perspectivas

Sábado, 30 Agosto 2014

Vivemos todos em Corinto, e a Igreja Católica já não ouve São Paulo de Tarso

 

“The secretary general of the Italian Bishops’ Conference has said that “unconventional couples” suffer “discrimination” and “prejudice” from the Church.”

Church ‘discriminates’ against ‘unconventional couples’: leader of Italian Bishops’ Conference

O secretário-geral da Conferência Episcopal italiana, o Bispo Nunzio Galantino, diz que a Igreja Católica discrimina os casais “não convencionais”. O conceito de “não convencional” é obviamente “pau para toda a colher” (pode servir para qualquer coisa), uma vez que o conceito de “casal” foi indevidamente alargado de forma subjectiva.

A Igreja Católica dirigida pelo cardeal Bergoglio — aka Francisco I — não só ignora ostensivamente S. Paulo, como está a trabalhar com afinco para eliminar ou censurar as epístolas de S. Paulo. Como cristãos e católicos, não podemos ignorar S. Paulo — mesmo que isso incomode os hereges liderados pelo cardeal Bergoglio que tomaram conta da Igreja Católica.


Sao Paulo WebNo tempo em que viveu S. Paulo, a cidade de Corinto tinha cerca de 500 mil habitantes, dos quais 2/3 eram escravos. Corinto era conhecida no império romano como uma cidade pervertida e licenciosa. S. Paulo criou uma comunidade de cristãos na cidade, e em relação a eles, escreveu: “Rogo-vos que sejais meus imitadores” (1 Cor 4, 16). Ou seja, S. Paulo pretendia que os cristãos de Corinto se demarcassem e se afastassem da cultura dos gentios da cidade. Isto significa que, para S. Paulo, os cristãos não se deveriam imiscuir com os gentios, conforme escreveu:

“Já vos escrevi na minha carta [alusão a uma carta pré-canónica] para não vos relacionardes com os devassos. Não me referia genericamente aos devassos deste mundo, ou aos avarentos, ladrões, ou idólatras, porque, então, teríeis que sair deste mundo. Não. Escrevi que não devíeis associar-vos com quem, dizendo-se irmão [cristão], fosse devasso, avarento, idólatra, caluniador, beberrão ou ladrão. Com estes, nem sequer deveis comer.”

— S. Paulo, 1 COR 5, 9

Ao contrário do que é defendido pelo supracitado Bispo herege da estirpe do cardeal Bergoglio, S. Paulo faz a distinção entre a comunidade cristã, por um lado, e o mundo, por outro lado. Mas o papa herege e os seus acólitos consideram que a comunidade cristã coincide com o mundo.

“Não vos iludais: nem os devassos, nem dos idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os pedófilos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os beberrões, nem os caluniadores, nem os salteadores herdarão o Reino de Deus.” — 1 COR 6, 9

S. Paulo tratou as mulheres e os homens em uma base de igualdade ontológica (igualdade do ser) — o que não é a mesma coisa que a igualdade física que a cidade de Corinto actual reivindica através da ideologia de género.

“Se algum irmão [cristão] tem uma esposa não crente e esta consente em habitar com ele, não a repudie. E se alguma mulher [cristã] tem um marido não crente e este consente em habitar com ela, não o repudie. Pois o marido não crente é santificado pela mulher, e a mulher não crente é santificada pelo marido; de outro modo, os vossos filhos seriam impuros, quando, na realidade, são santos.

Mas se o não crente quiser separar-se, que se separe, porque, em tais circunstâncias, nem o irmão [cristão] nem a irmã [cristã] estão vinculados.” — 1 COR 7, 12

Ou seja, para a Igreja Católica de S. Paulo, o que é mais importante é a comunidade cristã — e não o mundo. Mas para a igreja herege do papa Francisco I, o que é mais importante é o mundo, e não a comunidade dos cristãos.

“Irmãos, exorto-vos a que tenhais cautela com os que provocam divisões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Essa gente não é a Jesus Cristo que serve, mas ao seu próprio ventre; e com palavras lindas e lisonjeiras enganam os corações ingénuos.” — S. Paulo, Romanos 16, 17

Dizer que a Igreja Católica descrimina os casais “não convencionais” é a mesma coisa que defender que as epístolas de S. Paulo deveriam ser deitadas à fogueira da História. E é isso o que os hereges apaniguados do cardeal Bergoglio defendem.

