perspectivas

Terça-feira, 7 Maio 2013

Os sofismas acerca do casamento e sobre a liberdade

 

Aqui há tempos escrevi um verbete com o título “Afinal, há ateus inteligentes”. Gostaria de sublinhar que se tratou de um título corrosivo, por assim dizer, porque para além de haver vários tipos ou categorias de inteligência e não apenas um tipo, não tenho nenhuma razão objectiva para afirmar que as várias categorias de inteligência dependem da adesão à religião. Ou seja, incorri voluntariamente numa falácia non sequitur.

Hoje, através do Twingly.com, descobri esta referência a esse verbete. Mas antes de mais, convido-vos a ler este discurso do liberal inglês Nick Clegg (PDF), que faz parte do actual governo “conservador” liderado por David Cameron. E vou explicar por que a minha divergência em relação aos liberais (de esquerda ou de direita) é de fundo, ou seja, é fundamental.

Nick Clegg, como todos os liberais de direita, é a favor de um Estado mínimo, por um lado, e por outro lado é a favor da autonomia radical do indivíduo (neste último aspecto coincide com os liberais de esquerda). Por “autonomia radical do indivíduo” entende-se (também) a libertação do indivíduo em relação aos determinismos naturais que são a condição da sua existência.

Porém, a contradição da direita liberal (que não existe na esquerda liberal!) é a de que para se conseguir a autonomia radical do indivíduo, os liberais de direita precisam da intervenção e intrusão do Estado na vida privada do indivíduo. Por exemplo, quando Nick Clegg defende a ideia da criação de infantários gratuitos (pagos pelo Estado) para todas as crianças a partir dos 18 meses de idade, no sentido de “libertar” as mães da chatice de aturar os filhos, por um lado, e por outro lado para permitir que as mães possam trabalhar na fábrica ali ao lado, em vez de ter que aturar a criancinha em casa.

Tudo o que seja pré-determinado pela natureza é detestado pelos liberais (de esquerda e de direita). É nisto que consiste a autonomia radical do indivíduo: a putativa libertação de quaisquer amarras naturais. A diferença é a de que enquanto os liberais de esquerda são coerentes e defendem abertamente que um Estado forte deve intervir para “libertar o indivíduo de si próprio” (como se fosse possível que a libertação do indivíduo de si próprio possa vir do exterior do indivíduo), os liberais de direita defendem uma contradição em termos: um Estado mínimo, por um lado, e a intervenção desse Estado mínimo como garantia da autonomia radical do indivíduo, por outro lado. Aliás, verificamos essa contradição da direita liberal no que respeita à salvação dos Bancos falidos: um liberal de direita que se preze é contra o Estado, mas é a favor que o Estado salve os Bancos privados, socializando as dívidas privadas (bovinotecnia).

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Segunda-feira, 25 Março 2013

A Primavera Francesa

O exemplo que nos vem de França, em que por duas vezes este ano se juntaram em Paris mais de um milhão de manifestantes contra o “casamento” gay e a adopção de crianças por pares de homossexuais, aconselha-nos a não votar nunca no Partido Socialista.

primavera francesa gas lacrimogenio webA repressão da polícia maçónica e socialista de François Hollande sobre os manifestantes foi brutal, atingindo inclusive crianças que acompanhavam os seus pais na manifestação. As imagens da Manif da Primavera francesa podem ser vistas aqui.

O povo francês, altamente politizado, revolta-se contra as engenharias sociais maçónicas que o Partido Socialista francês de François Hollande protagoniza. Entretanto, em Portugal e que eu saiba, a Primavera Francesa não passa nas televisões e nos me®dia em geral. A comunicação social portuguesa entrou numa espécie de auto-censura imposta pela maçonaria portuguesa e pelas forças organizadas do pensamento único.

A maçonaria já perdeu a batalha da História. Quaisquer que sejam os meios para-totalitários e de repressão brutal de que a maçonaria se sirva hoje para impor coercivamente a sua mundividência revolucionária aos povos da Europa e do mundo, já ficou bem patente que o pêndulo da História tende a encontrar um equilíbrio, e que esse equilíbrio passa pela neutralização da mente revolucionária e, por isso, pela neutralização cultural, social e política, da maçonaria.

