perspectivas

Segunda-feira, 10 Novembro 2014

Viktor Orbán e a União Europeia

Filed under: Europa — O. Braga @ 9:10 am
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“A construção da Europa não é uma utopia: é qualquer coisa de muito concreto que pretende preservar a paz. A ideia da unidade europeia nasceu precisamente em resposta às utopias perigosas que falharam no século XX.”

Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria


Segundo Viktor Orbán, a União Europeia deve ser uma Europa das nações, em que os pequenos países têm um papel fundamental. Os valores mais importantes da Europa são as nações: na Europa, as nações são a realidade e os Estados Unidos da Europa são uma utopia. Ou seja, os euro-federalistas [como, por exemplo, os socialistas e os sociais-democratas portugueses] são utópicos.

Viktor Orbán afirma que a União Europeia não se pode afastar dos Estados membros e dos seus cidadãos, porque somos membros de uma comunidade de valores de uma cultura de raízes cristãs.

Segunda-feira, 20 Outubro 2014

O ressurgimento dos Estados-Nação na Europa

Filed under: Europa — O. Braga @ 9:24 am
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Estado-Nação significa “território em que o Estado coincide (exclusivamente ou quase) com a Nação”.

Na Europa existem poucos Estados-Nação. Por exemplo, a Bélgica, a Itália, a Espanha, a Áustria, o Reino Unido, a Suíça — não são Estados-Nação porque as diversas nações que habitam em um determinado território estão subordinadas a um mesmo Estado.

Em contraponto e como podemos ver no mapa abaixo, Portugal, a Holanda, a Dinamarca, a Suécia, a Noruega, a Irlanda (república), a Grécia, a Estónia, a Bulgária, a Hungria, são Estados-Nação porque a única nação existente coincide com o Estado.

E depois existem países que sendo basicamente Estados-Nação, têm pequenos movimentos separatistas internos, como é o caso da ilha mediterrânica da Córsega ou do país basco francês, a Sérvia, a república Checa, a Alemanha (o problema da independência da Baviera), a Roménia, etc..

separatismo

Um bovinotécnico de serviço escreve aqui o seguinte:

“Há poucas semanas, a Escócia não se separou do Reino Unido por menos de dez pontos percentuais em relação ao não. Se os estados compostos da União Europeia se começarem a cindir, não há mecanismo previsto nem para os integrar, nem para os excluir.

Este é o problema político que a Europa enfrentará nos próximos anos, e que de alguma forma corresponde ao fim do Estado-Nação, onde ele nasceu e provavelmente se esgotou.”

O que acontece na realidade é exactamente o contrário daquilo que o bovinotécnico escreve. O que está a acontecer na Europa não é o fim do Estado-Nação, mas antes são as nações europeias que não têm Estado a quererem afirmar os seus respectivos Estados-Nação!

Sexta-feira, 17 Outubro 2014

O paradoxo do Euro

Filed under: Europa — O. Braga @ 10:30 am
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O esmagamento dos limites dos défices dos países da zona Euro, previsto no Tratado Orçamental e imposto coercivamente pela Alemanha de Angela Merkel, ameaça o Euro. Ou seja, a estratégia de Angela Merkel tem o efeito exactamente contrário ao pretendido.

A própria Alemanha está a entrar em uma tripla recessão: estagnação económica, deflação, e aumento da dívida. A deflação na zona Euro está aí. E tudo isto tem um impacto no crescimento da percentagem da dívida em relação ao PIB em quase todos os países do Euro.

O que se aproxima é uma nova crise soberana de dívida nos países da zona Euro — principalmente nos países periféricos, e simultaneamente com uma deflação endémica. A inflação média na zona Euro é hoje de 0,3%.

Dívida alta (que cresce sempre) e quase impagável porque não há crescimento económico; desemprego alto; deflação; a tempestade perfeita.

tempestade perfeita

¡ Viva o Euro !

Quarta-feira, 1 Outubro 2014

O mito da austeridade

Filed under: Europa — O. Braga @ 10:09 am
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¿Como é possível que, com a austeridade, as dívidas soberanas aumentem?!

As dívidas soberanas são hoje mais elevadas, apesar da austeridade, do que em 2008. As dívidas soberanas aumentaram em mais de 20 porcento, apesar da austeridade:

“Contrary to widely held beliefs, the world has not yet begun to delever. Global debt-to-GDP is still growing, breaking new highs. Figure 1 shows the evolution of total debt (excluding the financial sector) for our global sample (advanced economies plus major emerging market economies). While there was a pause during 2008-09, the rise of the global debt-GDP ratio recommenced in 2010-2011. Data in the report also show that debt-type external financing (leverage) continues to dominate equity-type financing (stock market capitalisation)”.

