perspectivas

Quarta-feira, 12 Junho 2013

A União Europeia, e Portugal em Estado de Natureza na Civilização

Explicar o que se está a passar hoje na União Europeia é muito difícil, se não mesmo impossível.

A União Europeia (leia-se, Bruxelas) e os países que a compõem representam uma total ausência de lógica de conjunto, ou seja, não existe uma coerência básica e primária entre a União Europeia e os países membros. Esta incoerência entre as partes e o Todo não seria estranha e/ou negativa se a União Europeia fosse uma simples confederação – mas que já não é: se não existisse o Euro e não existissem directrizes da União Europeia em forma de leis gerais para todos os países, a incoerência entre Bruxelas e os países membros até seria saudável enquanto sinal de diversidade.

O que não se compreende é que a União Europeia (Bruxelas) seja hegeliana e a maioria dos países membros seja rousseauniana ou jacobina; ou que Bruxelas seja de um utilitarismo Benthamiano ou, sendo optimista, de um utilitarismo Saint-simonista, por um lado, e por outro lado os países membros sejam de um utilitarismo Humeano e mesmo Marginalista. E fico sem saber como conciliar a faceta hegeliana da União Europeia de Bruxelas com o utilitarismo extremo que grassa.

Dá a sensação de que estamos em presença de um monstro incaracterístico, de uma forma disforme e sem ponta por onde se lhe pegue. Não é possível definir a União Europeia; e o seu conceito consiste no paradoxo de conceber um conceito sem a abstracção e sem a generalização a partir de factos e realidades concretos. A União Europeia parece ser um “conceito absoluto”, o que é uma abstracção sem aderência à realidade.


Portugal encontra-se hoje perto de um “estado de natureza”, segundo o conceito de Hegel. Mas em vez de reagir à ameaça – ameaça que existe contra a sociedade civil – através da repolitização dos homens privados despolitizados, e em reclassificar os homens desumanizados da populaça que constituem a nova “classe paradoxal” dos desclassificados sociais, Portugal subordina-se cada vez mais a um utilitarismo radical e jacobino, oriundo dos países do directório da União Europeia, que coloca o indivíduo acima do universal, ou seja, acima da sociedade civil. Em vez de recriamos os laços sociais destruídos por um estado de necessidade, entretemo-nos todos a destruir o que ainda resta.

Advém desta realidade uma profunda convicção: ou se institui em Portugal alguns mecanismos de democracia directa e se revê o método eleitoral, ou terá que haver um movimento nacional que suspenda a democracia. Eu prefiro a primeira solução, mas não vejo lura por onde saia o Coelho.

Domingo, 9 Junho 2013

O director não-executivo da Goldman Sachs está de acordo com o Bloco de Esquerda

O representante da ONU e organizador do Fórum Global da Migração e Desenvolvimento é o inglês Peter Sutherland que é, também, director não-executivo do Banco Goldman Sachs International, e foi presidente do grupo petrolífero BP (British Petroleum).

¿ E o que é que o director não-executivo da Goldman Sachs (que “por acaso” é o organizador do Fórum Global da Migração e Desenvolvimento) defende, no que diz respeito às migrações populacionais e ao multiculturalismo ? Exactamente aquilo que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista defendem! Ou seja, o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda estão de acordo com a Goldman Sachs.

(mais…)

Quinta-feira, 6 Junho 2013

A chulice da classe política e a escravidão institucionalizada

Santana Lopes: “É impossível acabar com a austeridade”

O ex-líder do PSD justifica que “só essa opção torna, por si só, completamente impossível essa solução política”. “E tão só porque é impossível acabar com a austeridade”, aponta Santana Lopes, adiantando que, “na verdade, para falarem da realidade”, os que se opõem à lógica da austeridade, “têm de dizer o que defendem no lugar da austeridade”. “Recusar a austeridade é uma óbvia responsabilidade”, alerta.


“Existência de Portugal está em perigo”, diz Freitas do Amaral

“Para Freitas do Amaral, é preciso que a política alemã mude, porque está a dar cabo da Europa. O fundador do CDS indica também que uma outra situação que deve levar à convocação de eleições antecipadas é a necessidade de pedir um segundo resgate.”


O que é que estas duas avantesmas têm em comum? São ambos euro-federalistas e apoiantes incondicionais da permanência de Portugal no Euro. E porquê? Porque fazem parte de uma elite de sibaritas e nepotes que dependem das sinecuras e privilégios que a União Europeia providencia.

