perspectivas

Quarta-feira, 22 Outubro 2014

Um capitalismo errado tomou conta de Portugal

Filed under: Passos Coelho,Política,Portugal — O. Braga @ 9:33 am
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Antes de entramos no tema, aconselho a leitura de três artigos:

O “capitalismo errado” é o neoliberalismo que se traduz na ideologia política que orienta o governo de Passos Coelho. O exemplo vem de cima.

Há cerca de dois anos fui contactado para assumir funções de Director Comercial de uma empresa; foi-me dito pelo dono da empresa que eu teria que despedir mensalmente o pior vendedor do mês, mesmo que ele tivesse sido o melhor vendedor do mês imediatamente anterior. Ou seja, todos os meses seria despedido um vendedor e admitido um novo vendedor. Isto é o neoliberalismo em todo o seu esplendor. Recusei a oferta.

Em nome da produtividade, o neoliberalismo mina e destrói a produtividade. Os ganhos são a curto prazo. Tal como acontece com o jogo na Bolsa, a gestão neoliberal das empresas vive apenas o momento imediato. O futuro e a sua construção não interessam. Não há futuro. As pessoas tornam-se absolutamente intermutáveis, o que significa que a especialização e a experiência do trabalhador são negadas pelo neoliberalismo empresarial.

Uma coisa é não deixar o trabalhador acomodar-se e/ou ganhar vícios (e aqui, estou de acordo). Outra coisa é tentar transformar um ser humano em uma máquina — o que é uma contradição em termos, porque uma máquina tem sempre os vícios inerentes à sua programação, seja qual for. Só o ser humano consegue corrigir vícios e evoluir por si mesmo.

Mas a Esquerda — por exemplo, o antropólogo João Carlos Louçã — não tem autoridade moral para criticar o neoliberalismo empresarial: a intermutabilidade do ser humano, nos seus papéis sociais, é uma característica de esquerda. Por exemplo, a ideologia de género, característica da Esquerda e recuperada pelo neoliberalismo, é uma ideologia de intermutabilidade do ser humano. A Esquerda também está metida na merda neoliberal até ao pescoço.


A ler: Ruthless narcissists churned out by The Apprentice aren’t fit for the real business world

Quarta-feira, 15 Outubro 2014

Teresa Leal Coelho e o Direito casuístico

 

“Teresa Leal Coelho, que esteve esta terça-feira numa conferência sobre direito da família e dos menores na Universidade Lusíada de Lisboa, explicou que, quando tiverem de decidir sobre casos concretos, mesmo com a lei actual, os juízes podem sempre alegar que a proibição de co-adopção pelos casais do mesmo sexo viola a Constituição.”

Teresa Leal Coelho desafia juízes a permitirem co-adopção

Uma coisa é a opinião pessoal que Teresa Leal Coelho tenha da Constituição; outra coisa é a defesa da aplicação casuística do Direito.

A casuística actual é um retorno ao pior da Idade Média. Por exemplo, S. Bernardo de Claraval defendeu a ideia segundo a qual seria legítimo que um homem se deitasse com a mulher de outro, “se assim fosse o desígnio de Deus”. Ou seja, cornear o parceiro não seria eticamente reprovável se correspondesse aos “desígnios de Deus”. O problema é o de saber se, neste caso, os desígnios de Deus são verdadeiros e, por isso, se são legítimos.

A casuística é isto: cada um pode invocar um qualquer “deus” para justificar subjectivamente uma excepção à regra normativa. No caso da casuística de Teresa Leal Coelho, os deuses são os juízes.

Eu não sei se a Teresa Leal Coelho é burra ou se é uma espécie de peça de decoração de um lupanar de banlieue.

Segunda-feira, 13 Outubro 2014

José Pacheco Pereira e a pedofilia

 

“Escrevi pedofilia entre aspas porque a palavra é das mais ambíguas que por aí correm, mais sujeita a simplificações, deturpações e ignorâncias. Estamos perante realidades muito diferentes entre si, umas de claro carácter patológico, outras da ordem das perversões sexuais, outras criminosas, e outras dependentes de factores sociais e culturais. Outras ainda, indevidamente classificadas na pedofilia, que na percepção popular inclui o abuso de menores, como se fosse a mesma coisa.

José Pacheco Pereira

Uma coisa que eu desprezo no José Pacheco Pereira é uma certa tendência para um gongorismo intelectual — não o tradicional gongorismo da escrita académica, mas uma tendência para complicar o que, muitas vezes, é simples. O discurso do José Pacheco Pereira é anticientífico: o princípio da navalha de Ockham não se lhe aplica.

¿As “perversões sexuais” não são de “carácter patológico”?! Mas do que é que José Pacheco Pereira está a falar?!

