perspectivas

Quinta-feira, 16 Outubro 2014

O sínodo e o cardeal Bergoglio

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 11:37 am
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sinodo e o cardeal

O “filósofo” Domingos Faria incorre no erro da Vulgata externalista

Filed under: ética,Igreja Católica — O. Braga @ 8:20 am
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O primeiro erro de Domingos Faria é o de afirmar que, segundo a Igreja Católica, o acto sexual serve para procriar — quando a Igreja Católica diz que a procriação é o “fim último” do acto sexual, e não o “fim único”. E isto é tão verdade que a Igreja Católica aceita — sempre aceitou, desde o tempo de S. Paulo! — perfeitamente a contracepção através de métodos naturais.

Portanto, o primeiro sofisma do “filósofo” Domingos Faria está desmontado.

Um segundo erro de Domingos Faria é o de referir-se à filosofia natural de S. Tomás de Aquino (e da Igreja Católica) à luz de conceitos da actual sociobiologia. S. Tomás de Aquino fez a distinção clara entre o Homem e os outros animais. Domingos Faria reinterpreta S. Tomás de Aquino à luz da sociobiologia.

Portanto, Domingos Faria parte de pressupostos errados, e por isso todo o seu desenvolvimento ideológico está inquinado. Mesmo assim, vamos ver os seguintes argumentos dele.

A posição de Domingos Faria é externalista: diz ele — quando fala do “ser” e do “dever ser” — que pelo facto de uma pessoa ter uma obrigação moral para realizar um acto, essa obrigação não consiste, em si mesma, uma razão para realizar esse acto. Domingos Faria considera que as razões para considerar uma coisa como boa não são razões para escolher essa coisa.

Ora, não é porque uma coisa é desejada e/ou desejável que ela é boa! Podemos desejar uma coisa má. O desejo em si mesmo não define a bondade da coisa, mas antes é a bondade da coisa que pode determinar o desejo (em uma mente bem formada) que, no limite, se orienta para um “fim último” (e não um “fim único”, como pretende dizer Domingos Faria).

Portanto, Domingos Faria está errado: quando decidimos sobre o que queremos fazer, a nossa vontade (desejo) discricionária e arbitrária não faz parte das razões para agir. Foi isto que S. Tomás de Aquino quis dizer — antes que Domingos Faria metesse conceitos científicos modernos de permeio com a ética.

zoofiliaPor fim, em uma contradição inaceitável em um “filósofo” (porque ele valorizou a força do desejo anteriormente), Domingos Faria passa a desvalorizar o desejo (que é uma componente psicológica do ser humano) quando compara (ou coloca em um mesmo plano de análise) o uso do pénis, por exemplo, com o uso dos pés para chutar uma bola.

Segundo o “raciocínio” do “filósofo” Domingos Faria, o sexo com animais, por exemplo, pode ser legítima-, ética- e racionalmente defensável — porque o factor psicológico do desejo é por ele (por Domingos Faria) desvalorizado, e o uso dos órgãos sexuais é reduzido a uma qualquer função mecânica de um outro órgão qualquer do corpo, como por exemplo um pé que chuta uma bola.

Nós desejamos jogar futebol; o chuto na bola não é uma causa, mas antes é um efeito do desejo de jogar futebol.

Portanto, é a bondade do desejo que devemos analisar, e as consequências do desejo podem ser melhores ou piores, mais ou menos positivas — porque desde Sócrates que sabemos que ninguém faz o mal pelo mal: as pessoas querem sempre um qualquer bem, nem que seja o seu bem exclusivo e egoísta, que não deixa de ser um bem, embora um bem menor que não tem em conta o “fim último” defendido pela Igreja Católica.

Com este Orçamento de Estado de Passos Coelho, o Partido Comunista só precisa de afinar a táctica

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 6:52 am
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Existe uma táctica que poderá permitir ao Partido Comunista ultrapassar largamente a fasquia dos 15%: deixar Jerónimo de Sousa entregue ao Alentejo, e entregar Lisboa, Porto, Braga e Coimbra ao João Oliveira e ao Bernardino Soares. Depois, há zonas mistas: Viseu, Aveiro, Douro interior e Trás-os-Montes, Guarda, que podem ser “trabalhadas” em conjunto.

