“Sabemos, de há longa data, que a humanidade está dividida em duas categorias: Nós, os melhores e os Outros, os menos bons. Todos os grupos, com feito têm tendência a privilegiar os próprios membros e a depreciar os que deles não fazem parte.” (Helena Damião)
Porém, a coisa dita assim pode induzir a ideia segundo a qual “todos os grupos são iguais”, porque, alegadamente, “todos os grupos cometem o mesmo erro”. A igualdade ontológica entre os grupos é deduzida a partir da alegada “capacidade humana de errar”, erro esse que tem que ser debelado, rumo à perfeição do Homem na Terra.
Portanto, segundo este raciocínio, por exemplo e em tese, um grupo social constituído por apenas 3% da população seria ontologicamente equivalente a um outro grupo constituído por 97% da população — porque, em tese, ambos os grupos (o de 3% e o de 97%) “têm a tendência a privilegiar os próprios membros e a depreciar os que deles não fazem parte”. Ou seja, os dois grupos são ontologicamente iguais. Decorre deste raciocínio a ideia segundo a qual existe a necessidade de formação de uma elite de auto-iluminados que imponha uma justiça de tal forma que os dois grupos sejam tratados de forma igualitária.
O problema é que essa elite de auto-iluminados também constitui, em si mesma, um grupo muito minoritário; e então vemos um grupo elitista constituído, por exemplo, por 0,1% da população total a considerar que dois grupos, o de 3% e o de 97% da população, são iguais, depreciando-os. É esta a lógica da “democracia” actual e politicamente correcta. E se levarmos esta lógica ao limite do absurdo, o grupo que realmente deprecia todos os outros grupos, e que realmente detém o poder, é aquele constituído por cerca de duas mil pessoas: a maçonaria.
Dizia Nietzsche que o Mal é coisa relativa, e que os que dizem: “Bem para Todos, Mal para Todos”, são “toupeiras e anões” (Assim Falava Zaratustra); é o princípio segundo o qual a única coisa absoluta é a de que o absoluto, de qualquer espécie, não existe — mas a verdade é já existe aqui um absoluto que contradiz o princípio segundo o qual “não existe qualquer absoluto”.
O que podemos constatar, em França como em Portugal e noutros países da Europa, é um afastamento radical entre a lei e quem a faz, por um lado, e por outro lado a realidade antropológica e cultural de uma determinada sociedade (neste caso a francesa); e, por isso, a democracia deixou de ser legítima. O sistema democrático passou a ser uma forma de legitimar o populismo, em certos casos, e a tirania acobertada pelo voto, noutros casos.
O anti-cristianismo (e não “cristofobia”, porque tal como uma fobia é irracional, o termo “cristofobia” é também irracional porque existe uma agenda política consciente e multilateral anti-cristã) é um fenómeno político multilateral; ou seja, não existe uma só forma de anti-cristianismo: antes, existem várias formas que se conjugam no mesmo esforço anti-cristão na Europa.