Quarta-feira, 30 Julho 2014

¿O casamento é uma “construção social”?

 

Se a noção de “construção social” é verdadeira, então segue-se que a noção de “construção social” é, ela própria, uma construção social.

E quando alguém diz que “o casamento é uma construção social e que pode ser mudado para acomodar o casamento gay”, então segue-se que o “casamento” gay é também uma construção social.

E sendo o “casamento” gay uma construção social, temos também o direito de o rejeitar seguindo os mesmos pressupostos de quem o defende.

Sábado, 5 Julho 2014

Instrumentum Laboris 2014: a Igreja Católica, a família e o casamento

 

A Igreja Católica reafirma a sua posição sobre a família e sobre o casamento em um documento recente, Instrumentum Laboris, que pode ser lido aqui em português.

Este documento é muito importante, porque, em primeiro lugar, analisa criticamente os questionários feitos recentemente aos católicos nas suas paróquias, e depois faz uma crítica racional ao estereótipo cultural ocidental do nosso tempo — estereótipo esse que é, em grande parte, comum à esquerda e à “direita” — embora tenha sido imposto pela esquerda e depois recuperado/assimilado pela “direita”. Neste contexto, aconselho a leitura do capítulo III, alíneas 21 a 26.

Do ponto de vista filosófico, o Instrumentum Laboris 2014 é um documento que merece leitura e análise; coloca a nu os mitos do nosso tempo — em um Tempo em que se afirma que já não existem mitos, em que os mitos se tornam invisíveis na cultura antropológica, e que, através dessa invisibilidade mitológica, a sociedade irracionaliza-se em um tempo de predominância cultural da ciência; e, por intermédio dessa irracionalização da cultura, é hoje promovida uma manipulação das massas humanas em uma dimensão inédita na História.

Quinta-feira, 5 Junho 2014

A Eslováquia revê a sua Constituição e bane o "casamento" gay

Filed under: cultura,Europa — orlando braga @ 10:31 am
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A deputeda socialista Isabel Moreira afirmou recentemente, acerca da adopção de crianças por pares de invertidos, que Portugal não pode ficar com Rússia, Roménia e Ucrânia. Mas a verdade é que a tendência actual na Europa não é a de ceder aos interesses do lóbi político gayzista.

A Eslováquia acabou de rever a sua Constituição e introduziu nela o banimento do “casamento” gay e qualquer forma de união civil gay. Mas não só a Eslováquia: a Bulgária, a Lituânia, a Letónia, a Polónia, a Hungria e a Croácia também já introduziram emendas constitucionais que banem o “casamento” gay.

Portanto, o caminho de Portugal vai ter que ser exactamente o oposto do pensado pela Isabel Moreira: para além de se banir a adopção de crianças por pares de invertidos, vamos ter que banir o “casamento” gay. E dado que as uniões civis gays foram um instrumento político utilizado para se conseguir o “casamento” gay, vamos ter que reverter o processo e proibi-las também. É o pêndulo da História a voltar ao seu equilíbrio natural.

Quinta-feira, 24 Abril 2014

O cardeal Bergoglio e a comunhão dos divorciados e recasados

Filed under: ética,Igreja Católica — orlando braga @ 9:30 pm
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1/ Uma pessoa que nunca se casou pela Igreja Católica, e mesmo que se tenha casado pelo civil, não é considerada, pela Igreja Católica, como estando oficialmente casada.

2/ Uma pessoa que foi casada pela Igreja Católica e que se separou do cônjuge (ou se divorciou dele ou dela), não vive necessariamente em pecado, porque é necessário saber por que razão essa separação aconteceu — quais as razões que podem levar a um acto de separação ou de divórcio.

Por exemplo, uma mulher que é sistematicamente agredida (física ou/e psicologicamente) pelo marido, pode e deve separar-se e divorciar-se dele, apesar de ser casada pela Igreja. A Igreja Católica não deve (eticamente) impôr a um cônjuge um sofrimento insuportável em nome da fidelidade ao casamento.

