perspectivas

Domingo, 27 Julho 2014

A auto-gestão das empresas nacionalizadas depois do 25 de Abril de 1974

Filed under: Política,Portugal — orlando braga @ 6:09 pm
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A Raquel Varela invoca aqui um estudo do MIT, de 1976, segundo o qual as empresas nacionalizadas e em auto-gestão depois do 25 de Abril de 1974, fracassaram por não terem tido encomendas na sequência da crise petrolífera de 1973. Talvez por isso é que os sovietes da URSS também fracassaram: dá ideia de que, na URSS, houve uma crise petrolífera contínua desde 1917 até 1989 — porque a URSS nunca deixou de importar cereais dos Estados Unidos, por exemplo.

(more…)

A “direita” portuguesa é ideologicamente entrópica

Filed under: Política,Portugal — orlando braga @ 12:38 pm
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Este texto no blogue Corta-fitas é o exemplo acabado do efeito da segunda lei da termodinâmica, ou princípio da entropia, aplicado às ideias. Bergson escreveu o seguinte:

“A palavra vira-se contra a ideia. A letra mata o espírito. E o nosso mais ardente entusiasmo, quando se exterioriza em acção, condensa-se por vezes tão naturalmente em frio cálculo de interesse ou vaidade, um adopta tão facilmente a forma do outro, que poderíamos confundi-los, duvidando da nossa própria sinceridade, negando a bondade e o amor — se não soubéssemos que a morte conserva ainda algum tempo as feições do vivo”.

(“A Evolução Criadora”).

O tempo separa a ideia e o real, que originalmente pareciam muitíssimo unidos. O tempo separa a ideia do seu sentido original, e sem que a ideia dê por isso… separa, e depois opõe a ideia e a acção que reclama a ideia… a acção, depois de instalada a entropia, introduz ruído no diálogo entre a ideia e o real até que o diálogo se transforme em um monólogo de um ventríloquo.

Foi o que passou com Marcello Caetano, e agora passa-se com Passos Coelho.

Ambos acabaram em monólogos de ventríloquos — o primeiro com as “conversas em família” na televisão, entropicamente já muito afastadas das ideias de Salazar; e o segundo em um monólogo de ventriloquia acerca da ideia de “liberdade” que se afastou da ideia original de “liberdade” que surgiu depois do 25 de Novembro de 1975, com Sá Carneiro, Amaro da Costa, Ramalho Eanes, e outros.

E o Vasco Mina — o autor do texto — só vê a putativa (e discutível) entropia das ideias de Adriano Moreira; não consegue ver a sua (dele, do Vasco Mina) própria entropia, porque ele continua a considerar a “liberdade” aquilo que já não é.

O neoliberalismo é de facto repressivo; Adriano Moreira tem toda a razão.

Sábado, 26 Julho 2014

Este país está a saque. Já que o presidente da república é um palhaço, ¿não há por aí uma alma caridosa?

Filed under: Portugal — orlando braga @ 8:39 pm
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TAP melhor da europa


Pais do Amaral tap

alma-caridosa-web1

O Jornal de Angola e o jornalismo de mentecaptos

 

Ao longo dos últimos anos sempre defendi as posições do Jornal de Angola contra as opiniões da Esquerda e não só: por exemplo, contra as opiniões de José Pacheco Pereira. Mas isto ultrapassa o razoável: um artigo assinado por um tal Artur Queiroz. Não se trata ali e agora de defender a liberdade de Angola como país soberano (o que é razoável): trata-se de um chorrilho de asneiras e de insultos com os quais se pretende assumir uma qualquer razão.

Em primeiro lugar, o jornaleiro Artur Queiroz inicia o texto com insultos; ou seja, os insultos não são o corolário de uma análise (o que até poderia ser razoável), mas são o pressuposto dessa análise. Estamos perante um ad Hominem.

Depois entra na falácia Tu Quoque: a pena-de-morte na Guiné Equatorial é justificada porque os Estados Unidos também a praticam. Pela mesma ordem de ideias, o holocausto da minoria Tutsi no Ruanda seria justificável porque existiu o holocausto nazi em relação aos judeus.

Depois, o jornaleiro do Jornal de Angola confunde o Estado de Direito nos Estados Unidos, por um lado, com a ditadura da Guiné Equatorial em que não existe de facto um Estado de Direito.

Desde logo, nem todos os estados americanos têm pena-de-morte; e os que a praticam têm apoio popular através de eleições livres. Podemos criticar a pena-de-morte em alguns estados federais americanos (existem 15 estados americanos que aboliram a pena-de-morte por iniciativa dos cidadãos através de eleições), mas fazer uma comparação entre a Guiné Equatorial e os Estados Unidos não lembra a um mentecapto. Mas lembra ao jornaleiro do Jornal de Angola.

