perspectivas

Quinta-feira, 20 Fevereiro 2014

Cientistas suecos explicam por que razão os homens são mais altos do que as mulheres

 

Os cientistas suecos fizeram estudos exaustivos e demorados, verificaram provas e inferiram indícios, e chegaram à conclusão que os homens são mais altos do que as mulheres porque os meninos são melhor alimentados do que as meninas. É uma questão de comida: os rapazes são melhor alimentados do que as raparigas, e por isso é que os primeiros são mais altos do que as segundas.

boys get more food

 

Por isso, a ciência sueca recomenda que se acabe com a injustiça de os rapazes serem melhor alimentados do que as raparigas que, coitadas, passam fome em criança e por isso é que são mais baixinhas.

Nós temos a obrigação de seguir estes conselhos da ciência — por exemplo, transformando em bíblia tudo o que o se escreve no blogue Rerum Natura —- porque a ciência nada mais quer senão o fim das injustiças sociais e a afirmação de uma nova ética, mais moderna e revolucionária.

Portanto, caro leitor, fique cientificamente a saber: não deixe as suas filhas passarem fome porque ficam mais baixinhas dos que os rapazes.

Domingo, 26 Janeiro 2014

A revolução coperniana da ciência, segundo o António Piedade

Filed under: Ciência,Esta gente vota — orlando braga @ 5:13 pm
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“Longe vão os tempos em que o avistamento de um cometa, um acontecimento astronómico, era associado, pelos homens na Terra, a mensagens dos deuses, a nascimentos de reis e salvadores, ou à queda de impérios e a catástrofes naturais. O desconhecimento e o medo obscureciam o brilho dos cometas que traçavam no céu um temor cósmico.

Hoje sabemos que os cometas são corpos celestes que orbitam o Sol com períodos translacionais de dezenas ou centenas de anos. Constituídos por núcleos rochosos e gelados, podendo ter até vários quilómetros de largura, são blocos da construção primeva do Sistema Solar.”

Mas o que é que tem a ver o cu com as calças?! Temos aqui um exemplo da falácia Ignoratio Elenchi.

O que é que tem a ver o facto de hoje sabemos que os cometas são corpos celestes que orbitam o Sol, por um lado, com a associação de um astro com as mensagens dos deuses, por outro lado? Será que porque hoje sabemos que os cometas são corpos celestes que orbitam o Sol, segue-se que os deuses deixam automaticamente de existir? O que é que tem uma coisa a ver com a outra?

Eu pensava que a ciência não podia demonstrar que uma coisa não existe — incluídos os deuses. Mas o António Piedade operou uma revolução coperniana na ciência: a partir de agora, a ciência passa a determinar que uma coisa não existe, mesmo que não tenha a mínima ideia do que é essa coisa.

Terça-feira, 21 Janeiro 2014

O conceito de “sociobiologia”, segundo Karl Popper

 

«A ideologia darwinista contém uma tese muito importante: a de que a adaptação da vida ao meio ambiente (…), que a vida vai fazendo ao longo de biliões de anos (…), não constituem quaisquer invenções, mas são o resultado de mero acaso. Dir-se-á que a vida não fez qualquer invenção, que tudo é mecanismo de mutações puramente fortuitas e da selecção natural; que a pressão interior da vida mais não é do que um processo de reprodução. Tudo o resto resulta de um combate que travamos uns com os outros e com a Natureza, na realidade um combate às cegas 1. E o resultado do acaso seriam coisas (no mesmo entender, coisas grandiosas) como seja a utilização da luz solar como alimento.

Eu afirmo que isto é uma vez mais uma ideologia: na realidade, uma parte da antiga ideologia darwinista, a que aliás pertence também o mito do gene egoísta 1 (os genes só podem actuar e sobreviver através da cooperação) e o social-darwinismo ressurgido que se apresenta agora, renovada e ingénuo-deterministicamente, como “sociobiologia”.»2

Notas
1. referência a Richard Dawkins
2. trecho extraído do texto da conferência proferida por Karl Popper em Alpbach, em Agosto de 1982

D. Duarte Pio está mal aconselhado

Filed under: ética,Ciência,cultura,democracia directa,Política,politicamente correcto — orlando braga @ 11:09 am

 

Hoje parece estar na moda adoptar a estratégia de ambiguidade do papa Francisco I. Ora, a ambiguidade (ao contrário da ambivalência é que é do foro psicológico, e não devemos confundir “ambiguidade”, por um lado, com “ambivalência”, por outro lado) é uma forma de hipocrisia.