Podem os maçons e os seus sequazes políticos continuar a reprimir, a agredir, a proibir, a ocultar a realidade aos povos, a enviesar as evidências, a inquirir, a censurar. De nada lhes adiantará. E o pior pode estar para vir, porque a violência maçónica irá inexoravelmente ser causa de uma violência inédita contra aqueles que agora se servem da força bruta do Estado para impôr uma visão elitista e gnóstica da realidade.

Hoje, é o próprio Rousseau que clama contra a maçonaria: “Um direito digno desse nome não prescreve quando a força bruta do Estado acaba”. E se os ideais maçónicos precisam da força bruta do Estado para se imporem à sociedade, então parece ser evidente que a maçonaria tem os seus dias contados.

Crianças francesas vítimas do gás lacrimogéneo da polícia maçónica

Crianças vítimas do gás lacrimogéneo da polícia maçónica

Quarta-feira, 6 Março 2013

O relatório de Patrícia Morgan acerca do “casamento” gay

A especialista britânica de política familiar e professora da universidade de Buckingham, Patrícia Morgan, apresentou recentemente um relatório ao parlamento inglês acerca das consequências da legalização do “casamento” gay. O relatório foi efectuado mediante a análise da experiência dos Estados onde o “casamento” gay foi legalizado — Suécia, Noruega, Dinamarca, Holanda, Espanha, o Canadá e os Estados Unidos; Portugal está fora da lista porque o “casamento” gay em Portugal não permite a adopção de crianças. O relatório, em inglês, pode ser lido aqui (PDF), e resume-se no seguinte:

  • a ideia segundo a qual o “casamento” gay reforça a instituição do casamento revelou-se, pela experiência, falsa;
  • na medida em que o casamento é redefinido na lei para acomodar os relacionamentos gay, passa para a cultura antropológica a ideia segundo a qual o casamento não tem nada a ver com a paternidade e com a maternidade;
  • o “casamento” gay tem como consequência, na cultura antropológica, a banalização das uniões heterossexuais e a separação entre o casamento, por um lado, e a maternidade e paternidade, por outro lado;
  • em Espanha, após a introdução do “casamento” gay, verificou-se uma aceleração marcada do declínio do casamento (o número de casamentos celebrados, em geral na sociedade, baixou);
  • nos países com “casamento” gay, as relações nos casais (de sexo oposto, obviamente) tendem a identificar-se com as normas comportamentais gay, e não o contrário;
  • o “casamento” gay não impede a efemeridade endógena e idiossincrática dos relacionamentos gay;
  • o “casamento” gay é um direito negativo, ou seja, o que interessa à comunidade minoritária gay é que o casamento esteja disponível, embora a participação na instituição do casamento não tenha interesse para os gays;
  • o “casamento” gay faz parte de uma política anti-família e anti-casamento, de que a Suécia é o exemplo típico;
  • o “casamento” gay desencadeia o desmembramento das estruturas familiares nas sociedades tradicionalmente favoráveis à família (como é o caso de Portugal e Espanha).

[ via ]

Terça-feira, 20 Março 2012

O fim anunciado da monarquia inglesa

“Peter Bone MP has written to equalities minister Lynne Featherstone asking whether the Government has considered the constitutional implications.

If same-sex marriage is allowed, he said, a lesbian Queen could reign on the throne with a Queen consort.”

via Redefining marriage could affect monarchy, says MP | News | The Christian Institute.

A intenção de David Cameron em desconstruir a instituição do casamento no Reino Unido, para acomodar na lei meia dúzia de gays — transformando o casamento em um direito negativo, tal como aconteceu, infelizmente, em Portugal —, terá consequências na legitimidade da multi-secular monarquia inglesa, que passa a correr risco de extinção.

Em primeiro lugar, o rei ou a rainha de Inglaterra são os governadores supremos da Igreja de Inglaterra (Igreja Anglicana); e dado que esta última não aceitará a celebração de “casamentos” gay, passará a existir em Inglaterra uma contradição basilar e uma crise constitucional entre o poder político, por um lado, e o poder religioso e espiritual, por outro lado.

Em segundo lugar está o problema dos títulos. Por exemplo, à mulher de um homem a quem é concedido o título de SIR [por exemplo, Sir Elton John], é concedido automaticamente o título de LADY. Se Elton John não fosse fanchono, e fosse casado, a sua mulher teria o título de “Lady”. Ora, com a extensão do “casamento” a pares de gays, das duas uma: ou a “marida” de um gay passa a ser uma “Lady”, ou as mulheres dos titulares [homens] deixam de ter direito ao título de “Lady”.