(more…)

Terça-feira, 25 Março 2014

O “Papa Francisco” pensa que Jesus Cristo foi um estúpido

Filed under: Igreja Católica — orlando braga @ 10:41 am
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papa ambiguo webO cardeal Kasper é o “ponta-de-lança ideológico” do cardeal Bergoglio, aka “Papa Francisco I”. Este papa foi eleito exactamente pela Quinta Coluna da Igreja Católica de que o cardeal Kasper faz parte e é um dos líderes.

O cardeal Kasper, na sua condição de “avançado-centro” do cardeal Bergoglio, propõe que os divorciados e os amantilhados estejam habilitados a receber a Sagrada Comunhão. E o cardeal Bergoglio, perante a ofensiva da Quinta Coluna da Igreja Católica, cala-se, bem caladinho. O estratega diabólico lança os seus cães-de-fila e mantém-se em lugar resguardado.

Ora, ¿o que disse Jesus Cristo sobre  este assunto? Podemos ler em S. Mateus, 19, 9:

“Se alguém se divorciar da sua mulher — excepto em caso de união ilegal — e casar com outra, comete adultério.”

Há que clarificar o que significa, na citação, “união ilegal”. Por exemplo, na Bíblia do Rei Jaime, em vez de “união ilegal”, pode ler-se: “excepto em caso de fornicação” (por parte da esposa). Ou seja, é legítimo que um homem repudie a sua esposa no caso de esta se comportar mal, ou seja, em caso de infidelidade por parte da mulher. O cristianismo não obriga o homem (ou a mulher) a pactuar com a sua indignidade: seria uma absoluta injustiça que ao homem não fosse possível o repúdio da sua esposa em caso de infidelidade manifesta e comprovada por parte da mulher. E o Cristianismo não é injusto.

Porém, caso diferente é o do homem que repudia a sua esposa por cupidez e concupiscência, sem que a mulher tenha quebrado quaisquer votos do casamento. Ora, o que o cardeal Kasper e o cardeal Bergoglio pretenderem é que a concupiscência passe a ser perdoada: em vez de perdoar o pecador, o cardeal Bergoglio e o seu “ponta-de-lança” pretendem perdoar o pecado.

Os católicos que pensam que “o Direito Canónico não pode ser mudado”, e/ou que pensam que “é impossível mudar a doutrina da Igreja Católica”, estão enganados. E a prova do seu engano está aí, disponível à evidência, cristalina para quem a quer ver: os agentes do maligno, que pululam no interior da Igreja Católica e que já a controlam, pretendem fazer vista grossa em relação às Escrituras e à palavra de Jesus Cristo. Pretendem fazer passar a ideia segundo a qual Jesus Cristo foi um estúpido.

Terça-feira, 4 Março 2014

O "casamento" gay e a “igualdade” que discrimina os sexos

 

O “casamento” entre pessoas do mesmo sexo constitui discriminação e segregação sexuais. A exclusão de um dos sexos em relação à instituição do casamento é feita intencionalmente.

O que é absolutamente perverso é o facto de que, em nome da “igualdade”, o “casamento” gay pretende codificar na lei a discriminação de sexos. E são as elites que batem palmas à “defesa igualitária” da desigualdade e da discriminação entre os dois sexos (através de uma forma de “casamento” que separa os sexos).

Sexta-feira, 28 Fevereiro 2014

O problema da natalidade e a classe política

 

O governo do Partido Social Democrata e do CDS/PP criou uma comissão para estudar o problema da baixa natalidade em Portugal.

pai e maeOuvi ontem a opinião de Manuela Ferreira Leite na TVI24 acerca deste assunto e fiquei com um mau presságio acerca desta comissão governamental — aliás, ultimamente tenho andado em desacordo com Manuela Ferreira Leite, porque me parece que ela reduz toda a realidade à economia (quando lhe convém): por um lado, ela fala de “valores” quando se refere ao respeito que se deve ter em relação às pessoas idosas; mas, por outro lado, já diz que a razão pela qual a natalidade baixou é a de que “a vida está difícil”, mesmo sabendo que antes da crise de 2008, a natalidade já evoluía em baixa. Manuela Ferreira Leite tem que se convencer que a natalidade também é uma questão de “valores”.

