perspectivas

Segunda-feira, 25 Junho 2012

A ciência descobriu o gene que faz com que as pessoas acreditem em Deus

Filed under: A vida custa,Ciência,Humor — orlando braga @ 2:19 pm
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A ciência explica tudo! Veja o vídeo!

Terça-feira, 12 Junho 2012

O António Damásio e o epifenomenalismo

« A iniciativa “Café, Livros e Ciência” discute na próxima quinta-feira, 14 de junho, a partir das 18h00, “O Livro da Consciência”, de António Damásio. A sessão, na cafetaria do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC), será dinamizada por Catarina Resende, directora do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC). »

via De Rerum Natura: O Livro da Consciência.

Pessoas que pensam como o António Damásio têm certamente a noção de que o cérebro humano é composto por células procarióticas; e partem desse princípio supondo que essa é a base do seu próprio cérebro. O problema é que generalizam essa noção endógena para toda a gente.

É assim que a neuro-ciência define a neuro-consciência que neuro-gere os neuro-comportamentos dos neuro-seres-humanos. O neuro-mundo e as neuro-mundividências são neuro-construídas por um neuro-cérebro que neuro-obedece, neuro-exclusivamente, aos neuro-impulsos das neuro-células procarióticas que habitam a massa cinzenta de António Damásio.

E quem se atrever a neuro-criticá-lo, é neuro-automaticamente apodado de neuro-ignorante e de neuro-neurótico.

Adenda: células “procarióticas”, e não células “porcarióticas”. Mas também poderiam ser.

Domingo, 1 Maio 2011

Chegamos a Deus pela razão, e não só pela fé (3)

Vimos no postal anterior que existe uma limitação finística do conhecimento. O Homem não consegue penetrar nas coisas particulares no sentido de as conhecer “por dentro”. O conhecimento científico é sempre feito na terceira pessoa, enquanto que o conhecimento pessoal — o conhecimento que é próprio do Eu — é um conhecimento directo. Não se quer dizer com isto que a ciência não tenha mérito; pelo contrário, a nossa experiência pessoal e subjectiva sabe e constata o facto de que a ciência assume uma enorme importância nas nossas vidas.
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Sexta-feira, 26 Março 2010

O erro de Descartes, segundo António Damásio

No seguimento do postal anterior sobre o novo livro de Christopher Hitchens publicado em Portugal com honras de entrevista na TSF, lembrei-me de António Damásio e do seu livro “O Erro de Descartes”, publicado em 1995, que teve um apoio massivo dos me®dia na sua divulgação e foi um sucesso entre o filisteu actual português. Em contraponto, nunca foi publicado em Portugal nenhum livro do neurologista prémio Nobel, John Eccles, que defende exactamente o contrário de Damásio. Na ciência como na política, existe hoje a correcta e a incorrecta. A ciência correcta é aquela que pretende convencer o cidadão de que ele é apenas um “animal evoluído”, uma espécie de “macaco com ideias”, colocando-se assim em causa a excepcionalidade da vida humana; essa foi a missão do livro de Damásio que a intelectualidade portuguesa, em geral, aplaudiu e louvou.

Damásio segue a esteira do epifenomenalismo de Thomas Huxley que se transformou naquilo a que se convencionou chamar de “Teoria da Identidade”. Naturalmente que Damásio sabia que abraçando esta tese cientificista poderia ter sucesso nos EUA, o que veio a acontecer.

No século XIX o epifenomenalismo estava na moda. Reza a História que num simpósio de investigadores da natureza realizado em Göttingen, Alemanha, em 1854, um fisiólogo presente de seu nome Jabob Moleschott declarou que, “tal como a urina é uma secreção dos rins, assim as nossas ideias são apenas secreções do cérebro”. Perante isto, o conhecido filósofo Hermann Lotze levantou-se e disse que, ao ouvir a expressão de tais ideias do colega conferencista, quase acreditou que ele tinha razão…

António Damásio ataca no seu livro o dualismo de Descartes ― que considera o espírito e o cérebro como duas entidades separadas ― e adopta claramente a teoria epifenomenalista da identidade ― que considera o espírito e as ideias como uma secreção do cérebro. É sobre este assunto que trata este postal.
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Segunda-feira, 17 Agosto 2009

