perspectivas

Segunda-feira, 7 Outubro 2013

A influência da Cabala cristã no Iluminismo e no idealismo filosófico

 

"When Lucifer by his Rebellion had brought the whole Extent of his Kingdom into such a desolate Condition, that it was, as Moses describes it, without Form and Void, and Darkness was upon the Face of the Deep, that whole Region was justly taken away from under his Dominion, and transformed into such another meaner and temporary Condition, that it could no more be of any use to him.

And when this was fully settled in Six Days Time, according to the Six Active Spirits of the Eternal Nature, so that it needed nothing more but a Prince and Ruler, instead of him who had forsaken his Habitation in the Light, ADAM was created in the Image and Likeness of GOD, an Epitome, or Compendium, of the whole Universe, by the VERBUM FIAT, which was the Eternal Word, in Conjunction with the first Astringent Fountain-Spirit of Eternal Nature."

Jacob Böhme (texto respigado no FaceBook)

As ideias de Jacob Böhme inspiraram os filósofos do Iluminismo em geral, mas principalmente Schelling que, por usa vez, esteve directamente na base das ideias de Hegel. Böhme foi um ilustre representante da “Cabala cristã” — em contraponto à Cabala propriamente dita — que alimentou também as ideias de uma certa maçonaria (não toda!) e os rosa-cruzes (uma maçonaria cristã, e por isso, anti-luciferina, embora imanente e maniqueísta: maçonaria essa que praticamente já não existe).

Vemos aqui como Jacob Böhme vê o ser humano, não como um produto da Queda, mas como um símbolo do Bem e de Deus (imagem prometaica). A Queda do ser humano é implícita e sub-repticiamente negada. Em vez disso, o ser humano foi criado em uma situação de contraste com a Queda de Lúcifer — sendo que a Lúcifer lhe foi retirado o seu reino em função da sua Queda. Segundo esta perspectiva, a Queda é a de Lúcifer, e não do ser humano.

Esta visão é anticatólica e mesmo anticristã, embora travestida de Cristianismo. É uma visão gnóstica, que está na origem da mente revolucionária.

Segunda-feira, 22 Abril 2013

A principal diferença entre Bento XVI e João Paulo II, por um lado, e Francisco I, por outro lado

Se quisermos saber a origem da mente revolucionária, teremos que estudar a história dos Fraticelli da Idade Média.

Desde a Idade Média que existem duas mundividências distintas, a que correspondem duas correntes doutrinais diferentes, por assim dizer, dentro da Igreja Católica. Estas duas correntes são, quer queiramos quer não, irreconciliáveis. A primeira é a chamada corrente “intencionalista”, que foi iniciada no século XI por Abelardo, e adoptada em surdina pelos franciscanos e Fraticelli (e por Joaquim de Fiore), e que mais tarde, no século XVI, esteve na origem da Reforma protestante.
À segunda corrente podemos chamar de “tomista” (de S. Tomás de Aquino) embora as suas origens sejam anteriores, por exemplo em João de Salisbúria ou em Hugo de S. Victor.

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Domingo, 14 Abril 2013

Hegel e Averróis

Filed under: filosofia,gnosticismo,Quântica,Ut Edita — O. Braga @ 6:12 pm
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S e olharmos para a essência do pensamento metafísico de Averróis (o “intelecto, agente separado”) verificamos que coincide com a essência do pensamento metafísico de Hegel (o “Espírito do Mundo em marcha”). O “intelecto, agente separado” de Averróis, e o “Espírito do Mundo em marcha” de Hegel, para além de terem uma essência idêntica, anulam a individualidade humana que fica reduzida à estrutura (Eidos) da História. Não admira que a metafísica de Hegel resultasse no marxismo. As mesmas razões que serviram para refutar Averróis, servem para refutar Hegel.

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Sábado, 13 Abril 2013

Um exemplo do actual enviesamento ideológico dito católico

«El primer momento del diálogo político ha de ocuparse de la igualdad de derechos entre todos los ciudadanos. Sería el ámbito constitucional. Como afirma J. Rawls, “cada persona posee una inviolabilidad fundada en la justicia que incluso el bienestar de la sociedad como un todo no puede atropellar (…). Los derechos asegurados por la justicia no están sujetos a regateos políticos ni al cálculo de intereses sociales”. Como puede verse, afirmaciones todas anti-utilitaristas.»