Se o Partido Comunista tiver esta flexibilidade interna, é verosímil que ultrapasse largamente os 15% de votos nas próximas eleições, porque o povo já se apercebeu que António Costa é “papel carbono” de Passos Coelho, o CDS/PP está “amarrado” a Passos Coelho, o Livre quer apenas chegar ao Poder, o Bloco de Esquerda está em liquidação, e Marinho e Pinto vai ser recuperado pelo sistema (como aconteceu com o defunto PRD).

A alternativa ao avanço natural do Partido Comunista seria uma renovação interna no Partido Social Democrata — o que me parece quase impossível face à dinâmica natural dos partidos políticos.

Quarta-feira, 15 Outubro 2014

Teresa Leal Coelho e o Direito casuístico

 

“Teresa Leal Coelho, que esteve esta terça-feira numa conferência sobre direito da família e dos menores na Universidade Lusíada de Lisboa, explicou que, quando tiverem de decidir sobre casos concretos, mesmo com a lei actual, os juízes podem sempre alegar que a proibição de co-adopção pelos casais do mesmo sexo viola a Constituição.”

Teresa Leal Coelho desafia juízes a permitirem co-adopção

Uma coisa é a opinião pessoal que Teresa Leal Coelho tenha da Constituição; outra coisa é a defesa da aplicação casuística do Direito.

A casuística actual é um retorno ao pior da Idade Média. Por exemplo, S. Bernardo de Claraval defendeu a ideia segundo a qual seria legítimo que um homem se deitasse com a mulher de outro, “se assim fosse o desígnio de Deus”. Ou seja, cornear o parceiro não seria eticamente reprovável se correspondesse aos “desígnios de Deus”. O problema é o de saber se, neste caso, os desígnios de Deus são verdadeiros e, por isso, se são legítimos.

A casuística é isto: cada um pode invocar um qualquer “deus” para justificar subjectivamente uma excepção à regra normativa. No caso da casuística de Teresa Leal Coelho, os deuses são os juízes.

Eu não sei se a Teresa Leal Coelho é burra ou se é uma espécie de peça de decoração de um lupanar de banlieue.

Frei Bento Domingues confunde “relação sexual”, “promiscuidade sexual”, e “sodomia”

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 7:14 am
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Em entrevista ao jornal i, o Frei Bento Domingues fala sobre a necessidade da Igreja Católica mudar a sua mentalidade sobre assuntos como a sexualidade que, afirma, “não se trata só de procriação”Frei Bento Domingues

Quando Frei Bento Domingues diz que “a sexualidade não serve para procriar”, o que pretende, à primeira vista, dizer é que a Igreja Católica defende a ideia segundo a qual “o sexo serve para procriar”. Ora, eu nunca vi nada escrito — nomeadamente no catecismo da Igreja Católica — que defenda ideia de que o sexo serve para procriar. O que a Igreja Católica diz é que o “fim último” do sexo é a procriação; mas “fim último” não significa “fim único”!

Aliás, como é sabido — e o Frei Bento Domingues teria a obrigação de saber —, a Igreja Católica aceita perfeitamente os métodos naturais de contracepção! Portanto, não se percebe a redução, por parte de Frei Bento Domingues, da sexualidade católica à procriação, a não ser em um contexto de confusão entre conceitos. E essa confusão é propositada.

O que Frei Bento Domingues pretende é que a sodomia e o lesbianismo sejam aceites pela Igreja Católica. Não se trata apenas de tolerância: o que o Frei Bento Domingues exige é normalização e aceitação.

Frei Bento Domingues pretende censurar as Epístolas de S. Paulo; pretende passar um lápis azul, à moda de Salazar, sobre as escrituras cristãs; pretende fundar uma nova religião que não tenha nada a ver com o Cristianismo; pretende (estupidamente, porque isso é impossível) eliminar a culpa e o pecado.

Deus o julgará!

Terça-feira, 14 Outubro 2014

O princípio do fim da Igreja Católica

Filed under: Igreja Católica — O. Braga @ 11:55 am
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A ideia segundo a qual o Espírito Santo permite que a doutrina da Igreja Católica — tal como apresentada não só no Novo Testamento mas também nas epístolas de S. Paulo — seja desfigurada, é do mais estúpido que ouvi até hoje. Seria como se se dissesse que “o Espírito Santo permitiu os excessos do papa Bórgia”.

