perspectivas

Terça-feira, 29 Julho 2014

Não tenho um outro título para este verbete

 

Um automóvel está parado no sinal vermelho; e vem um ciclista e bate-lhe na traseira, causando danos na bicicleta e no automóvel. Segundo as associações de ciclistas, quem deve pagar todos os prejuízos (do automóvel e da bicicleta) é o proprietário do automóvel e em nome de um conceito a que chamam “responsabilidade objectiva”.

Eu andei à procura do significado de “responsabilidade objectiva”, que absurdamente implica a existência do conceito jurídico de “responsabilidade subjectiva” — como se no Direito a responsabilidade não tenha que ser sempre “objectiva”. A “responsabilidade subjectiva” é própria do confessionário católico, e não da barra dos tribunais.

Das duas, uma: ou eu estou a ficar “gágá” e perdi a possibilidade de coerência lógica, ou a política ensandeceu de vez. O ser humano é louco por natureza, mas é a loucura humana que gera a Razão que, por sua vez, vai controlar a loucura. No caso da política portuguesa, a loucura já não gera a Razão.

A Helena Matos fez aqui a categorização dos argumentos das associações de ciclistas.

O que é espantoso é que aquele argumentário das associações de ciclistas seja publicado em jornais. Os jornais publicam qualquer tipo de notícia desde que por detrás dela esteja um qualquer poder fáctico. Eu estou convencido de que se existisse em Portugal uma Associação de Psicóticos Profissionais, qualquer nota de imprensa dessa organização seria publicada pelos me®dia.

Quarta-feira, 16 Julho 2014

Ricardo Salgado e João César das Neves: duas faces da mesma moeda

 

Em finais da década de 1980, desloquei-me à alfândega da cidade do Porto na companhia de um cidadão dinamarquês (existiam fronteiras, naquela época), para resolver um problema burocrático junto de uma directora de um determinado serviço aduaneiro. À porta do gabinete da directora estava um empregado da alfândega cuja única função era a de gritar: “Próximo!”, sempre que recebia uma ordem da directora no sentido de deixar entrar o seguinte “cliente”.

O dinamarquês achou muito estranho o trabalho daquele funcionário, ali especado a servir de sinaleiro, e perguntou-me: “¿Por que é a directora não instala um semáforo à porta, com uma luz verde e outra vermelha, em vez de ter de se pagar a um funcionário para que sirva de sinaleiro?”. A minha resposta foi a seguinte: “O Estado pensa que assim mantém mais postos de trabalho”, ao que o dinamarquês sorriu.

ricardo salgado

Entre João César das Neves e Ricardo Salgado existe um pensamento comum: ambos pensam que vale a pena ter um funcionário a ganhar 200 Euros por mês a berrar “Próximo!” em frente a uma qualquer porta de um director de uma choça qualquer; e depois dizem que “os portugueses são preguiçosos, não são produtivos e gostam de viver de subsídios”.

joao cesar das neves
Há neste raciocínio (deles) uma contradição: por um lado, dizem eles (os dois) que “a produtividade portuguesa é baixa porque os portugueses são preguiçosos”; mas, por outro lado, quando se pretende pagar condignamente a boa produtividade, dizem que mais vale manter o funcionário sinaleiro a servir de semáforo à porta do gabinete do Senhor “Doutor das Dúzias”.

Ora, isto não é ser conservador!: é ser estúpido — desde logo pela contradição, e depois pela esperteza de um elitismo saloio das doutorices e do insulto à inteligência do cidadão português.

Quinta-feira, 10 Julho 2014

A trapalhada argumentativa do Rolando Almeida

 

Vindo de um professor “encartado” de filosofia, este verbete consegue surpreender-me; e quanto mais leio textos de professores “encartados” de filosofia, mais valor dou ao senso-comum.

Quando se diz (no referido verbete), por exemplo, que existiu uma intencionalidade, da minha parte, em ganhar “share no Google” ao escrever este meu verbete, essa opinião é inqualificável senão à luz de um cinismo de um interlocutor que me pergunta:

“¿O que é que tu pretendes ganhar com a tua posição ideológica?”