E por último, e não menos importante, poderíamos ver um rei gay “casado” com um machão que seria uma “marida” e a “rainha consorte” gay — um par de fanchonos no trono de Inglaterra. E mais: uma rainha lésbica e a sua consorte lésbica poderiam recorrer à fertilização in vitro e à barriga-de-aluguer, sendo que o dador de esperma, qualquer que fosse, teria automaticamente direito a um título nobiliárquico por Direito.

Em suma: o “casamento gay” é coisa de republicano fanchono.

Segunda-feira, 9 Janeiro 2012

Portugal não respeita as convenções internacionais dos direitos humanos

Filed under: homocepticismo,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 10:04 am
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Convenção Europeia dos Direitos Humanos, artigo 12:

Homens e mulheres em idade de casamento têm o direito de casar e fundar uma família de acordo com as leis nacionais que regulem o exercício desses direitos.”

O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem tem recusado sistematicamente qualquer alteração ao artigo 12, o que significa que o casamento é exclusivamente celebrado entre um homem e uma mulher.


Declaração Universal dos Direitos Humanos, Artigo 16:

(1) Men and women of full age, without any limitation due to race, nationality or religion, have the right to marry and to found a family. They are entitled to equal rights as to marriage, during marriage and at its dissolution.
(2) Marriage shall be entered into only with the free and full consent of the intending spouses.
(3) The family is the natural and fundamental group unit of society and is entitled to protection by society and the State.


International Covenant on Civil and Political Rights, Artigo 23:

1. The family is the natural and fundamental group unit of society and is entitled to protection by society and the State.

2.The right of men and women of marriageable age to marry and to found a family shall be recognized.

Portugal é um país pária e fora-da-lei.

Sexta-feira, 15 Julho 2011

A felicidade, a ética e o direito

A Itália acaba de rechaçar a lei esquerdista da eutanásia, depois de França, a Bulgária e a Polónia terem feito o mesmo. Alegadamente, os proponentes da lei da eutanásia fazem-no em nome da liberdade do indivíduo e, paradoxalmente, em nome do direito individual à felicidade — ou seja, não podendo o indivíduo ser feliz, terá, então, o direito a exigir da sociedade o seu aniquilamento.
Um fenómeno semelhante passou-se com o “casamento” homossexual e com guerra cultural subversiva pelos novos “direitos” dos gays. Talvez o argumento mais propalado pelo gayzismo e acolhido na opinião pública foi o de que “todos têm o direito à sua felicidade”.

Eu sou a favor da valorização da opinião pública nas decisões políticas. Pior do que a opinião pública é corrermos o risco de cairmos em uma ditadura de sábios. G. K. Chesterton escreveu: “Without education, we are in a horrible and deadly danger of taking educated people seriously.” (sem a educação, corremos um horrível e mortífero perigo de levar a sério as pessoas educadas). Porém, se perguntarmos a uma pessoa (qualquer que seja) o que é a felicidade, ela não saberá dizer o que é. A felicidade não tem definição: nem colectiva, nem individual.
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Sábado, 7 Agosto 2010

A estória clássica: casaram-se, tiveram muitos filhos e foram felizes para sempre

Neste caso, prefiro comentar aqui no meu blogue, e o comentário é este: votos de muitas felicidades, e que tenham muitos filhinhos e netinhos, que a noiva ainda vai a tempo…

Um casamento do outro mundo

Quinta-feira, 17 Junho 2010

O problema demográfico é a maior ameaça ao crescimento económico

Vejo e ouço todos os dias os políticos e analistas económicos darem opiniões das mais diversas sobre a crise: exceptuando Bagão Félix e João César das Neves (da direita conservadora ou democrata-cristã), mais ninguém fala no verdadeiro problema da economia europeia: a crise demográfica.
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Segunda-feira, 14 Junho 2010

O problema existencial dos libertários de direita face ao marxismo cultural

O André Azevedo Alves (AAA) pretende aqui “salvar a honra do convento” (passo a expressão clerical que não pretende ofender a laicidade de quem quer que seja; trata-se apenas de uma expressão popular :smile: ). Sobre o “casamento” gay, escreve: “importa perguntar por que razão há-de o Estado impor uma determinada tipificação legal [sobre o casamento] , seja ela de que natureza for.”