No seguimento do sínodo organizado pelo cardeal Bergoglio — aka Francisco I —, não é de afastar a hipótese de um cisma na Igreja Católica. Aliás, o cisma já existe em potência: falta apenas constatá-lo em acto.

Segunda-feira, 13 Outubro 2014

José Pacheco Pereira e a pedofilia

 

“Escrevi pedofilia entre aspas porque a palavra é das mais ambíguas que por aí correm, mais sujeita a simplificações, deturpações e ignorâncias. Estamos perante realidades muito diferentes entre si, umas de claro carácter patológico, outras da ordem das perversões sexuais, outras criminosas, e outras dependentes de factores sociais e culturais. Outras ainda, indevidamente classificadas na pedofilia, que na percepção popular inclui o abuso de menores, como se fosse a mesma coisa.

José Pacheco Pereira

Uma coisa que eu desprezo no José Pacheco Pereira é uma certa tendência para um gongorismo intelectual — não o tradicional gongorismo da escrita académica, mas uma tendência para complicar o que, muitas vezes, é simples. O discurso do José Pacheco Pereira é anticientífico: o princípio da navalha de Ockham não se lhe aplica.

¿As “perversões sexuais” não são de “carácter patológico”?! Mas do que é que José Pacheco Pereira está a falar?!

Ou seja, segundo o José Pacheco Pereira, há “perversões sexuais” que não têm “carácter patológico”. Desde logo teríamos que ter a noção de “perversão sexual”; mas, pelo visto, para o José Pacheco Pereira há pedófilos que não são “sexualmente pervertidos”, ou não têm qualquer “patologia”.

Fico pior que estragado com este tipo de raciocínio!


Eu também sou contra a lei da base de dados dos pedófilos da ministra Paula Teixeira da Cruz.

Por dois motivos: em primeiro lugar, não gosto dela (da ministra); olhar para ela, na televisão, causa-me imediatamente um transtorno emocional negativo. Tresanda a feminista burra (tal como a Teresa Leal Coelho).

É claro que isto não é um argumento objectivo, mas também tenho direito à minha subjectividade (tal como o José Pacheco Pereira acha subjectivamente que uma perversão sexual não é necessariamente uma patologia).

Em segundo lugar, a lei é perigosa, porque quebra princípios fundamentais que orientam o estatuto ontológico da pessoa — e não só do cidadão. Hoje, a classe política tem imensa dificuldade em distinguir a pessoa, do cidadão. Por exemplo, vemos como David Cameron prepara uma lei que restringe a liberdade de expressão em nome do combate ao terrorismo: o princípio é o mesmo: o de uma classe política constituída por “gente menor” (como dizia o saudoso José Hermano Saraiva).

Um texto de uma feminista inteligente

 

Nem tudo está perdido: ainda há mulheres inteligentes:

“The “unfit mother” trope is very important, because it helps justify taking women’s children, eggs, or the use of their uteri. Darnelle is right. Many families headed by gay male couples are built upon exploitation of women. Practically speaking, Scott Rose and his compatriots have formed a men’s rights group that seeks to use women as breeders. These egg donors and surrogate mothers supply infants for a bustling market full of same-sex couples, for whom reproduction is naturally and biologically impossible.

In the name of equality, groups such as GLAAD (which employs Jeremy Hooper as a consultant) have pushed through gender identity laws that have legally erased women. The term “woman” now legally can refer to the way that a man chooses to identify himself. Once women have been erased legally as a group and as individuals, it is not hard to erase “mothers.” This lends support to the practice of using one woman’s eggs and another woman’s womb to supply children for gay male couples, obscuring the concept of motherhood and making it seem dispensable.”

Ruthless misogyny

Pedro d’Anunciação e o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada

 

“Diz-se que é da Opus (‘o Opus’, como a sua gente prefere dizer), e consegue ter artigos relativamente regulares no Público. Não com o mesmo destaque dos do Frei Bento Domingues, no mesmo jornal, ou os do Prof. Anselmo Borges, no DN – mas também estão longe de conseguir a mesma qualidade teológica.