— como se toda a opinião tivesse uma motivação utilitarista. Como escreveu o poeta Óscar Wilde, ele há gente que conhece o preço de tudo e desconhece o valor do que quer que seja.

Este blogue não precisa do Rolando Almeida para ter tido cerca 2.400.000 visitas em sete anos.


(more…)

Quarta-feira, 16 Abril 2014

O Homem Novo da Esquerda

 

 

O Cristianismo, com a acção dos apóstolos de Jesus Cristo e, mais tarde, com a Patrística, anunciou o Homem Novo que era o cristão que se diferenciava dos pagãos. O que separava essencialmente o Homem Novo, ou seja, o cristão, por um lado, do pagão, por outro lado, era a ética. As éticas do cristão e do pagão eram diferentes — e isto para além de todas as considerações religiosas evidentes e das diferenças de mundividência.

Portanto, para o Cristianismo, o Homem Novo era aquele que assumia e interiorizava voluntariamente uma Nova Ética. Naturalmente que esta Nova Ética tinha uma relação estrita e directa com uma nova mundividência que, ao contrário do que parece dizer este papa (porque nunca sabemos exactamente o que ele quer dizer!), não eliminou hierarquias: antes, criou um novo tipo de hierarquia, não já baseada no poder material, mas na autoridade dos dignitários da Igreja que foi deduzida da Autoritas romana. Mas essa  autoridade emanava do povo cristão: por exemplo, os bispos eram eleitos pelo povo cristão! (¿você sabia disto?).

O filósofo Mircea Eliade escreveu o seguinte no seu livro “História das Ideias Religiosas” :

“(…) a fé inabalável e a força moral dos cristãos, a sua coragem perante a tortura e a morte, a qual foi admirada mesmo pelos seus maiores adversários (…)

Para todos os desenraizados do império (romano), para as vítimas de alienação cultural e social, a Igreja era a única esperança para alcançar a identidade e encontrar ou reencontrar um sentido para a existência. Visto que não existiam quaisquer barreiras sociais, raciais ou intelectuais, qualquer pessoa podia tornar-se membro desta comunidade optimista e paradoxal, na qual um cidadão poderoso, camareiro do imperador, se prostrava diante de um bispo que tinha sido seu escravo.

Muito provavelmente, nenhuma comunidade na História, nem antes, nem depois, conheceu uma igualdade, uma caridade e um amor entre irmãos tão grandes como aqueles que foram vividos nas comunidades cristãs dos primeiros quatro séculos.”

Essa “igualdade” cristã não significava “ausência de hierarquia”. A igualdade cristã era ontológica, o que não impedia que “um cidadão poderoso, camareiro do imperador, se prostrasse diante de um bispo”.


Em contraponto, para a Esquerda, o Homem Novo parece ser o ser humano biologicamente alterado. Leio aqui o seguinte:

O “homem novo”

Um dos campos onde a ideologia do género começa a ser imposta é nas escolas. Há planos para o efeito em vários países europeus, incluindo Portugal. Mas este é apenas um aspecto. Durante a polémica sobre a introdução da teoria do género no ensino em França, é de notar que o ministro socialista, responsável por essa pasta, afirmou que “o objectivo da educação é arrancar do aluno todos os determinismos, familiar, étnico, social , intelectual…” Assim se vê que o sonho de fabricar o “homem novo” se mantém vivo. Apenas se apresenta sob outras formas.

 

trans-humanismoA construção do Homem Novo da Esquerda tem pouco a ver com a Ética.

Quando o ministro socialista francês, o maçon inveterado Vincent Peillon, defendeu a ideia expressa segundo a qual “o objectivo da educação é arrancar do aluno todos os determinismos, familiar, étnico, social , intelectual…”, já não estamos a falar de ética: estamos antes a falar em separar o ser humano da sua biologia.

Para o marxismo clássico, o Homem Novo era também alguém que contrariava a natureza humana, mas nunca o marxismo clássico chegou ao ponto de negar a própria biologia. Ou seja, a Esquerda actual consegue ser ainda mais radical (no sentido de “eliminação de raízes”) do que o marxismo clássico.