Segundo o dicionário, “austeridade” pode significar várias coisas, por exemplo: “rigor de disciplina”, “severidade”, “penitência”, “mortificação da carne”. Será que, para Santana Lopes, “austeridade” significa “rigor de disciplina”, ou “mortificação da carne”? (a carne dos outros, e não a dele). É que se a austeridade for “mortificação da carne”, os portugueses vão ter que passar a ser obrigados a frequentar saunas gay criadas e subsidiadas pela Santa Casa da Misericórdia.

O delírio de Freitas de Amaral, ao confiar o destino de um pais e de uma nação com 900 anos de existência em uma putativa e eventual mudança da política alemã, é confrangedor. Não é o povo que tem medo, porque o povo já não tem grande coisa a perder: são as elites e a classe política que andam aterrorizadas com a perspectiva de perder privilégios ilegítimos.

A Islândia é um país e uma nação com cerca de 400 mil habitantes, em um território onde não cresce quase nada do chão porque está coberto de gelo durante todo o ano – e esse país não só recusou o Euro mas também recusou a entrada na União Europeia!

E nós temos uma classe política composta maioritariamente por autênticos chulos, pagos a peso de ouro pela União Europeia para manter Portugal e os portugueses em um processo de construção política de uma escravidão institucionalizada.

Quarta-feira, 5 Junho 2013

O veneno mental do coelhismo

“Uma nação que habitualmente pense mal de si mesma acabará por merecer o conceito de si que anteformou. Envenena-se mentalmente.

O primeiro passo para a regeneração, económica ou outra, de Portugal é criarmos um estado de espírito de confiança – mais, de certeza, nessa regeneração. Não se diga que os factos provam o contrário. Os factos provam o que quer o raciocinador.” – Fernando Pessoa, Teoria e Prática do Comércio

Uma das características do coelhismo é a preponderância do “veneno mental” no discurso político, porque se trata de uma tendência política euro-federalista.

O federalismo europeu exige esse “veneno mental” inoculado no espírito do povo português, uma vez que a recuperação do “espírito de confiança”, segundo o coelhismo, passa sempre pelo estrangeiro (União Europeia) e não pela regeneração portuguesa propriamente dita. Para isso, os coelhistas não fazem outra coisa senão apresentar “factos” que alegadamente justifiquem a racionalidade do “veneno mental” com que derrotam Portugal.

pernalonga-tapa-tuneis-web.jpg

Sexta-feira, 31 Maio 2013

O manifesto ‘Tó-Zero’, por José Pacheco Pereira

1/ José Pacheco Pereira dirige-se a Mário Soares com o qualificativo de “presidente”, o que é uma característica da monarquia cuja tradição os Estados Unidos seguiram. Na monarquia, um rei que tenha abdicado em favor de outro rei (seja filho, sobrinho, ou de outro ramo familiar, mesmo afastado ou mesmo sem ligação familiar) não deixa de ser “alteza real”. Esta gente criou, com a república, uma paródia da monarquia. Fernando Pessoa constata isso mesmo:

“É alguém capaz de indicar um benefício, por leve que seja, que nos tenha advindo da proclamação da república? Não melhoramos em administração financeira, não melhoramos em administração geral, não temos mais paz, não temos sequer mais liberdade. Na monarquia era possível insultar por escrito e impresso o rei; na república não era possível, porque era perigoso, insultar até verbalmente o Sr. Afonso Costa.”
(…)
“O regime [republicano] está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados morais, nos serve de bandeira nacional — trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicano português — o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito mental, devem alimentar-se.”
(…)
“Este regime [republicano] é uma conspurcação espiritual. A monarquia, ainda que má, tem ao menos de seu ser decorativa. Será pouco socialmente, será nada nacionalmente. Mas é alguma coisa em comparação com o nada absoluto em que a república veio a ser.”

[citações de Fernando Pessoa: “Balanço Crítico”, textos em prosa].