Quando vejo católicos citar John Rawls, fico com os cabelos em pé. O argumento utilizado é sempre o do anti-utilitarismo, como se esse valesse por si só. Os marxistas também são, pelo menos em tese e tal como John Rawls, anti-utilitaristas. E infelizmente também vejo sapientes “católicos”, alguns cardeais e até Papas, a dar loas em surdina ao alegado anti-utilitarismo do marxismo.

A Igreja Católica não tem necessariamente que se submeter ao Estado.

John Rawls já foi bastamente refutado devido às suas próprias contradições. O conceito de “véu de ignorância” de Rawls já foi desconstruído e racionalmente refutado de uma forma até impiedosa, e num dos próximos verbetes irei abordar expressamente John Rawls. Considero mesmo uma vergonha que uma pessoa dita “católica” mencione John Rawls de forma apologética. E só um católico ignorante, ou um católico malévolo, invoca benevolentemente Rousseau para justificar as suas teses alegadamente “católicas”.

Ser anti-utilitarista, em teoria, não chega. É preciso que a teoria anti-utilitarista se verifique na prática. E a teoria de John Rawls, para além de ser utópica e até delirante (como demonstrarei, mais tarde), traduz-se, na prática política, na mais feroz forma de utilitarismo: o laicismo radical (que é diferente do secularismo saudável). John Rawls defende claramente a privatização da religião, ou seja, o banimento de quaisquer símbolos religiosos da praça pública; John Rawls defende que a religião deve ser restringida à casa (ao lar) do crente, e que inclusivamente deve ser proibido o proselitismo religioso. O texto publicado no blogue Logos é extenso, e refutá-lo daria um outro texto muito extenso. Mas não é por ser extenso que deixa de ser propositadamente incoerente, confuso, gongórico, e até vergonhoso.

Quarta-feira, 10 Abril 2013

Rousseau, a atomização da sociedade e os totalitarismos gnósticos do século XX

O

problema começou antes de Rousseau. O problema começou no seio da própria Igreja Católica com a absurda “querela dos universais”, que meteu os franciscanos ao barulho a favor do conceito absurdo de nominalismo. Antes disso, os franciscanos Fraticelli andaram de candeias às avessas com o poder temporal quando defenderam o Poder absoluto do Papa. Os franciscanos estiveram metidos no pior da Igreja Católica (ainda pior do que os Jesuítas).

A Reforma protestante minou profundamente a autoridade. É irónico que um protestante do século XIX venha queixar-se da ausência de autoridade na cultura coeva, porque a Reforma foi o primeiro grito de revolta contra a autoridade.

Os ideólogos da Razão de Estado de finais do século XVI e século XVII opuseram o poder absoluto do rei ao poder absoluto do Papa defendido pelos franciscanos dois séculos antes. Dos ideólogos da Razão de Estado surgiu Hobbes — o primeiro hipóstata teórico do absolutismo de Estado. Locke, na segunda metade da sua vida filosófica, não esteve muito longe de Rousseau. Rousseau não foi original em nada excepto na criação abstrusa e absurda do conceito de “vontade geral” que não tem qualquer origem na realidade política e sociológica. A “vontade geral” é uma forma de permitir a discricionariedade e o absolutismo, até sob a capa da democracia.

…as ideias têm consequências

A origem simbólica do Bom Selvagem, de Rousseau, está no Génesis bíblico e no conceito de Éden (o paraíso na terra). Por aqui podemos fazer uma ideia da complexidade do problema. O que Rousseau fez foi utilizar um símbolo judaico-cristão e fazer dele uma leitura literal, e tão literal como era aconselhado pela própria Igreja Católica daquele tempo. Rousseau não fez uma exegese a partir dos símbolos de Adão e Eva: limitou-se a transcrever literalmente a noção de paraíso na terra que o próprio Génesis encerra em si.

