perspectivas

Quarta-feira, 31 Outubro 2012

O direito inalienável das famílias à propriedade privada

“Too much capitalism does not mean too many capitalists, but too few capitalists.”
— G. K. Chesterton : ‘The Uses of Diversity.’

Esta frase de Chesterton assume um aparente paradoxo: “demasiado capitalismo não significa a existência de demasiados capitalistas, mas antes significa a existência de muito poucos capitalistas”. E nem de propósito deparei-me com este texto acerca do amigo de Chesterton, Hilaire Belloc, e cuja leitura aconselho.

O que G. K. Chesterton quis dizer é que a esmagadora maioria das famílias, e enquanto tal, têm direito à propriedade privada e ao seu pequeno negócio. Hoje, já não se coloca apenas o negócio familiar do cultivo da terra, mas também o direito ao pequeno e médio negócio familiar, seja na pequena e média produção de produtos transaccionáveis, seja nos serviços, seja nas pescas e na agricultura, etc.

Muita gente que por aqui passa, e que se diz de “direita”, não compreende a minha aversão a Passos Coelho. Pelo contrário, os blogues “bovinotécnicos” sabem muito bem o que Passos Coelho representa em termos políticos, e por isso defendem-no.

O que está aqui em causa é o direito inalienável à propriedade privada: a bovinotecnia política do actual Partido Social Democrata de Passos Coelho defende uma sociedade com a existência de muito poucos capitalistas, mas esta visão da economia política é tão revolucionária quanto o socialismo do século XIX de Saint-Simon a Proudhon e a Karl Marx.

Ser de direita é defender o direito inalienável à propriedade privada, mas não apenas para uma minoria: é defender esse direito para a grande maioria das famílias.

Esta é, talvez, uma das razões por que tanto os socialistas como os neoliberais — ambos revolucionários! — têm assumido uma política conjunta e comum de destruição da instituição da família: destruindo a família natural, já não é mais possível reclamar-se o direito à propriedade privada para a maioria das famílias (porque já não existem muitas famílias, ou vão desaparecendo face ao ataque cultural, político e legislativo brutal).
Os neoliberais estão interessados em poucos capitalistas; e os socialistas vêem na agenda política dos neoliberais o sentido da antítese do materialismo dialéctico que produzirá uma síntese a seu favor e conforme com a certeza revolucionária do futuro. Em suma: os neoliberais são os idiotas úteis em todo o processo.

Em relação a Passos Coelho, eu tenho um problema pessoal e outro político. Do ponto de vista pessoal, sou de opinião que um indivíduo que evoluiu dentro das juventudes partidárias (o que inclui também o António Seguro), desligado da realidade ontológica do país, não tem perfil para ser primeiro-ministro. Sempre defendi isso e não votei nele. Do ponto de vista ideológico, Passos Coelho representa a política que pretende restringir o direito inalienável da maioria das famílias à propriedade privada.

Que fique claro: Passos Coelho não pertence à direita propriamente dita, porque ao defender a existência de poucos capitalistas — ou a concentração do capital em poucas mãos privadas —, ele é a antítese dialéctica do capitalismo de Estado ou concentração do capital por parte do Estado. Passos Coelho e Jerónimo de Sousa são as duas faces da mesma moeda. Direita é outra coisa.

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