A posição manhosa de D. Duarte Pio acerca do referendo da adopção de crianças por pares de invertidos:

D. Duarte critica a aprovação recente, na Assembleia da República, da proposta para realização de um referendo sobre adopção e co-adopção por casais do mesmo sexo. Para o Duque de Bragança, referendar não resolve nada. «A pergunta é ambígua, direi até propositadamente algo manhosa», disse ontem.

«O que é que nos deve preocupar? Os direitos dos adultos, que escolheram viver de determinada forma, ou os direitos das crianças?

Entendo que isso deve ser respondido por especialistas em educação, sociólogos ou psicólogos, pois são eles que nos podem dizer se os interesses das crianças estão ou não salvaguardados quando vão para uma família que não tem pai ou mãe. Infelizmente há muitas crianças institucionalizadas, sem pai nem mãe, mas entendo que esse assunto deve ser respondido por técnicos, pois o cidadão comum não tem dados científicos para tomar essa decisão», explicou.

(o texto foi corrigido para português correcto, devido a um problema de pós-literacia da escriba)

A opinião de D. Duarte Pio, transcrita acima, tem duas partes: a primeira é ética (¿o interesse da criança ou o interesse do adulto?), e a segunda é política (o argumento da ciência e dos “técnicos”), como se a ciência pudesse definir a ética (?!). Ou seja, a opinião de D. Duarte Pio é contraditória e bastaram algumas palavras para que a contradição dele se tornasse evidente.

Ou seja: é pena que ele não tenha, em seu redor, gente à altura das situações e que o aconselhe devidamente. E neste caso, talvez o melhor conselho é o de que ficasse calado.

Em primeiro lugar, as ciências sociais (ou as “ciências não-exactas”) não são exactas (passo a redundância). Penso que D. Duarte Pio sabe disto.

Em segundo lugar, as ciências, qualquer sejam, utilizam a estatística, e esta é sempre baseada no passado (não há estatísticas baseadas no futuro). E sendo que as ciências sociais ou humanas não são exactas, o problema das estatísticas baseadas no passado torna-se mais agudo.

Em terceiro lugar, a maior parte das pessoas — incluindo alguns “cientistas” e/ou “técnicos” — não faz a mínima ideia da dificuldade que a matemática e a estatística têm em verdadeiramente provar uma hipótese ou uma teoria. E quando esta dificuldade é aplicada às ditas “ciências humanas”, o grau de dificuldade dispara em direcção ao infinito.

Em quarto lugar, não devemos confundir ciência, por um lado, com cientismo, por outro lado. A ciência procura a verdade, o cientismo é uma forma de fazer política.

Finalmente, uma citação de G. K. Chesterton:

“Sem a educação, encontramo-nos no horrível e mortal perigo de levar a sério as pessoas educadas.” — G. K. Chesterton (“The Illustrated London News”).

O elitismo traduzido nas palavras de D. Duarte Pio não se coaduna com a tradição monárquica anterior ao Absolutismo — aquela tradição das Cortes em que o povo era representado. Esse elitismo é mais consentâneo com o conceito de vontade geral de Rousseau, ou seja, é um elitismo anti-monárquico. Como bem constatou Karl Popper, ao longo da História o povo enganou-se menos vezes do que as elites — incluindo os reis. Portanto, vamos banir aquela coisa velha do “horrível cheiro a povo” que caracterizou uma certa monarquia que, em finais do século XVII, aboliu as Cortes no nosso país.

Quinta-feira, 16 Janeiro 2014

Quântica e fotossíntese

Filed under: Ciência,Quântica — orlando braga @ 12:24 pm

 

Novas pesquisas científicas inferem que a fotossíntese das plantas está relacionada com a quântica, ou melhor, está relacionada com a coerência de vector-de-estado, também chamada de “coerência de interferência de onda”. Quando existe uma sobreposição de ondas quânticas, e essa sobreposição (vector-de-estado) é minimamente estável (coerência), então essa estabilidade do vector-de-estado influencia a “colheita” eficaz da luz por parte da planta.

«The most recent study has provided a theoretical argument that quantum effects must be present and that classical physics does not provide an explanation. It is claimed to be “the first unambiguous theoretical evidence of quantum effects in photosynthesis”.»

