os preconceitos ideológicos de Ângela Merkel em relação aos mecanismos de democracia directa. A desfocagem entre a política europeia e a política doméstica, para Ângela Merkel significa a restrição da democracia, enquanto que nos Estados Unidos, a distinção entre política nacional e política estadual passa pela afirmação da democracia a nível local. Esta é uma diferença que não pode ser escamoteada!

Sábado, 5 Novembro 2011

O tempo da cultura do “amor-de-si”

Filed under: ética,cultura,educação — O. Braga @ 8:42 pm
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“El cemento social, es el incienso recíproco.” — Nicolas Gomez Dávila

Para os gregos, a “virtude” consistia na excelência da realização do destino do Homem, sendo que esse destino de excelência é concebido em função daquilo que a natureza determinou para o Homem [a natureza humana]. Ou seja: a virtude é o conjunto de práticas [comportamentos] e/ou de operações de conhecimento que caracterizam aquilo que há de melhor na natureza humana.

A partir desta concepção de virtude, cada filósofo [ou cada escola filosófica] dedicou-se estudar uma parte da realidade da virtude. Platão abordou uma determinada parte da realidade virtuosa, Aristóteles abordou uma outra parte, os estóicos uma outra dimensão da realidade da virtude, etc. Essas visões parciais da dimensão da virtude são, na maior parte dos casos — senão parcialmente coincidentes e semelhantes — complementares.

É em função da virtude (ou das concepções parciais dela) que se engendra a noção de felicidade, sendo que esta depende das visões parciais que cada filósofo imprime ao conceito de virtude. Assim, por exemplo, para Plotino, a felicidade depende da disposição da alma: “o acto próprio da alma consiste em ser sábia; é um acto anterior à própria alma e aí reside a felicidade” [Primeira Eneida, VI, 36]. Os estóicos [panteístas] viam a virtude na vida em harmonia com a natureza; um estóico moderno seria provavelmente um radical adepto da religião imanente do aquecimento global.

Aristóteles foi sem dúvida quem colocou, pela primeira vez e de uma forma sistemática, o problema do “amor-de-si” exacerbado que, de resto, caracteriza a nossa contemporaneidade. Vivemos no tempo e na cultura do “amor-de-si”. Na sua Ética a Nicómaco [IX, 8], escreve: “Critica-se, com efeito, aqueles que se amam a si próprios acima de tudo, dando-lhes o nome de egoístas num sentido pejorativo (…) o homem perverso tem por carácter fazer tudo o que faz em função do interesse próprio (…) ao contrário do homem de bem que tem por carácter fazer algo porque é nobre (…) e no próprio interesse do seu amigo, pondo de parte qualquer benefício pessoal.”

Aristóteles define assim duas formas distintas de “amor-de-si”: uma forma inferior (o homem perverso tem por carácter fazer tudo o que faz em função do interesse próprio), e uma forma superior que se revê no indivíduo e no cidadão que se realiza na concórdia, no bem-comum e na participação cívica. A excelência do indivíduo [a virtude] realiza-se nesta continuidade entre o homem privado e o homem público.

Aristóteles não nega a existência da utilidade: apenas a divide em duas categorias: a utilidade que satisfaz através das acções virtuosas (conforme definição acima), e a utilidade que satisfaz as acções que apenas beneficiam o indivíduo, desviando-o da sua excelência. A primeira é a “utilidade real”, e a segunda é a “utilidade aparente”. E é neste quadro que Aristóteles defende a educação cívica como veículo de transformação da sensibilidade moral e como função da passagem da “utilidade aparente” à “utilidade real”.

A nossa sociedade — e refiro-me não só a Portugal mas principalmente à União Europeia — segue um paradigma cultural da “utilidade aparente” que se traduz naquilo a que se convencionou chamar de “neoliberalismo”. Este é um dos sinais de desagregação da nossa sociedade e de evidente decadência. Vivemos em uma cultura em que a virtude é considerada como algo de negativo.

Terça-feira, 25 Outubro 2011

A utopia grupal, anti-religiosa, anti-arte, contra a família, contra a autonomia do indivíduo

Uma das razões por que é impossível prever o futuro liga-se com o facto de ser muito difícil compreender o presente, sendo que este último não é o progresso ou evolução do passado. Como escreveu Paul Valéry, “entramos no futuro caminhando de costas”. Poderíamos dizer que cada segundo do tempo cósmico é único, isolado e separado, e que entre um segundo e outro seguinte, existe um hiato no tempo; uma espécie de vácuo temporal — o universo é criado e recriado a cada segundo cósmico.