A diferença é que o Mal — a simbologia da Serpente —, segundo Rousseau, passou a ser a sociedade entendida como comunidade (“O inferno são os outros” — Jean-Paul Sartre), enquanto que o Mal bíblico foi invertido e passou a ser o Bem, que segundo Rosseau, é o conhecimento no sentido prometaico.

Esta inversão da significação de um mesmo símbolo levou a que o Bem passasse oficialmente a ser o conhecimento prometaico que absolutiza o indivíduo (Rousseau seguiu o princípio da autonomia de Kant, mas em vez de dotar o indivíduo de responsabilidade, criou o conceito de “vontade geral” para anular politicamente a própria responsabilidade individual, anulando a componente kantiana do “cidadão-legislador”), por um lado, e por outro lado a comunidade passou a ser o Mal que necessita da liderança “sábia” e firme — através do conceito abstracto de “vontade geral” — de uma elite (gnóstica) que transformasse o voto popular em discricionariedade “sapiente” na acção política.

“Pode dizer-se não que há tantos pareceres como homens, mas tantos como associações. (…) É portanto essencial, se a vontade geral pode exprimir-se, que não haja sociedades parciais dentro do Estado, e cada cidadão pense apenas por si; tal é o sublime e único sistema estabelecido pelo grande Licurgo”. (“Contrato Social” de Rousseau)

Como podemos verificar, Rousseau defende, através do conceito de “vontade geral”, a atomização da sociedade e a instituição dos totalitarismos do século XX. Há quem diga que ele não teve culpa — como há quem diga que Nietzsche não teve culpa do surgimento do nazismo — mas, para mim, isso é treta. As ideias têm consequências.

Sábado, 6 Abril 2013

O Laicismo, a metafísica de Estado

Um tribunal superior da Holanda validou a existência legal de uma associação que defende a pedofilia, ou seja, defende os putativos “direitos” dos pedófilos a ter relações sexuais “consentidas” com crianças. Parte-se assim do princípio segundo o qual uma criança de seis ou sete anos pode “consentir” ter relações sexuais com um adulto — princípio esse que o tribunal holandês sancionou.

En un controvertido fallo, un tribunal de apelaciones en Holanda validó la existencia de una asociación de pedófilos, que en primera instancia había sido disuelta el año pasado, por considerar que no constituye “una amenaza a la desintegración de la sociedad”.

via Un tribunal holandés avala la existencia de una asociación de pedófilos – ReL.


Uma extensão indefinida dos “direitos do homem” tornou-se a religião de Estado, uma religião oficial que se impõe, hoje, repressiva e coercivamente a toda a sociedade civil com uma amplitude inédita. O integrismo laico e o salafismo gay são instrumentos de uma ambição demiúrgica da Esquerda — apoiada incondicionalmente pela maçonaria —, a que se junta o aborto e a pedofilia considerados como “direitos humanos”.

Mais do que “politicamente correcto”, devemos hoje falar em “religiosamente correcto”, porque o Estado funciona já como uma igreja dogmática (e gnóstica) apostada em restringir a liberdade de pensamento.

Assim, o Estado colocado ao serviço de uma crença religiosa laicista, não respeita a separação do político e do religioso, uma vez que o político e o religioso coexistem sobrepostos no Estado.

O laicismo liquida a laicidade que era, até há pouco tempo, a distinção entre o profano e o sagrado; a laicidade que era uma característica cristã da mundividência dos dois reinos, o temporal e o espiritual. Hoje, o novo gnosticismo de Estado transformou o laicismo em um dogma religioso onde não existe separação entre o temporal e o espiritual.

Resulta deste fenómeno de dogmatismo religioso, uma metafísica de Estado, uma religião da Humanidade construída sobre o reino da imanência, que faz dos “direitos humanos” uma política em si mesma. Resulta desse deísmo humano um direito penal religioso e uma sacerdotisa judicial que sanciona a desobediência em relação a qualquer tabu ético ou moral herdado do passado.

Sexta-feira, 5 Abril 2013

Noam Chomsky diz que “o feto é um órgão do corpo da mulher”.