O AAA parte do princípio de que o casamento é anterior ao Estado — o que é verdade, se nos recordarmos dos clãs de 30 membros de Homo Sapiens Sapiens do neolítico — e que portanto este (o Estado) não deveria determinar aquele (o casamento). Porém, a animosidade que os libertários de direita têm ao Estado não deveria assumir proporções tais que se pretenda transformar a sociedade numa selva.

Já o filósofo chinês Confúcio dizia que “o casamento é a fundação da civilização” — reparem que Confúcio não fazia a mais pequena ideia do que seria o “capitalismo” e a “civilização ocidental” !.

Agora, que me expliquem como pode haver civilização sem Estado e, por isso, sem casamento reconhecido pelo Estado — a não ser que passemos a viver em tribos do neolítico organizadas em uma sociedade espartilhada e atomizada. Eis o drama dos libertários de direita :

« (…) a lógica do liberalismo político leva-o a tolerar ideias ou movimentos que têm como finalidade destruí-lo. A partir daí, perante a ameaça, o liberalismo está condenado, quer a tornar-se autoritário, isto é, a negar-se ― provisória ou duradouramente ― a si mesmo, quer a ceder o lugar à força totalitária colocada no poder por meio de eleições legais (Alemanha, 1933) »

Edgar Morin, ex-comunista francês (“Pour sortir du XX siècle”, 1981)

Eric Voegelin escreveu no seu livro “Nova ciência da política” (página 133):

« A civilização pode, de facto, avançar e declinar em simultaneidade ― mas não para sempre. Existe um limite em relação ao qual se dirige este ambíguo processo; o limite é alcançado quando uma seita activista que representa a verdade gnóstica, organiza a civilização em forma de um império sob seu controlo. O totalitarismo, definido como o governo existencial dos activistas gnósticos, é a forma final da civilização progressista. »

Terça-feira, 8 Junho 2010

Pour briser les tabous …

Depois do “casamento” civil…

Gays “católicos” reivindicam casamento pela Igreja Católica

Terça-feira, 1 Junho 2010

O movimento pendular da História

« As leis inúteis enfraquecem as leis necessárias » — Montesquieu

O movimento oscilatório do pêndulo tende sempre para o equilíbrio. E quanto maior é o ângulo total de oscilação do pêndulo, maior e mais vigoroso é o movimento de retorno do pêndulo à posição oposta, sempre procurando, assim, o equilíbrio. Se aplicarmos o conceito da lei do pêndulo às sociedade humanas, o ponto de equilíbrio é o “justo-meio” de Aristóteles. Quanto mais uma sociedade se afasta do justo meio, através de posições políticas radicais conduzidas por uma elite de iluminados gnósticos, maior será, no futuro, a reacção que obriga o movimento pendular da História a retornar ao equilíbrio do justo-meio.

O problema é que o movimento pendular histórico de retorno, tendente ao equilíbrio, vai ter que contrariar o radicalismo ideológico da fase histórica anterior, causando feridas profundas na sociedade. Era isto que deveríamos todos evitar (esquerda incluída), se tivéssemos a mínima consciência do que andamos aqui a fazer — já nos esquecemos dos loucos anos 20 da apoteose cultural gay e do deboche institucionalizado na Alemanha, e da consequente exterminação dos efeminados nos campos de concentração? Os excessos do movimento pendular da História causam sempre excessos de sinal contrário. Tal como nos loucos anos 20, o raciocínio actual do movimento político gayzista é presentista: “enquanto pau vai e vem, folgam as costas”.
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Segunda-feira, 31 Maio 2010

O casamento e o Estado laico

Eu fico por vezes admirado com a confusão que grassa sobre os conceitos prevalecentes de Estado e religião. O autor deste texto revela falta de prática, porque parte do princípio de que em Portugal o Estado não tem religião, por um lado, e que os católicos não têm o direito de influenciar a política de costumes emanada do Estado — que implícita e presumivelmente, e segundo o autor, revela a crença de que “o Estado não tem religião” —, por outro.

Em primeiro lugar teríamos que definir “Estado”. Depois teríamos que definir “religião”.
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