Assim, o Homem Novo, para a actual Esquerda, é um conceito abstracto, é algo que não se pode encontrar de facto na realidade. Quando a Esquerda separa o ser humano, por um lado, da biologia, por outro lado, pretende fazer do ser humano uma abstracção — ou seja, algo que não existe na sociedade concreta e factual. O estatuto de “cidadania” passa a ser abstracto.

O “Homem Novo” da Esquerda não é construído a partir de uma diferenciação cultural com base em fundamentos éticos (como aconteceu com o Cristianismo), mas antes a Esquerda pretende construir esse outro Homem Novo a partir de uma transmutação biológica que consiste na recusa e negação da própria biologia humana. A recusa da biologia humana é já uma espécie de trans-humanismo: colocada face à condição humana, a Esquerda recusa-a terminantemente.

antinatural isabel moreiraNa medida em que, para a Esquerda, a “diferença” entre os seres humanos é sinónimo de “hierarquia”, então conclui a Esquerda que “a raiz do mal está na diferença” entre os seres humanos — ao contrário do que aconteceu com o Homem Novo do Cristianismo, em que a “igualdade” entre seres humanos era (e é!, ainda) ontológica e as suas diferenças eram consideradas como características intrínsecas da condição humana.

A própria agenda política eugenista da Esquerda (abortos selectivos, etc.) tem algo a ver com a identificação ideológica da Esquerda entre “diferença”, por um lado, e “hierarquia”, por outro lado. Uma criança nascida com uma deficiência é considerada como “um atentado natural à igualdade” entre os homens. E, por isso, a Natureza tem que ser negada no seu todo: “anti-natural, felizmente”, como diz a lésbica militante Isabel Moreira.

O que está a acontecer hoje, com o conceito de “Homem Novo” da Esquerda, é uma ruptura radical com a própria realidade material e ontológica. É uma postura radicalmente anti-científica. É a recusa da realidade (a “Grande Recusa”, de Herbert Marcuse 1). O que a Esquerda está a tentar fazer é induzir a toda a sociedade uma psicose colectiva: pretende transformar o cidadão comum, em geral, em um psicótico, para melhor poder controlar a sociedade e instituir um novo tipo de totalitarismo.

 


Nota
1. 

« Em “Eros e Civilização”, Marcuse sustenta que “a correlação freudiana repressão do instinto / trabalho socialmente útil / civilização pode, sem se tornar absurda, ser transformada na correlação libertação do instinto / trabalho socialmente útil / civilização”.

Pareceria, portanto que a libertação do homem não implicaria a abolição do trabalho. A “Grande Recusa” (designação inspirada no Manifesto do Surrealismo proclamado em 1924 por André Breton) consistiria no “protesto contra a repressão supérflua, na luta pela forma definitiva de liberdade — um viver sem angústia” (Ibidem, p. 121).

E a obra inteira tem como objectivo a demonstração de que a “auto-sublimação da sexualidade” destrói o primado da função genital, transforma todo o corpo em órgão erótico e o trabalho em jogo, divertimento ou espectáculo. Com o advento do puro Eros, ficaria destruída “a ordem repressiva da sexualidade procriadora” (ibidem, p. 137).

Mas não ficaria também destruída a capacidade humana de reprodução? »

Trecho retirado do Tomo XIV da “História da Filosofia”, de Nicola Abbagnano , § 865. Como podemos verificar, o conceito abstracto de “Homem Novo” da actual Esquerda é copiado literalmente do marxismo cultural ou utopia negativa.

Quinta-feira, 10 Abril 2014

Quem consentiu o "casamento" gay que agora limpe as mãos à parede

 

Quando o Direito se funda no facto — ou seja, quando o Direito Positivo é fundado por tudo aquilo que existe na sociedade, e as leis são feitas para acomodar, no ordenamento jurídico, todos os fenómenos sociais que existam ou venham a existir —, então acontece que todas as aberrações culturais, estéticas, éticas e comportamentais tendem a ser normalizadas por intermédio das normas legais (passo a redundância intencional). E é assim que a existência de qualquer facto social passa a ser o fundamento de um qualquer novo “direito”.