Ou seja, segundo o José Pacheco Pereira, há “perversões sexuais” que não têm “carácter patológico”. Desde logo teríamos que ter a noção de “perversão sexual”; mas, pelo visto, para o José Pacheco Pereira há pedófilos que não são “sexualmente pervertidos”, ou não têm qualquer “patologia”.

Fico pior que estragado com este tipo de raciocínio!


Eu também sou contra a lei da base de dados dos pedófilos da ministra Paula Teixeira da Cruz.

Por dois motivos: em primeiro lugar, não gosto dela (da ministra); olhar para ela, na televisão, causa-me imediatamente um transtorno emocional negativo. Tresanda a feminista burra (tal como a Teresa Leal Coelho).

É claro que isto não é um argumento objectivo, mas também tenho direito à minha subjectividade (tal como o José Pacheco Pereira acha subjectivamente que uma perversão sexual não é necessariamente uma patologia).

Em segundo lugar, a lei é perigosa, porque quebra princípios fundamentais que orientam o estatuto ontológico da pessoa — e não só do cidadão. Hoje, a classe política tem imensa dificuldade em distinguir a pessoa, do cidadão. Por exemplo, vemos como David Cameron prepara uma lei que restringe a liberdade de expressão em nome do combate ao terrorismo: o princípio é o mesmo: o de uma classe política constituída por “gente menor” (como dizia o saudoso José Hermano Saraiva).

Sábado, 11 Outubro 2014

O ónus da lei do aborto discricionário é sobretudo do Estado controlado pelas elites

 

“A verdade é que o ónus não está só no Estado, ele continua nas pessoas”.Inês Teotónio Pereira

gandhi abortoO referendo de 2007 sobre a lei do aborto não foi vinculativo: votaram menos de 50% dos portugueses. A maioria dos portugueses já tinha expressa a sua posição negativa em um referendo anterior — que este sim!, foi vinculativo! Portanto, o ónus da lei do aborto discricionário é sobretudo do Estado e da ruling class que o controla.

Num dos seus livros, Karl Popper explicou o conceito de “evolução da opinião pública”: quando as elites (a ruling class) pretendem introduzir uma lei injusta e até absurda, conseguem passar essa legislação apostando na “evolução da opinião pública” através da sonegação de informação (sub-informação), da propaganda carregada de emoção (pseudo-informação), e através da injecção de doses massivas de informação que causem uma dissonância cognitiva generalizada na população, dando origem a uma espiral do silêncio.

Hoje, quem é contra o aborto e não se expressa publicamente, é vítima de uma espiral do silêncio. Essas pessoas são a maioria dos católicos.

Foi o que aconteceu em Portugal nomeadamente com a lei do aborto: apesar de o referendo não ter sido juridicamente válido (porque votaram menos de 50% dos portugueses), as elites (a ruling class) decidiu que o referendo foi válido.

Por tudo isto, não concordo com a Inês Teotónio Pereira.

O ónus — no sentido de “culpa” ou de “obrigação de redenção” — não está nas pessoas, porque foram enganadas. As elites deste regime, a que chamam de “democracia”, venderam gato por lebre. E as elites ganharam-lhe o gosto, porque a estratégia da “evolução da opinião pública” continua em outras áreas, como por exemplo no “casamento” gay e na normalização legal e cultural do acto homossexual, na adopção de crianças por pares de invertidos, no tráfico de crianças mediante a “barriga de aluguer”, na sonegação do direito dos pais a educarem os seus filhos, na destruição da família natural, e até na defesa do fim da Pátria portuguesa.

Sexta-feira, 10 Outubro 2014

Passos Coelho não deixará saudades e será rapidamente esquecido

Filed under: Passos Coelho,Política,Portugal — O. Braga @ 9:37 am
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Desde que Passos Coelho chegou ao governo, tenho visto miséria social como nunca tinha visto em Portugal (nem no tempo do Escudo) desde que aqui cheguei em 1975. A crise não justifica tudo. Houve uma opção política miserável de Passos Coelho.

Se Sócrates será lembrado como o primeiro-ministro que levou Portugal à bancarrota, Passos Coelho será lembrado — se alguém se quiser lembrar dele — como o primeiro-ministro que se aproveitou da bancarrota para propositadamente tornar Portugal em um país miserável.

homem lixo

Quinta-feira, 9 Outubro 2014

A Direita da Esquerda

Filed under: aborto,ética,Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 12:36 pm

 

“Os “partidos moderados e conservadores” acabem por se constituir como os nossos principais e mais perigosos “inimigos”. Nessa medida, qualquer estratégia (como a que temos visto ser seguida pela FPPV, culminando com esta “iniciativa legislativa”) que passe por alguma forma de enfeudamento da Causa da Vida a partidos como o PSD ou o CDS, acaba por representar um grande perigo para o futuro e acutilância do movimento pro-Vida.”