Deleveraging, What Deleveraging? The 16th Geneva Report on the World Economy

Só vejo uma explicação: começou já um processo de deflação que vai destruir o Euro e prejudicar seriamente algumas economias europeias (incluindo a economia francesa). Chegou a hora dos pactos regionais na Europa (por exemplo, pacto Portugal / Espanha, ou pacto Bélgica / Holanda).

Quinta-feira, 18 Setembro 2014

O leviatão da União Europeia está a destruir as economias da Europa

Filed under: Europa — O. Braga @ 6:50 pm
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Até ontem, as operações financeiras e de serviços entre uma determinada empresa e uma sua filial estavam livres de taxação de IVA. Por exemplo, uma empresa com sede em Lisboa que tivesse uma filial no Porto, não pagava IVA se enviasse produtos da sede para a filial.

Ontem, o TJUE (Tribunal de Justiça da União Europeia) decidiu que os serviços fornecidos por uma empresa às suas filiais estão agora sujeitos a IVA. Um grupo de juízes, que não tem qualquer aderência à realidade, juízes que nunca trabalharam na economia real, gente que não faz a mínima ideia do que é uma empresa, escumalha que vem taxar as transacções internas entre filiais de uma mesma empresa.

Brevemente teremos este cenário: 1/ Acabaram-se as remessas de produtos à consignação (porque ninguém está para pagar IVA sem ter a certeza da venda ao consumidor final); 2/ As restrições de stocks vão aumentar; 3/ As empresas vão concentrar os seus produtos em um só armazém (o que terá consequências na eficiência da política de distribuição).

Sábado, 13 Setembro 2014

Com défice zero, podemos não pagar ao Papa

Filed under: economia,Europa,Portugal — O. Braga @ 11:12 am
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O professor Adriano Moreira afirmou que o primeiro rei de Portugal não pagou ao Papa. E foi verdade: é que, naquele tempo, o défice público era zero porcento.

merkel papaCom défice zero, exigido pelos credores — e mal por mal — pagamos se quisermos e o que quisermos. Com défice zero imposto coercivamente pelo exterior, não podemos pedir dinheiro emprestado, mas também não se percebe por que razão — em uma situação de défice zero imposto pelo directório da União Europeia — se pede emprestado para pagar juros da dívida. O défice zero pode ser um mal porque a “torneira” do crédito é fechada e passamos a viver de acordo com as nossas possibilidades; mas, por outro lado, pode ser um bem na medida em que não pagamos ao Papa.

Além disso, o défice zero é a condição sine qua non para a saída de Portugal do Euro: a bem ou a mal.

Em resumo: o défice zero reduz a nossa dependência em relação aos credores, por um lado, e por outro lado é um incentivo para que Portugal saia do Euro. Parece é que é isto que a União Europeia de Angela Merkel pretende de Portugal.


Naturalmente que os neoliberais não gostaram que D. Afonso Henriques não pagasse ao Papa.

Os neoliberais não querem apenas défice zero: querem superávite orçamental, para que não só não peçamos dinheiro emprestado, mas também para pagarmos ao Papa; e não só: querem que os portugueses continuem a pagar balúrdios em portagens de auto-estrada para trabalhar no seu país e para que continuem a existir rendas fixas superiores a 12% para os detentores das PPP (Parcerias Público-privadas) nas rodovias; querem reduzir as despesas do Estado com a saúde e a educação, mas apoiam os monopólios dos Mellos na área da saúde; e querem que o Estado deixe de apoiar o ensino público para subsidiar e pagar o ensino privado com o dinheiro dos impostos dos portugueses.

Querem o monopólio das EDP’s chinesas e da GALP na área das energias, querem privatizar a água, os rios e os mares, querem tirar a TAP aos portugueses, mas querem a manutenção de Portugal no Euro — sempre com défice zero ou superávite, para se poder pagar ao Papa.

Quinta-feira, 11 Setembro 2014

O Partido Popular Europeu (EPP) apoia a Conchita Chouriço

Filed under: Europa,Tirem-me deste filme — O. Braga @ 6:05 pm
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É esta a Europa que temos: uma cambada de panascas no Poder.

conchita chouriço

Os dirigentes do Bloco de Esquerda andam a “snifar boé de coca”

Filed under: Europa — O. Braga @ 10:07 am
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“É uma péssima notícia para o povo europeu, porque facilmente se percebe que Carlos Moedas não tem quaisquer pergaminhos na área da educação e ciência”.