Em dez anos de adesão ao Euro, a classe política destruiu valores essenciais que sub-jazem à família que, por sua vez, é a verdadeira base da natalidade que garante o futuro da sociedade.

Em primeiro lugar, a classe política baniu a representação protocolar da Igreja Católica nas cerimónias do Estado. Trata-se apenas de um símbolo, mas que tinha um significado societário profundo, uma vez que a Igreja Católica é defensora da família natural e dos valores do Direito Natural contra o aborto. Mas a classe política em geral preferiu ceder à aliança entre a esquerda radical e a maçonaria, banindo a Igreja Católica do protocolo do Estado.

foi-cesarianaDepois, a classe política instituiu o “divórcio sem culpa e na hora”. Divorciar passou a ser tão fácil quanto beber um copo de água, e as crianças e as mulheres mães foram as mais prejudicadas. Mais uma vez, a classe política cedeu à aliança entre a esquerda radical e a maçonaria. É óbvio que em uma situação em que o homem é irresponsabilizado por lei, as mulheres tendem a não ter filhos e a alimentar o negócio do aborto. A lei do “divórcio sem culpa e na hora” é — esta sim! — uma lei sexista e que apenas beneficia o homem irresponsável.

Logo a seguir, a classe política legaliza o “casamento” gay — mais um prego no caixão da natalidade! O símbolo cultural da instituição do casamento continuava a ser destruído pela classe política, que mais uma vez cedeu ao jacobinismo, comum à esquerda radical e à maçonaria. A partir daqui, não há dinheiro nem economia forte que faça recuperar o simbolismo cultural perdido (a não ser por via de uma ditadura qualquer). É o futuro da democracia que está hoje em perigo, e foi esta classe política presentista e irresponsável, que se diz “democrática”, que colocou a democracia em rota de colisão com a realidade.

A seguir, a esquerda radical aliada à maçonaria preparam-se para legalizar a adopção de crianças por pares de invertidos, a procriação medicamente assistida fora do núcleo familiar, as “barriga de aluguer” e o tráfico de crianças. É a cereja no topo do bolo da destruição da família natural e a redução da natalidade a uma espécie de “capricho do indivíduo” — quando anteriormente a co-responsabilização em relação aos filhos paridos pela mulher era um dever assumido pelo homem.

Neste contexto, ¿que sentido faz uma comissão governamental para estudar o problema da baixa natalidade em Portugal? Nenhum, porque os sinais que a classe política — incluindo o CDS/PP e o Partido Social Democrata — passam para a sociedade são contraditórios (estimulação contraditória).

Segunda-feira, 27 Janeiro 2014

O Referendo, o "Casamento" gay e adopção de crianças por pares de invertidos

 

Alguém colocou aqui o seguinte comentário:

“Caro Orlando,

Tenho acompanhado o seu percurso relativo ao referendo da adopção de pares homossexuais e, apesar de concordar e compreender a argumentação, gostaria de lhe apresentar o meu ponto de vista. Considero-o bem mais capaz que eu e por isso duvido que não tenha pensado no que lhe vou dizer. Dado isto, gostaria de saber o que o levou a rejeitar este raciocínio (para eu possa, eventualmente, abandona-lo).

Todas estas medidas, que vêm do marxismo cultural e do relativismo, tem, de forma mais rápida ou mais lenta, “entrado” sempre. Não existe nenhum partido que (efectivamente) se posicione contra isto. Se a ideia do PSD (seja juventude ou não) é decidir mediante a opinião da maioria, não referendariam antes a base do problema? O casamento em si. Eu vejo este referendo como foi o referendo do aborto. Se não passar hoje vão bombardear as pessoas com (des)informação e voltam a referendar. Eu sinto que este referendo é mais uma falta de respeito ao intelecto do cidadão de bem do que um acto democrático.



1/ O bom é inimigo do óptimo.

O ideal seria o óptimo, mas “a política é a arte do possível”. O “casamento” gay foi promulgado (em lei) em uma época em que o Partido Socialista tinha maioria no parlamento.

