perspectivas

Quarta-feira, 16 Julho 2014

Ricardo Salgado e João César das Neves: duas faces da mesma moeda

 

Em finais da década de 1980, desloquei-me à alfândega da cidade do Porto na companhia de um cidadão dinamarquês (existiam fronteiras, naquela época), para resolver um problema burocrático junto de uma directora de um determinado serviço aduaneiro. À porta do gabinete da directora estava um empregado da alfândega cuja única função era a de gritar: “Próximo!”, sempre que recebia uma ordem da directora no sentido de deixar entrar o seguinte “cliente”.

O dinamarquês achou muito estranho o trabalho daquele funcionário, ali especado a servir de sinaleiro, e perguntou-me: “¿Por que é a directora não instala um semáforo à porta, com uma luz verde e outra vermelha, em vez de ter de se pagar a um funcionário para que sirva de sinaleiro?”. A minha resposta foi a seguinte: “O Estado pensa que assim mantém mais postos de trabalho”, ao que o dinamarquês sorriu.

ricardo salgado

Entre João César das Neves e Ricardo Salgado existe um pensamento comum: ambos pensam que vale a pena ter um funcionário a ganhar 200 Euros por mês a berrar “Próximo!” em frente a uma qualquer porta de um director de uma choça qualquer; e depois dizem que “os portugueses são preguiçosos, não são produtivos e gostam de viver de subsídios”.

joao cesar das neves
Há neste raciocínio (deles) uma contradição: por um lado, dizem eles (os dois) que “a produtividade portuguesa é baixa porque os portugueses são preguiçosos”; mas, por outro lado, quando se pretende pagar condignamente a boa produtividade, dizem que mais vale manter o funcionário sinaleiro a servir de semáforo à porta do gabinete do Senhor “Doutor das Dúzias”.

Ora, isto não é ser conservador!: é ser estúpido — desde logo pela contradição, e depois pela esperteza de um elitismo saloio das doutorices e do insulto à inteligência do cidadão português.

Terça-feira, 15 Julho 2014

A SIDA/AIDS é monstruosamente homófoba, reaccionária, conservadora e ignorante

 

A SIDA é ignorante; e homófoba!, (todos os homófobos são ignorantes).  

gayroller-webNo seguimento de uma “explosão da epidemia” homófoba que atinge os “grupos de risco” que são vitimas da homofobia da SIDA, a OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda que “homens que têm actividade sexual com homens” tomem medicamentos retrovirais — à custa de todos os contribuintes homófobos —, como “método suplementar de prevenção”, para que dessa forma se possa atenuar a homofobia da SIDA.

Actualmente, e devido ao conceito homófobo de “SIDA”, os pobres homossexuais — que não passam de vítimas da SIDA homófoba — têm 19 vezes maior risco de serem contaminados, quando comparados com o resto da população que é, por definição, também homófoba. Por isso, a OMS (Organização Mundial de Saúde) aconselha que os homossexuais tomem diariamente uma pílula que combina dois tipos diferentes de retrovirais — para além do preservativo —, alegadamente no sentido de diminuir os riscos de contaminação de 20 a 25%, o que alegadamente significa “evitar um milhão de novas infecções homófobas nos próximos dez anos”.

Os retrovirais diários contra a homofobia da SIDA serão pagos, como é óbvio, pela esmagadora maioria da população que é homófoba e ignorante.

Eu penso que se deveria retirar o termo “homofobia” dos dicionários, e proibir que se falasse de “homofobia” em público, para que automaticamente a SIDA desaparecesse. Porque tudo isto é uma questão de linguagem: se o conceito de “homofobia” não existisse ou fosse proibido, a SIDA também não existiria!

A espionagem americana

Filed under: Política — orlando braga @ 4:46 pm
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Se a espionagem sobre o governo alemão fosse proveniente da Rússia, seria imediatamente reunido o Conselho de Segurança da ONU e decretado um embargo comercial. Mas como a espionagem é americana, então até é “cool” e coisa normalíssima!