Mariana Mortágua, deputada e dirigente do BE

Eu sempre ouvi dizer que existem “povos europeus” (no plural), mas é a primeira vez que ouço falar em “povo europeu”. “Povo europeu” pressupõe a existência de uma nação europeia; e, que eu saiba, não existe uma nação europeia. Nunca existirá!

Anda muito “drunfo” a circular nas cabeças dos dirigentes do Bloco de Esquerda. Se eles conseguem ver na Europa um “povo europeu”, imagine o leitor as doses de cocaína que aquela gente anda a snifar! Trata-se de um caso de polícia.

Sexta-feira, 22 Agosto 2014

Ou a política europeia muda, ou a zona Euro vai arrebentar

Filed under: Europa,Política,Portugal — O. Braga @ 2:57 pm
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“O défice da balança comercial portuguesa (exportações menos importações) aumentou no primeiro semestre para 953 milhões de euros, o que representa um agravamento de 759% face aos 111 milhões de euros registados nos primeiros seis meses de 2013.”

Défice comercial português aumentou para 953 milhões de euros no primeiro semestre

¿Será possível Portugal tentar equilibrar a sua balança comercial? Jamais!

Dentro da zona Euro será praticamente impossível a Portugal tentar equilibrar a sua balança comercial, porque países europeus  exportadores como a Alemanha vivem — não só, mas também — dos défices comerciais dos pequenos países da União Europeia. A lógica alemã é a de criar défices comerciais nos países pequenos da zona Euro, por um lado, e por outro lado, esses défices acumulados servem vários propósitos: 1/ subordinação política; 2/ endividamento sucessivo e em crescendo em relação à Banca dos países do directório da União Europeia; 3/ exportação do desemprego alemão para os países da periferia europeia.

O problema é o de que a actual política da zona Euro, comandada pela Alemanha, vai “arrebentar”. As únicas economias da União Europeia que cresceram em 2014 foram a irlandesa (2,5%) e a britânica, mas o Reino Unido está fora do Euro.

A economia alemã encolheu 0,2% no último trimestre. Porquê? Uma das razões é a de que os países da zona Euro, endividados até às orelhas, não estão a importar produtos alemães em quantidade suficiente para assegurar o crescimento — ou pelo menos a manutenção do desempenho — da economia alemã. A Espanha e a Grécia continuam a ter um nível altíssimo de desemprego (25%) só comparável com os Estados Unidos na Grande Depressão dos anos 30 do século passado. Quinze dos 28 membros da União Europeia têm uma taxa de desemprego superior a 10% (incluindo a França).

Na zona Euro, há um “livre mercado” que é made in Germany.

O emprego alemão tem sido sustentado pelas exportações, nomeadamente as exportações para os países europeus que estão hoje sobrecarregados com dívida e, por isso, já não podem comprar na Alemanha aquilo que compravam há seis anos. As exportações alemãs para a zona Euro atingiram um ponto de saturação.

As taxas de juro de empréstimos dos Bancos atingem valores inéditos desde o aparecimento do Euro. Quatro países da União Europeia têm taxas de juros de empréstimos bancários superiores a 20%; seis países têm taxas de juro entre 10 e 20%, incluindo a Itália (15,1%). A taxa de juro média da União Europeia é de 7,3%. A Espanha tem uma taxa de juro de referência de 8,2%. Portugal tem uma taxa de juro de 11%.

Com taxas de juro de empréstimos bancários deste calibre, ¿como é possível às economias periféricas da zona Euro “arrancar” para um crescimento sustentado? Impossível! E a dívida pública portuguesa continua a crescer: por um lado, a dívida cresce; e por outro lado a economia portuguesa não pode “arrancar” com taxas de juro tão altas.

A política monetária do BCE [Banco Central Europeu] — controlada pela Alemanha — tem sido a de fortalecer os rácios da Banca à custa de um crescimento do desemprego nunca visto nos países da União Europeia deste que o Euro foi criado. Os Bancos primeiro; a economia depois.

O alto desemprego significa menos consumo e aumento endémico da dívida dos países da zona Euro (com excepção da Alemanha). Menos consumo destes países significa menos exportações alemãs. Por outro lado, maior desemprego é sinónimo de maior número de “imparidades” bancárias, porque as pessoas desempregadas já não podem cumprir com o serviço das suas dívidas. Com o aumento de imparidades bancárias, a política monetária do BCE (de fortalecimento dos rácios da Banca) vai falhando.

