Uma ideologia é uma doutrina filosófica de tal modo simplificada nos seus conceitos que possa ser entendível por um qualquer idiota.
A definição de ideologia exigiria, por isso, que as nossas crianças começassem muito cedo a aprender a lógica e a história da ética, para além da matemática e do português. A lógica é importante para ensinarmos as nossas crianças a pensar, e a história da ética é essencial para que os futuros adultos saibam lidar racionalmente com as ideologias.
É óbvio que às actuais elites, que detêm o poder político, não interessa que os adultos saibam muitas coisas senão o estritamente necessário para desempenhar uma profissão; mas isso não significa que quem detém o poder tenha razão. O ensino é hoje um processo de lobotomia ideológica, em que até a verdade científica (as verificações da ciência) é escondida ou deturpada da formação das crianças. Em nome da ideologia, as verificações científicas e o realismo do senso-comum são hoje reprimidas e proibidas no ensino.
Uma ideologia distorce a realidade: pega em determinados factos e, de uma forma irracional, transforma esses factos em não-factos, como se esses factos não existissem. E por outro lado, acentua a importância de outros factos que interessam a essa mundividência ideológica. A ideologia é um instrumento de psicose colectiva. Formatado pela ideologia, o indivíduo vê a realidade como que reflectida por um espelho convexo ou côncavo.
Dizia S. Tomás de Aquino que “a verdade é a adequação do intelecto à realidade”. Ora, a missão primeira das ideologias é a de que o intelecto não se adeqúe à realidade. E para conseguir esse objectivo, as elites formatam o ensino de tal forma que os futuros adultos possam estar totalmente vulneráveis à acção nefasta das ideologias. Precisamos de uma revolução no ensino, nem que tenhamos que “exportar” a elite inteira.
“Havia uma tribo no Amazonas que gostava das crianças com a cabeça cúbica e, quando elas eram pequenas, punham-lhes umas talas na cabeça para obrigá-las a crescerem cúbicas.
Afinal de contas, é o que sucede a todos nós, pois no fundo, a nossa cabeça é cúbica, visto as circunstâncias externas obrigarem a isso. Mas quando a sociedade não nos colocar as suas talas, para nos impedir o crescimento normal, será possível que cheguemos ao mais pleno de nós próprios.” — Agostinho da Silva, “Conversas com Agostinho da Silva”, Victor Mendanha, 1998, página 108

A criação do universo e do mundo, segundo os gnósticos da Antiguidade Tardia, estão infinitamente separados de Deus — que evoluiu para o conceito de “morte de Deus”, segundo Nietzsche, e que traduz essa ideia da “ausência de Deus”. O Deus gnóstico não é responsável pela criação do mundo: antes, é o “Inefável”, o “Abismo”, o “Silêncio”: é Aquele em relação ao qual só é possível aceder por uma elite escassa de iluminados através do conhecimento.
E uma vez que o mundo é criação do diabo [ou seja, do Deus bíblico, segundo os gnósticos da Antiguidade Tardia], o Homem deve afastar-se e evadir-se do mundo, e negá-lo. A realidade do mundo deve ser, segundo os gnósticos, sistematicamente negada. O mundo deve ser desprezado porque alegadamente é obra do diabo que, segundo os gnósticos, é o Deus da Bíblia. 