A seguir, em vez de falar da língua portuguesa, o jornaleiro do Jornal de Angola entra pela falácia do espantalho, quando faz considerações de natureza económica acerca de Portugal; é que, de facto, não tem nada a ver “o cu com as calças”. Depois de uma guerra civil em Angola em que dezenas de milhares de crianças morreram de fome, e milhões de pessoas foram deslocadas, o jornaleiro do Jornal de Angola vem dizer que em Portugal “as crianças morrem à fome”! Deve estar a ver em Portugal o seu próprio país.

Angola — e o Jornal de Angola, que é de facto um órgão oficioso do governo de Angola — tem tido uma grande compreensão por parte de uma maioria da população portuguesa que não se identifica com a esquerda radical que inclui uma parte do Partido Socialista.

Mas o que se torna cada vez mais intolerável é a ideia, agora propalada pelo Jornal de Angola, de que Portugal tem que se submeter aos desejos de Angola por causa da “culpa da sua herança colonial”.

A ideia do Jornal de Angola — e do governo de Angola — pode ser resumida da seguinte maneira: “Portugal tem uma culpa histórica por causa da colonização de Angola, e por isso tem que ‘baixar a bolinha’ e fazer o que Angola manda!”

É tempo dos portugueses terem orgulho da sua herança histórica, incluindo a sua herança colonial; e quem não gostar, “problema dele”!

E quanto à CPLP: se o Japão, a União Indiana, a China e outros que tais, entrarem para a CPLP, Portugal deveria sentir orgulho em sair da organização — porque não faz sentido uma CPLP (Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa) em que se fala chinês, japonês, um qualquer dialecto hindu e/ou árabe.

Quinta-feira, 24 Julho 2014

O prostíbulo nacional

Filed under: Política,Portugal — orlando braga @ 10:02 pm

 

A política vista assim é um lupanar barato que sai caro devido a uma série de doenças venéreas que por lá predominam e se propagam. Falando em português correcto: a julgar pelo texto, a política portuguesa é uma casa de putas!

Não quero dizer que o que lá está escrito no texto não corresponda à realidade política. O que eu quero dizer é que a realidade política portuguesa parece ser um putedo. E parece que a Banca faz o papel de “Tia” do prostíbulo.

Henri_de_Toulouse-Lautrec

Quarta-feira, 23 Julho 2014

Pode ser legal, mas não é legítimo que Isabel Moreira seja deputada

Filed under: Política,politicamente correcto,Portugal — orlando braga @ 11:21 am

 

Se os portugueses votassem nos candidatos a deputados apresentados à sua área de residência, e não somente no partido político como acontece com o actual sistema eleitoral, provavelmente a Isabel Moreira não teria sido eleita deputada pelo Partido Socialista. E provavelmente o Bloco de Esquerda nunca teria tido o protagonismo político que tem tido nos me®dia.

E por isso é que a chamada “direita” portuguesa nada mais é do que uma extensão da esquerda. O que distingue a esquerda da “direita” são apenas as folhas Excel da economia. Não existe direita em Portugal; até o PNR é socialista.

A direita só surgirá em Portugal quando existirem círculos uninominais para a eleição dos deputados. Ora, é isto que a esquerda cultural (leia-se, Partido Comunista, Bloco de Esquerda, Partido Socialista, Partido Social Democrata e CDS/PP) quer evitar a todo o custo, nem que seja à custa da morte da democracia.

Domingo, 20 Julho 2014

O caminho de Portugal a curto prazo: realizar o Estado de Direito

Filed under: economia,Portugal — orlando braga @ 10:31 am

 

Os impostos altos vieram para ficar por causa do serviço de pagamento da dívida nacional; a alternativa aos impostos altos, é a de Portugal voltar à miséria do século XIX (por exemplo, com a eliminação de qualquer garantia de posto de trabalho e eliminação de qualquer indemnização por despedimento, para além da redução dos salários reais para o nível de Marrocos), para que Passos Coelho possa fazer um pagamento acelerado da dívida. Portanto, nos impostos, pouco há a fazer, a não ser que a União Europeia adopte uma espécie de mutualização da dívida (o que é altamente duvidoso).

Em resultado do pagamento do serviço da dívida, o sistema financeiro português (os Bancos) tornou-se demasiado dependente do BCE [Banco Central Europeu], o que é um factor muito negativo para a nossa economia — como se pode ver na actual crise do BES.