Digamos que o Pe. Almada é mais um prosélito, preocupado com a propaganda da organização a que pertence, e imaginando-se cheio de graça. Mas reparei, perplexo, que se auto denomina ‘vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Família’. Ora esse não me parece papel a ser desempenhado por um sacerdote impedido (ao que parece, com gosto – tanto que ficará desgostosíssimo quando a Igreja evoluir, ou mudar, neste ponto). Compreendo pais de grandes famílias, como o falecido Fernando Castro, ou os ainda vivos Luís Cabral e Ana Cid Gonçalves, nesses cargos, e nessa representatividade. Mas um padre, a representar as famílias? Não seria melhor dedicar-se ao sacerdócio – ou será daqueles que tem uma noção burocrática sobre o assunto? Talvez um estágio na Casa Mãe da Opus, em Espanha (onde a organização parece bastante mais avançada do que em Portugal), já que também ostenta um apelido castelhano (Puertocarrero), não lhe fizesse mal.”

Pedro d’Anunciação



1/ quem lê este blogue sabe que nem sempre estou de acordo com o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada — e não “Puertocarrero”, como se diz no texto em uma malícia inusitada. Mas comparar a qualidade da teologia do Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, por um lado, e a de Frei Bento Domingues, por outro lado, só pode ser anedota: seria como comparar, por exemplo, a “teologia” de Leonardo Boff com a do Padre Paulo Ricardo. Há quem goste mais da “teologia” do Boff, assim como há quem goste mais da teologia de Frei Bento Domingues, mas aqui já não estamos a falar de teologia mas de ideologia política pura e dura.

2/ o Pedro d’Anunciação tem oito filhos, o que é louvável. Eu tenho oito irmãos e tenho, por isso, uma noção do que isso significa.

Mas o facto de o Pedro d’Anunciação ter oito filhos não permite que racionalmente defenda que um Padre não possa ser vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Família. O argumento do Pedro d’Anunciação é non sequitur, que é uma falácia lógica que consiste em tirar uma conclusão errada a partir de uma premissa errada ou falsa:

a1) Para se ser vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Família, não se pode ser celibatário.

a2) O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada é celibatário.

b) Logo, segue-se que o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada não pode ser vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Família.

A premissa (a primeira proposição) é falsa. A implica B; A é falso; → (logo) B é falso. O raciocínio do Pedro d’Anunciação é falacioso e segue a tradição nominalista jacobina. Não digo que o Pedro d’Anunciação faça isto de propósito: trata-se de um vício de forma de raciocínio adquirido através da cultura intelectual.

O facto de uma pessoa ser celibatária não impede que, por razões de mérito pessoal reconhecido publicamente, seja escolhido para ser vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Família.

O que o Pedro d’Anunciação poderia fazer, de uma forma coerente, seria colocar em causa o mérito pessoal do Padre Gonçalo Portocarrero de Almada: já lá iremos.

3/ o Pedro d’Anunciação incorre em outra falácia lógica: Ignoratio Elenchi . Ou seja, não tem nada a ver o cu com as calças. A falácia Ignoratio Elenchi consiste em querer provar a veracidade de um argumento ou de um facto, mas em vez disso, o raciocínio da argumentação chega a um conclusão que não prova o facto ou a situação que se pretendia, ou então prova outra coisa qualquer. Também se diz que “o falacioso tergiversa”.

4/ o Pedro d’Anunciação pretende retirar mérito pessoal ao Padre Gonçalo Portocarrero de Almada para assumir as funções de vice-presidente Confederação Nacional das Associações de Família.

Para isso, o Pedro d’Anunciação entra no ataque pessoal — ad Hominem —, por exemplo quando insinua que o Padre pertence à OPUS DEI (como se fosse uma espécie de crime), por um lado, e, por outro lado, assume a certeza de que o Padre pertence à OPUS DEI.

Por um lado, Diz-se que é da Opus (‘o Opus’, como a sua gente prefere dizer)”; mas, por outro lado, “Digamos que o Pe. Almada é mais um prosélito, preocupado com a propaganda da organização a que pertence”. Por um lado, “parece que é”; mas logo a seguir, “é mesmo”.