Tentar compreender alguma coisa, pouca que seja, do presente é uma tarefa formidável, porque compreender não é interpretar subjectivamente; nem é explicar, porque para explicar o que quer que seja da realidade, temos que retroceder infinitamente nas causas. Compreender o presente histórico é tentar descrever uma parte da realidade de forma objectiva, o que é uma tarefa, não diremos impossível, mas é concerteza extremamente difícil.

Uma característica das religiões políticas que, a partir do Iluminismo, colocaram o Futuro no lugar do Transcendente, é a de que a compreensão do presente é subordinada e subalternizada à ideia da construção do futuro, ou seja, para o ideólogo moderno é mais importante impor uma determinada visão utópica do futuro do que propriamente tentar compreender o presente — para o ideólogo, o presente conta pouco.

A leitura deste artigo no Brussels Journal [infelizmente, em inglês] é essencial e altamente recomendável, para percebermos como os ideólogos do politicamente correcto, controlados pelo ultra-minoritário lóbi político guei, tentam a construção de um futuro utópico totalmente divorciado da realidade e sem a preocupação de compreender minimamente o presente. Já tenho referido aqui que o gayzismo é uma ideologia política totalitária extremamente perigosa.


«The resulting demonization of public intellectuals of a conservative bent is a clear indication of the Left’s decline but not necessarily of the West’s as such. This confusion is just a mainstream fallacy, taking the Left for the rest.

Surely the intellectual resources of the Left are spent, not least looking at their antediluvian notion of absolute evil and demonizing political adversaries with “hate speech” which is about to thwart the well spring of new ideas for the survival of Western society. The concept of hate speech is a projection of the biologistic mindset of urban elites today.»

–> Why The Left Is Demonizing Conservatives

Segunda-feira, 24 Outubro 2011

A psicologia de urinol de Sarkozy

Sarkozy lamenta que tenham entrado na zona Euro países despreparados. Ou é da minha vista, ou vamos entrar em uma “noite das facas longas”.

É claro que quando os PIIGS entraram para o Euro, cumpriram todos os requisitos necessários para a admissão, a ver: menos de 3% de défice público e menos de 60% de dívida pública em relação ao PIB. Não existiam mais exigências para além destas, senão a vontade política dos países candidatos.

Então por que é que Sarkozy disse o que disse? A resposta é simples: Sarkozy tenta escamotear o facto de os países do directório da União Europeia (leia-se, Alemanha e a França de Vichy) terem sugado e destruído as economias dos países periféricos da zona Euro, e agora pretendem sacudir a água do capote quando se preparam claramente para expulsar a Grécia do Euro.

Naturalmente que é um facto que hoje — e não há 11 anos atrás — países como Portugal, Grécia, Irlanda e mesmo a Bélgica ou a Espanha, estão menos aptos (do ponto de vista económico) para permanecer no Euro, por outra razão muito simples: as prioridades da economia da zona Euro foram ditadas em função dos interesses estritos e exclusivos da Alemanha e, em parte, da França de Vichy.

Sarkozy aplica aqui a psicologia de urinol do prepotente: aquele prepotente que está a urinar num urinol público, dá um tonitruante e assustador flato, e depois olha para o vizinho com ar de desprezo.

Terça-feira, 18 Outubro 2011

A Europa abortista é uma anedota

A legalização do aborto nasceu na Europa: primeiro com a URSS, depois na Alemanha nazi, e mais tarde (1967) em Inglaterra. Rapidamente o abortismo estendeu-se a toda a Europa por imposição política da parte dos países mais poderosos da Europa, com o contributo inestimável da União Europeia e das suas instituições. O principal (senão o único) argumento da União Europeia para a imposição do abortismo é o de que à mulher (feminismo) deveria ser permitido dispor do feto humano como quisesse e lhe desse na real gana (o famigerado argumento d’ “ o corpo é meu”).

Eis que perante a ameaça da selecção pré-natal do sexo da criança (que discrimina negativamente a existência das futuras mulheres), o Conselho da Europa emitiu a Resolução 1829 (2011), que proíbe o aborto selectivo de nascituros consoante os sexos, porque as crianças do sexo feminino são as que mais são abortadas.