Os americanos podem cometer as maiores barbaridades sem qualquer problema: barbaridade americana até tem graça, e ninguém se lembraria de fazer um embargo comercial aos Estados Unidos.

Mas se a Rússia fizesse apenas 1/10 de uma qualquer barbaridade americana, seria imediatamente sujeita a embargo comercial por parte da ONU — e quem não aceitasse totalmente esse embargo, seria espionado, como acontece agora com a Alemanha.

Foram os brasileiros que elegeram a “presidenta”: o povo tem o que merece e não vale a pena chiar

Filed under: Esta gente vota — orlando braga @ 7:39 am
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“A Presidente brasileira Dilma Rousseff vai estar ausente da X Cimeira da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) que se celebra na próxima semana em Díli na capital de Timor-Leste, confirmou esta tarde o PÚBLICO junto da delegação diplomática do Brasil na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa).”

Dilma Rousseff ausente da cimeira de Díli da CPLP

dilma-vintage

Segunda-feira, 14 Julho 2014

Um livro que deveria ser editado em português: “As Minhas Origens: Um Assunto de Estado”

Filed under: ética — orlando braga @ 11:53 am
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“Mettre un visage sur son géniteur. Audrey Kermalvezen devait déjà le désirer très fort lorsqu’elle s’est, “par hasard”, orientée vers le droit de la bioéthique. À cette époque, la jeune femme ignorait encore qu’elle avait été conçue par insémination avec donneur de sperme anonyme. Depuis qu’elle a appris la “vérité” sur son mode de conception, il y a un peu plus de quatre ans, Audrey bouillonne, décortique les textes, multiplie les recours judiciaires et les actions militantes en faveur d’une réforme législative. Connaître son origine est devenu pour elle une “affaire d’État”, titre de son livre publié le 7 mai*.”

Accès aux origines : “Ce n’est pas un chromosome qui fait le père”

Audrey Kermalvezen

Os da “Direita liberal” são os “idiotas úteis” da Esquerda

 

A convergência de posições da Esquerda e da chamada “Direita liberal”, no que diz respeito à legalização das “barriga de aluguer” (por exemplo, e entre outras posições), decorre da adopção de uma ética utilitarista (utilitarismo), ou daquilo a que Karl Marx chamava de “moral de merceeiro inglês”. E até o actual Partido Comunista já adopta a “moral de merceeiro inglês”!.

O utilitarismo, à Direita, é o de Stuart Mill: incoerente e contraditório; à Esquerda, é o utilitarismo de Bentham: um instrumento de minagem de uma ordem cultural.

O utilitarismo é sempre, nos dois casos, baseado no darwinismo: não é por acaso que Peter Singer tenha proposto que a Esquerda abandonasse provisoriamente o marxismo (“metesse o marxismo na gaveta”) e adoptasse Darwin. Portanto, tanto na Esquerda como na dita “Direita liberal”, o utilitarismo manifesta-se através de uma qualquer forma de darwinismo social. E a “barriga de aluguer” é uma forma de darwinismo social.

Afirmar que a “barriga de aluguer” será gratuita (não será um negócio), é uma falácia que nos insulta a inteligência. Por exemplo, primeiro começaram com as uniões civis gays; depois exigiram o “casamento” gay sem a adopção de crianças; depois disseram-nos que o casamento, segundo a Constituição, implica necessariamente a adopção de crianças; e agora dizem-mos que as “barriga de aluguer” não podem ser um negócio até que “a realidade exija que o negócio seja regularizado”.

Se compreendermos isto, não acharemos nada de estranho no que se relata neste texto.

Domingo, 13 Julho 2014

Portugal praticamente já não tem intelectuais

Filed under: cultura,Política,Portugal — orlando braga @ 6:15 pm
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Sobre a acomodação dos historiadores, Raquel Varela alarga a questão:

“Muitos intelectuais tornaram-se convenientes. Acho que o seu papel é ser contrapoder, seja qual for o poder. Não interessa o regime político ou se o intelectual o apoia ou não”.