É a primeira vez que se verifica uma relação de nexo causal entre a biologia e a física quântica a uma temperatura ambiente.

Quarta-feira, 11 Setembro 2013

Segundo a “ciência”, as virtudes de um pai de família residem nos colhões

No século XIX esteve em voga uma disciplina “científica” que deu pelo nome de frenologia, que se baseava numa teoria segundo a qual as funções intelectuais do homem, o seu carácter e instintos estariam alojados em determinada região do cérebro, e que, alegadamente, poderiam ser determinadas pelo estudo das bossas ou das depressões cranianas. A frenologia assegurava que era possível determinar se um indivíduo era psicopata apenas pela observação das bossas e depressões cranianas. É óbvio que a frenologia passou de moda e hoje já ninguém a leva a sério.

Contudo, a tendência da “ciência” para julgar a personalidade e o carácter de um ser humano segundo a sua aparência física não esmoreceu. Se não, vejamos esta “notícia” do pasquim Púbico:

«A aptidão de um pai para cuidar de filhos pequenos está associada ao tamanho dos testículos, sugere um estudo publicado segunda-feira na edição online da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Os investigadores concluíram que indivíduos com testículos menores tendem a colaborar mais em tarefas como a troca das fraldas, a alimentação ou o banho.»

O estudo “científico” baseia-se em perguntas feitas aos pais. Ou seja, a veracidade das respostas dos pais não foi verificada; partiu-se do princípio de que os pais diziam a verdade. Em suma, o estudo “científico” escora-se numa fé.

Depois, o estudo “científico” baseia-se num postulado segundo o qual os testículos maiores produzem mais esperma do que os testículos mais pequenos. Segundo este postulado, com o avançar da idade no homem, os testículos vão-se tornando maiores e descaídos, o que não significa que os testículos enormes e pré-históricos de um homem de 90 anos produza mais esperma do que os mais pequenos de um outro homem de 20 anos.

Posso até estar de acordo com a ideia de que as virtudes de um pai residem nos colhões; mas apenas em sentido figurado. Isto é: ou é da minha vista, ou hoje já não há muitos homens com os “colhões no sítio”.

[ficheiro PDF da notícia do pasquim Púbico]

Segunda-feira, 9 Setembro 2013

O homem moderno anda enganado pelo mito cientificista

Filed under: Ciência,filosofia,Ut Edita — orlando braga @ 5:16 am
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“Os meus planos não são os vossos planos, os vossos caminhos não são os meus caminhos (Oráculo do Senhor)” – Isaías 2, 55,8

Aquilo que é, mas que não é como queremos que seja

De acordo com a Física, é possível afirmar, com grande certeza de probabilidade, que meio grama de urânio se decompõe após 4,5 milhões de anos. Mas o que a Física não pode prever, nunca, é exactamente quando um átomo de urânio se decompõe: a Física já sabe um átomo de urânio pode decompor-se imediatamente ou daqui a muitos milhões de anos. Mas nem por este último facto a Física reconhece que existem milagres, porque a ciência só vale para o nosso mundo quotidiano.

O milagre

Não podemos separar a matéria da pessoa que observa.

A Física ensina-nos que não existem milagres porque a ciência não consegue ver, na existência do universo, um milagre; e se o universo inteiro não é um milagre – segundo a Física -, as partes do universo não são excepção. A verdade é que não podemos separar a matéria, por um lado, da pessoa que observa, por outro lado. Se a pessoa que observa é doutrinada e lobotomizada pelo mito cientificista segundo o qual “o milagre não existe”, essa pessoa não vê o milagre em lugar nenhum, e nem mesmo no facto da sua própria existência. E, como se diz no Novo Testamento, numa terra onde ninguém concebe o milagre, este não pode acontecer – porque o milagre já lá está presente mas ninguém o vê.

A circularidade do conceito de matéria

“Quem não desespera com a teoria quântica, não a entendeu.” – “Atomic Physics and Human Knowledge”, Niels Bohr , 1958, p. 40

A lobotomia do cientismo levou a maioria das pessoas, que observam, a conceber apenas objectos localizáveis no espaço e no tempo – ou como escreveu alguém no Rerum Natura : “tudo são partículas, e as ondas quânticas são apenas ilusão” ( ver verbete meu sobre o assunto ).

Parece que o universo foi desenhado para que pudéssemos existir.