Finalmente, o Pedro d’Anunciação incorre em uma quarta falácia: Audiatur Et Altera Pars: o pressuposto do texto, que está implícito mas não explícito, é o ataque pessoal (ad Hominem) embora disfarçado em uma análise crítica ideológica ou de crítica objectiva ao mérito pessoal do Padre Gonçalo Portocarrero de Almada.

Domingo, 12 Outubro 2014

A Nova Teologia marcou e definiu a Teologia da Libertação

 

O Padre Paulo Ricardo escreve aqui sobre a Teologia da Libertação, mas não se referiu ao papel fundamental exercido pelo Existencialismo (Heidegger) e pela Nova Teologia: Bonhoeffer, Karl Bach, Rudolfo Bultmann, etc.. 1

O assunto é complexo, mas foi por aqui que se iniciou a Teologia da Libertação — não na América Latina onde chegou anos mais tarde com a assimilação do marxismo proveniente da revolução cubana, mas no concílio do Vaticano II com aquilo a que se chamou de “protestantização da Igreja Católica”.

Os três homens que citei acima fizeram pior ao Cristianismo em geral, e ao catolicismo em particular, do que todos os marxistas juntos de todos os tempos; e as suas ideias marcaram o Concílio do Vaticano II.

E quando ouvimos o cardeal Bergoglio — aka Francisco I — falar, apercebemo-nos que embora ele rejeite a vertente marxista da Teologia da Libertação, não enjeita a vertente da Nova Teologia que também enformou a Teologia da Libertação no seu início e ainda hoje.

A Teologia da Libertação não é apenas um fenómeno sócio-cultural da América do Sul! Começou na Europa, embora com outro nome: a Nova Teologia.

O que eu pretendo dizer é o seguinte: a influência marxista na Teologia da Libertação surgiu marcadamente na década de 1960, ao passo que a origem ideológica da Teologia da Libertação reside na Nova Teologia que já vem de antes da II Guerra Mundial. A incorporação do marxismo na Teologia da Libertação é apenas uma das duas interpretações possíveis dessa corrente ideológica. Por exemplo, não podemos afirmar com certeza que o Frei Bento Domingues seja marxista, mas podemos dizer acertadamente que ele é um prosélito ou herdeiro ideológico de Bonhoeffer.

Nota
1. Sobre este tema ler o §864 da História da Filosofia de Nicola Abbagnano.

A Esquerda caviar, a Direita salmão, e adopção de crianças por pares de invertidos

 

Para além da Esquerda caviar, existe em Portugal uma Direita salmão-rosa que defende o casamento anfíbio: a reprodução anfíbia é externa e a desova é feita em ambiente adequado e politicamente correcto para que a “prole” se mantenha viva.

“Temos uma dinâmica familiar em que ambos assumimos o papel de pais, a lei só me reconhece a mim, mas o nosso filho não tem dúvidas”, revela Diogo Infante.

Há uma dúvida que o filho adoptivo dele não tem: é a de que não tem mãe conhecida.

foi cesarianaNão ter mãe ou pai conhecidos, é uma infelicidade. Mas uma coisa é admitirmos que existem casos de crianças que, por infelicidade, não têm mãe conhecida; e outra coisa é apoiar um movimento político homossexualista que fomente a proliferação e vulgarização de mães desconhecidas. Uma coisa é constatar que as desgraças existem; outra coisa é tentar promover e normalizar a desgraça das crianças em nome de putativos “direitos” de adultos.

Ademais, há aqui um detalhe que não é despiciendo: o facto de a lei permitir, por hipótese e por exemplo, que um homem se “case” com o seu cão, não se depreende dessa permissão legal que exista de facto um “casamento”. A lei pode ser o que qualquer doente mental quiser; o casamento, não.

Esta gente mete nojo! — não porque sejam homossexuais (cada um come do que gosta), mas porque apresentam sintomas claros de psicopatia: não conseguem colocar-se no lugar de uma criança a quem é apagado, do registo civil, o nome da mãe e de todo o ramo familiar materno.

E, não contentes com isso, pretendem levar a sociopatia mais longe através das “barriga de aluguer” que será a próxima guerra destas bestas com forma humana.