2/ o manifesto Tó-Zero, de José Pacheco Pereira, critica com razão a linha ideológica de Passos Coelho. Mas em vez de solicitar uma mudança de rumo dentro do próprio governo, diaboliza-o associando-se a Mário Soares, e abre as portas a um novo governo dos “Khmers Rosa” coordenado pelo GOL (Grande Oriente Lusitano). Entre o neoliberalismo e o jacobinismo, José Pacheco Pereira escolhe o segundo. É o próprio José Pacheco Pereira que nos coloca em uma situação de double blind — ou neoliberalismo, ou jacobinismo, com terceiro excluído —, e, como dizia Fernando Pessoa (outra vez), as situações de double blind reflectem um estado de tirania: “a tirania consiste na escolha forçada entre um mal e outro mal”.

3/ a III república de Mário Soares et al, transformou-se em um estado de tirania. Com José Pacheco Pereira ou sem ele. Aliás, penso que José Pacheco Pereira faz parte do problema, e não da solução. Perante o double blind tirânico da III república, o povo tem que encontrar uma terceira alternativa que o faça respirar a liberdade.

Quarta-feira, 22 Maio 2013

‘Decidir faz-nos livres’, dizem os esquerdistas e abortistas espanhóis

Filed under: aborto,cultura,Decadência do Ocidente,Democracia em perigo — O. Braga @ 7:36 pm
Tags: ,

“Políticos como Elena Valenciano, actrices como Lola Herrera o escritoras como Maruja Torres son algunas de las más de medio centenar de personalidades de la izquierda que alzan la voz en una campaña en favor del derecho de la mujer a decidir sobre su maternidad, impulsada por la Plataforma “Decidir nos hace libres” — (VIA)

A esquerda é como os animais: é livre porque decide.

O ser humano é diferente dos animais: decide porque é livre.

A esquerda é irracional como as toupeiras ou os burros: é livre porque age. Em contraponto, o ser humano propriamente dito é racional, e por isso age porque é livre.

O ser humano tem livre-arbítrio porque, nele, a vontade é o desejo informado pelo intelecto (ou seja, o desejo informado pela razão). [S. Tomás de Aquino]. A liberdade existe antes da decisão e da acção (a liberdade é anterior à decisão e à acção), por um lado, e por outro lado a acção é filtrada pela razão.

A liberdade pressupõe responsabilidade. A esquerda recusa qualquer responsabilidade. E quem recusa sistematicamente a responsabilidade tem que ser reprimido por meio da força bruta.

A esquerda é, concreta e objectivamente, um atentado à inteligência humana, à civilização e ao humanismo. Se a esquerda teimar em impor a toda a sociedade a irresponsabilidade, a irracionalidade e a animalidade, terá que ser eliminada através da força bruta e da violência mais radical — sem apelo nem agravo, como se de ervas daninhas se tratassem.

Sábado, 18 Maio 2013

‘ O progresso da opinião pública ‘

“Quando aprovaram o casamento gay disseram que a adopção era um assunto completamente diferente. Depois passaram a argumentar que é apenas justo que os casais tenham todos os mesmos direitos de co-adopção, mas que a co-adopção é uma coisa diferente de adopção. Aprovada a co-adopção passarão a dizer que até já há casais gays que adoptam e que uns não podem ser discriminados em relação aos outros.” (via)

Através do “progresso da opinião pública”, a classe política acabará por convencer o povo de que uma pedra é um pau, um velho está a mais na sociedade e deve ser eutanasiado, uma criança recém-nascida “não é uma pessoa porque não tem consciência” e pode ser legal e legitimamente morta pela mãe, e que Estaline e Trotski eram boas pessoas.

É tudo uma questão de “progresso da opinião pública”. O problema é se o progresso sai ao contrário.

Segunda-feira, 13 Maio 2013

João César das Neves acrescenta demagogia à demagogia que já existe

Filed under: democracia directa,Democracia em perigo — O. Braga @ 1:10 pm
Tags:

João César das Neves escreveu o seguinte:

“A essência da democracia, na política como na economia, é competição, alternativa, desportivismo. Que todos tenham oportunidade de se apresentarem e ganhe, não o melhor, que ninguém sabe quem é, mas aquele que a sociedade preferir. Ora, os nossos pensadores e dirigentes há séculos que são eminentemente proteccionistas, corporativos, clientelares. A sua visão é aristocrática, egoísta, manipuladora. Consideram-se geniais e desprezam as massas ignaras e o País, que nunca os mereceu. Visceralmente avessos à incerteza das eleições e mercados, preferem arranjinhos de bastidores, batota do árbitro comprado, garantia de progra- mas de apoio.”