Faço aqui referência a este texto do jornalista Henrique Monteiro, a que respondeu uma tal Inês Rolo (à procura de protagonismo social) aqui.

politicamente-correcto-grc3a1fico-webDesde já convém dizer que o Henrique Monteiro deveria ter sublinhado, no seu texto, que se o comportamento tradicional é (segundo o radicalismo progressivista actual) uma “construção social artificial”, então também o comportamento não-tradicional é uma “construção social artificial”. A lógica subjacente ao agir humano não difere em função de ser “tradicional”, ou não.

O que difere a Inês Rolo, por um lado, do Henrique Monteiro, por outro lado, é o conceito de “civilização”, ou seja, a importância do superego em controlar a miscelânea caótica do ID (segundo a linguagem de Freud) no sentido de formatar socialmente o ego individual que lhe permita integrar numa cultura e numa sociedade. Para a Inês Rolo, a civilização é a ausência de civilização; é a liberdade irracional do ID manifestando-se no comportamento social, e tentando impôr a toda a sociedade essa irracionalidade da liberdade do ID sem freio — porque a normalização de um comportamento é sempre uma forma de tentar estender esse comportamento a toda a sociedade: não se trata (da parte da Inês Rolo e quejandas) de uma afirmação de uma opção de um estilo de vida, mas antes de uma tentativa de universalização desse estilo de vida, dessa cultura e dessa mundividência.

Basear as normas éticas e/ou jurídicas nos factos, é uma falácia de apelo à natureza. Por exemplo, não é pelo facto de a esmagadora maioria dos homens ter barba que eles devem deixar crescer barba. Os homens podem deixar crescer a barba, se quiserem, desde que isso não interfira com a sua higiene pessoal e com a vida prática. De modo análogo, a promiscuidade sexual pode ser um factor de perigo grave de saúde pública — como já está basta- e cientificamente documentado. A normalização da promiscuidade sexual não é defensável, nem ética- nem juridicamente: não é porque existem pessoas sexualmente promíscuas que o Direito Positivo se deve ocupar de normalizar a promiscuidade sexual. Se (nos casos que se justifiquem em função do bem-comum) os factos podem eventualmente influenciar o Direito, o Direito não se funda em factos.

O facto de existirem prostitutas não significa que a prostituição seja transformada, através da sua normalização pelo Direito Positivo, em uma profissão como qualquer outra, com contrato de trabalho, pagamento de IVA e facturas e recibos, e dedução no IRS. E, no entanto, a prostituição é conhecida pela “profissão mais antiga do mundo”. Portanto, fica claro que o facto não funda o Direito.

Por fim, o problema da nossa sociedade é que se perdeu a noção de juízo universal.  

O facto de uma mulher (neste caso concreto, a Inês Rolo) não querer ser como as “outras” — em um assomo assoberbado de um narcisismo que, sendo normal nas mulheres, assume neste caso as raias de uma psicose —, não significa que as “outras” não sejam normais. Pelo contrário, a julgar pela racionalidade da curva de Gauss na análise comportamental das mulheres, a normalidade não está com a Inês Rolo. Portanto, a Inês Rolo que extravase o seu narcisismo mórbido nos intervalos das cambalhotas poliamóricas, entre a confusão de narizes, com aqueles e elas que, como ela, colocam o instinto acima da racionalidade.

Sábado, 22 Março 2014

Para os “americanistas” brasileiros lerem

Filed under: Tirem-me deste filme — orlando braga @ 6:06 am
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Nos Estados Unidos, e segundo um tribunal superior, o facto de uma professora fazer sexo dentro da sala de aula e dentro do horário normal lectivo, não é motivo para despedimento.

NEW YORK CITY, March 21, 2014 – A five-panel appellate court has ruled that having sex in a public school classroom is no reason to lose your job.”

A crítica que eu faço aos Estados Unidos e ao actual sistema político americano, é objectivo. Não se trata de uma ideologia política ou de uma atitude subjectiva — como é uma ideologia a defesa fanática dos Estados Unidos (com ou sem Obama).