Reverter a lei do “casamento” gay só será possível se a sociedade estiver preparada para enfrentar a violência no espaço público por parte da esquerda. É uma situação que não se coloca neste momento, mas que estou convencido que é possível que se coloque no futuro, dependendo da evolução dos índices demográficos — porque o casamento é um símbolo social, antes de ser um mero contrato.

Portanto, referendar o “casamento” gay, neste momento, é impossível. É preciso que se demonstre empiricamente que o “casamento” gay é nefasto à sociedade, e isso pode demorar ainda alguns anos.

2/ A ideia segundo a qual o “casamento” gay é a base do problema, é falsa! E, mais grave, aceitar esse argumento é cair na retórica de quem pretende falsamente associar o casamento à adopção.

O casamento e a adopção são instituições diferentes.

Desde logo, o casamento envolve duas pessoas adultas (até ver!), ao passo que a adopção envolve um adulto e um menor — quem adopta é um indivíduo adulto em um determinado momento e não dois em simultâneo. Por isso é que a lei permite a adopção de uma criança por parte de um só indivíduo, embora em casos excepcionais.

Quando um casal adopta uma criança, essa adopção é “duplamente individual” (são os dois indivíduos, ela e ele, que adoptam), e não é feita enquanto casal. Não é o casal, enquanto tal, que adopta: é o homem e a mulher, enquanto indivíduos e nessa condição, que adoptam.

3/ O conceito liberal de “progresso da opinião pública”

O problema é o seguinte: ¿quem tem razão? Os que defendem a adopção de crianças por pares de invertidos ou os que são contra ela? Uns dizem que tem razão, e os outros também. Não há acordo possível e este problema não tem solução. Em princípio, este problema poderia ser resolvido através de uma guerra civil, em que os da outra parte seriam fuzilados e perseguidos politicamente.

Mas ¿teríamos a garantia, mesmo que ganhássemos essa guerra civil, de que uma ditadura seria o melhor caminho? Penso que não, porque ninguém pode conhecer o futuro.

A esquerda subverteu o liberalismo político e adoptou também o conceito de “progresso da opinião pública” que foi, em primeiro lugar, adoptado pelo liberalismo inglês do século XIX. O “progresso da opinião pública” baseia-se no princípio da persuasão (que nos vem da democracia grega): o povo não aceita uma determinada lei, mas vai sendo convencido ao longo do tempo — mesmo que essa lei seja péssima e sirva apenas o interesse de uns poucos, e até contribua para a destruição da sociedade.

A única forma racional de lutar contra o conceito liberal de “progresso da opinião pública” é, por um lado, esperar que as leis nefastas se demonstrem de facto nefastas em relação à sociedade, fazendo com que utilizemos o conceito liberal de “progresso da opinião pública” para as revogar mais adiante no tempo. E, por outro lado, é confiando na instituição do referendo e/ou do plebiscito, que é também uma forma de princípio para contrariar a arbitrariedade das leis promulgadas por uma minoria (a classe política).

O caminho alternativo é a instalação de uma ditadura. E ¿quem controla um tirano?

Segunda-feira, 2 Dezembro 2013

A Croácia proíbe o “casamento” invertido e anfíbio

 

 

bandeira da croacia“Os croatas aprovaram, em referendo, uma revisão da Constituição para impedir o chamado «casamento entre pessoas do mesmo sexo». A iniciativa partiu das forças políticas defensoras da Civilização e contou com o apoio da Igreja Católica, que na Croácia se movimenta em defesa dos valores cristãos e da família natural.

O Governo de esquerda tentou travar esta emenda constitucional. O Primeiro-Ministro, Zoran Milanovic, defensor da aberração chamada «casamento entre pessoas do mesmo sexo», lamentou em tom ameaçador a decisão dos croatas.”