O que se pode fazer, e ainda não foi feito desde o 25 de Abril de 1974, é transformar Portugal em um Estado de Direito.

Esta é a tarefa gigantesca que os portugueses têm hoje pela frente. Fazer de Portugal um Estado de Direito significa um combate radical à corrupção a todos os níveis da sociedade — o que poderá implicar, por vezes e aqui e ali, uma espécie de “caça às bruxas”. Isto significa a necessidade de uma reforma radical do código de processo penal que permita uma justiça mais célere. Estamos a falar do fim do garantismo judicial privilegiado das elites.

Outro dos problemas principais de Portugal é o de conciliar um necessário alto nível de impostos (para pagar a dívida) e um combate à corrupção (estabilizar o Estado de Direito), por um lado, com uma simplificação radical no licenciamento de novas empresas, por outro  lado. Mas esta simplificação, burocrática e/ou fiscal, terá que ser levada a cabo rapidamente (não pode esperar dois anos) — porque de outra maneira não sairemos da cepa torta.

Sábado, 19 Julho 2014

O José Pacheco Pereira e a superioridade moral da esquerda

Filed under: Política,politicamente correcto,Portugal — orlando braga @ 7:03 pm
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“Voltar a falar de moralidade é algo que só faço com imensa relutância. A palavra e a coisa são tão ambíguas e prestam-se a tantas manipulações, que a probabilidade de sair asneira ao usá-la é grande. Por regra, entre o moralismo hipócrita, tão comum no mundo católico apostólico romano, e o cinismo, eu acho que o cinismo faz menos estragos em democracia.”

José Pacheco Pereira

Em primeiro lugar, o José Pacheco Pereira entra na falácia da generalização, o que significa que ele não se baseia em um juízo universal para criticar “o moralismo hipócrita do mundo católico apostólico”. Trata-se de um preconceito negativo, e não de um juízo de valor razoável.

“O ponto de vista realista, ou, se se quiser, cínico, pode ser pedagógico em política, quando esta está cheia de falsos moralismos, densa de presunção moral.”

A “densa presunção moral” também é — e sobretudo —, em boa verdade, de uma certa esquerda puritana, que hoje até abrange uma parte do Partido Comunista e uma grande parte do Partido Socialista; e não consta que estes partidos estejam impregnados de um “moralismo hipócrita católico”: pelo contrário!, trata-se de um puritanismo revolucionário e invertido. Mas o José Pacheco Pereira faz de conta que este moralismo puritano invertido da esquerda não existe.

Depois de ter generalizado em relação aos políticos católicos, e depois de se ter esquecido de referir a esquerda muitas vezes anticatólica e/ou maçónica — ou seja, depois de um critério duplo e enviesado do juízo —, o José Pacheco Pereira entra na moralização:

“Mas no tempo em que vivemos não é o moralismo o risco, dada a natureza dos nossos governantes que cresceram numa cultura amoral e de “eficácia”. Por isso é preciso o contrário, chamar a moralidade para a praça pública, porque há coisas que são inaceitáveis numa democracia que desejamos minimamente decente.”

Segundo o José Pacheco Pereira, está implícito que os governantes que cresceram numa cultura amoral e de “eficácia” são os conservadores católicos. Os anticatólicos da esquerda e/ou maçons, por exemplo, segundo ele, não cresceram numa cultura amoral de “eficácia” e constituem um bom exemplo — segundo se pode ler de forma implícita no texto do José Pacheco Pereira — do que deve ser a ética em política.


“Um político geralmente não faz aquilo em que acredita, mas antes aquilo que julga ser eficaz.”

— Nicolás Gómez Dávila

Esta máxima de Nicolás Gómez Dávila não tem ideologias políticas. Mas o José Pacheco Pereira acredita que ela só se aplica aos políticos católicos.

Domingo, 13 Julho 2014

Portugal praticamente já não tem intelectuais

Filed under: cultura,Política,Portugal — orlando braga @ 6:15 pm
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Sobre a acomodação dos historiadores, Raquel Varela alarga a questão:

“Muitos intelectuais tornaram-se convenientes. Acho que o seu papel é ser contrapoder, seja qual for o poder. Não interessa o regime político ou se o intelectual o apoia ou não”.

Daí que assista desconfiada ao “fenómeno comum no século XX da captação dos intelectuais pelos diversos regimes políticos”. Acrescenta:

“Tanto vale para Pablo Neruda a dedicar poemas a Estaline como para intelectuais de renome em Portugal que apoiaram toda a onda de privatizações e o desmantelamento do estado social. Os exemplos dos intelectuais seduzidos pelo poder são comuns”.

