perspectivas

Terça-feira, 15 Abril 2014

O cientismo é dogmático

Filed under: Ciência,cultura — O. Braga @ 8:18 am
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Um cego pode dizer que “não pode ouvir as cores”, e que, por isso, as cores não existem objectivamente.

De um modo semelhante, o cientismo diz que os valores da ética não existem objectivamente (e que só existem subjectivamente) porque são estranhos às ciências da natureza.

O problema é que os intérpretes do cientismo são supostos “cientistas” ou “homens da ciência”; e em vez de termos as sotainas da Idade Média, temos as batas brancas dos ratos de laboratório da contemporaneidade.

Sábado, 22 Março 2014

“Todas as crenças são falsas, excepto as crenças das ciências naturais”

Filed under: Ciência,filosofia — O. Braga @ 8:00 am
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Normalmente não vejo televisão — excepto os jogos de futebol do meu FC Porto, o programa do José Pacheco Pereira ao Domingo na SICn pelas 20 horas, e o encontro com Manuela Ferreira Leite na TVI24 às Quintas-feiras. E não vejo televisão porque tenho coisas mais interessantes para fazer no tempo que me resta; por exemplo, ler; ou escrever.

Por isso, não sei bem do que o David Marçal, do blogue Rerum Natura, diz ser um programa da RTP que “promove a crendice e o obscurantismo” — porque não vi esses programas. Mas vamos partir do princípio de que esses programas dizem respeito a determinadas crenças — que o Rerum Natura  chama de “crendices”.

O que me aborrece não é a crítica do David Marçal às crenças dos referidos programas da RTP: ninguém está acima da crítica e é saudável que exista um espírito crítico vivo na sociedade.

O que me aborrece é que os cientistas se considerem acima de qualquer crítica, quando criticam as crenças dos outros — partindo do princípio segundo o qual a ciência não é uma crença. Ou seja, está implícita, na crítica do David Marçal às “crenças”, a ideia segundo a qual a ciência não é uma crença. Ora, este exclusivismo implícito ou explícito, do cientista revela estupidez.


“A fé do cientista é a maior que existe, porque é inconfessável.”Roland Omnès, físico francês, professor de Física Teórica da Faculdade de Ciências de Orsay, Paris

Não há nenhuma ciência empírica — por exemplo, a medicina — que não se baseie em uma certa interpretação da realidade. E essa interpretação não é necessariamente — não corresponde necessariamente à — a própria realidade. A partir do empirismo constrói-se uma teoria (Aristóteles) e da teoria volta-se à prática empírica para confirmação lógica (verificação) da teoria.

E “as nossas teorias científicas, por melhor comprovadas e fundamentadas que sejam, não passam de conjecturas, de hipóteses bem sucedidas, e estão condenadas a permanecerem para sempre conjecturas ou hipóteses” – Karl Popper, em conferência proferida em 8 de Junho de 1979 no Salão Nobre da Universidade de Frankfurt , por ocasião da atribuição do grau de Doctor Honoris Causa.

Portanto, o David Marçal tem todo o direito de criticar as “crenças falsas” dos outros, mas se pensa que a sua (dele) crença corresponde necessariamente à verdade, mais valia estar calado.

Sexta-feira, 21 Março 2014

As crenças humanas

Filed under: Ciência — O. Braga @ 7:39 am
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O David Marçal, do blogue Rerum Natura, pode ter razão quando denuncia as crenças populares. Mas ¿será que a ciência não é também um conjunto de crenças?

Há um livrinho que aconselho a ler: “A Ideia da Fenomenologia”, de Edmund Husserl, Edições 70, 2012. Voltarei ao assunto, um dia destes.