(Fonte)

Terça-feira, 26 Novembro 2013

Campanha nacional de “igualdade de géneros”: uma armadilha para o homem

 

Eu tive dois filhos na década de 1980 e era eu que lhes dava banho, que os vestia, que estava atento ao que eles faziam. Por exemplo, era eu que limpava as casas-de-banho, e só eu fazia esse tipo de limpeza. A única coisa que eu não fazia em casa era cozinhar, que deixava para ela (o que não significava que, de vez em quando, não cozinhasse): de resto, as limpezas com aspirador, os banhos das crianças, vesti-los, vigiá-los, eram funções minhas — não por obrigação, mas por prazer meu em cuidar dos meus filhos. Era eu que os ia deitar para dormir e aconchegá-los na cama. E note-se que eu trabalhava fora de casa das 7:30 horas às 17:00 horas.

O problema surge quando a mulher se habitua ao facilitismo e considera o trabalho masculino em casa como um servilismo e uma actividade sujeita a negociação permanente. A partir daí, as exigências femininas não páram 1: mesmo que ela faça pouco em casa, quer sempre fazer menos e queixa-se sempre que “está cansada”. E chega ao ponto em que o homem é chantageado e convidado a fazer tudo. É próprio da natureza humana: quanto menos fazes, menos queres fazer.

Por isso é que eu considero esta campanha de “igualdade de género” — que significa “igualdade entre os sexos” — como uma armadilha para o homem. Desde logo, não existem “géneros” senão na gramática da língua: em vez disso, existem sexos; não te deixes enganar pela linguagem politicamente correcta.

E depois, os dois sexos não são iguais, e há trabalhos mais consentâneos com o homem e outros mais consentâneos com a mulher: por exemplo, todo o trabalho doméstico que exija mais esforço físico deve ser feito pelo homem (limpezas, por exemplo). E outros trabalhos domésticos que exigem menos esforço físico devem ser feitos pela mulher (cozinhar, por exemplo). Isto não tem nada a ver com “igualdade”, porque os dois sexos não são iguais: antes, tem a ver com a ética.

Não precisamos de campanhas de igualdade entre sexos, porque os sexos não são iguais, porque o casamento não é um mero contrato mas antes é uma instituição, e porque as relações entre o homem e a mulher devem ser reguladas por uma ética não-utilitarista e não por uma negociação utilitarista permanente de uma espécie de contrato de trabalho. Diz “não!” a essa campanha.


Notas
1. Se não se importam, eu escrevo “páram” e “pára” com acento agudo.

Segunda-feira, 25 Novembro 2013

Frei Bento Domingues e a Igreja Católica do mercado das ideias e dos valores

 

“Só devemos consagrar-nos a causas que a derrota deixaria intactas. Só de causas perdidas se pode ser partidário irrestrito.” — Nicolás Gómez Dávila

1/ Neste texto, Frei Bento Domingues começa por constar o óbvio: ao longo da história e pré-história humanas, sempre houve diversas estruturas de família. Por exemplo, ainda hoje existe a poligenia entre os muçulmanos (vulgo “poligamia”), e entre os tobriandeses ainda hoje existe a família “avuncular”, em que o irmão mais velho da mãe de uma criança tem um lugar mais importante na família do que o pai. Nestas sociedades, a lei do grupo é predominante; as funções, códigos e estatutos estão em primeiro plano. O indivíduo apaga-se diante dos sistemas que o clã, a tribo ou a família formam. As relações são nitidamente menos individualizadas, menos personalizadas.

Portanto, é um facto que existem e existiram sempre vários tipos de família. Aqui, o Frei Bento Domingues diz a verdade, mas não diz toda a verdade, porque eu tive que adicionar as características de outros tipos de família que ele escamoteou talvez por falta de espaço.

“O clero progressista não decepciona nunca o aficionado do ridículo” — Nicolás Gómez Dávila

julio-machado-vaz-web2/ Numa família tipo como a portuguesa, onde a dimensão afectiva é central, a relação de cada um com a sua identidade pessoal tem um lugar fulcral: é a pessoa toda, na sua dimensão corporal, afectiva e espiritual que está comprometida nas relações. Diz o povo que “não podemos ter sol na eira e chuva no nabal”, ou seja, não podemos tirar vantagem do facto de as relações serem individualizadas e, simultaneamente, procurar referências de maneira superficial e fragmentária em sociedades absolutamente diferentes, onde a codificação social é predominante e muito restrita.