Ou seja, encontramo-nos em uma situação de “pescadinha de rabo na boca”: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Ou a política europeia muda, ou a zona Euro vai arrebentar.

Terça-feira, 19 Agosto 2014

A França na iminência de cessação de pagamentos ( Viva o Euro! Vivaaaaaa!!! )

Filed under: Europa — O. Braga @ 12:18 pm
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«L’ex-ministre du Budget Valérie Pécresse (UMP) a estimé aujourd’hui que la France était “en risque de cessation de paiement” si les taux d’intérêt venaient à augmenter.

Sur RTL, la députée et chef de ‘opposition en Ile-de-France a assuré: “les déficits, cette année, vont exploser. Si les taux d’intérêt remontaient, par malchance”, par exemple “parce que la banque fédérale américaine arrêtait sa politique monétaire accommodante, la France se trouverait quasiment en cessation de paiement”.»

La France en risque de cessation de paiement

É possível que vejamos em breve a França numa situação semelhante à de Espanha quando foi intervencionada pelo BCE [Banco Central Europeu]. O problema começou com a Grécia; depois alastrou à Irlanda; a seguir foi Portugal, seguido da Espanha e da Itália. A Bélgica já está com a “corda na garganta”. Agora chegou a vez de França. Os únicos países da zona Euro que (ainda) não têm problemas (mas que actuam politicamente em “concertação étnica”), são a Alemanha, a Holanda e a Finlândia.

E os estúpidos continuam a dizer que “a culpa não é do Euro”!

Segunda-feira, 11 Agosto 2014

Líder do Hamas em visita a Marrocos: “morreram 486 crianças em Gaza, mas entretanto nasceram 4.500”

Filed under: Europa,Política — O. Braga @ 3:31 am
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No vídeo abaixo vemos o Arcebispo de Mossul, da Igreja Cristã Ortodoxa Grega, Nikodimos Daoud, a relatar o que os cristão do Iraque estão a sofrer nas mãos dos muçulmanos.

A lógica dos islamitas em geral, que é reflectida na posição do Hamas, é a de transformar uma população inteira em mártires, por um lado, e por outro lado realizar o genocídio dos “cafres infiéis”. O Islão lançou contra o mundo inteiro uma guerra de negação ontológica: o “ser do outro” é negado em nome de uma ideologia totalitária.

A expansão do Islão deve começar a ser contrariada na Europa. Não se trata aqui de tolerância ou de intolerância: o Islão não é uma religião propriamente dita: antes, é um princípio totalitário de ordem política. Não é possível reformar o Islão porque sempre foi um princípio totalitário de ordem política desde a sua fundação. O Islão não tem reforma possível.

E não há “muçulmanos moderados” e “muçulmanos radicais”: isso é uma invenção do politicamente correcto — porque um muçulmano é alguém que aderiu a um princípio totalitário de ordem política, tal como os militantes e simpatizantes do partido Nazi o tinham feito. O que pode haver é muçulmanos mais passivos e outros mais activos, assim como em qualquer partido político radical existem militantes mais activos do que outros.

O Islão é incompatível com o Estado de Direito. Até a Turquia secularista descamba periodicamente para a lei islâmica (Sharia). Portanto, não existe espaço na Europa democrática para acolhimento de imigrantes muçulmanos.

Sexta-feira, 1 Agosto 2014

Depois de Boisguilbert e Adam Smith, só nos resta hoje a entropia do capitalismo (por culpa própria)

 

Eu escrevi um verbete com o título “A expansão da “ideologia de mercado” tem que ser travada”; mas isso não significa que eu seja contra o capitalismo e/ou contra o mercado. Pelo contrário, sou a favor do verdadeiro capitalismo, que não é o actual.

Olhemos para o exemplo da Hungria, que é um país capitalista que tem um imposto único e universal (IRS) de 16%, e tem a palavra “Deus” inscrita na sua Constituição.

O leitor Horta Nobre deixou o seguinte comentário no referido verbete: “Talvez os fisiocratas nos possam dar uma ajudinha”.

Vamos ver (como diz o cego): aquilo que se convencionou chamar hoje de “neoliberalismo” já não é o liberalismo de Boisguilbert, dos fisiocratas (por exemplo, Quesnay) e de Adam Smith (por ordem cronológica de evolução ideológica). Vou transcrever a tradução de um trecho de Boisguilbert (“Dissertation de la nature des richesses de l’argent et des tributs” – 1707, pág. 986):

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