Fernando Pessoa, nas suas Obras em Prosa coligidas, 1975, Tomo III, páginas 17 e 18, transcreveu um trecho do livro “Conservantismo”, da autoria do Lorde Hugh Cecil, filho do marquês de Salisbúria, como segue:

«Tornou-se altamente interessante inquirir onde está o centro do Poder que domina, em última análise, a Casa dos Comuns e a autoridade ilimitada que, pela Constituição, essa Casa exerce. É interessante e importante, porém não é muito fácil. Pode dizer-se que o Poder está no Gabinete, isto é, nos quinze ou vinte homens predominantes do partido em maioria.

Mas isso nem sempre será verdade. Pode às vezes haver discordâncias no Gabinete. ¿Qual é a força que então determina que a decisão seja dada num sentido ou noutro? A melhor resposta é que a autoridade suprema num Partido é em geral exercitada pelos mais activos e enérgicos dos organizadores partidários sob comando de um ou mais dos principais chefes do Partido. Às vezes o chefe nominal do Partido está entre estes homens; outras vezes não está. Mas eles derivam a sua força, não só da sua situação pessoal, mas de que, de um modo ou de outro,influem no que se pode chama de Guarda Pretoriana do Partido, isto é, os seus elemento mais activos e ardentes.

Se é assim, temos graves razões de receio. A Casa dos Comuns nomeia o executivo e tem domínio absoluto sobre a legislação. O Partido em maioria na Casa dos Comuns domina absolutamente a Casa dos Comuns. Esse Partido é, por sua vez, dominado pelos seus elementos mais ardentes e enérgicos, sob o comando dos políticos a quem esses são mais afectos. Quer isto dizer que a suprema autoridade do Estado está nas mãos de partidários extremos e nas mãos dos estadistas que mais admirados são por esses partidários extremos. É quase impossível conceber uma forma menos satisfatória de governo. Isto, contudo, é que é a realidade.

A aparência é que a Casa dos Comuns representa o povo. Mas, de facto, o povo nem tem a voz dominante na escolha da Casa dos Comuns, nem domínio real sobre ela, uma vez escolhida. O povo tem, na prática, só a liberdade de escolher entre o candidatos partidários que são submetidos à sua escolha. São os partidários ardentes — a Guarda Pretoriana — quem escolhe os candidatos; os eleitores têm somente que determinar se querem ser representados pelo nomeado dos Pretorianos Conservadores ou pelos nomeado dos Pretorianos Liberais, ou, em casos mais raros, podem escolher um candidato, não menos disciplinado, nomeado pelo Partido Trabalhista.

Os independentes podem propor-se, e algumas vezes se propõem à eleição. Mas as eleições, nas condições modernas, são a tal ponto matéria de organização e mecanismo que é com grande desigualdade que um independente se pode bater contra os candidatos nomeados pelos partidos. O triunfo de uma candidatura independente é a coisa mais rara deste mundo. A única e verdadeira influência têm os independentes está no desejo dos chefes partidários de lhes obter os votos. Mas até isto tem na prática um alcance limitado. Há assuntos controversos sobre os quais os partidários ardentes, de um lado e de outro, sentem tão fortemente que quase nada se importam da opinião do público não partidário. E, quando a Casa está eleita, a influência da opinião pública fica semelhantemente limitada.

Alguma coisa se fará para obter apoio na próxima eleição geral; mas, sempre que os homens do Partido do governo realmente se empenhem num assunto, correrão todos os riscos para fazer vingar a sua política. Sobretudo o farão quando o assunto de que se trate envolva o crédito pessoal de um dos chefes da sua confiança. O facto formidável é que a mais alta autoridade do nosso Império imenso e único se encontra alternadamente nas mãos de dois grupos de homens veementes, intolerantes e desequilibrados.»

Como vemos, o problema não é só português: já era inglês no princípio do século XX. O que João César das Neves não pode fazer — porque devemos cuidar da nossa higiene mental — é dizer que uma parte da elite política é “assim” e a outra parte não é. Não nos podemos rir da mundividência do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda.