Quanto às elites culturais portuguesas é sintética: Falta solidez em diversas áreas da cultura e do pensamento intelectual e há uma regressão muito grande“.


Raquel Varela refere-se aos “intelectuais”, mas não temos nessa referência uma noção ou uma definição real de “intelectual”. No dicionário podemos encontrar uma definição nominal de “intelectual”: “pessoa dada ao estudo; pessoa de grande cultura”. Mas ficamos sem saber o que é exactamente uma “pessoa de grande cultura”.

Desde logo, “intelectual” deriva de “intelecto”, que é um termo da Escolástica para significar “espírito” ou “inteligência” e em oposição à razão puramente discursiva (por exemplo, em oposição ao discurso político corriqueiro). Aqui, Raquel Varela tem razão: quando o discurso político se baseia exclusivamente na doxa (na maior parte das vezes), o intelecto ou o intelectual opõe-se a ele através do episteme.

Para que o intelecto ou o intelectual se baseie no episteme no sentido de se opôr à doxa da razão puramente discursiva, necessita do “entendimento”, que se pode traduzir neste caso por “cultura individual”.

A “cultura individual” pode ser definida como a capacidade de compreender a realidade do presente (episteme) em vez de a classificar através da simples opinião (doxa) — o que pressupõe que se tenha assimilado a herança do passado, por um lado, e por outro lado que se tenha ultrapassado o âmbito comezinho dos interesses particulares.

Ora, o que se passa em Portugal é que vivemos já em uma sociedade de cultura presentista (conforme denuncia, e bem, o José Pacheco Pereira), e as elites, em geral, preocupam-se quase exclusivamente com os seus interesses particulares.

Portanto, em geral e salvo excepções honrosas, não temos intelectuais em Portugal. O que existe em Portugal é “intelectualismo”, que é a tendência para adoptar soluções para os problemas sem o necessário contacto com a vida das pessoas e/ou sem a necessária aderência à realidade.

Hotéis portugueses proíbem o alojamento de famílias com filhos

 

A Helena Matos chama aqui à atenção da nova moda: hotéis que proíbem a hospedagem de famílias com crianças (mas os animais de estimação não estão proibidos). Em um país com uma depressão demográfica inédita, é incrível como podem existir hotéis que proíbem o alojamento das famílias.

hotel no children allowed web

O Diário de Notícias escreve:

“A lei mudou e não é taxativa sobre a interdição de crianças nos hotéis e restaurantes. Polémica reacendeu-se com debate na blogosfera.”

Sobre o novo Acordo Comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos

Filed under: Europa,Nova Ordem Mundial,Política,Portugal — orlando braga @ 11:29 am
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¿Você sabia que, ao abrigo do novo acordo comercial entre os Estados Unidos e a União Europeia, uma empresa qualquer — por exemplo, a Coca-cola — pode meter em tribunal um Estado “soberano”? (como quem processa judicialmente uma outra empresa ou entidade qualquer).

Por exemplo, se a Coca-cola pensar que o Estado português não lhe oferece os privilégios comerciais que acha que a empresa tem direito, pode processar judicialmente o nosso Estado como quem processa o vizinho do lado.

Ademais, leiam este artigo:

“As regras do comércio mundial estão a ser redesenhadas e “desta vez” Portugal tem de garantir que os seus interesses “são acautelados”. O secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, defende que a reforma da política comercial portuguesa é essencial para garantir o futuro económico do país e o aumento sustentado das exportações. Além do acordo comercial com os Estados Unidos (TTIP), Portugal tem de garantir que a Europa também assina acordos com mercados estratégicos em África e na América Latina.”

Terça-feira, 1 Julho 2014

Durão Barroso e a CIA

Filed under: Política,Portugal — orlando braga @ 8:41 pm
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“La vérité sur ce personnage mérite quelques précisions. L’ambassadeur des États-Unis au Portugal à l’époque, Franck Carlucci, dépêché par Washington pour ramener le Portugal dans le droit chemin, n’est pas étranger à la reconversion de Barroso.

Agent de top niveau de la CIA, Carlucci manipulait et finançait le MRPP. Il découvrait dans le jeune José Manuel un talent d’avenir. Sur les conseils de son nouveau protecteur, Barroso adhérait au Parti social-démocrate (PSD) et gravissait tous les échelons de la hiérarchie. Jusqu’au poste de Premier ministre. L’Union européenne peut donc se satisfaire d’avoir eu à sa tête jusqu’à aujourd’hui un candidat choisi, formaté et propulsé par la CIA.”

Commission européenne : Barroso et Juncker, anciens maoïste et trotskiste repérés par la CIA

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