Assino por baixo. Com as duas mãos.

Quanto mais a Esquerda radicaliza, mais o centro político se distorce em direcção à esquerda, e mais os partidos “conservadores” e “moderados” se aproximam desse centro político distorcido e esquerdizado. E quanto mais esta estratégia esquerdista dá resultados práticos, mais a Esquerda radicaliza. Segue-se uma dinâmica de esquerdização da “direita”, na sua ânsia de se aproximar do “centro” político moldado pela moda do Zeitgeist pautado pela agenda política de Esquerda.

Caricaturando: se a Esquerda radicalizar e defender o aborto aos nove meses de gravidez, segue-se que a “direita”, na sua ânsia de se aproximar do “centro”, compromete-se a anuir com o aborto aos cinco meses de gravidez.

Por outro lado, vivemos em um tempo em que a lei esquerdista promulgada assume uma condição de dogma: qualquer lei de esquerda é considerada, mesmo pela “direita”, como sendo irrevogável. É neste sentido que Juan Manuel de Prada diz que “os partidos conservadores conservam as leis da Esquerda”.

Portanto, deveria ser a ética a condicionar a política — e não a política a definir a ética, como defendem todos os partidos políticos portugueses. Submeter a ética à política é recusar o facto de os valores da ética existirem em si mesmos e independentemente de qualquer utilidade prática. Esta é uma das razões por que o actual sistema político, que transformou a liberdade em uma espécie de escravatura, irá provavelmente desabar mais cedo que tarde.

Quarta-feira, 8 Outubro 2014

O Rui Tavares quer os feriados de 5 de Outubro e de 1 de Dezembro sem simbolismo histórico

Filed under: Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 7:51 am
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Talvez a maior obsessão da Esquerda é apagar a História; ou, pelo menos, a História que não lhes interessa. Naturalmente que um povo sem passado não tem futuro; e o Rui Tavares sabe disso: o que se pretende é um povo sem futuro, para que uma cáfila de auto-iluminados possa impôr a sua agenda política em nome da “democracia” — ou de um conceito de democracia estafado de Habermas.

O problema é que, na democracia do modelo discursivo de Habermas adoptado por Rui Tavares, os doentes e os mais idosos não falam, e os nascituros também não. E os mortos e a sua história já não têm nenhuma relevância para a cultura: o que tem importância é o narcisismo de uma plêiade de neognósticos com ares de intelectuais de urinol.

Talvez a razão mais importante para combater e derrotar António Costa nas próximas eleições é o conluio que ele tem com esta comandita radical que pretende transformar a sociedade em um eterno presente. Depois da “esquerda caviar”, temos agora a “esquerda Carpe Diem”.

Segunda-feira, 6 Outubro 2014

Cuidado com as burlas da empresa FINSOLUTIA S.A. !

Filed under: Justiça,Passos Coelho,Política,Portugal — O. Braga @ 10:18 pm

 

Recebi uma carta de uma empresa que dá pelo nome FINSOLUTIA S.A. (clique na imagem imediatamente abaixo para ampliar) que diz representar o defunto Banco BES, e que pretende cobrar uma putativa dívida minha.

FINSOLUTIA

Acontece que eu não tenho conta nem trabalho com o Banco BES desde 1997! — portanto, há 17 anos!

O problema destas empresas que se dedicam a burlar o cidadão é que têm acesso ao Banco de Portugal, e por isso podem “queimar” qualquer cidadão que não aceda a ser burlado. Ou seja, ou aceitas a burla, ou tens o teu nome “queimado” no Banco de Portugal.

Aqui em baixo podem ver um email que enviei aos burlões da FINSOLUTIA. Tomem cuidado com esta cáfila de burlões patrocinados por Passos Coelho.

resposta a FINSOLUTIA

O desavergonhamento do capitalista Belmiro de Azevedo e do jornal Público

 

Eu não tenho a certeza se Belmiro de Azevedo é desavergonhado ou estúpido; mas só pode ser uma das duas coisas, porque um estúpido não tem noção de vergonha e um desavergonhado faz da estupidez dos outros o seu instrumento de acção.

O pasquim Público (que é propriedade de Belmiro de Azevedo) apresenta um tal Roberto Mangabeira Unger como “um dos maiores pensadores da actualidade” e o “profeta da nova esquerda”:

“Quem é então Roberto Mangabeira Unger? Filósofo, teórico social, político e, sim, revolucionário, porque acredita que a mudança radical é possível e desejável — o homem tem direito a uma vida maior e o Estado tem obrigação de lhe dar as ferramentas para a alcançar. O mundo é uma construção, fruto da imaginação, e há que usá-la para mudar o que tiver de ser mudado”.