Quinta-feira, 9 Maio 2013

Chegamos a um ponto em que se torna legítima uma intervenção militar

O título deste verbete parece absurdo; por enquanto. Mas por alguma razão este governo anda preocupadíssimo com o controlo dos militares, e muito activo no desmantelamento da organização militar.
¿E por que razão o título do verbete não é tão absurdo quanto possa parecer à primeira vista? Porque temos um presidente da república senil e um governo déspota coordenado por psicopatas sociais. Portanto, a situação política nacional já está, por si mesma, fora de controlo, e uma intervenção militar apenas reporia alguma ordem no sistema.

Um exemplo de como funciona negativamente a conjunção de um presidente da república senil e um primeiro-ministro psicopata é a lei da mobilidade dos funcionários públicos, que vai despedir entre 50 mil e 100 mil funcionários públicos sem direito a subsídio de desemprego. Este é apenas um exemplo!, porque existem muitos mais.

Sexta-feira, 3 Maio 2013

O que eles dizem para não tocar no assunto da saída de Portugal do Euro !

“Proponho que o Estado imponha temporariamente um regime de despesa privada obrigatória. Nesse regime os titulares de depósitos bancários dispõem, no máximo, de seis meses para gastar uma fracção do saldo na compra de bens e serviços em território nacional. Findo esse prazo, do montante ainda por gastar é transferida para o Tesouro a parte que corresponde à taxa média actual de IVA e de impostos específicos. Na prática, não há qualquer transferência porque não haverá nenhum montante por gastar ao fim de seis meses. Esta é uma solução equilibrada, dado que quanto maior é o saldo, maior é a responsabilidade e a capacidade de relançar a economia. Cada um é livre de comprar o que quiser, desde que seja em território nacional e até ao prazo limite, mas deve saber que a compra de um bem ou serviço importado não aumenta o PIB.”

Regime de despesa privada obrigatória é a solução

strait-jacket-euro-sex webA saída de Portugal do Euro não é um bem, ou uma coisa boa: é uma necessidade. Eu não fico feliz e contente por defender aqui a saída de Portugal do Euro: apenas constato um “estado de necessidade” — Notrecht, na linguagem de Hegel, e para que um alemão perceba o que se quer dizer.

Naturalmente que a saída de Portugal do Euro é assunto tabu para os economistas e para a classe política, em geral. E porquê?

Porque a permanência desastrosa de Portugal no Euro é muito boa para as elites: a classe política sai beneficiada do Euro com as prebendas e sinecuras da União Europeia, por um lado, e por outro lado, uma classe de sibaritas composta por “grandes empresários” e banqueiros agravam, a cada dia que passa, as desigualdades sociais consolidadas pelo eurofascismo que justifica uma putativa “interrupção voluntária da democracia” (IVD).

Se é verdade que com o Euro não temos inflação, temos todavia com ele algo pior: um despotismo político eurofascista que impõe uma canga insuportável de impostos que elimina a classe média e que agudiza as diferenças sociais, e que atira o exercício da democracia para as calendas gregas ou para o tempo do “nunca mais”.

Se o povo está condenado a retroceder à idade da pedra e a ser pobre, então que seja pobre com dignidade, e que mande esta classe política e os vendilhões da Pátria subservientes ao IV Reich para a dimensão escatológica adequada. Mal por mal, que venha o Escudo e a liberdade.

Sábado, 27 Abril 2013

A democracia portuguesa resume-se à classe política

Existe hoje na sociedade portuguesa um sensação de impotência em relação à limitação da discricionariedade dos poderes da classe política, e um sentimento difuso de que esta funciona em roda livre.

Existe de facto um culto da classe política que se sobrepõe claramente à valorização da democracia em si mesma. Hoje, a classe política é a democracia, e esta nada mais é do que aquela.

Este sentimento é relativamente recente na III república portuguesa, e surgiu com a cultura política do Partido Socialista de José Sócrates (a partir de 2005) e que Passos Coelho adoptou. Este sentimento de impotência do cidadão traduz-se e resume-se na seguinte proposição que se pode ouvir amiúde: “dos políticos podemos esperar tudo”. Este “esperar tudo”, para quem o diz, não augura nada de bom. É o “esperar tudo” da fatalidade ou do fado, contra o qual nada há a fazer senão, talvez, ir a Fátima a pé e rezar. É o “esperar tudo” de quem está manietado em relação à prepotência e ao nepotismo da classe política em geral.