Portanto, a ideia de Frei Bento Domingues segundo a qual “há vários tipos de família” é pura retórica. Mas é retórica perigosa porque ele procura, em minha opinião, propositadamente enganar os tolos — como aliás o faz sistematicamente o “curandeiro da RDP” de onde fui respigar o texto do Frei Bento Domingues.

“Apenas porque ordenou amar os homens, o clero moderno não se resigna a crer na divindade de Jesus; quando, em verdade, é somente porque cremos na divindade de Cristo que nos resignamos a amá-los” — Nicolás Gómez Dávila

3/ em função do que já foi escrito aqui e acima, não devemos (no sentido da lógica e da ética) dizer que a realidade social (ou a realidade das relações sociais), por ser exactamente tal como é, não se deve discutir e deve ser aceite — que é o que Frei Bento Domingues defende. Perante uma determinada cultura de relacionamentos sociais, Frei Bento Domingues pede à Igreja Católica que soçobre e aceite o “facto consumado”. É exactamente isto que o Frei Bento Domingues defende no seu texto.

“Antes, a Igreja Católica absolvia os pecadores; hoje, absolve os pecados” — Nicolás Gómez Dávila

Frei Bento Domingues web 400O arquétipo mental de Frei Bento Domingues é transcrito a partir da Nova Teologia e principalmente de Rudolfo Bultmann, e consiste basicamente em separar a fé, por um lado, de todo e qualquer elemento cosmológico ou mítico, por outro lado. A Nova Teologia, tal como o Frei Bento Domingues, é imanente e situa-se em um determinado espírito do tempo que é o nosso.

E, nessa defesa da aceitação do facto consumado, Frei Bento Domingues invoca, de uma forma inaceitável e enviesada, Jesus Cristo que nos disse:

“Mas, desde o princípio da criação, Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe para se unir à mulher, e serão os dois um só. Portanto, já não são dois, mas um só. Pois bem, o que Deus uniu não o separe o homem.” (S. Marcos, 10, 6 -9).

Jesus Cristo defende aqui a concepção actual e moderna de família nuclear, que é basicamente composta pela mulher como núcleo central, e depois por três seres humanos do sexo masculino: o filho da mulher, o marido da mulher, e o irmão da mulher. Mas Jesus Cristo adiciona um conceito crucial: o de que “o que Deus uniu não o separe o homem”. O seja, segundo Jesus Cristo, o casamento cristão é indissolúvel.

“Contra a Igreja triunfante e a Igreja militante, o novo clero incorpora-se na Igreja claudicante” — Nicolás Gómez Dávila

Mas para Frei Bento Domingues, esta opinião de Jesus Cristo acerca do casamento é “coisa do passado”. Diz ele que “o Cristianismo não é nostalgia de um paraíso perdido, mas a saudade de um futuro de transfiguração”. A influência da Nova Teologia, por um lado, e os elementos gnósticos de uma fé metastática estão bem presentes no pensamento de Frei Bento Domingues. A verdade, porém, e ao contrário do que defende o frade, é que o “futuro de transfiguração”, segundo a doutrina cristã genuína, não é imanente mas antes é transcendência, por um lado; e, por outro lado, esse “futuro de transfiguração” não pode ser concebido sem o conceito de “paraíso perdido” e de “queda”. O que Frei Bento Domingues defende não é o Cristianismo: é outra coisa, que ele não se atreve a dizer o que é.

“Nos tempos aristocráticos, o que tem valor não tem preço; em tempos democráticos, o que não tem preço não tem valor” — Nicolás Gómez Dávila

Mas o mais grave, nas ideias do Frei Bento Domingues, é a submissão da doutrina da Igreja Católica às leis do mercado das ideias e dos valores; é, neste caso concreto, a submissão da ética cristã ao Modelo Discursivo do marxismo cultural de Habermas. Mas se o mercado das ideias e dos valores mudar, o Frei Bento Domingues também muda de ideias e de valores, como uma espécie de cata-vento na torre de uma igreja:

“Sobre o campanário da igreja moderna, o clero progressista, em vez de uma cruz, coloca um cata-vento” — Nicolás Gómez Dávila.


Texto do frade em PDF

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