Essas pessoas, lobotomizadas pelo cientismo , não se dão conta de que incorrem em um pensamento circular; trata-se de uma opinião ingénua que a teoria quântica já refutou, porque já não faz sentido ver os objectos claramente identificáveis. Quando os instrumentos de investigação científica são também compostos de partículas, então qualquer análise das partículas tem sempre que pressupor ( a priori ) o conceito de “partículas”. Por isso, a determinação da constituição das partículas é, por princípio, circular, e também por isso não se pode atribuir às partículas nenhuma objectividade definitiva.

O que nos resta é o formalismo de uma estrutura matemática que, como Platão defendeu, deve ter uma natureza espiritual, tal como descrito pelo físico David Bohm (citado em “The Turning Point”, 1982, p.83, de Fritjof Capra ) : “O universo começa a parecer-se mais como uma grande ideia do que com uma grande máquina”.

A casualidade que fundamenta a causalidade

“A física quântica forneceu a refutação definitiva do princípio de causalidade”Werner Heisenberg (citado em “Physics and Transcendence“, 1996, p. 18, de Hans-Peter Dürr ).

A casualidade (não confundir com “causalidade”) e a a-causalidade da realidade física fundamental não se devem aos nossos conhecimentos limitados, ou seja, não se devem à nossa ignorância – mas antes são constitutivas da própria realidade fundamental. Não existe uma probabilidade subjectiva, mas o que existe é uma probabilidade objectiva. Aquilo que nos aparece como causa e efeito tem, na sua base, uma a-causalidade e uma casualidade, como se a causalidade fosse desenhada para que pudéssemos viver num universo minimamente previsível e sujeito a leis e sem as quais a nossa existência não seria possível. Parece que o universo foi desenhado para que pudéssemos existir.

Quarta-feira, 4 Setembro 2013

Querida! A dopamina tomou conta do meu bolbo caudal raquidiano!

Segundo o pasquim Púbico , um “estudo científico” diz que uma região do cérebro responsável por respostas automáticas permite mais facilmente o perdão em relação a uma traição conjugal.

A coisa não tem nada a ver com a experiência da relação a dois, com o compromisso assumido, com o altruísmo e capacidade humana de perdoar, e com o conhecimento mútuo: em vez disso, segundo esse “estudo científico”, o perdão está ligado a uma região do cérebro responsável por respostas automáticas.

E o marido traidor exclama, todo científico: “Querida! A dopamina tomou conta do meu bolbo caudal raquidiano!”.

«Um estudo revela que seguimos mais facilmente em frente, depois de uma traição, quando estamos numa relação antiga. Essa escolha está associada a uma região do cérebro responsável por respostas automáticas.»

E os gays também “já nasceram assim”! Ninguém tem culpa. A culpa é dos genes e da biologia. A “ciência” é isto!

O fim do discurso

O discurso é o raciocínio, ou a sequência de raciocínios, presentes mediante uma ordem metódica. Embora seja impossível que um discurso seja totalmente coerente, o discurso tem que partir de uma base lógica e seguir a lógica formal. O estruturalismo, o desconstrutivismo, e agora o construtivismo, destruíram o discurso e em nome da ciência, chegando ao ponto de hoje já não se saber bem o que é ciência e o que não é.

O “fim do discurso” está bem patente na crítica que o blogue Rerum Natura faz a este artigo no pasquim Público . Em vez de “fim do discurso”, a Helena Damião chama-lhe “Tudo se mistura e se confunde “. Ora, quando tudo se mistura e se confunde, então já não há discurso: em vez disso, há uma algaraviada de ideias desconexas.

A ciência é vista de duas formas: ou as ciências ditas “exactas” (física, química, etc.) – de que não faz parte a matemática que se baseia em juízos sintéticos a priori e, por isso, é mais uma “arte fundamental” do que uma ciência; o matemático é mais um artista e um esteta (no bom sentido) do que um cientista -; ou um método ou “forma de pensar”. E aqui é que está o problema: na “ciência” concebida como uma “forma de pensar”: a ciência concebida como “forma de pensar” é filosofia.

Com todo o respeito por quem não concorda com esta ideia, as “ciências sociais ou humanas” não são ciências no sentido exacto, porque dependem, a cada momento, da interpretação das intenções humanas (Wilhelm Dilthey). Nem sequer se podem chamar de “ciências moles”: uma “ciência subjectivista” não é ciência. Nas “ciências sociais e humanas”, as previsões falham invariavelmente: basta verificar o que se passa com a Economia.