Daí que assista desconfiada ao “fenómeno comum no século XX da captação dos intelectuais pelos diversos regimes políticos”. Acrescenta:

“Tanto vale para Pablo Neruda a dedicar poemas a Estaline como para intelectuais de renome em Portugal que apoiaram toda a onda de privatizações e o desmantelamento do estado social. Os exemplos dos intelectuais seduzidos pelo poder são comuns”.

Quanto às elites culturais portuguesas é sintética: Falta solidez em diversas áreas da cultura e do pensamento intelectual e há uma regressão muito grande“.


Raquel Varela refere-se aos “intelectuais”, mas não temos nessa referência uma noção ou uma definição real de “intelectual”. No dicionário podemos encontrar uma definição nominal de “intelectual”: “pessoa dada ao estudo; pessoa de grande cultura”. Mas ficamos sem saber o que é exactamente uma “pessoa de grande cultura”.

Desde logo, “intelectual” deriva de “intelecto”, que é um termo da Escolástica para significar “espírito” ou “inteligência” e em oposição à razão puramente discursiva (por exemplo, em oposição ao discurso político corriqueiro). Aqui, Raquel Varela tem razão: quando o discurso político se baseia exclusivamente na doxa (na maior parte das vezes), o intelecto ou o intelectual opõe-se a ele através do episteme.

Para que o intelecto ou o intelectual se baseie no episteme no sentido de se opôr à doxa da razão puramente discursiva, necessita do “entendimento”, que se pode traduzir neste caso por “cultura individual”.

A “cultura individual” pode ser definida como a capacidade de compreender a realidade do presente (episteme) em vez de a classificar através da simples opinião (doxa) — o que pressupõe que se tenha assimilado a herança do passado, por um lado, e por outro lado que se tenha ultrapassado o âmbito comezinho dos interesses particulares.

Ora, o que se passa em Portugal é que vivemos já em uma sociedade de cultura presentista (conforme denuncia, e bem, o José Pacheco Pereira), e as elites, em geral, preocupam-se quase exclusivamente com os seus interesses particulares.

Portanto, em geral e salvo excepções honrosas, não temos intelectuais em Portugal. O que existe em Portugal é “intelectualismo”, que é a tendência para adoptar soluções para os problemas sem o necessário contacto com a vida das pessoas e/ou sem a necessária aderência à realidade.

Quando a fala brasileira era próxima da portuguesa

Filed under: cultura — orlando braga @ 1:29 pm
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Hotéis portugueses proíbem o alojamento de famílias com filhos

 

A Helena Matos chama aqui à atenção da nova moda: hotéis que proíbem a hospedagem de famílias com crianças (mas os animais de estimação não estão proibidos). Em um país com uma depressão demográfica inédita, é incrível como podem existir hotéis que proíbem o alojamento das famílias.

hotel no children allowed web

O Diário de Notícias escreve:

“A lei mudou e não é taxativa sobre a interdição de crianças nos hotéis e restaurantes. Polémica reacendeu-se com debate na blogosfera.”

Sobre o novo Acordo Comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos

Filed under: Europa,Nova Ordem Mundial,Política,Portugal — orlando braga @ 11:29 am
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¿Você sabia que, ao abrigo do novo acordo comercial entre os Estados Unidos e a União Europeia, uma empresa qualquer — por exemplo, a Coca-cola — pode meter em tribunal um Estado “soberano”? (como quem processa judicialmente uma outra empresa ou entidade qualquer).

Por exemplo, se a Coca-cola pensar que o Estado português não lhe oferece os privilégios comerciais que acha que a empresa tem direito, pode processar judicialmente o nosso Estado como quem processa o vizinho do lado.