Note-se esta notícia não saiu nos me®dia.

Porém, o absurdo total irá acontecer quando for possível detectar os nascituros com uma anomalia genética que determine a futura homossexualidade. Então veremos as crianças com síndroma de Down serem abortadas, mas em contraponto veremos certamente o Conselho da Europa emitir uma Resolução proibindo que se abortem os gays.

Por favor: tirem-nos desta União Europeia !

Sábado, 15 Outubro 2011

A guerra das elites europeias contra o Estado-Nação

Filed under: Portugal — O. Braga @ 12:49 pm
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O professor Adriano Moreira tem vindo a chamar sistematicamente à atenção para a importância de não se substituir a ONU pela construção de aglomerados regionais e provisórios de soberania. Nos últimos trinta anos aconteceu na Europa uma guerra contra o Estado-Nação, e o que está a acontecer hoje na Europa, com o recrudescimento radical dos nacionalismos, é resultado reaccionário dessa guerra cultural e política contra o Estado-Nação.
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Quinta-feira, 13 Outubro 2011

O PSD do Pernalonga e dogma dos trogloditas portugueses no Euro

That ' s All, Volks!

O que eu tenho vindo a dizer neste blogue, sobre a economia portuguesa, está a cumprir o seu caminho. E não sou economista…! Hoje, o nosso primeiro-ministro Pernalonga veio confirmar aquilo que eu já tinha dito aqui ao longo do último ano.

Quando o desemprego (desemprego “não oficial”, obviamente, porque o Estado republicano nunca reconhece o real) chegar aos 30% da população activa; quando chegarem à conclusão de que as receitas fiscais nunca chegam para cobrir as despesas do Estado, justificando assim novos aumentos de impostos que, por sua vez, vão gerar mais redução no consumo e mais diminuição de receitas fiscais que justificarão mais aumentos de impostos ad infinitum — ainda assim, ainda haverá por aí “blogueiros” ligados ao PSD do Pernalonga a defender a ideia da catástrofe que seria a saída de Portugal do Euro.

No tempo da ditadura espanhola, diziam os espanhóis: “No tengo una peseta pero tengo um franco”, jogando assim com o nome do generalíssimo Franco e com a antiga moeda francesa. Dentro em breve, os portugueses dirão: “Não tenho um cêntimo mas temos o Euro”.

O que se está a fazer agora é conduzir Portugal para a idade da pedra. E o que é mais extraordinário é defender um regresso de Portugal ao tempo dos trogloditas e palafitas, mas sem sairmos do Euro! Credo! Sair do Euro?! Heresia! Cruzes, canhoto! Mais vale aos portugueses emigrarem todos do que fugir ao dogma!

Quarta-feira, 12 Outubro 2011

Primeiro puseram-nos na merda, e agora querem que a gente cante elegias

Filed under: Tempo de Café — O. Braga @ 12:21 pm
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BRUSSELS — The EU warned Tuesday that the eurozone requires permanent tough austerity measures if it is to cope with public debt set to crash through the 100-percent-of-GDP barrier and keep rising for many years.

via AFP: EU says eurozone needs ‘permanent’ austerity.

“Austeridade permanente”, diz a União Europeia. Entretanto, e simultaneamente, George Soros vem dizer que a União Europeia se deve transformar num Estado leviatão — quando Soros, que quase levou à bancarrota a Libra inglesa em 1993, defende qualquer coisa, temos que nos colocar de pé atrás. Temos, pois, por um lado, a UERSS proposta por Soros e, por outro lado, a “austeridade permanente”. Ou seja, uma nova, moderna e adaptada edição da China para os países periféricos da União Europeia!

Reparem bem, meus amigos: para ter “austeridade permanente”, prefiro que Portugal reassuma o seu controlo da política monetária através do nosso Banco de Portugal.

Se é para estar na merda, apenas por estar na merda, então que sejamos minimamente soberanos. O que os burocratas europeus e os plutocratas globalistas estão a propor é que estejamos na merda e sem o mínimo de soberania; ou seja, que passemos a estar em uma dupla merda. Além disso, vários economistas de renome, entre eles o monárquico Ferreira do Amaral, são de opinião que Portugal sairá mais depressa da situação em que está se o nosso país sair do Euro…! (naturalmente que ninguém defende uma saída abrupta do Euro, mas uma saída planificada).

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