Noam Chomsky afirmou, durante uma conferência pública na Irlanda, que “o feto é um órgão do corpo da mulher”.

noam chomsky webNem de propósito tinha escrito ontem um verbete acerca da manipulação da realidade por parte das elites ocidentais, e da criação de uma “segunda realidade” — mesmo que acientífica ou mesmo anti-científica — que ofuscasse a natureza das coisas. Temos nesta declaração de Chomsky a demonstração daquilo que eu quis dizer nesse verbete. Noam Chomsky é o exemplo acabado do “novo gnóstico” ou gnóstico actual.

Até agora, as elites diziam que embora o feto não pertencesse ao corpo da mulher, o corpo era da mulher e por isso “ela poderia fazer o que quisesse com o seu corpo”. Face às evidências recentes que demonstraram que um coração já bate cerca das 10 semanas de vida, o discurso das elites muda e radicaliza-se, transformando o absurdo em facto: o feto é agora um órgão do corpo da mulher.

É desta Idade das Trevas de que falei no verbete citado. É uma Idade das Trevas cujos dogmas necessitarão de uma unanimidade totalitária para poderem prevalecer à custa de um medo difuso instalado na sociedade. E, paradoxalmente, é uma Idade das Trevas que é promovida e apoiada pela maçonaria — aquela mesma que se queixou do dogmatismo da Idade Média.

Esta declaração de Chomsky revela um grande desespero de quem vislumbra uma causa perdida a médio/longo prazo. O desespero é mau conselheiro e conduz a uma radicalização de posições políticas que se baseiam no absurdo.

Noam Chomsky, the most cited academic in the world, said that an unborn baby is “an organ” and a part of the mother’s “own body” during a recent guest lecture at an Irish college.

“There is a strong debate at the moment with regards to a woman’s right to control an organ of her own body – namely the fetus,” Chomsky said during a question and answer session at University College Dublin on Tuesday night. “There is legislation being enacted in several U.S. states to define personhood as a fertilized egg.”

via LifeSiteNews.com.

Quinta-feira, 4 Abril 2013

Fernando Pessoa não gosta da maçonaria quando associada ao “cristismo”

Filed under: gnosticismo,Maçonaria — O. Braga @ 4:58 pm
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“Se se quiser dar um nome de origem à Maçonaria, o mais que poderá dizer-se é que ela é, quanto à composição dos graus simbólicos, plausivelmente um produto do protestantismo liberal, e, quando à redacção deles, certamente um produto do século dezoito inglês, em toda a sua chateza e banalidade. (…)” — Fernando Pessoa

O contributo judaico da maçonaria segundo Pessoa


«Não sou mação, nem pertenço a qualquer outra Ordem semelhante ou diferente. Não sou porém anti-mação, pois o que sei do assunto me leva a ter uma ideia absolutamente favorável da Ordem Maçónica.»
— Fernando Pessoa, “Associações Secretas”, Obras em Prosa, 1975, III Volume, página 60.

Fernando Pessoa tem dias; é conforme lhe dá na telha. Eu só cito Fernando Pessoa quando tenho a certeza de que o conteúdo ideológico dos textos dele é coerente e lógico, e que se baseia em factos concretos — e não em meros “factos argumentativos”.

Se a Maçonaria especulativa tem alguma coisa a ver com qualquer tipo de Cristianismo — protestante, que seja —, então Fernando Pessoa deprecia a maçonaria por causa do Cristianismo, a que ele chamava de “cristismo”. O alvo é o Cristianismo, e não propriamente a maçonaria.

Na primeira citação, Fernando Pessoa quis atacar o Cristianismo (protestante, neste caso) sem deixar ficar mal o gnosticismo que tanto ele como um certo protestantismo (nem todo!) defendiam (por exemplo, os huguenotes e o famigerado John Theophilus Desaguliers).

Muitas vezes Fernando Pessoa é “encurralado” pelos seus próprios argumentos. Neste caso concreto, ao querer criticar o protestantismo (que, como sabemos, e em algumas correntes, possui um forte matizado gnóstico), acaba por colocar indirectamente em causa o seu (dele) gnosticismo. Mas quando a maçonaria é apresentada sem qualquer relação a qualquer forma de “cristismo”, então Fernando Pessoa defende-a.