Quando um tribunal superior americano vem dizer que os professores podem fornicar à vontade dentro das salas de aulas e dentro do horário lectivo normal, eu acho que não há brasileiro americanista que possa ter quaisquer argumentos a favor do Establishment americano actual. Só se for burro.

Quinta-feira, 20 Março 2014

A esquizofrenia política da governança de Passos Coelho

 

Albuquerque portugal niveis salariais 2011 webbancos recusaram renegociar emprstimos web

Estas duas imagens acima (clique nelas para ler as notícias) são eloquentes e falam por si: revelam a filha-da-putice do regime coelhista. Se as pessoas auferiam um determinado nível salarial e assumiram compromissos com a Banca na compra de habitação própria, a ministra das finanças vem agora dizer que “O problema não é meu! Desenrasquem-se! Debaixo da ponte também se dorme!”

Um governo não serve apenas fazer correcções orçamentais ou para reduzir o défice. Um governo existe em função das pessoas, dos cidadãos. Para fazer o que a ministra das finanças está a fazer, bastaria um qualquer contabilista. Ora, não é um qualquer contabilista que pode ser ministro das finanças de um país — a não ser que estejamos já em uma ditadura e não nos tenhamos dado conta.

o-grande-lider-web

Quinta-feira, 13 Março 2014

As leis laborais bovinotécnicas e blasfemas

Filed under: Tirem-me deste filme — orlando braga @ 8:46 pm
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a sociedade ideal blasfema

Trabalho em troca de comida. E não digam que vêm daqui!

O tradicionalismo e o capitalismo

Filed under: Tirem-me deste filme — orlando braga @ 1:15 pm
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Alguém sabe quem inventou, na Europa, os prémios de seguro de risco e a taxa de juro de empréstimos financeiros?

O prémio de seguro de risco foi “inventado” (no sentido de ser concebido pela primeira vez na Idade Média) pelos Fraticelli católicos!, de finais do século XII (frades menores franciscanos, devotos da pobreza), e a taxa de juro foi “inventada” pela ordem católica dos Templários!, no século XIII.

Ou seja, a base do capitalismo foi concebida nos séculos XII e XIII!, em plena Idade Média católica! A prosperidade das cidades-estado italianas, durante o Renascimento, foi fundada em um capitalismo incipiente e elitista, nas taxas de juros e nos prémios de seguros de risco!

A novidade do Calvinismo — em relação ao capitalismo incipiente que existia já na Europa antes da Contra-reforma do Concílio de Trento — foi que o capitalismo se tornou popular (ler “A Ética Protestante”, de Max Weber), e não já uma prerrogativa de uma certa elite. ¿E por que razão o capitalismo se tornou popular?

O capitalismo popular, introduzido à sombra do Calvinismo, e segundo Max Weber, não se revela na procura desenfreada e cega do lucro por especuladores e aventureiros: pelo contrário, o capitalismo popular surge com a procura racional e sistemática, metódica e controlada, do lucro — mas no exercício honesto e constante de uma profissão.

A outra razão por que o capitalismo se tornou popular — em oposição ao capitalismo elitista que já existia, de certa forma, antes da Reforma — foi a doutrina determinista calvinista, segundo a qual Deus decidiu, em virtude de decretos insondáveis e irrevogáveis — portanto, para todo o sempre — que “certos homens estão destinados à vida eterna e outros votados à morte eterna” (Confissão de Westminster, de 1647).

E, como perder a Graça de Deus é tão impossível àqueles a quem foi (a priori) concebida, como também é impossível obtê-la por aqueles a quem foi (a priori) recusada, instalou-se uma angústia profunda no calvinista que se interroga: “¿Serei eu o eleito?”.

Nunca certo da sua eleição, o calvinista buscava os sinais da sua salvação aqui na Terra, nos frutos do seu trabalho sem descanso e sem alegria, trabalhava para a glória de Deus e para apaziguar a sua angústia. Tendo o trabalho por vocação e a riqueza por sinal da bênção divina, o calvinista acumulava necessariamente capital que não gastava. Foi assim que o capitalismo popular nasceu.