Quinta-feira, 20 Fevereiro 2014

Cientistas suecos explicam por que razão os homens são mais altos do que as mulheres

 

Os cientistas suecos fizeram estudos exaustivos e demorados, verificaram provas e inferiram indícios, e chegaram à conclusão que os homens são mais altos do que as mulheres porque os meninos são melhor alimentados do que as meninas. É uma questão de comida: os rapazes são melhor alimentados do que as raparigas, e por isso é que os primeiros são mais altos do que as segundas.

boys get more food

 

Por isso, a ciência sueca recomenda que se acabe com a injustiça de os rapazes serem melhor alimentados do que as raparigas que, coitadas, passam fome em criança e por isso é que são mais baixinhas.

Nós temos a obrigação de seguir estes conselhos da ciência — por exemplo, transformando em bíblia tudo o que o se escreve no blogue Rerum Natura —- porque a ciência nada mais quer senão o fim das injustiças sociais e a afirmação de uma nova ética, mais moderna e revolucionária.

Portanto, caro leitor, fique cientificamente a saber: não deixe as suas filhas passarem fome porque ficam mais baixinhas dos que os rapazes.

Sexta-feira, 6 Dezembro 2013

O Carlos Fiolhais anda aluado

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 11:07 am
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“Sabemos agora que os padrões das estrelas e dos planetas no céu nocturno não interferem na vida dos seres humanos.”citação de Carlos Fiolhais

Quando convém, a ciência esquece-se de recordar o erro de Galileu na sua (dele) Teoria das Marés. É nestas ocasiões que verificamos que, de vez em quando, os cientistas andam aluados.

Ademais, o Carlos Fiolhais cita um texto que remete o antropocentrismo para o passado, quando, de facto, o homem moderno é mais sub-lunar do que nunca: o homem moderno reduz o universo à dimensão da realidade que se encontra por debaixo dos satélites artificiais.

Quarta-feira, 22 Agosto 2012

Como se desconstrói uma treta em duas penadas

«Uma peça importante neste truque é a falsa distinção entre “evidências científicas” e “evidências não científicas”, como se o carácter de ser científico estivesse nas evidências em vez de estar nos processos de inferência.»

via Que Treta!: A “evidência científica”..

A inferência é o acto que consiste em admitir como verdadeira uma proposição que não é directamente conhecida como tal, e por referência a outras proposições verdadeiras com as quais está ligada. A inferência pode ser “racional” mas não enquanto “juízo lógico”: é “racional” no que diz respeito ao seu “conteúdo” — embora alguns lógicos admitam a existência formal (mediante juízo lógico) de inferências imediatas.

A definição de inferência indica, desde logo, duas realidades factuais: a primeira é a de que a verdade existe. A segunda é a que a descoberta da verdade pode ser independente do juízo lógico. Estas duas realidades factuais estão, a priori, implícitas no trecho supracitado.

Portanto, falar em ciência é (1) admitir que a verdade existe; nenhum cientista propriamente dito pode admitir que a verdade não exista, porque estaria na profissão errada. Por outro lado, falar em ciência é (2) admitir também que o conteúdo da verdade — ou o resultado da inferência — é independente do juízo lógico ou da indução que só se aplica no seu estado puro (raciocínio por recorrência) nas matemáticas.
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Sábado, 7 Julho 2012

Um exemplo do “cristão bonzinho”, e “a partícula de Deus”

“Apesar de não ter visto muito apropriamento do tema por parte dos ateus, tenho visto alguns cristãos (poucos) a reagirem adversamente à descoberta da chamada “partícula de Deus” (i.e. o bosão de Higgs). Parece que algumas pessoas terão pensado que se trata de uma descoberta científica que refuta a existência de Deus.

Não é assim, de todo. E a prova está em que a Igreja Católica (na esteira daquilo que já é sua tradição) veio saudar entusiasticamente mais esta descoberta científica como uma contribuição positiva para a Humanidade.”

via Crónicas de uma peregrinação: A «PARTÍCULA DE DEUS».

O “cristão bonzinho” é aquele que, entre outras coisas perversas, colabora activamente com o cientismo, seguindo o princípio calvinista e revolucionário segundo o qual “quanto mais me batem e me martirizam, mais santo me torno”, e por isso, há que incentivar o martírio.