Não está em causa aqui um artigo escrito acerca de algum personagem brasileiro que se pretende afirmar em um contexto de pluralismo ideológico. O que está em causa é que o pasquim do capitalista Belmiro de Azevedo nunca publicaria — e já que estamos a falar de um brasileiro —, como nunca publicou, um qualquer artigo acerca do brasileiro Olavo de Carvalho, por exemplo. O pasquim do capitalista Belmiro de Azevedo só vê para um lado, e esse lado é o sinistro.

Por outro lado, a fundação do capitalista Soares do Santos (o patrão dos supermercados Pingo Doce) convidou (e pagou) o tal Roberto Mangabeira Unger para que viesse a Portugal:

Veio a Lisboa a convite da Fundação Francisco Manuel dos Santos para o 3.º Encontro Presente no Futuro — “À Procura da Liberdade”, onde ontem foi orador. Antes disso, sentou-se na cafetaria da biblioteca da Gulbenkian, pousada sobre o jardim, para uma conversa com Rui Tavares sobre o que Portugal pode fazer para seguir um caminho distinto”.

Qualquer cidadão que não tenha uma noção do que se passa, entraria em dissonância cognitiva: ¿então dois capitalistas apoiam um radical e revolucionário esquerdista?! E o que se passa é que o desavergonhamento dos capitalistas Belmiro de Azevedo e Soares dos Santos passa pela promoção de um processo político de médio / longo prazo de sinificação de Portugal.

Domingo, 5 Outubro 2014

Portugal faz 871 anos como nação e reino independente

Filed under: Portugal — O. Braga @ 3:31 am
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A 5 de Outubro de 1143 (século XII), Portugal tornou-se independente sob os auspícios do monarca D. Afonso Henriques. Hoje celebra-se a independência de Portugal e a monarquia que esteve na sua causa.

“O Tratado de Zamora foi um diploma resultante da conferência de paz entre D. Afonso Henriques e seu primo, Afonso VII de Leão e Castela. Celebrado a 5 de Outubro de 1143, esta é considerada como a data da independência de Portugal e o início da dinastia afonsina”.

→ fonte: Wikipédia

 

Sábado, 4 Outubro 2014

O argumento da “crise de natalidade” para a “caminhada pela vida” de hoje

Filed under: aborto,Política,Portugal — O. Braga @ 9:59 am

 

O argumento da “crise de natalidade”, que norteia a “caminhada pela vida” de hoje, é um argumento utilitarista.

O actual movimento pró-vida português (tal como acontece também em Espanha) já se movimenta nos “limites do possível” — o que significa que o valor da vida humana é relativizado pela Federação Portuguesa pela Vida. Utilizando este argumento — o da “crise de natalidade” —, poderia ser defensável o alargamento do prazo do aborto se existisse em Portugal um crescimento inusitado da população.

O utilitarismo assenta em uma contradição insanável, que consiste na defesa do egoísmo e calculismo exacerbados (proposição positiva), por um lado, e no conceito de “felicidade para o maior número” (proposição normativa), por outro lado. Ou seja, o utilitarismo pretende ter “sol na eira e chuva no nabal”; e “com papas e bolos se enganam os tolos” (os tolos são o povo). No meio desta contradição, os valores passam ao lado ou são mesmo colocados de parte.

Quando se utiliza o argumento da “crise da natalidade” para se defender a vida humana, a defesa da vida passa a ser um meio (para resolver um problema conjuntural) e não um fim em si mesma. Ora, a vida humana é um valor absoluto e não pode ser um meio para se atingir um qualquer fim utilitário. Como escreveu o poeta brasileiro Mário Quintana:

“O aborto não é, como dizem, simplesmente um assassinato. É um roubo… Nem pode haver roubo maior. Porque, ao malogrado nascituro, rouba-se-lhe este mundo, o céu, as estrelas, o universo, tudo. O aborto é o roubo infinito”.

O que me parece é que a defesa da vida humana em Portugal está a ser raptada pela política mais degradada e decadente — porque “o político democrático não faz nunca aquilo em que acredita, mas antes faz o que é mais eficaz” (Nicolás Gómez Dávila). Talvez a Isilda Pegado venha a ser candidata a deputada pelo Partido Social Democrata — e aí constataremos, mais uma vez, que Nicolás Gómez Dávila tinha razão.

Quarta-feira, 1 Outubro 2014

Uma dica para se resolver o problema dos bustos na Assembleia da República

Filed under: A vida custa,Esta gente vota,Política,Portugal — O. Braga @ 8:40 pm
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bustos ar

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