A partir desta concepção de “ciência” como “forma de pensar”, tudo é permitido (“Vale Tudo”, ordena Feyerabend). Por exemplo, vale afirmar, como fez o cientista Stephen Hawking no seu último livro, que “o universo surgiu do nada”, eliminado qualquer nexo causal no fundamento do universo; e, como sabemos, sem nexo causal não há ciência.

O triunfo do dogmatismo não faz parte do desenvolvimento da ciência propriamente dita, porque na ciência vista desta forma não existe qualquer indicador infalível para a verdade baseada em factos – independentemente da validade filosófica do conceito de “facto”: mesmo que a realidade (propriamente dita) exceda infinitamente a ciência, existe um ponto de contacto entre realidade e ciência; neste sentido, e apesar do “facto” entendido como problema filosófico, a ciência é um instrumento da nossa vontade de sobreviver no mundo: o controverso “facto” é, apesar de tudo, o ponto de partida da investigação científica.

A ciência não pode ser vista como uma substituta da filosofia e/ou da religião. A ciência teve tanto êxito precisamente porque não coloca, de forma consciente, determinadas questões filosóficas – o que não significa que estas questões não devam ser colocadas. Mas a colocação dessas questões é filosofia, e não ciência. E o que o artigo do pasquim Público faz é confundir ciência com filosofia.

Segunda-feira, 2 Setembro 2013

A nova cultura intelectual — e antropológica — que vem aí

1/ Não simpatizo com a expressão “cultura de massa”, não só porque a cultura antropológica sempre foi de “massa”, mas também porque aquilo a que se chama hoje de “cultura de massa” é cada vez mais uma cultura do “indivíduo-rei”, ou uma cultura de atomização da sociedade.

Na Idade Média, a oralidade substituía a imprensa; e embora a população europeia fosse, nessa época, muito menor em quantidade do que aconteceu depois da industrialização a partir do século XVIII – também poderíamos falar de uma “cultura de massa” na Idade Média. A cultura antropológica é sempre uma “cultura de massa”. O inconveniente da utilização deste termo (cultura de massa) é que tem uma directa conotação com a expressão marxista “cultura de classe”, e portanto reduz a cultura antropológica, ou a algo indefinido e portanto sem sentido, ou ao seu menor múltiplo comum.

2/ Aristóteles diz que Sócrates errou quando afirmou que “a sabedoria é uma ciência”; em vez disso – diz Aristóteles, “Ética a Eudemo”, 1246 b 35 -, a sabedoria “é uma virtude, não uma ciência”, ou seja, a sabedoria é um “outro género de conhecimento”.

A irracionalização da cultura antropológica ocidental (a tal “cultura de massa”), em geral, advém da identificação entre sabedoria e ciência.

A Ciência = Sabedoria; e quem disser o contrário disto é considerado ignorante pela cultura intelectual (que é a outra forma de cultura, estabelecida pelas elites ou pela ruling class ). Ou seja, segundo Aristóteles, a modernidade caiu no erro de Sócrates ao considerar que a sabedoria é uma ciência e que a ciência é sabedoria. E ciência é sinónimo de positivismo.

Vejamos o que Ernst Haeckel escreveu em 1898:

«Aquilo que a Física descreve é a Natureza, tal como ela é em si mesma; a Natureza… funciona objectivamente, tal como funciona uma máquina a cujo funcionamento nós, os sujeitos, na maior parte das vezes só podemos assistir.»

O mundo é, assim, concebido como uma grande máquina; e quem descodificar o seu projecto, tira-lhe tudo o que ela possui de miraculoso e pode utilizar essa máquina para os seus fins. Esta é a concepção de realidade ainda hoje patente na esmagadora maioria dos nossos contemporâneos – mas esta ideia é absolutamente errada! E quando digo que esta ideia é errada, cinjo-me à própria ciência microfísica que já demonstrou que ela é errada.

3/ O que faz falta é criar uma nova cultura intelectual que denuncie as ideias de Haeckel que ainda hoje predominam em grande parte da comunidade científica e na cultura antropológica em geral (a “cultura de massa”). Ou seja, o que é preciso é propalar a verdade das descobertas da própria ciência. E o que se passa hoje é que existe uma resistência muito grande das elites em relação à verdade científica – porque o que está em jogo é a exposição da absurdidade do materialismo da Idade Moderna.