Se, para ser mártir, é mister que me crucifiquem, então há que incentivar os outros a proceder activamente no sentido da minha crucificação — trata-se de uma interpretação errada dos Evangelhos e da Paixão de Jesus Cristo.

Em primeiro lugar, o problema dos cristãos não é o “temer”, ou “não temer”, o bosão de Higgs. O problema é o de reagir, ou não, contra a atitude cientificista de o apelidar de “partícula de Deus”.

Em segundo lugar, não foi Higgs que alcunhou a sua putativa partícula de “partícula de Deus”. Antes, foi o prémio Nobel Leon Lederman. Existe uma intencionalidade metafísica por detrás desta nomenclatura que não pode ser negada senão por um idiota “cristão bonzinho”…

Em terceiro lugar, o que foi encontrado pela ciência foi uma “pegada” — um indício; uma evidência — de algo que pode ser a partícula de Higgs, mas que não se sabe ainda se é, de facto, a tal partícula de Higgs.

Em quarto lugar, e mesmo que se venha a demonstrar que a tal “pegada” é, de facto, a partícula de Higgs, tratar-se-ia de uma descoberta modesta que custou um balúrdio de dinheiro, e que apenas viria validar o chamado “Modelo Padrão” [ou Standard] da física quântica que exclui a força da Gravidade.

Vamos deixar de ser “cristãos bonzinhos” e adoptar o espírito crítico. O Cristianismo não é incompatível com o espírito crítico e com a Razão.

Quinta-feira, 14 Junho 2012

O missal darwinista consegue ser pior do que o Alcorão

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Terça-feira, 12 Junho 2012

O António Damásio e o epifenomenalismo

« A iniciativa “Café, Livros e Ciência” discute na próxima quinta-feira, 14 de junho, a partir das 18h00, “O Livro da Consciência”, de António Damásio. A sessão, na cafetaria do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC), será dinamizada por Catarina Resende, directora do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC). »

via De Rerum Natura: O Livro da Consciência.

Pessoas que pensam como o António Damásio têm certamente a noção de que o cérebro humano é composto por células procarióticas; e partem desse princípio supondo que essa é a base do seu próprio cérebro. O problema é que generalizam essa noção endógena para toda a gente.

É assim que a neuro-ciência define a neuro-consciência que neuro-gere os neuro-comportamentos dos neuro-seres-humanos. O neuro-mundo e as neuro-mundividências são neuro-construídas por um neuro-cérebro que neuro-obedece, neuro-exclusivamente, aos neuro-impulsos das neuro-células procarióticas que habitam a massa cinzenta de António Damásio.

E quem se atrever a neuro-criticá-lo, é neuro-automaticamente apodado de neuro-ignorante e de neuro-neurótico.

Adenda: células “procarióticas”, e não células “porcarióticas”. Mas também poderiam ser.

Sábado, 9 Junho 2012

A burrice, são os outros

“Last week, Gallup announced the results of their latest survey on Americans and evolution. The numbers were a stark blow to high-school science teachers everywhere: forty-six per cent of adults said they believed that “God created humans in their present form within the last 10,000 years.” Only fifteen per cent agreed with the statement that humans had evolved without the guidance of a divine power.”

via Studying the Brain Can Help Us Understand Our Unscientific Beliefs : The New Yorker.

Se perguntarmos a quase toda a gente que defende o darwinismo — incluindo jornalistas, “intelectuais”, políticos e mesmo muitos cientistas — se já leram, por exemplo, literatura especializada acerca do conceito bioquímico de “complexidade irredutível”, estou convencido que dirão que não; que não leram.

Se perguntarmos por que não leram nada acerca deste tema, dirão que se trata de criacionismo bíblico e, por isso, de superstição e, portanto, não vale a pena ler. E portanto estamos num círculo vicioso: não lêem porque é superstição; mas é superstição exactamente porque não lêem.

