perspectivas

Quinta-feira, 1 Novembro 2012

Carlos Fiolhais, o dia das bruxas, e a assombração do bosão de Higgs

«Os chamados fenómenos paranormais são, em geral, pura charlatanice. O  facto é que há gente pronta a  enganar outros e há ainda mais gente facilmente enganável. Os anúncios de coisas extraordinárias – incluindos fantasmas e assombrações –  raramente são acompanhados de provas convincentes.

O astrofísico e divulgador de ciência Carl Sagan afirmou um dia que “alegações extraordinárias requerem provas extraordinárias”. Alguém diz que viu? É preciso que mais alguém veja e que a observação se repita até que subsistam dúvidas. Se não houver dúvidas, haverá decerto uma explicação científica.

Claro que há fenómenos físicos novos, mas não são os fantasmas nem as assombrações. A mente humana está sujeita a  erros e a ciência é um grande esforço humano para escapar aos erros. Errar pode ser humano, mas o ser humano desenvolveu a ciência a fim de não errar demasiado. É a resistência permanente ao erro que nos tem permitido não só saber mais como viver melhor.»

via De Rerum Natura: NO DIA DAS BRUXAS.

Carlos Fiolhais esteve muito bem no primeiro parágrafo. Se ele tivesse ficado por ali teria demonstrado (dedutivamente) a sua sabedoria.

No segundo parágrafo, Carlos Fiolhais começou a asnear quando recorre à presumida autoridade de direito de Carl Sagan e à sua (deste) frase: “alegações extraordinárias requerem provas extraordinárias”. Antes de mais, e para demonstrar dedutivamente que Carlos Fiolhais começou a asnear, é preciso saber o que é uma “alegação” e o que é uma “prova”.

Uma alegação é uma proposição. Portanto, poderíamos dizer: “proposições extraordinárias requerem provas extraordinárias”.

As provas podem ser demonstrativas ou dedutivas — por exemplo, na matemática; ou nos axiomas e teoremas como por exemplo no teorema de Pitágoras, etc. —, por um lado, ou, por outro lado, podem ser experimentais. Carlos Fiolhais e Sagan referem-se às chamadas “provas experimentais” que decorrem da actividade das ciências experimentais.

Nas ciências experimentais é mais fácil provar o falso do que o verdadeiro.

De facto, uma experiência concludente não é uma prova propriamente dita: antes, é uma confirmação. Quando Carlos Fiolhais, no seu laboratório da universidade, faz uma determinada experiência inédita e chega a resultados positivos, não produz uma prova propriamente dita, mas antes confirma uma determinada situação de facto. Em contrapartida, uma experiência negativa é uma “prova do contrário”, ou seja, é prova da falsidade de uma hipótese experimentada (princípio da falsicabilidade de Karl Popper).

A proposição “proposições extraordinárias requerem provas extraordinárias” é, ela própria, uma proposição extraordinária, no sentido em que “proposição extraordinária” não é passível de definição. A proposição “proposições extraordinárias requerem provas extraordinárias” pertence ao domínio da metafísica!

¿Em que é que Sagan se baseia, em concreto, para deduzir essa sua proposição como sendo verdadeira? ¿O que é uma “proposição extraordinária”? Verificamos que os jogos de palavras de Carl Sagan não levam a lado nenhum, porque uma “proposição extraordinária” pode ser o que se quiser subjectivamente — é um conceito muito alargado, e não uma noção. Carl Sagan foi o campeão da subjectividade na ciência do século XX (cientismo).

O que é espantoso é que Carlos Fiolhais deveria ter a obrigação de saber que, na física quântica, muitos dos fenómenos plenamente reconhecidos pela experiência científica não se repetem com a regularidade que permita uma medição estatística. Que diabo, isto é dos livros! E depois vem ele com esta das “proposições extraordinárias requerem provas extraordinárias”?!!!!


O Dr. Ian Pretyman Stevenson foi um médico psiquiatra de origem canadiana que acabou a sua vida profissional como professor na universidade da Virgínia, Estados Unidos. O prof. Stevenson dedicou grande parte da sua vida a investigar os relatos de “experiências de quase-morte” e de “reencarnação”; entre dezenas de milhares de testemunhos, Stevenson foi estudando esses relatos com toda a dúvida metódica que caracteriza a ciência.
¿Adiantou alguma coisa o trabalho do cientista Ian Pretyman Stevenson? Não! E não adiantou nada porque a ciência orienta-se por “paradigmas” (ver Thomas Kuhn), ou seja, orienta-se sempre pelas religiões políticas em vigor no espírito do tempo em que vive.


¿E o que é, segundo Carlos Fiolhais, uma “explicação científica”?

Presumo que “explicação científica” seja uma descrição dos fenómenos segundo princípios de exclusividade material da realidade. Portanto, a ciência não explica nada! Só da cabecinha do Carlos Fiolhais poderia vir a ideia segundo a qual a ciência explica qualquer coisa! A ciência descreve fenómenos. Por exemplo: ciência não sabe bem o que é o bosão de Higgs, e muito menos faz ideia de qual seja o nexo causal subjacente ao fenómeno do bosão de Higgs … ¿e o Carlos Fiolhais vem falar em “explicações científicas”?!

Se formos honestos — estatuto em que Carlos Fiolhais é periclitante — a peugada do bosão de Higgs é, de facto e mesmo para os cientistas, uma espécie de “assombração”. Objectivamente, Carlos Fiolhais serve-se dos me®dia para iludir as pessoas.

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