O problema do inatismo das ideias

brain

Uma das grandes polémicas filosóficas foi a do inatismo das ideias. Não vai muito tempo, o ateu Bertrand Russell insultava Platão e Leibniz; Nietzsche dizia que Kant era estúpido; Locke afirmava que Descartes não estava totalmente certo, embora não o desmentisse em toda a linha e até entrasse em contradição em relação ao inatismo. A contradição ética de Espinosa ainda foi mais flagrante: ao mesmo tempo que adoptou a teoria de Hobbes no que respeita à valorização do poder absoluto político e terreno, com a consequente ausência do inatismo, considerava que o Bem consistia na união com o seu Deus panteísta; Espinosa foi ateu e panteísta ao mesmo tempo.

Mas o problema já vinha de trás, dos gregos da escola Megárica e dos estóicos. Do epicurismo e do estoicismo surgiu a teoria da “tábua rasa” mais tarde adoptada pelos empiristas ingleses a partir de John Locke. Influenciado por este, Voltaire assumiu a mesma linha de pensamento. Com o positivismo, a luta contra o inatismo passou a ser feroz e atingiu o seu clímax com Karl Marx; pelo meio ficou o coitado do Darwin que nunca se assumiu publicamente como ateu.

A atitude mais moderada no meio desta controvérsia foi a de Leibniz que considerava que o inatismo era parcelar e diminuto, isto é, existem apenas pequenos resquícios de ideias inatas, e todas as outras são consequência da experiência. Mesmo assim, foi criticado pelos empiristas ingleses como Hume, Bentham e Stuart Mill (entre outros).

Entretanto, vão aparecendo notícias da ciência que nos dizem que Leibniz não estaria de todo errado, e que Platão viu aquilo que a alegada inteligência do Bertrand Russell não conseguiu ver: o cérebro humano processa a informação da realidade exterior independentemente do sentido da visão.

O cérebro de um cego de nascença separa os objectos concebidos através das ideias e conceitos que tem desses objectos (sem nunca os ter visto, naturalmente) por categorias específicas processadas em determinadas áreas do cérebro ― tal como o faz uma pessoa que não é cega, isto é, o funcionamento do cérebro humano é independente da sensação, ou melhor, o cérebro não necessita da sensação para a percepção.

Quarta-feira, 17 Setembro 2008

O epifenomenalismo e a douta sapiência de António Damásio

Filed under: filosofia — orlando braga @ 9:23 am
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René Descartes

René Descartes

Sobre este postal sobre Descartes, um leitor questionou-me sobre qual seria a minha opinião sobre o livro “O Erro de Descartes” de António Damásio. Para quem não leu o livro, pode ver uma súmula aqui. Desde já digo que em vez da “douta sapiência” de António Damásio, prefiro a “douta ignorância” de Nicolau de Cusa ― e este viveu no século 15.

Para que se possa compreender a falácia de Damásio, vou fazer aqui um paralelismo ideológico muito simples. Se um aparelho de rádio tiver um transístor (ou um chip) com problemas de funcionamento, a recepção radiofónica sofre em termos de qualidade. À medida em que a condição do transístor se degrada, a qualidade do som do rádio acompanha essa degradação. Se o problema desse transístor estragado se propagar a outros transístores do mesmo rádio, o som deste torna-se de tal forma distorcido que aparece como ininteligível. É neste momento que Damásio diz que o som “produzido” pelo rádio é afectado pela qualidade dos transístores do aparelho; para Damásio, é o rádio que produz o som, e não é a emissora de rádio que transmite a causa do som (ondas de rádio). Damásio esquece-se propositadamente que o rádio é o receptor e o meio (médium) de retransmissão dos sons da emissora. A verdade é que o rádio não “produz” som nenhum: apenas reproduz, transformando as ondas de rádio no som que ouvimos e que foi originariamente emitido pela emissora de rádio. Em suma, Damásio parte do princípio de que não existe nenhuma emissora de rádio, e que a caixinha mágica com uns transístores lá dentro faz o trabalho todo.
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