E depois, esses mesmos darwinistas vêm a terreiro clamar que apenas 15% da população acredita no darwinismo, e dizer que, por isso, 85% da população é constituída por atrasados mentais.

Na linguagem gnóstica, os 15% de auto-iluminados, crentes do dogma darwinista, constituem os novos Pneumáticos; e os 85% que duvidam do dogma são os novos Hílicos — os desgraçados privados da “salvação”.

Em boa verdade, os darwinistas — incluindo, por exemplo, o Hélio Dias, do Rerum Natura — não se distinguem daquele tipo de criacionista que acredita que a Terra surgiu há 100 mil anos, e que os dinossauros desapareceram há 5 mil anos; o arquétipo mental é idêntico, nos dois casos.

Nota: Jean-Paul Sartre dizia que “o inferno são os outros”. Os darwinistas dizem que “a burrice são os outros”.

Quinta-feira, 7 Junho 2012

A nova utopia política: o darwinismo utópico

« Richard Leakey predicts skepticism over evolution will soon be history.

Not that the avowed atheist has any doubts himself.

Sometime in the next 15 to 30 years, the Kenyan-born paleoanthropologist expects scientific discoveries will have accelerated to the point that “even the skeptics can accept it.” »

via Scientist: Evolution debate will soon be history – Technology & science – Science – msnbc.com.

Depois da queda do muro de Berlim e da desgraça do marxismo, o movimento revolucionário agarrou-se imediatamente ao marxismo cultural. Depois que alguns académicos marxistas, como por exemplo, Peter Singer ou Daniel Dennett, há meia dúzia de anos atrás, terem recomendado que o marxismo fosse abandonado (pelo menos, provisoriamente) pela Esquerda, e substituído pelo darwinismo, surge, em todo o seu esplendor, a nova utopia política: o darwinismo utópico.

Hoje, já não é preciso demonstrar que o marxismo nada tinha de científico: a experiência da humanidade fala por si. Mas a nova utopia é semelhante ao marxismo e ao nazismo: ao mesmo tempo que defende a diferenciação das elites em relação às massas, impõe a estas uma igualdade de Procrustes como forma de “corrigir os erros da natureza”, e em nome da ciência e do Saber.

A nova utopia é mais dissimulada do que o marxismo, no sentido em que nem sempre defende a violência dos levantamentos populares [como por exemplo, o apoio ao movimento "ocupa" de Wall Street, ou apoio à "rua árabe" no Próximo Oriente], mas antes defende a ideia de que uma certa elite deve tomar o poder político por compadrio e pela corrupção [por exemplo, através da maçonaria], e a ruling class deve estar, toda ela, sintonizada com os princípios ideológicos fundamentais da nova utopia.

O darwinismo utópico parte do princípio segundo o qual a natureza e a sociedade são portadores de “erros naturais” [porque “a natureza erra, no processo de evolução”] que devem ser corrigidos por uma certa elite política que deve controlar a ruling class, partindo do princípio maniqueísta segundo o qual “quem não é por nós, é contra nós” — neste ultimo aspecto, o darwinismo utópico herdou do marxismo e do marxismo cultural o princípio de “tolerância repressiva”.
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Quarta-feira, 6 Junho 2012

A Teoria do Balde, de Karl Popper

“É revelador da condição humana que todas as provas e factos empíricos são por norma incapazes de mudar as fortes crenças ideológicas dos indivíduos. É por isso que só é possível contrapor uma narrativa (política) com outra mais sedutora.”

Esta proposição foi respigada no FaceBook e é da autoria de um jovem que faz um mestrado universitário, e que colabora num blogue hayekiano. A proposição necessita de ser interpretada para fazer algum sentido, porque inclui nela uma série de conceitos que, sem uma interpretação, valem pouco.

Duas perguntas: 1) o que é um facto? 2) será que depois de definirmos “facto”, podemos saber se os factos conduzem a uma aproximação da verdade que racionalize [ou seja, que as fundamentem logicamente] as crenças ideológicas?
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