Uma coisa é falar-se influência judaica na maçonaria; e outra coisa é falar-se em influência do Judaísmo na maçonaria. São coisas diferentes e é claro que o Judaísmo, enquanto religião, pouco ou nada teve a ver com o fenómeno maçónico. Daniel Béresniak, no seu livro “Judeus e Franco-maçons” (2001), embora talvez sem querer, faz bem essa distinção.

Também é verdade que a Cabala não é uma ferramenta do Judaísmo enquanto religião. E tal como existiram cristãos gnósticos, também existiram judeus gnósticos, embora seja mais difícil encontrar muçulmanos gnósticos, talvez porque o Islamismo é, dos monoteísmos, o mais “blindado”.

O gnosticismo é, em si mesmo, uma religião distinta de qualquer outra, mas não deixa de ser uma religião — embora com a característica de ser uma “religião parasita”, na medida em que se alimenta constantemente das religiões ou mundividências que existem a cada época ou espírito do tempo. O que não muda nunca no gnosticismo de qualquer época é a sua característica fundamental dualista e anticósmica, por um lado, e marcadamente elitista, por outro lado.

Quarta-feira, 3 Abril 2013

A forma e o conteúdo dos ritos maçónicos (3)

Filed under: gnosticismo,Maçonaria — O. Braga @ 11:19 pm
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Não há dúvidas de que Jesus Cristo veio introduzir uma diferente concepção da realidade, revolucionária no bom sentido porque não pretendeu alienar a realidade tal qual ela é, mas apenas desvelar uma visão complementar da realidade. Jesus Cristo apenas nos mostrou um determinado aspecto da realidade a que a humanidade não se tinha apercebido até à sua época. A isto podemos chamar de “diferenciação cultural” (segundo o conceito de Mircea Eliade).

estrutura da maçonaria webAo contrário do que aconteceu com as tradições arcaicas presentes no Antigo Testamento (e que mais tarde foram retomadas pelo luteranismo e principalmente pelo calvinismo), Jesus Cristo reduz a validade dessas tradições arcaicas (monistas e imanentes) que influenciaram o Judaísmo do Antigo Testamento (por exemplo, o conceito de Elohim é intrusivo no Judaísmo).

Essa diferenciação cultural introduzida por Jesus Cristo é feita, por exemplo, através de uma certa desvalorização da ética baseada no esforço e na recompensa, ou “ética do burro e da cenoura”, que prevalece no Antigo Testamento e é produto de influências religiosas muito antigas ou arcaicas. O mesmo podemos dizer da oposição de Jesus Cristo em relação à Cabala: se lermos, por exemplo, As Bem-aventuranças dos Evangelhos, verificamos que a simbologia cristológica opõe-se não só à ética arcaica baseada no esforço e na recompensa, mas também à ética cabalística.
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A forma e o conteúdo dos ritos maçónicos (2)

Filed under: gnosticismo,Maçonaria,Ut Edita — O. Braga @ 3:08 pm

“É ao gnosticismo que nos referimos, doutrina que se tornou a partir daí um dos factores e uma das constantes primordiais das ocupações maçónicas até à actualidade”. — “A Maçonaria Universal”, de Miguel Martín-Albo, 2003, página 56 — com prefácio de António Reis, à época grão-mestre do GOL (Grande Oriente Lusitano).


Quando se fala aqui em “maçonaria” deve ler-se “Maçonaria especulativa”.

A Maçonaria especulativa é um gnosticismo invertido. Não que os símbolos gnósticos antigos, entendidos em si mesmos, sejam invertidos — mas antes que os valores que os símbolos do gnosticismo da Antiguidade Tardia representavam foram invertidos pela maçonaria. O que a maçonaria inverteu foram os valores, e não os símbolos gnósticos entendidos em si mesmos.
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Sábado, 30 Março 2013

Temos um Papa gnóstico

Filed under: gnosticismo,Igreja Católica — O. Braga @ 4:04 pm
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«Distinguished canonist Ed Peters makes good distinctions about the Holy Father’s disregard for the Church’s duly promulgated law when he chose to wash the feet of women on Holy Thursday.»