Ademais, leiam este artigo:

“As regras do comércio mundial estão a ser redesenhadas e “desta vez” Portugal tem de garantir que os seus interesses “são acautelados”. O secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, defende que a reforma da política comercial portuguesa é essencial para garantir o futuro económico do país e o aumento sustentado das exportações. Além do acordo comercial com os Estados Unidos (TTIP), Portugal tem de garantir que a Europa também assina acordos com mercados estratégicos em África e na América Latina.”

A Igreja Católica sofrerá provavelmente uma cisão

Filed under: Igreja Católica — orlando braga @ 10:52 am
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Uma cisão não é apenas um cisma político semelhante ao que aconteceu no passado; é mais do que isso: é uma divisão inultrapassável. Um cisma político pode ser resolvido a contento; uma cisão contém em si divergências doutrinárias de tal grandeza que tornam praticamente impossível qualquer reconciliação. Uma cisão foi o que aconteceu, por exemplo, com a separação definitiva da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa Grega.

As posições doutrinárias do “papa Francisco” e as da Sociedade S. Pio X, por exemplo, são de tal forma divergentes que já não podemos afirmar que pertencem à mesma comunidade religiosa. E não nos devemos esquecer que o “papa Francisco” foi escolhido pela elite da Igreja Católica Apostólica Romana.

O “papa Francisco” e os acólitos que o elegeram pretendem alterar a doutrina da Igreja Católica, e para conseguirem esse desiderato, necessitam de censurar algumas das escrituras cristãs, como por exemplo as epístolas de S. Paulo — porque só é possível modificar o Direito Canónico rasurando e censurando a mensagem cristã original. O “papa Francisco” e os seus acólitos elitistas pretendem desconstruir a mensagem cristã original que passa também pelas epístolas dos apóstolos de Jesus Cristo.

É de crer que a Sociedade S. Pio X será apenas uma pequena parte de um novo movimento católico mais abrangente que recusa a desconstrução do catolicismo, movimento esse que será mais vasto entre a comunidade católica que repudia o processo de paganização e regionalização do catolicismo encetado pelo “papa Francisco” e pelos seus acólitos cardeais.

Sábado, 12 Julho 2014

O professor Rolando Almeida anda a enganar os seus alunos

Filed under: aborto,ética,educação — orlando braga @ 7:17 pm
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O professor de filosofia do Ensino Secundário, Rolando Almeida, tem um Manual de Filosofia publicado com o título “Como pensar tudo isto? Filosofia 11ºano”. No referido manual, Rolando Almeida aborda a problemática ética do aborto, e na página 239 (ver aqui em ficheiro PDF), serve-se do argumento falacioso da americana Judith Jarvis Thompson que compara a situação do feto humano ao de um parasita. Cito:

«Vou pedir ao leitor que imagine o seguinte. De manhã acorda e descobre que está numa cama adjacente à de um violinista inconsciente — um violinista inconsciente famoso. Descobriu-se que ele sofre de uma doença renal fatal. A Sociedade dos Melómanos investigou todos os registos médicos disponíveis e descobriu que só o leitor possui o tipo apropriado para ajudar. Por esta razão, os melómanos raptaram-no, e na noite passada o sistema circulatório do violinista foi ligado ao seu, de maneira a que os seus rins possam ser usados para purificar o sangue de ambos. O director do hospital diz-lhe agora: “Olhe, lamento que a Sociedade dos Melómanos lhe tenha feito isto — nunca o teríamos permitido se estivéssemos a par do caso. Mas eles puseram-no nesta situação e o violinista está ligado a si”.»


É desta a forma que o professor de filosofia Rolando Almeida apresenta, aos seus alunos, a posição a favor do aborto: desligar o violinista do corpo do leitor (utilizo aqui o termo “pessoa”) é justificável moralmente mesmo que ele morra, porque manter a ligação ao violinista é apenas um acto voluntário e não necessário do ponto de vista moral. Seguindo esta analogia, o professor Rolando Almeida pretende assim apresentar aos seus alunos a posição abortista segundo a qual a decisão de manter a gravidez é apenas um acto voluntário e não necessário moralmente. (more…)

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