A opinião pública deixou de contar em Portugal porque a classe política protege os seus, independentemente da filiações partidárias. Por exemplo, quando José Sócrates perdeu as eleições por manifesto e objectivo descalabro da sua governança, tirou umas férias prolongadas em Paris e hoje é comentador pago a peso de ouro pelo canal público de televisão e sob os auspícios da tutela do Partido Social Democrata de Passos Coelho. Este é apenas um dos muitos exemplos da protecção dos nepotes da classe política. Na classe política, o crime ou a incompetência raramente são punidos, mesmo quando se perdem eleições por má governança.

A ideia clássica segundo a qual “as eleições punem a incompetência” tornou-se redundante. Um político derrotado numas eleições devido à sua incompetência ou aos seus laivos despóticos, acaba por não perder nada: em primeiro lugar, enquanto governou despoticamente, esse político implementou a sua agenda política pessoal mesmo contra a opinião pública maioritária; e em segundo lugar, ele sabe que depois da derrota eleitoral decorrente da sua prepotência ou má governação, será compensado com um “lugar ao sol”, em uma instituição do Estado nacional ou em uma instância qualquer da União Europeia. Ou seja, hoje não há forma de punir realmente um político que governe à má-fila.

Este sentimento de impotência que grassa pelo povo em relação ao controlo da classe política tem o seu contraste num sentimento de discricionariedade quase absoluta por parte dos membros da classe política. Só assim se explica, por exemplo, que Cavaco Silva “escarre”, e vejamos cinco canais de televisão e os seus comentadores a analisar a “excrescência” presidencial durante horas a fio. Existe de facto um culto da classe política que se sobrepõe claramente à valorização da democracia em si mesma. Hoje, a classe política é a democracia, e esta nada mais é do que aquela.

despotismo e democracia png web

Este fenómeno tem basicamente duas causas: 1/ o povo português mudou em relação ao que era há 20 anos, e a classe politica recusou-se a acompanhar a mudança e a adaptar-se ao povo; 2/ a União Europeia do Tratado de Lisboa e as suas instituições supra-nacionais, transmitem à classe política portuguesa uma mensagem ideológica de apoio e de segurança em relação à violação das normas democráticas mais básicas, e apoiam claramente a instituição de práticas políticas que ignorem e desrespeitem não só a opinião pública portuguesa, mas também a História, a tradição, os costumes e até a própria Constituição portuguesa.

Quarta-feira, 24 Abril 2013

Para François Hollande, a medida do verdadeiro bem é a vida animal

Hollande 225 webPara entender o que se passa hoje em França e na União Europeia em geral, talvez não seja má ideia recorrer a Platão, embora os clássicos gregos tenham vindo a ser, cada vez mais, proibidos na educação dos nossos adolescentes. De Platão, as elites actuais propalam somente aquilo que lhes convém: a validação da ideia gnóstica do rei-filósofo omnipotente e a defesa da legitimidade da censura da obra de Homero.

A União Europeia é hoje o lugar por excelência de Cálicles, do diálogo “Górgias”, de Filebo do diálogo do mesmo nome, e de Trasímaco de “A República”.

Ao cidadão normal e trabalhador, que formou a sua família e se dedica a ela, Cálicles diz dele que é um indolente e um desleixado, e critica a sua sujeição às leis da cidade que sustentam e fundamentam o remanso da vida familiar. Cálicles critica o pai de família e as leis da cidade. Em alternativa à indolência e ao desleixo do vulgar cidadão com família, Cálicles defende um modelo de vida feliz que consiste nas paixões mais violentas e numa vida desprovida de comportamentos moderados, e que consista na acumulação dos prazeres mais intensos.

De igual modo, Filebo defende a ideia do prazer como um bem absoluto e de um excesso sem limites — e o mesmo se passa com Trasímaco. Todos eles defendem a necessidade de um poder supremo que crie as condições da entrega livre à satisfação desregrada dos prazeres sem punição legal ou de consciência. Esse poder supremo, que Cálicles, Filebo e Trasímaco defendem, é a tirania que permite a quem o detém desfrutar os excessos comportamentais a seu bel-prazer e satisfazer todos os seus desejos. Ademais, a afirmação da superioridade do tirano em relação ao vulgar cidadão encontra nessa superioridade um prazer suplementar. Para estes três personagens de Platão, a medida do verdadeiro bem é a vida animal.

Página seguinte »

Tema: Rubric. Blog em WordPress.com.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 335 outros seguidores