John Gribbin , por exemplo, escreveu o seguinte (“Schrödinger’s Kittens and the Search for Reality“):

«Se continuarmos a investigar e se indagarmos sobre a imagem física daquilo que aqui (no mundo) acontece, chegaremos à conclusão de que todas as imagens físicas se dissolvem num mundo de espíritos.»

Essa nova cultura intelectual tem que aliar a religião à ciência – e não separá-las. Uma abordagem exclusivamente religiosa da realidade apenas alimenta a teimosia irracional do facciosismo positivista.

Sexta-feira, 9 Agosto 2013

Santo Agostinho desconstrói o Positivismo

Um dos figurões do neopositivimo foi Rudolfo Carnap, que ficou célebre por ter transformado o Direito Positivo na total aberração discricionária, arbitrária e elitista que vemos hoje através de muitas leis absurdas emanadas da assembleia da república. Por outro lado, Santo Agostinho é hoje considerado uma figura ultrapassada, fora de moda e mesmo ridícula, uma espécie de Velho da Montanha que “só pensa coisas velhas”.santo-agostinho-300-web.jpg

O neopositivimo de Carnap – e dos seus compagnons de route do Círculo de Viena – é hoje (ainda) o paradigma do pensamento válido, mesmo que alguém negue esse paradigma. O neopositivimo está de tal forma arreigado à forma de pensar do homem moderno que é muito difícil eliminar a sua influência.

Segundo Carnap, tudo aquilo que está para além da objectividade deve ser considerado necessariamente como absurdo ou como um problema aparente. E só aquilo que é percebido pelos sentidos pode ser considerado conhecimento seguro. E, no campo da ciência propriamente dita, o neopositivimo abraça o conceito segundo o qual “a significação é a verificação”, e, por isso, tudo que não pode ser verificado não tem significado.

Santo Agostinho coloca os neopositivistas numa situação muito delicada, e apenas utilizando a lógica. “¿Quem sou eu?” – pergunta Santo Agostinho.

Em primeiro lugar, sou sempre eu a pensar alguma coisa acerca de mim próprio. Por isso, sou logicamente sempre mais do que aquilo que penso de mim mesmo, uma vez que me dividi: por um lado, sou aquilo que penso sobre mim, ou seja, sou o conteúdo do meu pensamento; mas, por outro lado, sou aquele que pensa esse mesmo conteúdo.

O conteúdo do pensamento é um objecto – é uma coisa -, mas o pensamento activo desse conteúdo não é um objecto. Por um lado, eu sou um objecto em relação a mim mesmo, na medida em que sou uma coisa acerca da qual eu penso; mas, por outro lado, sou sujeito que pensa sobre si próprio. O conteúdo do meu pensamento acerca de mim próprio é incompleto, e por isso não é suficiente para me definir: sou sempre mais do que aquilo que penso sobre mim.

Perante este raciocínio de um indivíduo do século V d.C., os neopositivistas – os modernos, em geral – fazem figura de estúpidos. Aliás, são mesmo estúpidos, porque nem sequer podem aparecer no mundo que eles próprios definiram.

Quinta-feira, 8 Agosto 2013

A ciência diz que nunca um urso polar morreu de fome senão agora

A ciência chegou à conclusão de que é a primeira vez, desde que existem ursos polares, que um deles morre de fome.

Segundo o cientista Dr Ian Stirling, pela primeira vez um urso polar morreu de fome, e este facto é um efeito do aquecimento global. Ou seja, antes do aquecimento global causado pelo nascimento de seres humanos, nunca tinha acontecido que um urso polar tenha alguma vez morrido de fome.

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E mais: segundo a ciência, desde que se formou o planeta Terra nunca existiu um aquecimento global, porque o aquecimento do planeta deve-se à existência do ser humano.

Segundo a ciência, a oscilação do eixo da Terra, por exemplo, não tem nada a ver com o aquecimento ou com o arrefecimento global; nem tão pouco a influência do Sol é significativa para um eventual aquecimento global. A única causa do aquecimento global, segundo a ciência, é o excesso de seres humanos no planeta.

Por isso, a ciência recomenda que os homens “aliviem a libido” nos ânus dos parceiros, que as mulheres “batam pratos” umas com as outras, e recomenda que o aborto passe a ser um direito humano – porque é absolutamente uma evidência científica que nunca, jamais, em tempo algum, um urso polar morreu de fome.

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