Hoje, em muitos países da Europa, esse capitalismo popular está moribundo e surgiu de novo (embora por outras razões) uma espécie de capitalismo de elites. A concentração de capital destruiu o capitalismo popular.

Portanto, ao contrário do que escreve o Guilherme Koehler, não é verdade que “antes da Reforma não existia capitalismo”. O que não existia era uma cultura utilitarista (utilitarismo), que também não existiu com a Reforma protestante. Mais tarde, já no século XVIII, e uma vez instituído, o sistema capitalista passou a obedecer às suas próprias leis, já não tendo necessidade da religião para nada; e surgiu, então, o império da ética utilitarista profana (com Bentham) que passou a assombrar a modernidade.

Enfim: os tradicionalistas deveriam ter mais respeito pela História para que possam ser mais credíveis.

Segunda-feira, 10 Março 2014

Esta gente está a fazer de você um estúpido!

 

Você considera-se estúpido? Não?! Não adianta o que você pensa de si mesmo: você é estúpido!, quer queira, quer não queira.

angela-merkel-ue-webDepois do que os Estados Unidos, a União Europeia e a NATO fizeram no Kosovo, Angela Merkel diz agora a Putin que um referendo na Crimeia é ilegal. Ou seja, o referendo no Kosovo foi legal, mas o da Crimeia já não é.

Percebeu? Não?!!!!! Então você é estúpido!

Repare-se numa coisa: eu não sou a favor da Rússia. O que eu recuso é ser classificado de estúpido.

Chateia-me ser estúpido! Mesmo os estúpidos não gostam de ser estúpidos. É um direito que nos assiste, a recusa a ser catalogado de estúpido. Um verdadeiro estúpido, porém, é aquele que aceita que o referendo no Kosovo tenha sido legal, mas que o referendo na Crimeia seja agora ilegal. É esse o verdadeiro estúpido!

Mas Angela Merkel não fica por aqui: depois de ter destruído as economias dos países mais pobres da Europa e de ter perdido o debate político, Angela Merkel e os federalistas europeístas pretendem agora a lobotomia das nossas crianças através de lavagens cerebrais nas escolas, e a instalação de um pensamento único na Europa.

Sexta-feira, 7 Março 2014

A periferia mental de José Ribeiro e Castro

Filed under: Tirem-me deste filme — orlando braga @ 1:18 pm
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A periferias são sempre o centro de alguma coisa. E, como diz o Papa, é nas periferias que se joga o futuro. “Periferia mental” é alguém julgar que a mente não tem periferias.

José Ribeiro e Castro faz lembrar o governo da Dilma Roussef, que chegou à conclusão de que 99% do povo brasileiro era homófobo, e concluiu daí que o governo estava certo e que o povo inteiro estava errado, e que era necessário mudar o povo todo e substitui-lo por outro.

Nunca a merda da elite política que temos coloca a hipótese de o povo ter razão; se o povo português não se interessa pela União Europeia, então conclui o José Ribeiro e Castro que a culpa é do povo que padece de uma “periferia mental”. Ou seja, se Moisés não vai à montanha, a montanha é obrigada a ir a Moisés. E, depois, dizem que quem é “periférico mental” é o povo.

Quinta-feira, 20 Fevereiro 2014

A lei espanhola tenta travar o tráfico esclavagista e homofascista de crianças

 

“La Sala Civil del Supremo ha rechazado el acceso al Registro Civil de unos niños nacidos en California de un vientre de alquiler y a los cuales un matrimonio de varones homosexuales pretendía inscribir como hijos suyos.

En una sentencia pionera, el Alto Tribunal avala la tesis sostenida por la Fiscalía y por la Audiencia de Valencia en el sentido de que no es posible que la certificación registral extranjera -en la que los dos miembros de la pareja gay figuran como progenitores- sea inscrita en el Registro Civil español puesto que la legislación nacional prohíbe la gestación por sustitución, con o sin precio.”

Os activistas homofascistas tentam, através da “barriga de aluguer”, traficar crianças; e contam com a co-adopção para legalizar esse tráfico moderno de seres humanos.

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