Passos Coelho aplica a Teoria da Relatividade de Einstein à economia portuguesa

Filed under: A vida custa,Passos Coelho — O. Braga @ 7:30 am
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Na Teoria da Relatividade, a realidade do universo, o espaço e o tempo dependem da posição e da velocidade do observador. A genialidade de Passos Coelho foi a de adaptar a Teoria da Relatividade à economia portuguesa: os números da economia dependem da interpretação do observador.

Isto significa que Passos Coelho descobriu que, em economia, não existe qualquer número absoluto, e por isso todos os números estão correctos na medida em que dependem da posição do observador no contexto da urdidura do espaço-tempo. E mais: os números da economia dependem da curvatura do espaço-tempo determinada pela massa dos corpos: quanto mais massa está em questão, mais curvos são os números da economia. E quando se trata de uma pipa de massa, Passos Coelho cria um buraco negro que absorve não só a luz como qualquer tipo de informação.

Cheguei à conclusão de que o comité Nobel ainda não deu um prémio a Passos Coelho porque não tem a certeza se lhe conceda o da economia ou o da física — porque Passos Coelho criou uma nova disciplina: a economia quântica. Para além da Teoria da Relatividade, Passos Coelho foi mais longe e aplicou a quântica à economia. Por exemplo: ¿quanto custam os salários dos reformados ao país? Aplicando o princípio de Kant segundo o qual devemos interrogar a Natureza, Passos Coelho partiu para a investigação científica. E chegou a várias conclusões:

Assim como uma partícula elementar subatómica não é uma coisa, mas antes é uma relação abstracta entre acontecimentos, Passos Coelho descobriu que 1 Euro não é uma coisa, mas antes é uma relação abstracta entre Euros. E mais descobriu que a destruição de 1 Euro pode ser virtuosa na medida em que 1 Euro destruído pode multiplicar-se em diversos Euros idênticos — tal como acontece com a colisão subatómica entre partículas elementares: uma colisão entre dois electrões, por exemplo, destrói os dois de uma forma virtuosa, na medida em que dessa destruição surgem novos electrões iguais aos dois destruídos, ou até maiores.

A teoria da economia quântica, de Passos Coelho, teve os seus seguidores e criou escola: por exemplo, com João César das Neves. Criou um novo paradigma: quem não aceita a economia quântica pertence à Esquerda. Neste sentido, por exemplo, Adriano Moreira, Bagão Félix ou Miguel Mattos Chaves passaram a ser esquerdistas perigosos.

Este último, em particular, passou a ser um radical de esquerda, porque raciocina ainda em termos da física clássica newtoniana, quando chegou à conclusão de que as despesas com pessoal do Estado e com as reformas constituem apenas 15,5% do PIB e cerca de 34% das receitas dos impostos.

Ora, esta visão de Miguel Mattos Chaves é hoje considerada retrógrada e ultrapassada, na medida em que é uma visão absoluta da dimensão do espaço-tempo aplicada à economia que não tem em consideração a posição do observador na urdidura do espaço-tempo.

Ou seja, Miguel Mattos Chaves não segue o paradigma — porque, segundo Passos Coelho, quanto mais uma partícula elementar da economia está confinada no espaço, mais velocidade ganha! Assim, os Euros confinados nos espaços exíguos das empresas subsidiadas pelas autarquias do Partido Social Democrata, e das PPP (Parcerias Público-privadas) dos amigos de Passos Coelho, por exemplo, ganham uma velocidade tal que tornam os seus corpos opacos e, por isso, determinam a impenetrabilidade da matéria económica. Passos Coelho aplica aqui o princípio da força gravitacional à economia.

Não é por acaso que Angela Merkel considera Passos Coelho um génio em matéria económica. E foi por obra do Espírito Santo que o ex-ministro das finanças, Vítor Louçã Rabaça Gaspar, foi parar ao FMI: também ele seguiu a genialidade do guru Passos Coelho. Estamos todos, portanto, bem entregues!: só temos que ter fé no determinismo da economia quântica.

Adenda: para que eu não seja considerado de Esquerda pelos meus leitores, vou também abraçar a teoria da economia quântica de Passos Coelho. Nunca se sabe se não me calha um “tacho” qualquer.

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