— via : Have we entered an age of a new gnosticism?


Já surgiram por aí algumas críticas segundo as quais eu seria um “católico retrógrado”, e que agora há os “católicos modernos” que seguem o Papa Francisco I.

Existem os “católicos modernos”, que seguem o Papa, e os “católicos retrógrados”, que o Papa explicitamente critica e condena — quando ele critica os católicos que se preocupam as coisas internas da Igreja Católica; mas se não forem os católicos, ¿quem se preocuparia com as coisas internas da Igreja?!

Os “católicos modernos”, alegadamente, não precisam de ir à missa dominical porque seguem o exemplo do Papa que não cumpre já algumas tradições e mesmo leis da Igreja Católica — porque se para o próprio Papa, a cerimónia do lava-pés (a cerimónia simbólica da iniciação dos apóstolos de Cristo) é feita a qualquer criatura e em desacordo com a tradição e lei da Igreja Católica, ¿como é ele, o Papa, pode racionalmente pedir a um católico que cumpra, por exemplo, o dever de ir à missa?

O Papa está a virar católicos contra católicos; e, na minha opinião, está a fazê-lo de propósito. Parece-me que temos um Papa que acredita piamente que é possível e desejável alterar a natureza humana.

Sexta-feira, 29 Março 2013

A doença mental dos progressistas

«Disparidades entre pessoas do mesmo grupo, em qualquer área que seja, não são obviamente uma realidade imutável. Mas uma igualdade geral de resultados raramente já foi testemunhada em qualquer período da história — seja em termos de habilidades laborais ou em termos de taxas de alcoolismo ou em termos de quaisquer outras diferenças — entre aqueles vários grupos que hoje são ajuntados e classificados como “brancos”.

Sendo assim, por que então as diferenças estatísticas entre negros e brancos produzem afirmações tão dogmáticas — e geram tantas acções judiciais e trabalhistas por discriminação — sendo que a própria história mostra que sempre foi comum que diferentes grupos seguissem diferenciados padrões ocupacionais ou de comportamento?

Um dos motivos é que acções judiciais não necessitam de nada mais do que diferenças estatísticas para produzir veredictos, ou acordos fora de tribunais, no valor de vultosas somas monetárias. E o motivo de isso ocorrer é porque várias pessoas aceitam a infundada presunção de que há algo de estranho e sinistro quando diferentes pessoas apresentam diferentes graus de êxito pessoal.

O desejo de intelectuais de criar alguma grande teoria que seja capaz de explicar padrões complexos por meio de algum simples e solitário factor produziu várias ideias que não resistem a nenhum escrutínio, mas que não obstante têm aceitação generalizada — e, algumas vezes, consequências catastróficas — em vários países ao redor do mundo.

A teoria do determinismo genético, que predominou no início do século XX, levou a várias consequências desastrosas, desde a segregação racial até o Holocausto. A teoria actualmente predominante é a de que algum tipo de maldade explica as diferenças nos níveis de realizações entre os vários grupos étnicos e raciais. Se os resultados letais desta teoria hoje em voga gerariam tantas mortes quanto no Holocausto é uma pergunta cuja resposta requereria um detalhado estudo sobre a história de rompantes letais contra determinados grupos odiados por causa de seu sucesso.»

via Mídia Sem Máscara – Intelectuais e raça – o estrago incorrigível.

Vale a pena ler o artigo.

O que mais me surpreende no progressismo é o desconhecimento — intencional ou não — de um facto tão evidente que até fere a nossa vista: as estatísticas científicas são baseadas no passado!. E das duas, uma: ou o ser humano é considerado uma máquina, ou uma espécie de robô cartesiano, e então as estatísticas recolhidas no passado podem determinar e prever totalmente o seu comportamento futuro; ou o ser humano é considerado um ser metafísico e subjectivo, dotado de um sujeito e de uma referência psicológica a priori não passível de previsão determinística a partir de estatísticas.
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